quinta-feira, 23 de junho de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Peregrinações – Capela de Santa Maria Madalena (M...

No dia 26 de Março de 2011 fiz uma longa caminha até Macedinho, freguesia da Trindade. Quase sempre há algo que justifique a escolha para a caminhada, neste caso, foi somente vontade de voltar a Macedinho, onde já não ia a algum tempo. Não é um daqueles destinos que escolho com frequência, mas ainda há uma séria de coisas que gostava de conhecer melhor, como o Castelo.
Macedinho fica a alguns quilómetros de Vila Flor, por isso a caminhada foi só de ida e desta vez sozinho.
Os caminhos percorridos começam a ser bastante repetitivos, mas nunca são iguais. Quer a paisagem em redor, que muda com as estações do ano, quer o próprio piso, que no Inverno se cola às botas em forma de lama e de Verão está repleto de sementes secas que se agarram às meias e se tornam incomodativas.
Estávamos nos finais de Março, com a Primavera já em andamento, mas o dia estava pouco simpático, cheio de nuvens e a ameaçar chover. Nas Capelinhas as glicínias lançavam as primeiras flores, ainda timidamente. Atrás da serra eram as campainhas que cobriam o manto de musgo aveludado sob os pinheiros e castanheiros. Perto de Roios apareceu a carqueja, em plena floração, a torga, em grande quantidade e campos de nabiças em flor.
Depois de ter passado Roios começou a chover. Apesar de estar preparado para a chuva, acabei por ficar com as botas completamente encharcadas, o que me dificultou baste toda a caminhada. Subi a calçada em direcção à Quinta do Dr. Pimentel, que fica a poucas centenas de metros da estrada Vila Flor - Macedo. Na borda do que restava de um pinhal que estava a ser cortado para madeira encontrei umas pequenas orquídeas. Depois de algumas caminhadas que tenho feito nas margens do Rio Sabor, onde tenho encontrado algumas espécies de orquídeas selvagens, tenho-me empenhado mais na sua busca no concelho de Vila Flor, mas não tenho tido muito sucesso. Embora nunca tenha dado notícias disso, há algumas espécies bastante abundantes, embora poucas pessoas olhem para elas como orquídeas. A verdade é que o são.
 Quase sem dar por isso cheguei a Vale Frechoso. Junto da capela de Nossa Senhora de Lurdes começa um caminho que leva à estrada, mesmo na direcção certa. Este foi único troço novidade do percurso, porque o restante já o tinha feito em bicicleta ou a pé.
Passei junto à Penha do Corvo, tendo em vista o marco geodésico da Pedra-luz. Durante muito tempo avistei ao longo do caminho pegadas bastante profundas. Seriam de um lobo ou de um cão? Não cheguei a descobrir, mas senti alguns arrepios, como se o animal me estivesse a observar. Vi várias vezes lobos em liberdade nas minha juventude.
Cheguei ao marco geodésico conhecido por Pedra-luz, perto das duas das tarde, com cerca de 14 quilómetros percorridos. Pelo caminho já tinha comido a merenda, mas a bateria da máquina fotográfica já estava com falhas e o entusiasmo já não era muito. Tentei adiantar caminho descendo quase em linha recta em direcção à aldeia, mas foi asneira. Aquelas montanhas são muito perigosas, cheias de poços da exploração mineira. Curiosamente há evidências de prospeções recentes com tubos novos, com menos de um ano! A vegetação é muito densa e impossível de penetrar. Mesmo cansado, voltei a trás e segui o caminho que já conhecia, que me levaria entre Macedinho e Vale da Sancha. Foi então que algo apareceu para animar a minha peregrinação. Foi mais uma planta, cheia de botões prestes a explodir de côr. Não era uma planta qualquer mas sim Peónias, também conhecidas por ramos-de-raposa, ou rosa-albardeira (Paeonia officinalis). Foi um achado! Já tinha percorrido aquelas encostas pelo menos 3 vezes, mas nunca tinha tido a sorte de encontrar esta espécies, totalmente desconhecida para mim no concelho de Vila Flor. Enquanto descia a encosta fui encontrando mais exemplares desta planta.
Este achado animou-me bastante e cheguei a Macedinho perto das três da tarde.A tranquilidade no pequeno povoado era total. Circulei durante algum tempo por entre as casas sem ver ninguém (o que não quer dizer que não sejamos vistos).
A capela está situada no centro da aldeia, perto de outra, mais pequena, de S. António. Já a visitei várias vezes, mas foi recuperada em 2008. No frontispício está uma placa em mármore evocativa desse restauro. Trata-se de uma capela maneirista e barroca, com uma planta longitudinal composta por uma nave, uma capela-mor e uma sacristia rectangular adossada. Na fachada principal, destaca-se uma pequena sineira e um portal de verga recta e, no interior, um retábulo-mor de barroco.
Esta foi uma das mais demoradas caminhadas realizadas nesta série "Peregrinações", embora não seja a mais longa. O mau tempo e o terreno acidentado foram os maiores problemas, mas o balanço foi muito positivo.
Mais tarde voltei a Macedinho, de carro. Subi ao alto da colina em busca das peónias mas fotografei outras espécies. Foi uma tarde fotográfica memorável.

GPSies - VilaFlor_Macedinmho

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Publicada por Aníbal G. em À Descoberta de Vila Flor a 6/23/2011 08:52:00 AM

[À Descoberta de Miranda do Douro] Miranda do Douro - Um paraíso Natural e Cu...


Miranda do Douro - Um paraíso Natural e Cultural

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Publicada por Aníbal G. em À Descoberta de Miranda do Douro a 6/23/2011 11:24:00 AM

quarta-feira, 22 de junho de 2011

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Ansiães na Idade Média

Agora sim, o programa é oficial e um pouco diferente daquilo que em previ há alguns dias atrás. O que interessa é que são quase dois dias repletos de actividades, uma boa oportunidade para conhecer/descobrir/redescobrir as vilas de Ansiães e a de Anciães (castelo).
Eu vou fazer os possíveis por estar presente nos dois dias, mas, o mês de Junho está a mostrar-se cheio de trabalho. Está a ser mesmo muito difícil arranjar algum tempo para descansar. Paciência... quem corre por gosto não cansa.
Repete-se o Torneio de Armas a cavalo no Castelo de Ansiães, um grande sucesso do ano anterior.
Em 2010 jantei uma das noites em Carrazeda, mas não fiquei muito satisfeito. A oferta no recinto da feira era muito reduzida e os restaurantes da vila parecia que nem sabiam que havia uma Feira Medieval! Espero que este ano seja diferente.
Seria também interessante encontrar no recinto, junto à Biblioteca, alguns dos artesãos do concelho. Estamos em época de contenção, mas a prata da casa sempre fica mais em conta.

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Publicada por Aníbal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 6/22/2011 11:09:00 PM

sábado, 18 de junho de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Agenda Cultural - 19 de Junho 2011

Amanhã realiza-se mais uma Feira de Gastronomia Artesanato e Produtos da Terra, em Freixiel. A Agenda Cultural do Município indica que é a IV edição, mas a mim parece-me que é a V. Numeração à parte esta feira é uma boa opção para a passagem da tarde de domingo de forma agradável. O artesanato, os produtos da terra, entre eles o pão e o vinho, que são muito bons em Freixiel e depois a animação, com música, folclore quase obrigatório, são as vertentes que preenchem o dia a dão animação à aldeia que já foi sede de concelho.
Actuação do Rancho Folclórico de Freixiel na III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais, no dia 28 de Junho de 2009.




Também amanhã, vai realizar-se a festa religiosa da Santíssima Trindade, na Trindade. Não será, com certeza, uma grande festa, uma vez que se trata de uma das mais pequenas aldeia do concelho. Além dos actos religiosos, Eucaristia e procissão com os andores da Santíssima Trindade e do Sagrado Coração de Jesus, este pode ser um bom dia para visitar e conhecer a bonita igreja matriz da Trindade, românica, uma das mais interessantes construções religiosas do concelho.

Esta manhã estive na Trindade. O largo da igreja, centro da aldeia, já estava engalanado para a festa.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 6/18/2011 09:34:00 PM

quinta-feira, 16 de junho de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Freguesia Mistério n.º 48

O desafio Freguesia Mistério, na sua edição número 47 teve 13 participantes. Decorreu durante o mês de Maio e consistia em identificar a freguesia onde existi um painel de azulejos com a imagem de uma Nossa Senhora. Quando coloquei este desafio estava convencido que seria muito, muito fácil de adivinhar, mas os resultados mostram o contrário. A tendência de voto inclinou-se para Vale Frechoso, talvez porque já coloquei outros painéis de azulejos dessa aldeia em desafios anteriores. Eu dei a pista que seria importante descobrir de que Nossa Senhora se tratava: é Nossa Senhora do Castanheiro. Com esta informação parece-me que seria relativamente fácil relacioná-la com a freguesia de Valtorno, que seria a resposta correta.


Os votos ficaram distribuídos desta forma:
Nabo (2) 15%
Trindade (2) 15%
Vale Frechoso (9) 69%
A imagem pintada no painel tem muitas semelhanças com a existente no interior da igreja matriz. Este painel de azulejos encontram-se ao fundo do caminho que dá acesso à igreja, através de uma alameda. É facilmente visível para quem passa no cruzamento que dá acesso à estrada do Mourão. É pena que alguns vândalos tenham causado alguns estragos, mas também há quem aqui acenda velas e deposite flores, como a fotografia ilustra.

O desafio que está a decorrer desde o início do mês consta, mais uma vez, na identificação de umas alminhas. Trata-se de um marco, que não deve ser muito antigo, junto a uma das principais estradas do concelho, à entrada de uma aldeia.
Em que freguesia podemos encontrar estas alminhas?
Participe com o seu palpite  (na margem direita do blogue).

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 6/16/2011 09:00:00 AM

[À Descoberta de Miranda do Douro] Festa das Aves II - 12 de Junho

O terceiro dia da Festa das Aves tinha um programa um pouco mais "curto" e confesso que estive tentado a fazer gazeta, mas ainda bem que não o fiz. Com as surpresas com que fui brindado no dia anterior, comecei a pensar que isto de observar aves tem muito de insistência, uma vez que elas não aparecem nem quando queremos, nem onde queremos.
O programa foi ligeiramente ajustado e contou com a orientação de uma pessoa bem conhecedora do terreno. A pessoa que nos acompanhou foi José Jambas, técnico de Ambiente, com um vasto conhecimento da região e das aves do Parque Natural do Douro Internacional, onde chegou a trabalhar. Tem também o gosto pela fotografia e durante a Festa das Aves houve fotografias suas expostas no café da aldeia.
Saímos de jipe em direção a Picote, mais concretamente ao Castro de Cigaduenha. O local é fantástico e senti pena de nunca ter lá estado noutras épocas do ano, mas vou voltar de certeza. Trata-se de um castro do final da Idade do Bronze, Idade do Ferro. Além da importância histórica e arqueológica, é um miradouro sobre o Douro, comparável a muitos que se estendem ao longo do Douro Internacional. Mas não foi a arqueologia nem a paisagem que nos levou àquele lugar. Foram as aves. Além das espécies que já tínhamos avistado nos dois dias anteriores, como o Grifo (Gyps fulvus)e o Abutre do Egipto (Neophron percnopterus), havia uma grande possibilidade de observarmos cegonhas-negras (Ciconia nigra), gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) e ninhos de abutres.
Depois das recomendações ao silêncio e ao respeito pelo lugar, colocámo-nos junto das falésias para observarmos os rochedos do outro lado do douro, onde os grifos fazem os seus ninhos.
Com a ajuda de telescópios contámos os ninhos. Havia vários filhotes em diferentes estádios de desenvolvimento. Os mais abundantes eram os grifos, mas, de vez em quando, os britangos também apareciam, chamando a atenção com o seu porte mais reduzido mas com o seu "fato" branco alvo. A certa altura olhei para os rochedos a meus pés e via um pequeno ponto negro muito esguio, era o melro.azul (Monticola solitarius), que aparecia ao terceiro dia, só para me satisfazer. Depois de tanto tempo a procurá-lo, apareceu exatamente onde seria de esperar, nos locais mais isolados, nos rochedos mais inacessíveis. Chamou pouco à atenção, junto dos abutres e cegonhas-negras, mas eu tenho uma admiração especial pelos pássaros. O melro azul não é propriamente uma espécie que se aviste todos os dias.
Também as gralha-de-bico-vermelho se faziam ouvir, no outro lado do rio. De vez em quando um bando deslocava-se na escarpa.
O leito do rio estava anormalmente em baixo. A paisagem é admirável mas o momento não foi o mais feliz, mas fiquei muito contente por conhecer mais este miradouro.
A distância a que se deslocavam as aves não permitiu grandes fotografias, mas alguns grifos vieram espreitar sobre as nossas cabeças. Até se ouvia o ar nas suas penas! Acho que estavam curiosos.
Já depois da uma da tarde regressámos a Vila Chã da Braciosa. O almoço estava a ser preparado num parque de merendas a poucos metros da aldeia. A carne assada no churrasco acompanhada de salada foi uma boa refeição, regada a vinho verde (!) ou maduro. Ainda tive oportunidade de ouvir o grupo "Bailenga" que animou a noite de Sábado, na Casa do Povo.
Depois das despedidas, ainda tinha em mente uma passagem por Fonte de Aldeia, onde se realizada a festa da Santíssima Trindade, mas atrasei-me e acabei por não ir.

O balanço dos três dias passados em Vila Chã é muito positivo. Tirando um encontro de Birdwatching em Torre de Moncorvo, em 2008, nunca tinha participado em eventos do género. Confesso que estava a contar com mais participantes, mais festa e mais animação na aldeia. Esta ideia veio-me do filme da Festa das Aves 2010. Ao que pude apurar, o orçamento de 2011 foi bastante mais apertado. Pensei envolver mais a família no evento, mas acabei por seu o único a participar. Também contava que o evento fosse mais organizado, mas a filosofia foi um pouco diferente. A preparação e a utilização dos burros mirandeses, a participação de crianças (algumas de colo!), fizeram das saídas de campo autênticos passeios "em família". Mas valeu a pena. Utilizei pela primeira vez o Guia Fapas Aves de Portugal e Europa que comprei em 1998. Entusiasmei-me na observação das espécies embora os meus binóculos fossem muito fracos. Utilizei pela primeira vez um telescópio, é fantástico.

Fiz os possíveis com o equipamento fotográfico que tenho. A objetiva com zoom máximo de 270mm está muito à quem do necessário para a fotografia de aves. Espero ainda vir a ter um equipamento melhor.
A participação do Dr. Paulo Travassos (UTAD) foi essencial durante os três dias. Demonstrou muitos conhecimentos, muito entusiasmo e muita paciência para responder às nossas perguntas de principiantes.
Estão de parabéns a AEPGA (Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino) juntamente com a PALOMBAR (Associação de Proprietários de Pombais Tradicionais do Nordeste) e o Laboratório de Ecologia Aplicada (LEA) da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro). Estão também de parabéns os que confecionaram as refeições, durante os três dias do evento.

Lista de espécies que observei:
Cegonha-negra - Ciconia nigra
Melro-azul - Monticola solitarius
Gralhas-de-bico-vermelho - Pyrrhocorax pyrrhocorax
Andorinha-dáurica - Cecropis daurica
Poupa - Upupa epops
Grifo - Gyps fulvus
Britango - Neophron percnopterus

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Miranda do Douro a 6/16/2011 08:30:00 AM

domingo, 12 de junho de 2011

[À Descoberta de Miranda do Douro] Festa das Aves II - 11 de Junho

O segundo dia da Festa das Aves começou bem cedo para mim. Depois da experiência do primeiro dia, compreendi que os horários são vagas referências pelo que poderia gerir o tempo com menos preocupação com o rigor das horas.
Deixei os binóculos na mochila e peguei na máquina fotográfica decidido a fazer um passeio pela aldeia antes de me dirigir ao lugar da concentração. Visitei vários lugares entre os quais as ruínas da capela da Trindade, a antiga escola primária e a igreja matriz. As ruínas são muito curiosas, quer pelo pórtico da capela, pelas pinturas ainda existentes no seu interior ou pelos enormes esteios em granito que me fizeram lembrar Sta. Marinha, em Cércio. Da escola primária tenho muitas recordações. Nela trabalhou a minha esposa durante alguns anos, quando ainda havia quatro ou cinco crianças a frequentá-la. Hoje é um centro de dia. À igreja voltei porque estava com melhor equipamento fotográfico e queria tentar uma melhor fotografia do seu interior.
A observação de aves começou quando me encontrava no adro da igreja, porque nessa hora o redopio de aves era enorme. Apareceu um casal de pintarroxos (Carduelis cannabina), que fizeram com que me entusiasmasse. Apareceu também um pássaro nos com o bico cheio de insectos, sobre os pináculos da igreja. Pareceu-me uma Emberiza, mas estranhei o local, uma vês que me pareceu que teria ninho no telhado da igreja. Vim saber, mais tarde, que se tratava de um pardal-francês (Petronia petronia).
Nos céus voavam grupos de rapaces, com águias, milhafres mas, sobretudo, abutres.
Constituiu-se o grupo para a visita de campo, mais numeroso do que no dia anterior, e partimos em direcção ao Douro. Percorremos locais muito agrestes com formações rochosas em granito impressionantes. Connosco estava o senhor presidente da junta que nos serviu de guia. Em conversa com ele fui-me inteirando dos nomes e de um pouco da história dos lugares por onde passámos: fragas, ribeiras, moinhos, vegetação, etc. Esqueci-me das aves com o entusiasmo das histórias do Poço da Moura, o Poço da Lã, o Poço do Inferno, os Lastrões, etc. A minha vontade era encontrar o melro-azul, mas tal não chegou a acontecer. Nesta zona pedregosa apenas é digno de realce o conto dos maranteus (Oriolos oriolos) e um casal de perdizes que repousava à sombra de uma moita.
O grupo só se animou perto da uma da tarde, já de novo no planalto, junto da ribeira. Aqui apareceram várias espécies entre as quais o tal maranteu (ou papa-figos, ou ainda marigacho) e o abelharuco (Merops apiaster) que eu ainda não tinha avistado, apesar de já ter escutado. Houve um pico de entusiasmo quando passou por mim um guarda-rios (Alcedo atthis), mas poucos tivemos a sorte de o avistar.
O grupo dividiu-se continuando eu o resto do percurso sozinho, seguindo um caminho completamente diferente, em perseguição de algumas flores que me apareceram nos lameiros da Veiga. Soube que foi avistado um pato-real (Anas platyrhynchos), mas eu fiquei-me pela cegonha-branca que aí tem o seu ninho. No percurso para a aldeia esbarrei sem querer com o ninho de uma cotovia (Galerida cristata).
Já passava das duas da tarde quando almocei, por isso não reparei na ementa. À mesa estávamos mais de 30 pessoas, o que significa que o número de participantes aumentou bastante.
Depois do almoço e de uma ida ao café, fizemos uma retrospectiva das espécies observadas usando algumas fotografias que fomos tirando. Seguiu-se depois mais uma sessão de teoria sobre a identificação de rupícolas e um pequeno filme sobre a gralha-do-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax).
Uma nova saída para o campo aconteceu depois das cinco e meia. Confesso que estes horários estranhos mexem um pouco comigo, e, depois de acompanhar o grupo durante algum tempo ao longo da estrada Vila Chã – Duas Igrejas, fiz aquilo que não se deve fazer, abandonei o grupo. Decidi fazer caminhar um pouco e continuei até Duas Igrejas. As condições atmosféricas não estavam adequadas para a fotografia, pelo me preocupei só com a caminhada. À minha espera em Duas Igrejas tinha o meu “carro de apoio”, que me levou de volta a Vila Chã. Ainda bem que voltei, porque me esperava o momento do dia.
Voltei à veiga para mostrar ao meu filho o ninho da cegonha-branca, com dois filhotes. Um pouco mais à frente há uma lagoa por onde já tínhamos passado no percurso da manhã. Mesmo da estrada, pareceu-me ver algo a mexer. Veio-me à ideia o juvenil de pato-real observado durante a manhã e decidi aproximar-me. Nem queria acreditar!... Não havia um filhote, mas dezenas deles, várias ninhadas com desenvolvimentos diferentes acompanhadas dos seus progenitores. Até galinhas-d’água (Gallinula chloropus) havia! Foi um momento fantástico, como eu nunca esperei viver nesta Festa das Aves.
Não fiquei para o jantar, nem para o momento musical marcado para animar a noite. A minha família também está em Miranda do Douro a ceia é para passar com ela.
Com o entusiasmo do meu encontro inesperado com os patos-reais não sei o que esperar para o último dia do encontro, mas os dois dias já passados em Vila Chã da Braciosa vão deixar muitas recordações e muita vontade de dedicar mais tempo às Aves.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Miranda do Douro a 6/11/2011 11:18:00 AM

sábado, 11 de junho de 2011

[À Descoberta de Miranda do Douro] Festa das Aves II - 10 de Junho

No dia 10 de Junho desloquei-me a Vila Chã da Braciosa para participar na II Festa das Aves. As aves fazem parte da minha vida e, desde miúdo que nutro por elas uma profunda admiração, posso mesmo dizer paixão. Ao longo dos anos poucas vezes tive oportunidade de aprofundar o meu conhecimento sobre estes seres vivos tão especiais mas sempre comprei e li livros (alguns guias) sobre elas. Posso dizer que tenho uma pequena biblioteca sobre aves, rivalizando este hobby com o da fotografia e o da informática.
Além do encontro sobre aves atraiu-me a possibilidade de passar três dias no Planalto Mirandês. Tenho andado bastante afastado e cinco anos de ausência deixam algumas saudades, das pessoas, da paisagem, dos sons e das cores.
Fui o primeiro a chegar à Junta de Freguesia de Vila Chã. Um pouco mais tarde o que o que o programa marcava, juntou-se o grupo e deu-se início ao encontro. Após uma mensagem de boas vindas pela organização, o Dr. Paulo Travassos, do Laboratório de Ecologia Aplicada da UTAD fez a primeira abordagem à observação de aves, equipamentos auxiliares e métodos.
O grupo, composto de cerca de 15 participantes, quase todos jovens, mostrou-se bastante interessado e não se coibiu em fazer perguntas.
A saída para o campo também aconteceu mais tarde do que o previsto, depois de albardados os burros e ajustados os binóculos.
Os burros foram a alegria das crianças, que fizeram um largo passeio, enquanto os adultos se dedicavam a observar os passarinhos.
Dado o adiantado da hora, o percurso foi reajustado, distanciando-se pouco da aldeia. Mesmo na aldeia apareceram os primeiros exemplares, pardal-comum (Passer domesticus) e andorinha-dos-beirais (Delichon urbica), que toda a gente conhecia. Maia tarde foram aparecendo outras espécies menos conhecidas, como o picanço-barreteiro ( Lanius senator) ou a trepadeira azul (Sitta europaea). Mesmo na berma do caminho uma cia (Emberiza cia) levantou voo, denunciando a localização do seu ninho.
De olhar atento e ouvidos alerta seguimos por um bonito caminho ladeado de carrascos. Foram sendo avistadas várias espécies, sobretudo de passeriformes e aves de rapina, sendo observadas, discutidas e classificadas, uma a uma. Os conhecimentos do grupo foram postos à prova, sobretudo com as rapaces (águias, grifos, britangos, peneireiros, etc.) todos tão distantes que só com a ajuda do telescópio conseguimos a sua identificação. Até o cuco-canoro (Cuculus canorus), de cujo o canto já tínhamos escutado à distância, decidiu exibir-se em grande.
Já de regresso à aldeia, junto ao cemitério, havia uma cerejeira carregadinha de cerejas bem vermelhinhas! A maior parte dos participantes não conseguiu resistir à tentação, esquecendo-se das aves.
O almoço, confeccionado pela organização, foi servido no salão da Casa do Povo, teve lugar perto das duas da tarde, ao preço de 6€. O menu era bastante sugestivo: lombo de porco à pisco com batata à pardal. A condimentar este prato havia finos rebentos de alecrim! O menu para vegetarianos também tinha bom aspecto e melhor sabor (mas não tinha rebentos de soja).
Depois do almoço seguiu-se uma pausa para um café, num estabelecimento da aldeia e até para alguns jogos de matraquilhos. Aproveitei também para visitar o interior da igreja matriz onde não me recordava de alguma vez ter entrado. Gostei bastante porque se trata de um monumento muito antigo (Séc. XVIII), com altares em talha dourada dignos de serem admirados. Senti pena de não ter a mão uma máquina fotográfica melhor, mas talvez nos dias seguintes surja uma nova oportunidade de visitar o espaço.
Os trabalhos da tarde iniciaram-se com a apresentação da lista das espécies identificadas durante a manhã. Foram abordados mais alguns conhecimentos teóricos como o canto, pontos adequados para a observação de aves de no território nacional, diferentes habitats, particularidades de algumas espécies mais difíceis de identificar, etc.
Já quase ao fim da tarde houve nova saída para a observação de aves. A hora já não era a mais propícia, mas, mesmo assim, foram identificadas novas espécies, para somar à lista já considerável.
Depois do regresso à aldeia foi servido o jantar nos mesmos moldes do almoço. O menu foi: vitela à moda da tia Bonelli com esparguete cobreira (uma prato muito sugestivo). Há noite houve uma mostra de cinema, mas eu não fiquei para acompanhar mais essa actividade.
Feito o balanço deste primeiro dia evidencia-se o seguinte: os atrasos no cumprimento do horários tem obrigado a ajustes nas saídas de campo que não acontecem nas melhores horas para observar aves; a lista de aves observadas é considerável (e há muitas espécies abundantes que ainda não foram observadas).
Amanhã (dia 11) há mais saídas de campo.


Lista das espécies que observei
1 Águia-calçada - Hieraaetus pennatus
2 Águia-cobreira - Circaetus gallicus
3 Águia-da-asa-redonda - Buteo buteo
4 Alveola-branca - Motacilla alba alba
5 Andorinha-das-chaminés - Hirundo rustica
6 Andorinha-dos-beirais - Delichon urbica
7 Britango - Neophron percnopterus
8 Cegonha-branca - Ciconia ciconia
9 Chamariz - Serinus serinus
10 Chapim-azul - Parus caeruleus
11 Chapim-real - Parus major
12 Cia - Emberiza cia
13 Cotovia-pequena - Lullula arborea
14 Cuco-canoro - Cuculus canorus
15 Escrevedeira-de-garganta-preta - Emberiza cirlus
16 Felosa-do-mato - Sylvia undata
17 Gaio - Garrulus glandarius
18 Grifo - Gyps fulvus
19 Melro - Turdus merula
20 Milhafre-preto - Milvus migrans
21 Pardal-comum - Passer domesticus
22 Picanço-barreteiro - Lanius senator
23 Picanço-real - Lanius excubitor
24 Pintassilgo - Carduelis carduelis
25 Pisco-rabirruivo - Phoenicurus ochruros
26 Pombo-torcaz - Columba palumbus
27 Rola-comum - Streptopelia turtur
28 Rola-turca - Streptopelia decaoto
29 Rouxinol - Cettia cetti
30 Tentelhão - Fringilla coelebs
31 Toutinegra-carrasqueira - Sylvia cantillans
32 Trepadeira azul - Sitta europaea
33 Trepadeira-comum - Certhia brachydactyla
34 Trigueirão - Miliaria calandra
35 Verdelhão - Carduelis chloris

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Miranda do Douro a 6/10/2011 11:16:00 AM

quinta-feira, 9 de junho de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Vila Flor (vista parcial)

Vista parcial da vila de Vila Flor em Fevereiro de 2011. São visíveis as nabiças floridas e também algumas amendoeiras em flor, à luz difusa do amanhecer.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 6/09/2011 10:00:00 AM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Feira Medieval em Carrazeda de Ansiães

Ainda não há muita informação disponível mas o Município de Carrazeda de Ansiães já anunciou a a realização da Feira Medieval, em Carrazeda de Ansiães, para os dias 24, 25 e 26 de Junho.
A julgar pela informação disponibilizada pela companhia de teatro VivArte, o evento seguira de perto o realizado em 2010. Estive presente durante um dia completo e devo dizer que me agradou bastante.
Parece-me evidente a participação da Escola Profissional de Carrazeda, uma vez que está prevista formação em esgrima e danças medievais, nesta localidade, nos dias 16 e 17 de Junho.
 Mesmo sem conhecer pormenores do programa, haverá uma ceia medieval, possivelmente no Castelo, no dia 24 e uma Feira Medieval (Séc. XIV) nos dias 25 e 26. No último dia da feira será levado a cabo um torneio de armas a cavalo no Castelo de Ansiães. Na realização de 2010 este torneio a cavalo foi uma das componentes mais apreciada e que mais gente atraiu a Carrazeda.
A companhia de VivArte faz-se sempre acompanhar de grupos de música, cavaleiros, falcoeiros, encantadores de serpentes, etc.,  e, por isso, é muito difícil prever com exatidão o que vai acontecer. Gostaria de encontrar de novo o grupo de música Cornalusa, quem sabe se já com um CD na algibeira. Vamos esperar para ver...

Reportagem de 2010 - Feira Medieval (1) - Feira Medieval (2)

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 6/09/2011 09:00:00 AM

[A Linha é Tua] De Lisboa ao Tua e do Tua a Mirandela

Desde há muito tempo que ansiava fazer esta linha a pé. Lancei a ideia e acabei por juntar um forte grupo de caminhantes, entre amigos e colegas de trabalho. Mas ao contrário da maioria dos caminhantes desta linha, fomos em autonomia total e com o objectivo de cumprir a totalidade do percurso. Indo de comboio até à estação do Tua e regressando a Lisboa de expresso.
A nossa viagem começou em Lisboa, pelas 11h40 de sexta-feira 27 de Maio, onde seis dos sete elementos embarcaram de comboio com destino à estação do Tua. No Marco de Canaveses juntou-se-nos o sétimo elemento, o Alves.
Na estação de Mosteirô estivemos parados cerca de duas horas devido à queda de uma árvore na linha, o que veio atrasar todo o nosso percurso.
Finalmente chegados ao Tua começá-mos a caminhar já com a noite a fechar-se. Mas não desistimos de fazer o planeado para esse dia, percorrer os primeiros 7 kms de linha para pernoitar no apeadeiro de Castanheiro. Não fazíamos ideia se as estações/apeadeiros estariam ou não abertos, para nos abrigarmos. No Castanheiro alguém abriu acesso, que nos deu jeito para nos refugiarmos da chuva que já caia grossa nessa noite.
No dia seguinte, com um óptimo tempo, já pudemos observar a bela paisagem que o Tua tem para nos oferecer, e não conseguimos resistir a dar um mergulho antes de nos fazermos ao caminho.
Em Santa Luzia cruzámos-nos com um grupo grande que estava a descansar à sombra. Em São Lourenço subimos à aldeia para abastecer de água e conhecer as termas.
O nosso dia terminou em Abreiro, onde construímos um bivaque com toldos. A noite esteve muito quente, ao ponto de ser desconfortável.
No domingo, 29, apontámos a um dos maiores objectivos desta expedição, a Ribeirinha. Mal lá chegámos fomos directo ao Lucky Luke. Fomos muito bem recebidos pelos donos e ficámos a conhecer o Mário, filho do Sr Abílio. Acabámos por ficar lá um bom bocado a comer, beber minis, contar e especialmente ouvir as histórias do Mário, que são de chorar a rir! Estávamos já de partida do Lucky Luke quando eis que o Sr Abílio aparece, lentamente, agarrado à sua bengala. Mais umas fotos rápidas e regresso à linha!
No Cachão, o Alves, teve que partir de Metro até Mirandela, para garantir que chegava a horas ao trabalho na segunda-feira. Ficámos os restantes para devorar o restinho de travessas que nos separava de Mirandela.
A ideia inicial era pernoitar a 4 km de Mirandela, na estação de Latadas, e retomar na segunda-feira. Mas nem sinal das ruínas da estação, nem de um local aprazível junto ao rio para montarmos bivaque. A opção foi continuar até Mirandela. O que a mim, pessoalmente, custou bastante, devido ao muito cansaço acumulado. Lá nos conseguimos arrastar até ao km 54.
Não aconselho a fazer o percurso integral em 3 dias como nós, porque já é difícil andar com aquele passito de travessa em travessa, ainda pior com a casa às costas.

Travessas: 150 a cada 100 metros, 1500 a cada km e em 54km são 81000.
Cada um gastou cerca de €15 em alimentação.
Transportes ida e volta €42.
1º dia 7,6km
2º dia 21,7km
3º dia 24,8km

Primeiro quero agradecer a todos os elementos que alinharam neste empreendimento que há muito queria fazer, ao blog "A linha é Tua", pelas valiosas informações que disponibiliza, e especialmente ao documentário "Pare Escute e Olhe" que nos impulsionou e nos ajudou a perceber o valor da zona que visitá-mos.

Os elementos do grupo: B. Fernandes (eu), Alves, A. Fernandes, André, Barata, Gomes e Henrique.

Nota: Agradeço a B. Fernandes (e todos os que o acompanharam) por partilharem neste blogue a sua aventura na Linha do Tua.
Aníbal Gonçalves

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Publicada por Xo_oX em A Linha é Tua a 6/09/2011 08:00:00 AM

quarta-feira, 8 de junho de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Cabeço - Ascenção do Senhor

No Cabeço, em Vilas Boas, celebram-se várias festas ao longo do ano. A mais importante, a que mais gente chama ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção é a festa realizada a 15 de Agosto, mas há outras que também são marcantes e dignas de serem referenciadas.
No dia 5 de Junho a igreja Católica celebrou a Ascensão do Senhor. Esta festa religiosa leva ao santuário centenas de crentes vindos de distintos pontos do concelho e de concelhos limítrofes. Esta festa tem uma característica que a liga a este blogue, muitos dos crentes deslocam-se para o santuário a pé, em peregrinação.
Esta foi razão suficiente para a caminhada habitual de Domingo, da série "Peregrinações" fosse programada para o Santuário, em Vilas Boas.
Foram muitos os que connosco se cruzaram pelos caminhos; vindos de Vila Flor, Samões, Candoso, Freixiel ou Vieiro. A pé, ou de bicicleta, foram vários os meios, mas o destino foi o mesmo.
Este encontro, no alto de um monte, tem algum paralelismo com a festa celebrada. Há milhares de anos atrás, Jesus Cristo, ressuscitado, encontrou-se com os discípulos no alto do um monte, na Galileia.
Não chegámos a tempo de seguir o programa, chegando ao capela perto do meio dia, quando já a procissão Via lucis fazia o percurso descendente em direcção à base do santuário onde se celebrou a Eucaristia.
Fizemos também a pé o percurso de regresso a casa, a hora aceitável para o almoço.
Pela tarde abateu-se sobre Vila Flor ( e também Vilas Boas) um forte temporal, com chuva abundante e trovões, como é pouco habitual, mas que começa a ser frequente nesta Primavera.
Para mim foi uma realização, uma vez que, há 4 anos que planeava integrar-me  nesta peregrinação ao Cabeço.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 6/08/2011 08:30:00 AM