quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] À Descoberta de Pinhal do Norte (1/3)

Desde criança que Pinhal do Norte é para mim uma aldeia distante e a descobrir. Hoje está muito próxima, mas, quando em criança olhava a partir de Zedes em direção ao Pinhal do Norte, erguia-se a meus olhos uma elevação gigantesca, onde por vezes conseguia ver um marco geodésico (a mais de 820 metros de altitude). Naquela serra, (onde poucas vezes me aventurei a ir) abundavam as formações graníticas ciclópicas e profundos poços, abertos em tempos idos, em busca dos minérios da terra. A aldeia seria lá ao fundo, por detrás da serra, bem mais longe do que o que me era permitido explorar.
Foi com muito entusiasmo que visitei Pinhal do Norte, várias vezes, recentemente. Percorrer as ruas da aldeia foi sentir não corpo e na alma um conjunto de sensações que me fizeram viajar no tempo e sentir a própria existência de uma forma mais real, longe da pressa, do barulho, do efémero ou do falso. Aqui tudo é autêntico, principalmente as pessoas que gostam de conversar, de contar com alegria e alguma vaidade as histórias da sua terra e da sua infância.
Hoje é muito fácil chegar a Pinhal do Norte. Situado a 12 quilómetros da sede de concelho, é servido pela não muito antiga estrada que parte de Carrazeda de Ansiães em direção a Amedo, importante saída do concelho pela ponte sobre o rio Tua, na Brunheda. O traçado do IC5, ainda em obras, vai também beneficiar este pequeno povoado, uma vez que para aqui está projetado um nó de ligação a esta novíssima via de comunicação que vai atravessar todo o sul do distrito de Bragança.
Terra de bom vinho, mas também excelente para a produção de azeite, cereal e amêndoa registou muito cedo a fixação de pessoas, facto comprovável pela existência de vestígios de muralhas e restos de alguns povoados.
Uma visita à aldeia de Pinhal do Norte deve começar obrigatoriamente no largo do Terreiro. Um enorme plátano fornece a sombra necessária para se passar algum tempo a ver e a sentir o coração da aldeia. Aqui confluem, e daqui partem, as principais ruas. No largo está situada a capela de S. Bartolomeu. De linhas singelas e sem sino na sua torre sineira central, encerra no interior um altar em talha dourada com alguma beleza.
 Situada neste lugar privilegiado da aldeia, presenciou e foi palco importante da sua história. Da pequena capela têm especial lembrança muitos que aqui aprenderam as primeiras letras, sob o olhar atento da D. Susana, natural da freguesia vizinha de Pombal. Não é frequente que uma capela seja usada como sala de aulas, mas aqui foi uma realidade.
Os que aqui aprenderam as letras, foram os mesmos que brincaram no Terreiro primitivo, onde a água corria e enlameava tudo, mas onde se brincava à bilharda, à roça, onde se conquistavam mundos imaginários com o perfurar certeiro de um espeto na terra lamacenta. Hoje o largo tem outro aspeto, melhor, muito melhor, mas já não se ouvem os risos das crianças.

 A presença do coreto mostra que também aqui que se fazem as tradicionais festas de verão.
No largo existem duas fontes: um fontanário normalíssimo rodeado de um tanque para os animais beberem e uma espécie de fonte de mergulho, sem na realidade o ser, uma vez que a água vem entubada de bastante longe para ali correr livremente, sem torneira. Por cima dela há um curioso painel de azulejos que diz o seguinte: "As pessoas sentem-se sós porque constroem muros em vez de pontes. Unidos no amor construiremos um Pinhal novo". A pedra de cantaria onde foi aplicado o painel ocupou outrora outra posição, em frente da fonte. Era usado para pousar os cântaros e canecos quando aqui vinham buscar água. A fonte que existe no largo de Brunheda (freguesia de Pinhal do Norte), também tem estas características.

Continua em - À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 12/01/2011 11:50:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Freguesia Mistério

Com a entrada do mês de Dezembro, começou um novo desafio- FREGUESIA MISTÉRIO N.º54.
Os palpites são dados no margem direita do Blogue, onde aparece a fotografia (em miniatura) da freguesia em questão.
Escolhe-se o nome da freguesia, no menu desdobrável, e só depois se clica no botão - Votar.
Obrigado pela participação.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 12/01/2011 11:18:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Cores do Outono

Majestoso castanheiro na freguesia do Mourão. O seu porte e o ponto elevado em que se encontra, têm feito deste castanheiro um excelente "modelo" para alguns dos meus disparos.
Nas últimas semanas tenho feito bastantes fotografias de castanheiros, que espero mostrar em breve.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 12/01/2011 07:25:00 AM

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Cruzeiro

Cruzeiro em Seixo de Ansiães, à saída para Beira Grande.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 11/30/2011 11:30:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Minha Terra é Vila Flor


I
Minha Terra é Vila Flor
Terra da minha paixão
Vá p'ra onde for
Levo-a sempre no coração.

II
És uma vila muito bela
O teu nome o indica
Chamo-te Vila Flor
O nome que bem te fica.

III
Continuas esquecida
Nesta beleza natural
És a vila mais bonita
És a vila mais bonita
Das vilas de Portugal.

Canção da autoria  mestre da Banda de Vila Flor, de nome Ribeiro, residente em Mirandela (Agosto de 1985).
Fotografia: Vila Flor 26-11-2011

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 11/30/2011 07:50:00 AM

terça-feira, 29 de novembro de 2011

[À Descoberta de Chaves] Natureza Morta I

Natureza morta com hortências e pêras e maçãs.
Travancas.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Chaves a 11/29/2011 05:22:00 PM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Entre duas Metas

Fui criança,
A tudo afeito;
Envolto na dança,
Saltava, brincava,
- Tudo a eito!
Livre como era,
Colorida Primavera.
- Cresci, fui gente, -
Envelheci.
E, de repente,
Olhei-me ao espelho,
- Nada do que vi, -
Antes um velho
Que não reconheci.
Meditei...
- Como quem vê o fim. -
Orei.
Braços cruzados, em mim,
Fiquei.. .
Ponto Final, - Sol posto, -
Profundos sulcos dourados,
Espinhos cravados no rosto;
Na alma, cilícios gravados.
Ponto final, - a Meta. -
No peito, o silêncio aperta!...
Agora, ó terra amada,
- Já meus anos volvidos, -
Rói meus ossos bem roídos!...
E, se um dia eu voltar,
De novo, à vida, ao nada;
Fecha-me a porta bem fechada!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Capela, em Felgueira, freguesia de Pinhal do Norte.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 11/29/2011 11:00:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] No Jardim da Saudade (1/2)

Já rolam os ventos brandos do Outono pela Natureza sonolenta além. Descem aos vales, perseguindo os ribeirinhos, brincando com os salpicos irisados de
pequenas cachoeiras, penetrando as frinchas das azenhas, que recomeçaram o trabalho de moer pão e de bucolizar os quadros campestres no chiar mansinho dos rodízios; e abanam as copas desfalcadas dos choupos das margens desprendendo-lhes as folhas, agora uma, logo outra, mais outra, e mais... e mais... que vão caindo, esmaecidas, mortas, nas ondulações da corrente, como lágrimas num rosto, a deslizar suavemente; ou poisando em espasmos nos tapetes relvados, esboços dos novos prados para os cordeirinhos pastarem plas tardinhas.
Correm as encostas como um sopro fugidio, arejando a terra revolvida pelas charruas do lavrador, que a prepararam para a sementeira do centeio, seguidas por bandos de contentes alvéloas, que empinam o rabo ao vento, enquanto debicam os vermezitos que a relha traz à tona.
Embalam os sinos das igrejinhas modestas, dispersas pelos povoados das quebradas, tomando-lhes as badaladas plangentes, escoadas nos crespúculos pelas veigas fora, até aos ouvidos dos trabalhadores da terra, que se descobrem, se inclinam e se edificam na oração das Ave-Marias.

Texto: Excerto do livro Paisagens do Norte, de Cabral Adão.
Fotografia: Por detrás da Serra (Roios)

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 11/29/2011 07:51:00 AM

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Chegar a Alfândega da Fé

Esta é uma das entradas em Alfândega da Fé. Pode não ser a mais vistoso, nem a mais conhecida, mas é, como esta fotografia editada documenta, cheia de romantismo e beleza.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Alfândega da Fé a 11/28/2011 03:04:00 PM

[A Linha é Tua] Pelo Caminho-de-Ferro em Portugal


Pelo Caminho-de-Ferro em Portugal

O MCLT – Movimento Cívico pela Linha do Tua, e o MCLC – Movimento Cívico pela Linha do Corgo, irão organizar duas manifestações, no âmbito de uma série de eventos dedicados aos Vales Durienses Ameaçados.
O MCLT organizará uma manifestação com percurso entre o Centro Cultural de Mirandela e a estação de caminhos-de-ferro de Mirandela, onde convidamos cada participante a acender uma vela para depositá-la depois no cais de embarque da estação de 124 anos. Esta manifestação está marcada para as 16h30 do dia 1 de Dezembro próximo, e tem como principais objectivos não só despertar as consciências – sobretudo as que povoam o Governo em Lisboa – para a situação actual da Linha do Tua e a sua importância para o futuro da região, mas também para os factos e números que envolvem a construção da barragem do Tua.
O MCLC organizará um dia de aproximação à Linha do Corgo, que culminará na concentração no largo da estação da Régua, tendo como objectivo também chamar a atenção da sociedade civil para a situação actual da Linha do Corgo, e o seu potencial de desenvolvimento. A concentração está marcada para as 15h00 do dia 4 de Dezembro próximo.
Apesar de ambas as iniciativas apresentarem objectivos bem localizados, o convite estende-se a todas as associações, movimentos cívicos e cidadãos de todo o país, que lutam pelo caminho-de-ferro em diversas vertentes, desde a Linha do Minho à do Douro, do Ramal da Lousã e da Linha do Vouga à Linha do Oeste, e do Ramal de Cáceres e da Linha do Leste às Linhas do Sueste e Algarve.
Trinta anos de políticas desastrosas para o caminho-de-ferro em Portugal levaram-nos à miserável condição de único país da Europa Ocidental a perder passageiros na ferrovia, e agora o Plano Estratégico dos Transportes está a tentar ditar o encerramento de vias-férreas que no seu conjunto não representam sequer 3% dos prejuízos da CP, perpetuando uma farsa que lentamente levou o país a uma perigosíssima dependência das estradas.
BASTA! Esta situação é insustentável, e a má gestão sistemática de sucessivas tutelas e Conselhos de Administração da CP e da REFER não poderá passar incólume e remediada com mais encerramentos de troços ferroviários e perda de horários e outros serviços, com importância económico-social fundamental para o bem-estar da sociedade.

Pelo Caminho-de-Ferro em Portugal!
 Vila Real, 27 de Novembro de 2011

Fonte: MCLT

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Publicada por Anibal G. em A Linha é Tua a 11/28/2011 03:35:00 PM

[A Linha é Tua] Quilómetro 14º

A Linha do Tua, pouco depois da passagem por Santa Luzia. Neste local ouve uma derrocada (entre muitas outras), já há mais de uma ano. Está tudo ao abandono.

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Publicada por Anibal G. em A Linha é Tua a 11/28/2011 12:56:00 PM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Detalhes em Ferro (4)

Mais um bonito pormenor de um portão em ferro forjado, desta vez em Ribalonga. Estes bonitos trabalhos aparecem, quase sempre, em casas em ruínas, ou abandonadas. É pena não se valorizem estes trabalhos quer em ferro, quer em granito e se construa cada vez mais de forma incaracterística, sem identidade e sem alma. Quem despreza o seu passado, não está preparado para o futuro (porque em breve também será passado!).

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 11/28/2011 11:30:00 AM