terça-feira, 13 de março de 2012

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] 1 Dia por terras de Ansiães (6)

Já há algum tempo que que não passava um dia completo À Descoberta de Carrazeda de Ansiães. Desde Outubro do ano passado.
As alternativas eram tantas, que me senti baralhado na momento de escolher. Dado o mês, e a pensar nas amendoeiras em flor, pensei que dar uma volta pela parte mais alta do concelho me podia proporcionar algumas fotografias interessantes.
O passeio (de carro), começou em Belver. O movimento era pouco e a paisagem pareceu-me muito adormecida. A par das amendoeiras, as nabiças em flor emprestam um colorido que vale a pena ver. Por ouro lado, os ribeiros secos, os lameiros sem pinga de água... são cenários que metem dó. Já para não falar dos incêndios que não param, lavrando, pouco a pouco, a parca verdura que consegue sobreviver nos nossos montes.
 A viagem seguiu até Fontelonga. A água abundante que sempre corre na fonte à entrada da aldeia, não estava lá! Após uma curta paragem continuei até Besteiros. Com o céu limpo e sem nada a obstruir-me a visão, pode ser, quase perto, Vilarinho da Castanheira, num morro onde se podia quase imaginar o seu antigo castelo. Recordei uma série de fotografias que fiz em Besteiros no meio do nevoeiro. Como a paisagem muda com o estado do tempo!
A estrada para Seixo de Ansiães tem sido bastante percorrida por mim. Fiz algumas paragens para tentar captar a magia que se vê lá para os lados de Coleja. Nem sempre a máquina fotográfica consegue captar as nuances que o nossos olhos observam, A neblina do vale é uma destas situações.
As amendoeiras em flor foram aparecendo, espelhadas por entre fragas em pequenos terrenos agrícolas. Foi no Seixo, junto à aldeia que fui encontrar o amendoal mais bonito que já vi este ano! As amendoeiras foram cortadas e enxertadas já de grandes. A floração é uniforme em todas as plantas e estava no auge da floração. O terreno estava vedado e fiz o que pude para conseguir algumas fotografias através dos buracos da rede.
 Ainda desci até Beira Grande, mas nem cheguei a sair do carro. Voltei ao Seixo e rumei até à Lavandeira. Fez uma ano há poucos dias que passei lá um dia inteiros, mas ficou muita coisa por ver.
Almocei no Largo de Santa Eufémia, um almoço volante, daqueles que se levam na mochila sem muito esforço. Comecei um percurso pelas ruas da aldeia, mas quando dei por mim estava a subir o caminho em direção ao Castelo. Não pretendia lá chegar, mas apenas encontrar uma fonte que existe algures pelo caminho, a Fonte Nova. Apenas estive nesse lugar uma única vez e já devem ter passado mais de 25 anos.
Gostei de percorrer o caminho. Encontrei a fonte e voltei para trás. Acabei por me demorar mais do que o que esperava porque saí do caminho e comecei a explorar algumas formas rochosas e espécies vegetais. Encontrei dois medronheiros, mas não deu para perceber se eram espontâneos ou se foram ali plantados.
Na descida, já perto da aldeia, encontrei o Sr. Padre Bernardo, meu conterrâneo e uma das pessoas que me dá gosto ouvir. Conversámos um pouco e regressámos à Lavandeira para visitar a igreja. É algo de extraordinário. Chegaram mais dois padres para as confissões. Como também ia haver Eucaristia e não ficava bem andar a circular pela igreja,  parti para Selores.
 A paróquia de Selores estava a festejar S. Gregório, o seu padroeiro. As celebrações iniciaram pela manhã, às onze horas, com as confissões e a Eucaristia, concelebrada pelo  Padre Bernardo e pelo Padre Humberto.
S. Gregório Magno nascido no ano 540, em Roma, foi papa da Igreja Católica tendo um papel de relevo. Fundou mosteiros, enviou missionários às ilhas Britânicas e também lhe é atribuída a divulgação do canto gregoriano, bastante conhecido na atualidade.
Às cinco realizava-se a procissão com o andor de S. Gregório a percorrer as principais ruas de Selores e de Alganhafres.
A imagem de S. Gregório foi restaurada há pouco tempo, sendo a primeira vez que saiu em procissão após o restauro.
A procissão demorou a sair. Percebi que esperavam que as crianças chegassem da escola. Achei bem, são poucas, mas são importantes. Aproveitei para fazer um passeio, em circulo, o mesmo que sempre faço. É uma terra bastante pequena.
 Acompanhei a procissão em parte do percurso. Regressei rapidamente à Lavandeira onde alguém me esperava para eu poder ver a igreja sem perturbar o culto.
Entretanto a noite chegou! Faltou tempo, para ver tanta coisa!...
Em nova passagem por Selores o palco já estava montado. certamente se encontravam a jantar para depois animar as festa. Para mim, o dia por terras de Ansiães já tinha terminado.
 A coleção de fotografias do dia é grande. Espero mostrá-las aos poucos, antes de 1 novo dia À Descoberta...

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 3/13/2012 07:30:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Carnaval 2012 (2)

Estas são mais duas fotografias do desfile de Carnaval que aconteceu no dia 17 de Fevereiro, em Vila Flor, com as crianças das escolas do concelho.

Outras 2 fotografias.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 3/13/2012 07:36:00 AM

segunda-feira, 12 de março de 2012

[À Descoberta de Vila Flor] Ainda há amendoeiras em flor

Estão a terminar as iniciativas dos municípios relacionados com a Amendoeira em Flor. Como habitualmente, foram muitos os que percorreram a região, principalmente em autocarros.
Se no início as minhas expectativas quanto ao espetáculo natural eram algumas, com o passar dos dias, e como nos locais onde vivo e onde trabalho há amendoeiras em redor, elas foram-se dissipando. A falta de chuva não diminuiu a beleza das amendoeiras, apenas a floração foi atrasada, mais pelo frio do que pela falta de chuva.
Longe de terminar, o espetáculo ainda vai a meio. Ontem foi a primeira vez que saí, máquina às costas, com o objetivo de fotografar as amendoeiras em flor. Fiquei realmente satisfeito. Há manchas muito bonitas, embora as pétalas já estejam a cair.
 Tal como sempre disse, a floração é escalonada em altitude e ainda vai haver amendoeiras em flor durante muitos dias. Neste momento o máximo de floração está ao nível de Vila Flor, mas nas zonas de maior altitude do concelho de Vila Flor e de Carrazeda de Ansiães a floração ainda se vai prolongar por mais uma semana.
Espero ter oportunidade de ainda me deslocar ao concelho de Carrazeda a ver como estão por lá as coisas, entretanto, deixo algumas das imagens de captei ontem, em Samões, Arco e Vila Flor.


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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 3/12/2012 07:57:00 AM

domingo, 11 de março de 2012

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] O Canto do Melro

Despertava a Aurora, silenciosa e meiga.
Lá baixo, junto à ribeira, - suave a veiga.
Um melro, por entre a ramagem, cantava.
Cantava a sua terna melodia, - trinava!...
Oh! Céus, o que ele dizia à sua namorada!...
Sonho da noite, o despertar da Alvorada!...
E o melro, no galho do amieiro, empoleirado,
Rei-maestro, forte e vigoroso, - um Senhor, -
Cantava as mais belas canções de amor!...
O que dizia por entre a fresca ramagem!...
Do Céu, por certo, era a sua linguagem...
A namorada, do outro lado do rio,
Sorria, sorria contente, mas, nem pio!...
E o triste cantava, cantava, ou... chorava!...
Enquanto ela, dos olhos, as lágrimas limpava,
De alegria, bem por certo,
Que de si o desejava mais perto!...
Silenciosa, chorava, chorava...
E, em desejos, toda ela o devorava.
E ele, assobiava, assobiava!...
Que, em desejos, o peito lhe ardia;
E, em lágrimas, toda ela o sorvia.
- Eis que num último estretor,
Num voo meigo, em asas de amor,
Voou, voou, sorridente e já vencida,
Até junto dele, toda enternecida!...

Linhares, Abril de 1993

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: os últimos raios de sol, perto de Parambos.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 3/11/2012 11:44:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] A história do dia

A história do dia decorrido foi contada pelo homem sentado à mesa do café. O papel aceitou as palavras e o cigarro apagou-se. Calma sem mentiras invadiu o recinto e não houve quem dissesse miséria.
Chegou o cão e quis carícias. O homem baixou a mão esquerda e passou-a pelo focinho e pelos olhos e pelo corpo daquele ser que chegava atraído pela solitária figura do homem ali sentado, que viera de longe, daquele lugar que fica para lá das montanhas e parece diferente; deixou tudo o que escutava e dizia palavras eloquentes e veio sem saber por entre nuvens; o Sol rompeu finalmente e nos rostos dos companheiros de viagem nada se modificou: estavam mortos.
Agora, o cão adormeceu debaixo da mesa. Todos se vão embora e ficam os dois, esquecidos, dormindo.
A história está escrita e só necessita de ser apreendida para que um grito soe, longínquo.
As conversas são finalidades implicadoras com a hora de adormecer e no cinema muita gente boceja. A fita é pouco divertida, embora lhe tivessem dado os prémios que os cartazes anunciam.
Há quem tenha remorsos, mas continue a encarar a vinda do Sol como uma passagem diária. Então, a Lua fica escondida, tão envergonhada e triste que pede caridade às nuvens. E elas sentem o dever de não lhe descobrirem as lágrimas e vão por caminhos indirectos até ao fim da noite, sempre cuidadosas e macias. Descobrem, por fim, que já não existem faces cavadas pelo sofrimento alheio, e choram.
A história espera. O cão dorme. E o homem também...

Do livro Libelo Acusatório, da autoria de Modesto Navarro.
A primeira edição deste livro aconteceu em 1968, pela Prelo Editora, e a segunda em 1999 pela Caminho.
Fotografia: Oliveiras, em Roios.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 3/11/2012 07:35:00 AM

sexta-feira, 9 de março de 2012

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Areias (06)

Coluna em granito numa das mais características casas em Areias, freguesia de Amedo. Não sei se a casa que tem a coluna pertence à família Barbosa, as as seguintes sim.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 3/09/2012 11:31:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Carnaval 2012 (1)

O desfile de Carnaval com os as crianças do pré-escolar, primeiro e segundo ciclos, aconteceu no dia 17 de Fevereiro, em Vila Flor. Embora fotografar no meio da multidão e do barulho não seja uma coisa que faço habitualmente, houve momentos e "quadros" que pode valer a pena recordar. Aqui vemos duas crianças vindas de Samões, com as suas vistosas jubas de leão!


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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 3/09/2012 08:20:00 AM

quinta-feira, 8 de março de 2012

[À Descoberta de Miranda do Douro] Capela de S. Ciríaco

Capela de S. Ciríaco, em Genísio, Miranda do Douro (1261)
Para visitar a capela basta procurar o artesão "Tiu" Tibério, que mora ali perto e que guarda a chave. Também é uma boa oportunidade para visitar a sua forja e comprar uma das suas navalhas, que têm muita qualidade. Eu já lhe comprei várias.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Miranda do Douro a 3/08/2012 01:05:00 PM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Brasão da Casa de Selores

Um dos brasões existentes na chamada Casa de Selores, na freguesia de Selores.
Mostra no 1º quartel as armas dos Caldeiras, o 2º são as dos Morais, o 3º as dos Sousas e o 4º as dos Mesquitas.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 3/08/2012 11:27:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Fonte Romana - Vila Flor

Fonte Romana - Vila Flor
Conjunto hidráulico de planta em U invertido, delimitado por muro em cantaria de granito, em aparelho irregular, terminado em friso e cornija, que constitui o seu capeamento, integrando ao centro da ala central fonte de espaldar e tendo adossado à ala esquerda tanque bebedouro e à direita banco de cantaria, junto à qual, e já fora do espaço que o U delimita, se ergue fonte de mergulho sobreposto por mirante. FONTE DE MERGULHO de planta quadrangular simples, em cantaria de granito, de aparelho regular, com as juntas preenchidas a cimento, superiormente terminada em moldura de perfil curvo. Face principal virada a N., rasgada por vão em arco de volta perfeita, com a zona inferior protegida por pequeno murete em granito e fechado com portão em ferro, pintado de verde, decorado com volutas estilizadas e tendo a inscrição: "CM / MCMXCIV"; no interior, possui a nascente a 3 m de profundidade. Sobre a fonte de mergulho, ergue-se um mirante alpendrado, igualmente de planta quadrada, suportado por quatro pilares de faces almofadadas, tendo adossados meios colunelos de capitéis jónicos, e, a meio de cada uma das faces, por quatro colunelos iguais, assentes em soco com cornija saliente, e suportando arquitrave, com friso decorado por carrancas nos ângulos e, nas faces viradas a E. e N. por outras carrancas com trombetas, tendo ainda a do lado E. a inscrição "1578 ANOS". Cobertura em domo, de tijolo, rebocado e coroado por pináculo, coroado por volutas jónicas, interiormente rebocada e pintada de branco, assente em trompas de ângulo. FONTE DE ESPALDAR, de planta rectangular e corpo em cantaria de granito, de aparelho regular, com face principal delimitada por pilastras toscanas, coroadas por plintos paralelepipédicos, rematados por esferas de cantaria, e terminado em empena contracurvada, com cornija, integrando ao centro escudo, decorado por outro mais pequeno ostentando flor-de-lis, rematado por cartela recortada e ornamentada por ramo de três flores em alto relevo. Tem inferiormente, junto às pilastras, duas bicas de configuração circular, ostentando canalização recente. Em frente do espaldar surge tanque de planta rectangular, bastante baixo. Esta fonte é ladeada por dois pequenos vãos, em arco de volta perfeita e gradeados, rasgados no pano do muro, ao nível do pavimento. Ao longo de toda a ala esquerda do U e extravasando a mesma, dispõem-se o TANQUE BEBEDOURO, de planta rectangular, cujo muro forma espaldar, tendo a meio cartela rectangular com a inscrição "O. P. A. S. S. H. 1934"; o tanque possui as paredes em cantaria de granito, de aparelho irregular, com bordo bastante saliente e facetado. O recinto delimitado pelo U apresenta pavimento desnivelado e em terra.

Fonte do texto e mais informação: SIPA

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 3/08/2012 07:14:00 AM

quarta-feira, 7 de março de 2012

[À Descoberta de Mogadouro] Carro de bois

Começa a ser difícil encontrar exemplares de carros de bois ainda em atividade. O mais normal é vê-los a decorar jardins como peças de museu. Este fotografei-o em Vila de Ala, em 2011.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Mogadouro a 3/07/2012 02:45:00 PM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Casa da Moura em Zedes

A neve desperta a criança que há em mim. Fico eufórico e só me apetece caminhar, subir aos montes, guardar as imagens tão raras e efémeras que se podem apagar antes de lá chegarmos. No ano passado tive sorte. Quando me aproximava de Zedes o cenário era este, muito invulgar e belo.
Infelizmente este ano ainda não nevou (nem choveu!)! O Criador deve dar-me pouco crédito, porque lhe peço imensas vezes que mande um pouquinho de tinta branca para pintar os montes e lavar a minha alma com alegria. Como não neva... fica a fotografia do ano passado.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 3/07/2012 11:00:00 AM