sábado, 31 de dezembro de 2011

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Feliz 2012

Que o calor e a luz sejam coisas que não faltem em 2012.
Um bom ano para todos os visitantes do Blogue.
Fotografia: Fogueia em Marzagão (31-12-2012)

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 12/31/2011 08:13:00 PM

[À Descoberta de Vila Flor] Um ano 2012 feliz


Numa altura em que tudo parece desabar, tornando o futuro cada vez mais incerto é dentro de nós e das pessoas que nos rodeiam que temos que procurar as energias necessárias para iluminar e colorir os 365 dias de 2012.
Contem comigo.
Um excelente 2012 para todos.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 12/31/2011 07:45:00 PM

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

[À Descoberta de Miranda do Douro] Detalhes em Ferro (I)

Detalhe da fechadura da porta lateral da igreja matriz de Cércio. Um trabalho muito bonito, preto num fundo vermelho, com alguma decoração de Natal.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Miranda do Douro a 12/29/2011 02:35:00 PM

[À Descoberta de Mogadouro] Rebanho (01)

Rebanho, perto de Vale da Madre, Mogadouro.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Mogadouro a 12/29/2011 12:00:00 PM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Castanheiros (02)

Já há alguns anos que tenho por hábito passar (com frequência) por Mogo de Malta. Uma das razões são os soutos de castanheiros que me proporcionam algumas imagens de que gosto. Este ano não foi exceção.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 12/29/2011 10:21:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Vilas Boas (02)



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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 12/29/2011 08:30:00 AM

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

[À Descoberta de Vila Flor] Na vila


Na vila, os fumos grandes sobem das chaminés. Para além do choro silencioso de Eduardo, mais uma vez a sentir quanto perdera o filho, quanto se perdera, há essa memória crescente, de envelhecimento, ou de maturidade, primeiro. Há as casas, as velhas casas que eram conhecidas de madrugada e à noite, na amplitude do tempo que não corria, tão sólido se mostrava; nas horas de trabalho, na tarde que caía e deixava esse torpor do cansaço.

Extrato do Livro Mulher desaparecida a Sul, da autoria de Modesto Navarro. Este romance foi publicado em 2008, pela Edições Cosmos.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 12/26/2011 08:31:00 AM

sábado, 24 de dezembro de 2011

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] A Nossa Mãe

A nossa Mãe, - Mãe em tudo, -
De raiz e coração;
Ela é mãe, sobretudo,
Porque à dor não diz que não.
Mesmo quando o quer dizer,
Não o diz. E, humildemente,
Tudo nos faz compreender
No seu olhar, docemente!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: dois dedos de conversa e uma fotografia, em Castanheiro do Norte.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 12/24/2011 08:57:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Feliz Natal

Um Feliz Natal para todos os vilaflorenses e demais visitantes deste blogue.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 12/24/2011 08:17:00 AM

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

[À Descoberta de Valpaços] O outono em Tinhela

Quadro de outono na aldeia de Tinhela (freguesia com o mesmo nome).
Esta é a primeira fotografia a dar abertura a mais um Blogue da série À Descoberta, este dedicado ao concelho de Valpaços.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Valpaços a 12/22/2011 05:59:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XXVIII)

Vou pelo assombramento de quartos e salas,
inventariando móveis, invadindo gavetas
que derramam no sobrado uma infância
de pinheiros de natal desfilando
em eclipses de comboios de corda.
Os fungos à superfície dos espelhos
denotam os múltiplos semblantes
que, ao reflectirem-se,
neles se descobriram imagens divididas
entre o exílio efectivo e o reino imaginário.
As conchas onde ouvíamos um cicio de mar,
da forma de um nada que podia ser tudo.
O relógio de pesos parado, a poeira do tempo
sobre a engrenagem, sarcasmo do acaso
ao anseio de exactidão dos ponteiros.
E as indomáveis mãos na glacial desmemória
de anónimas, tolerantes faces,
plasmam-se ao alheamento dos ícones
e inundam de água de sombra o ácido das vozes.


Poemas do Dr. João de Sá,  retirada do livro "E de repente é noite". Edição do autor; 2008.
Fotografia: Castanheiro em Vale Frechoso.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 12/22/2011 09:10:00 AM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] À Descoberta de Pinhal do Norte (3/3)

Continuação de: - À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)
O café do senhor Gonçalves é um local de paragem obrigatória. Quer pelo espaço acolhedor, quer pela simpatia do dono, quer pela vista que daqui se tem, em direção à aldeia e à serra, a mesma que me escondia o Pinhal, quando eu era criança.
Com sorte, talvez se encontrem alguns residentes, com tempo de sobra e cheios de histórias para contar. As tradições são um bom assunto de conversa. Seria interessante saber que, por altura do entrudo, se faziam os "casamentos", por um grupo colocado na Fraga e outro na Serrinha. Mas, pior do que ser "casado" com alguém de quem não se gostava, era receber de dote uma das partes do burro de quem nem o diabo se lembrava, como a pele dos testículos, ou algo do género. Esta tradição da "partilha do burro" também se realizava em Zedes e noutras aldeias do concelho. Também tradição no Pinhal do Norte era fazer um boneco de palha (de nome Entrudo), com um enorme nabo colocado cuidadosamente nas partes baixas, que era colocado durante a noite à porta das viúvas que se portavam mal. Se algumas tradições se perderam, como as cascatas nos Santos Populares (chegaram a fazer-se 3, uma no Robalde (Arrabaldo), outra na Portela e a terceira no Terreiro), a fogueira do Galo continua a fazer-se, bem como as bugalhadas (por altura da Quaresma).
Outros bons assuntos de conversa são as rochas com formas interessantes ou as fontes. Além da lenda do Penedo Furado há outras histórias menos conhecidas como o Meroiço da Ruiva (de onde atiravam as mulheres "pecadoras" acabando por matá-las à pedrada!), a Frada da Moira (onde desapareceram pessoas que vinham da feira de Carrazeda) ou outra rocha onde se ouvem os sinos de Braga (depois de os mais incrédulos lá terem batido com a cabeça) ou a Capela do Diabo. Quanto a fontes, também há bastante para saber: há uma fonte natural conhecida como Gricha da Burra (que me fez lembrar uma outra fonte que existe em Freixiel, conhecida como Crica da Vaca); junto ao rio Tua existe uma fonte conhecida como fonte Férrea, com água rica em ferro, muito procurada noutros tempos. Também existiu uma fonte no caminho para Areias, onde bebiam pessoas e animais, junto à capelinha de Nosso Senhor dos Aflitos, quando iam e vinham da feira.
Seguindo pela rua da Escola encontra-se, como é natural, a antiga escola primária. A erva cresce no recinto, à falta de pés para a pisarem.
O seguinte ponto de interesse é a Cruz. Misto de cruzeiro e de alminhas, faz com o cedro que cresce ao lado um conjunto interessante. Há alguns anos atrás estiveram aí umas alminhas feitas pelo sr. António Catarino, conhecido como o Santeiro do Pinhal. Essas alminhas foram roubadas e nunca mais aparecerem, mesmo com intervenção da judiciária.
Procurei a casa e a oficina onde trabalhou esse artesão, infelizmente já falecido. Não me foi possível encontrar nesses locais nenhum trabalho seu, mas há na aldeia várias pessoas que os têm, principalmente Cristos na cruz, que ele fazia com mais frequência.
O percurso continua pela rua do Outeiro. Para trás ficou mais um café, junto à estrada, onde se situam um conjunto de bonitas construções mais recentes. É também nessa zona da aldeia que se situa o polidesportivo e o cemitério.
Da rua do Outeiro tem-se uma nova vista sobre a rua de S. Bartolomeu e a rua do Castelo. Mas, se olhar a paisagem nos delicia, por vezes é sob os nossos pés que se escondem alguns segredos. Numa das ruas mais características do Pinhal, a rua do Arrabaldo, existiram duas fontes que perduram na memória de muitos. Uma seria uma fonte de mergulho, em arco, coberta a granito e com uma pedra de cantaria à entrada. Os miúdos metiam-se no seu interior e sentavam-se numa rocha que existia no extremo. Do lado direito havia algumas pedras (ainda visíveis) que auxiliavam as mulheres a colocar os cântaros à cabeça.
Um pouco mais abaixo, no lado oposto da rua, existia outra fonte, esta acima do solo. Esta construção cúbica tinha a abertura virada para o Terreiro, apresentando sobre ela duas taças e um cálice, tudo em granito. Ambas as fontes pereceram face à necessidade de alargamento e pavimentação da rua. Da primeira, a fonte do Canto, ainda subsistem algumas pedras e um pequeno depósito sob uma tampa de saneamento, que passa desapercebida; da segunda talvez ainda restem algumas pedras, guardadas nalgum quintal particular. Não muito longe, numa rua que sai de junto do fontanário do Terreiro existe uma antiga fonte de mergulho, com marcas evidentes do muito uso que lhe foi dado noutros tempos.
Chegados ao ponto de partida, talvez estejamos preparados para nos afastarmos um pouco das casas e procurar uma vista panorâmica da aldeia. Há um caminho que desce em direção ao vale seguindo para as duas capelas que existem fora do povoado: uma é a capelinha do Senhor dos Aflitos, a outra a capela de Santa Marinha.
 A capelinha do Senhor dos Aflitos é muito pequenina. Fica situada junto ao caminho que liga Pinhal do Norte a Areias, Amedo e Carrazeda de Ansiães (pelo cabeço Doudo). A localização junto ao caminho levou-me a pensar numas Alminhas. Aliás, há uma pedra junto à capelinha que tem o corte perfeito de um retábulo, podendo até imaginar-se o local do mealheiro. A imagem do Senhor crucificado é frequente nas Alminhas. Nenhuma das pessoas que questionei me deu a mais ligeira indicação da sua existência.
A capela de Santa Marinha fica mais distante da povoação, em pleno vale. Apesar de devota a Santa Marinha, esta capela está associada à festa de Santa Eufémia, realizada anualmente a 15 de Setembro. A imagem de Santa Eufémia sai em procissão da igreja matriz para a capela, onde se realiza uma missa campal. Findas as celebrações, a procissão faz o caminho de regresso à aldeia.
O lugar é calmo, fresco e na primavera cheira a violetas. Sentados em redor de uma mesa de pedra à sombra das acácias é o momento e o local para um balanço. Pinhal do Norte é uma aldeia que sofre do mesmo mal de praticamente todo o nordeste transmontano, a desertificação. O amanho da terra que deu sustento a muitas gerações é hoje uma atividade de risco e para uma franja muito pequena da população. A degradação de muitas habitações é notória, mas o carinho e gosto na recuperação também é visível. Cabe às instituições da freguesia lutarem pela preservação do património, incentivarem a manutenção das tradições e manterem um ambiente limpo e saudável para residentes e visitantes.
Foi um prazer descobrir Pinhal do Norte.

Artigo publicado no jornal O Pombal, em Outubro de 2011

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 12/22/2011 08:57:00 AM