quarta-feira, 11 de maio de 2011

[A Linha é Tua] Percurso da linha do Tua pé

Éramos 4. Encontrámo-nos na Brunheda por volta das 08H30, onde deixámos um dos carros junto à estação.
Às 09H30 depois de algumas fotos junto dos comboios e carruagens que se encontram na estação de Foz-Tua, iniciamos o percurso.
Como parámos muitas vezes para contemplar a paisagem, que é lindíssima, e tirar fotografias em todos os marcos que assinalam os "Km's" (faltam alguns), demoramos mais tempo que o previsto.
O viaduto das Presas, caso não estivesse "coberto com tábuas" era capaz de assustar ainda mais e após o túnel das sentimos as primeiras dificuldades, dado não existirem carris nem traves e o percurso foi percorrido sobre cascalho durante um km.
Por volta das 11H15 estávamos no viaduto das "Fragas Más" que assusta um pouco e por volta das 11H45 parámos para um primeiro reforço alimentar em "Castanheiro", onde passou por nós um casal que caminhava no mesmo sentido.
Antes do Km 9 fomos alcançados por um outro casal que nos acompanhou durante alguns kms (O Ricardo Leonardo, que fez um comentário no vosso blogue) e no sentido oposto caminhava um grupo que teria mais de 20 pessoas.
Por volta das 13H15 chegámos à Ponte da Paradela que impôs algum respeito. Parámos para almoçar e recolher água em S. Lourenço às 14H30.
Saímos passado uma hora, e daí para a frente, foi quase sempre a andar. Chegámos a Brunheda por volta das 17H00 e regressamos de carro novamente a Foz-Tua.
A dificuldade da viagem está em conseguir o ritmo certo para caminhar em cima das travessas. A distância entre elas é mais curta que o passo normal e o calçado, este sim, de extrema importância.
O que nos valeu foram as "dicas" que colocou no blogue, nomeadamente calçado a usar, pontos de água e km/hora.
É caso para dizer que ficamos viciados em linhas e já este sábado, dia 07/05/2011, vamos fazer a 2ª etapa, Brunheda - Cachão.
Nuno Cunha

Caminhada realizada no dia 9 de Abril de 2011, entre Foz-Tua e Brunheda.
Obrigado pela partilha das emoções e das fotografias.

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Publicada por Xo_oX em A Linha é Tua a 5/11/2011 12:15:00 AM

segunda-feira, 9 de maio de 2011

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Belver (03)

Um recanto florido de Belver.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 5/09/2011 02:42:00 AM

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Flora (01) - Aquilégia

Este foi um dos exemplares de Aquilégia que pude fotografar na caminhada que realizei no dia 30 de Abril em plena Serra de Bornes. Os primeiros exemplares encontrei-os no ribeiro em Vila Nova, mas julguei tratar-se de alguma espécie cultivada que se espalhou das hortas em redor. A minha dúvida dissipou-se quando encontrei um pé florido mesmo no alto da serra, perto das antenas, no meio dos carvalhos. Depois de alguma insistência encontrei uma grande quantidade de pés, todos com flores fantásticas como as presentadas na fotografia.
Trata-se da espécie Aquilegia vulgaris L. conhecida como Aquilégia, Columbina, Erva-pombinha, Luvas-de-Nossa-Senhora, Viúvas, etc. Questionei algumas das pessoas presentes na caminhada sobre o nome que teria localmente. Responderam-me sininhos, mas sem grande convicção.
Trata-se de uma planta da família das ranunculáceas, originária da Europa e que se desenvolve em matos, matagais e relvados húmidos. A floração acontece entre Maio e Julho.
Já foi usada no passado como planta medicinal, mas, na actualidade, há varias variantes com flores de muitas cores que são usadas como plantas decorativas nos jardins.
Foi a primeira vez que fotografei esta espécie.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Alfândega da Fé a 5/08/2011 06:36:00 PM

[À Descoberta de Vila Flor] A caminho da Trindade

Estas são mais algumas imagens que realizei em Janeiro quando realizei uma caminhada de Vila Flor à Trindade. Apesar do mau tempo e das dificuldades que senti, foi uma aventura muito entusiasmante e que me proporcionou alguns momentos fotográficos únicos com o nevoeiro que esteve sempre presente ou mais próximo, ou à distância.
A igreja da Tindade é românica
Rolos de arame retirados de uma vinha, próxima da Trindade.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 5/09/2011 12:10:00 AM

domingo, 1 de maio de 2011

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Abertura do Blogue


A série de blogues "À Descoberta" começou há 5 anos, em Miranda do Douro, como motivação para muitas viagens pelo concelho, quase sempre em BTT. Desde então para cá, novos blogues foram dedicados a outros concelhos: Carrazeda de Ansiães, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Freixo de Espada à Cinta. O blogue A Linha é TUA, apesar de não ter âmbito concelhio, inteiramente dedicado à linha do comboio do Tua, segue o mesmo modelo dos restantes. São, na sua essência, espaços de partilha pessoal, com fotografias e palavras, fruto do entusiasmo por viajar e conhecer o mais possível o máximo de recantos do Nordeste Transmontano. Sempre que possível as deslocações são feitas em bicicleta ou a pé, proporcionando momentos únicos de contacto com a natureza.

O último a nascer é "À Descoberta de Alfândega da Fé". A área deste concelho faz fronteira com alguns dos que já percorro sendo quase um prolongamento. No dia 30 de Abril de 2011 realizei um memorável Percurso Pedestre na Serra de Bornes que me entusiasmou a querer conhecer melhor o concelho.
Não tenho planos para o Blogue. Espero poder mostrar o que mais me tocar, poesia, flora, rostos, locais, etc., porque tenho a certeza que há muito para descobrir. O ritmo será o possível, ao sabor da vida.
A primeira fotografia que mostro foi tirada no alto da Serra de Bornes, num dia que se esperava primaveril, mas não o foi.

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Publicada por alfandegadafe.blog em À Descoberta de Alfândega da Fé a 4/30/2011 04:00:00 PM

domingo, 24 de abril de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Domingo de Páscoa

O dia da Ressurreição surgiu radioso. Se é aceitável achar-se colaboração do sol nas festas sagradas da cristandade, eu direi que o sol é diferente em certos dias festivos, o ar mais compassivo, a temperatura mais acariciadora. Como que se nota perplexidade nos elementos, o ar suspende a respiração, a Natureza pasma-se, recolhendo-se em quietudes de seivas para dar sua oração a Quem na cria. Há Páscoas com tempestades de chuva, de manhã à noite. Mas isso não conta.
Diz-se apenas que o sol quando vem à festa, fá-lo integrado conscientemente na solenidade. Só assim se compreende a bênção do céu sobre os estandartes encarnados da procissão que sai da igreja matriz após a missa, e desce a Rua da Igreja, sobe a Praça com garbo e impecável organização; depois, vai a Santa Luzia, e regressa pela Rua de S. Martinho, Estrada e Largo do Município. A bênção era lançada pelas pombas, que eu via sempre, ébrias de alegria, rodopiando no fluido azul da cúpula, a alvejar inocências ao olhar risonho do astro da vida, cioso da prodigalidade com que distribui a luz em que plantas e animais satisfazem a ânsia de alegria e cor!
As festas de igreja correram como se desejava. Os rapazes do Grupo trabalharam exaustivamente, dia e noite. Emagreceram, perderam interesses. Mas cumpriram brilhantemente a tarefa que se propuseram.
À porta traseira da sacristia, estavam eles, pela tarde, empenhados numa partilha difícil: a divisão do círio pascal em partes iguais, troféus bentos para guardar nos cantos dos oratórios ou sobre as peanhas dos santos caseiros. E à noite, no monumental teatro, lá se apresentaram, frescos como alfacers, desempenhando com a graça mais subtil os papéis de «O Cabo d'Ordes», que arrancavam trovoadas de riso na plateia.
O Aureliano lá estava; e como se falara em cena das «Danças do Príncipe Igor», tomou nota e nessa mesma noite escrevia para o Porto a pedir os discos.

Excerto do livro Paisagens do Norte, de Cabral Adão.
Fotografias: Vila Flor

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 4/24/2011 12:20:00 AM

sexta-feira, 22 de abril de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Quarta, quinta e sexta-feira santa

Quarta-feira de trevas. Era a perdição do rapazio por causa das matracas. Não havia bicho careto que não fizesse umas matracas. Com três tábuas, seis furos e um fio, era um aparelho feito, pronto a matracar! Dumas me lembra, que o meu sapateiro apresentou numa ocasião, com perto dum metro de comprido. E o Henriqueto, assim lhe chamavam, era marau! Metias-as debaixo do capote, lá mesmo ao fundo da igreja. E durante os ofícios, sacava delas... tracla tracla tracla... Quem sabia lá que era o Henriqueto que assim prevaricava?! Fartava-se de gozar, com um risinho amariolado. O pior foi quando o Padre António descobriu! Se o sapateiro apanhou ou não com elas, já me não lembra. Mas não mais se tomaram a ouvir!
Quando chegava o fim dos ofícios e os padres batiam palmadas nos livros, oh barulho ensurdecedor! E quem é que acabava com aquela música!? Um desaforo, as tais matracas.
As solenidades religiosas de quinta e sexta-feira santa decorriam com o máximo relevo que a liturgia prescreve, não faltando um único preceito ao desenrolar das cerimónias, mais rigorosas e luzi das que as congéneres das grandes cidades, saiba-se.
Ninguém se eximia ao uso dum sinal de luto, por pequeno que fosse, fato, gravata ou singelo peitilho negro. O ar de todos era compungido ou simplesmente respeitoso. A
igreja enchia-se de chales e fatos pretos, os dois dias eram guardados, a vida inteira vivia o drama da Paixão, como desgosto que pertencesse a cada família habitante, quer de jornaleiros quer de ricaços. As ruas eram juncadas de alecrins e arreçãs, nome nortenho do rosmaninho.
Após uma gestação de tanto rigor, não admira que as aleluias saíssem esfuziantes, atingindo o delírio, mesmo, nas ruas, onde os Judas estoiravam, casacas esventradas vertendo palhuço e cinza pelo rombo. Os sinos tocam até lhes cair o badalo ou racharem, como por vezes aconteceu. O rapazio vai em bando pelas portas dos abastados a pedir rebatinha, que as meninas de casa lançam em tabuleiros: nozes, figos secos, amêndoas ou moedas de tostão, gozando o teatro dos atropelos, com a fúria de cada um apanhar a maior parte. E os fomos pejavam-se de empadas (folares) e bolos doces, obrigatórios na ementa do domingo de Páscoa.

Excerto do livro Paisagens do Norte, de Cabral Adão.
Fotografias: Cerimónias da Semana Santa 2011, em Vila Flor.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 4/22/2011 03:00:00 PM

quinta-feira, 21 de abril de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Domingo de Ramos

 "Em minha casa, os ramos eram feitos de oliveira com três camélias e uma peneirinha de alecrim a enfeitar, atadas com laço de seda. E da palmeira do jardim, fazia-se larga distribuição de palmas enormes pelos obreiros. A missa, meia igreja estava repleta de ramos, a mór parte muitos altos, fachoqueiros de dois e três metros, num agitar constante como floresta basta fustigada de sueste. Primeiro, ondulação,branda; depois, brandir nervoso, como chap chap era tão notório que o Padre António, santo velho! vinha de lá, da lá, da sacristia e desatava às noladas com o breviário na cabeça dos que apanhava à mão. «Para que tivessem respeito, que se lembrassem do lugar onde estavam. Depois, na rua, que brincassem à vontade. Ali, não!».
A missa decorria numa unção de beleza e simplicidade, de que o véu espesso das minhas saudades não me deixa já conceber qualquer descrição. Sei que nesses dias tinha o coração em festa, sentia-me inteiramente feliz, o meu pensamento era de azul, o mais garrido azul que o céu da minha terra mostrava naquelas manhãs de Primavera pascal. Os cânticos das Filhas de Maria, o órgão, os tapetes «ricos», um dos quais já quiseram roubar para o Museu Abade de Baçal, as opas de seda «moirée» dos Irmãos do Santíssimo, o incenso, as fatiotas esticadinhas... onde, mais encanto e singeleza?!...
Às noites, ensaiava-se o espectáculo que o Grupo levava à cena no domingo de Páscoa: duas comédias, orquestra, variedades, monólogos e cançonetas. O teatro era em primeiro andar, por baixo um lagar de azeite e por cima telha vã. A iluminação era de acetilene, assentando o gasómetro gerador num cantinho do andadouro dos bois. O páleco, como lhe chamava um carola daquelas festas, lá estava, regular, vamos andando. Ribalta, caixa do ponto, gambiarras, bambinelas, cortinas, dois cenários, camarim, pano de boca, de enrolar, enfim... um palcozinho! A plateia enchia-se na véspera com cadeiras pedidas ao Club, ao tribunal, e casas particulares de mobílias mais abonadas. Ao todo, quê? trezentos lugares, talvez."

Excerto do livro Paisagens do Norte, de Cabral Adão.
Fotografias: Domingo de Ramos em Zedes (Carrazeda de Ansiães) e em Samões.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 4/21/2011 09:00:00 PM

[À Descoberta de Vila Flor] Prece


Ergue bem alto a Tua Mão direita,
A que perdoa, afaga e anuncia.
A que apartou as trevas e o dia,
Com o gesto breve duma luz perfeita.
Não a suspendas sobre a fronte estreita.

O Infinito nunca se adia.
Venha meu espaço a ser, se espaço havia,
O fecho de capela imperfeita.
Senhor, na hora exacta o golpe certo!

E não pressinta nem perceba o fim
No raio, oculto, cada vez mais perto.

Que o pano desça a encerrar o drama.
E Tua Voz se faça ouvir em mim
E ao dizer o meu nome, apague a chama!

Poema de João de Sá do livro Vila À Flor dos Montes (2008).
Fotografias: Celebrações da Semana Santa 2011, em Vila Flor.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 4/21/2011 03:15:00 PM

segunda-feira, 18 de abril de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Semana Santa (Vila Flor)

Realizou-se hoje, em Vila Flor a via sacra, integrada nas celebrações da Semana Santa. Os quadros vivos representando partes da final da vida de Jesus Cristo são momentos de grande emoção e também alguma espetacularidade, sendo muitos os que se deslocam a Vila Flor, para integrarem a procissão ou somente para assistirem às representações.
Este ano houve algumas diferenças em relação ao ano passado da qual destaco com enorme mérito o grupo coral que abrilhantou os pontos mais altos da Via Sacra em frente aos Paços do Concelho.
As fotografias não registam o som, mas fiquei positivamente surpreendido com a qualidade do grupo coral. Os figurantes também estivem muito bem e ouve momentos de muita emoção.
Mais tarde mostrarei mais fotografias.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 4/17/2011 11:03:00 PM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Domingo de Ramos (Pinhal do Norte)

Hoje foi Domingo de Ramos. Estive em várias aldeias do concelho, mas escolhi para mostrar duas fotografias que tirei em Pinhal do Norte, porque, precisamente esta foi a última aldeia de que falei no Blogue.
A bênção dos ramos aconteceu em frente à capela de S. Bartolomeu, no Largo do Terreiro. O sr. Padre Bernardo, com quem tive o prazer de conversar depois da celebração que fez em Zedes, presidiu também às cerimónias no Pinhal.
Chamou-me a atenção em Pinhal, os volumosos ramos que as pessoas levaram para serem benzidos. A par da oliveira, árvore sagrada, e do rosmaninho, quase todos tinham loureiro, que não estou habituado a ver! Com a proximidade do rio Tua pensei que alguns ramos poderiam ter bucho, mas não parece ser esse o habito, nestas paragens. O bucho é usado nalgumas aldeias de Mogadouro, próximas do rio Sabor, onde o bucho é endémico.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 4/17/2011 11:48:00 PM

domingo, 17 de abril de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Peregrinações – Igreja da Santíssima Trindade (Tr...

A primeira peregrinação de 2011 aconteceu no dia 9 de Janeiro passado. Além de ser a primeira do ano, houve outras características que a tornaram bastante singular.
A escolha pela igreja da Santíssima Trindade deve-se a vários factores: nunca visitei esta igreja; a Trindade é uma das freguesias mais distantes da sede de concelho e ir até lá a pé era um desafio interessante.
Parti um pouco mais cedo do que o habitual, sabia que seria um percurso difícil e todo o tempo seria pouco. Quando Vila Flor acordou já eu seguia Facho acima, cheio de energia. Ao longe estouravam tiros por todos os lados. Era Domingo, dia de caça ao tordo. Embora já me tivesse aventurado noutras caminhadas aos Domingos, esta pareceu-me particularmente perigosa, principalmente quando me aproximava das aldeias. Apanhei enormes sustos em Roios, em Vale Frechoso e em Benlhevai. Em Vale Frechoso, perto do campo de futebol, senti mesmo os chumbos caírem à minha volta o que me levou a prometer não voltar a sair em dia de caça.

O tempo estava chuvoso e havia muito nevoeiro. Por trás da serra, a caminho de Roios, a paisagem estava cheia de manchas de nevoeiro e os caminhos ganhavam contornos únicos.
Apesar de estar seguro do caminho a seguir até Benlhevai, já percorrido numa caminhada no mês de Dezembro, o nevoeiro não me deixava orientar convenientemente. Conheço praticamente todos os montes e marcos geodésicos. Esses pontos mais elevados são referências que sempre me servem de orientação, qualquer que seja o percurso que faça. Com o nevoeiro, não me podia orientar por eles. Por outro lado, o nevoeiro funcionou como elemento chave em quase todas as fotografias que fiz nesta caminhada. Como sempre o equipamento fotográfico que levava era mínimo e, com a chuva, nem esse podia usar à vontade.
 Para me proteger da chuva vesti um impermeável que funcionou às mil maravilhas contra a chuva mas provoca imenso calor. O percurso feito está cheio de subidas e descidas. Quanto ao calçado, não havia nada a fazer senão sentir a água e a lama e esperar que os pés aguentassem os maus tratos até ao fim do trajecto.  Também tive dificuldade para ultrapassar alguns ribeiros.
 Sentia-me quase um militar num cenário de guerra, a que não faltavam os tiros por todo o lado. A situação mais assustadora vivi-a antes e depois de Vale Frechoso. Mesmo na aldeia, não sei como as pessoas aguentam tanta disparo em redor.
Antes de chegar a Benlhevai, no meio do nevoeiro realizei algumas fotografias interessantes nos pinhais ou com sobreiros. A partir desse local a bateria da máquina fotográfica começou a fraquejar e tive de a economizar no resto do percurso.
 Em Benlhevai tive que pedir ajuda sobre o caminho a seguir. Entrei demasiado na aldeia, quando a solução era muito simples. Basta contornar pelas traseiras as instalações dos cogumelos e seguir sempre em frente. O caminho, que até nem é mau em condições normais, estava completamente enlameado, mas já pouco me afectava. Segue quase paralelamente à estrada nacional e é um bom recurso para fazer também em BTT. Espero utilizá-lo mais vezes.
A certa altura cruzei-me com o que será o IP2. A passagem superior ainda estava a ser construída e tive que descer ao traçado da estrada para seguir em frente.
 Já perto das duas da tarde entrei na aldeia da Trindade. Os restos da fogueira de Natal ainda ocupavam o largo em frente à igreja. Chovia copiosamente e cheguei em tão mau estado que achei melhor não entrar na igreja. Estava a decorrer a Eucaristia dominical que terminou pouco depois.
Estava terrivelmente cansado e encharcado, pelo que me limitei a esperar que me fossem buscar para regressar a Vila Flor de automóvel.
 Foi uma caminhada extenuante, quer pela chuva, quer pelo nevoeiro, quer pelo perigos dos caçadores. Gostei do percurso que segui e espero voltar a fazer essa caminhada. São 18 quilómetros só por caminhos, que, apesar de tudo, me proporcionaram momentos e fotografias interessantes.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 4/17/2011 12:53:00 AM