As populações da linha do Tua têm transportes alternativos ao comboio assegurados apenas até ao final do mês, desconhecendo-se ainda a solução do Governo para a continuidade do serviço, disse nesta quarta-feira o presidente da Câmara de Mirandela, António Branco.
O autarca social-democrata é também presidente da empresa Metro de Mirandela, que tem como principal accionista o município, e que assegurava o transporte ferroviário suspenso desde 2008 na linha do Tua, assumindo depois o transporte rodoviário alternativo em troca da mesma compensação financeira de 250 mil euros.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam, deixando as populações sem transportes durante mais de uma semana até que o Governo autorizou uma solução provisória que termina no final do mês, sem que ainda seja conhecida a prometida solução definitiva para assegurar o serviço.
O presidente da Câmara de Mirandela afirmou hoje à Lusa que contactou, no início de Setembro, a Secretaria de Estado dos Transportes, mas ainda não lhe foi comunicada qualquer decisão.
"Foi-me dito que já existiria uma proposta de portaria para o enquadramento do serviço que estava a ser analisada", afirmou.
O autarca sublinhou que continua à espera da prometida solução definitiva, assim como da formalização do acordo que permitiu a continuidade dos transportes de forma provisória desde 11 de Julho.
Segundo disse, a Metro de Mirandela "ainda não recebeu um tostão" pelo serviço que decidiu assumir, mesmo sem contrato firmado, acreditando "na palavra da CP", para não privar a maioria dos habitantes do vale do Tua do único transporte público.
Durante os três meses apontados para esta medida provisória devia ter sido estudada a solução que vigorará até ao plano de mobilidade previsto nas contrapartidas da barragem de Foz Tua, que submergirá parte da linha de caminho-de-ferro.
O plano só estará pronto dentro de quatro anos, junto com a conclusão da hidroeléctrica que foi adiada um ano devido ao abrandamento das obras imposto pela UNESCO, enquanto analisa os impactos no Douro Património da Humanidade.
Em Março de 2011 os cinco autarcas da zona, que integram a Agência para o Desenvolvimento do Vale do Tua, a EDP, a Refer, a CP, o Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) e a Câmara de Mirandela, accionista maioritária do Metro, assinaram um protocolo em que a CP se compromete a manter o acordo com o Metro para assegurar os transportes alternativos até à conclusão do novo plano de mobilidade.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam sem aviso às populações. A CP colocou apenas na página da Internet dois parágrafos com a informação sobre a supressão do serviço naquela data. A medida gerou a contestação dos autarcas locais, que ameaçaram rever a posição favorável à construção da barragem se os transportes não fossem repostos, independentemente de ser "a EDP, a CP ou o Governo" a assumir o financiamento.
12.09.2012 - 17:20 Por Lusa
Fonte: Público
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Publicada por Blogger em A Linha é Tua a 9/12/2012 09:34:00 p.m.
Concelho:
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
[À Descoberta de Miranda do Douro] Caminhada Intergeracional - 2 de Setembro
A Câmara Municipal de Miranda do Douro organizou no dia 2 de setembro uma caminhada designada Caminhada Intergeracional. Esta evento integrou um conjunto de iniciativas da autarquia no âmbito do 2012 Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações.
As caminhadas e percursos pedestres são uma característica de à longa data desta autarquia. Não pude deixar de sentir saudade de anos passados, por exemplo em Setembro de 2004, quando fiz um passeio pedestre precisamente de Miranda do Douro ao Naso.
Desta vez fui expressamente a Miranda para participar na caminhada. A partida estava marcada para as 8 e meia da manhã e não houve atraso. No momento que cheguei junto do Posto de Turismo da cidade, começaram a sair os participantes mais apressados.
Não fazia ideia do número de participantes que haveria. Desde 2004 a 2012 este tipo de eventos têm-se repetido com bastante frequência e com uma adesão muito grande, exemplar para concelhos vizinhos. Soube que havia mais de duas centenas de inscrições, mas a participação foi menor. Só contam os que estão...
Mal tive tempo para receber um boné e uma garrafa de água e já estava a caminhar pela 1.º de Maio tentando não me atrasar do pelotão. Já sei que nestas andanças um minuto de atraso é difícil de recuperar, mas eu tinha que chegar à "cabeça" do grupo, se queria tirar alguma fotografia mais interessante.
O percurso seguido é quase uma linha reta entre Miranda do Douro e o Santuário do Naso, com passagem por Malhadas. A outra alternativa é o percurso que passa por Palancar e Póvoa, também já seguida nalgumas edições.
O passo seguido era bastante rápido. Há sempre receio que o calor aperte, ou que o tempo não seja suficiente. Houve sempre a preocupação de manter o grupo mais ou menos coeso, não deixando ninguém ficar muito para trás. Isso foi conseguido com alguns abrandamentos do grupo da frente, mesmo com o protesto dos mais afoitos para a caminhada.
A paisagem é deslumbrante, mas o fim do verão também não é a melhor altura para apreciar a natureza. Não há gota de água nos ribeiros e as charcas estão praticamente vazias. Nos campos predominam os tons pastel, onde se destaca o verde dos freixos típicos dos lameiros do planalto. Há também carrascos e alguns zimbros, mais abundantes noutras zonas do concelho. Os pombais aparecem espalhados pelos campos e os encontros com manadas de vacas, burros de raça mirandesa e rebanhos de ovelhas são quase certos.
O grupo era heterogéneo, constituído por pessoas de idades muito distintas (alguns espanhóis). Havia muitas crianças e jovens e alguns idosos. Não seria muito fácil para alguns idosos fazerem quase 14 km do percursos numa manhã de verão, mas os que participaram mostraram serem rijos, caminhando lado a lado com filhos (e netos)!
Pouco passava das 10 da manhã quando passámos Malhadas. O autocarro da câmara espera na estrada da Póvoa para transportar alguém que estivesse em dificuldades, mas a ambulância dos bombeiros seguiu sempre na cauda do grupo, para socorrer nalguma emergência.
Foi curioso verificar que de todo o gado bovino com que nos cruzámos pelos caminhos, nenhum era de raça mirandesa. É caso para pensarmos que a tão deliciosa posta mirandesa será cada vez mais rara, caso o entusiasmo para a criação desta raça continue a diminuir.
Ainda tive esperança que o percurso nos levasse ao Santuário Mariano do Picão. Fui acompanhando à distância algumas notícias do que ali se ia passando e gostava de verificar in loco, mas não se efetivou o meu desejo. Isso obrigaria a um desvio não previsto. Felizmente a manhã esteve sempre fresca, com algum vento, o que ajudou bastante a caminhada.
Entrámos no termo da Póvoa, para os últimos quilómetros. Após um derradeiro esforço o grupo chegou à Estrada Municipal 544, que conduz à entrada do grande Santuário do Naso.
A minha esperança de conseguir uma fotografia com o grupo todo reunido desvaneceu-se. Atingido o destino, cada um seguiu o seu programa. A maioria das pessoas fez uma visita à capela. Nossa Senhora do Naso é muito venerada pelas gentes de Miranda (e por pessoas dos dois lados da fronteira).
A capela é muito bonita, cheia de painéis de azulejos e com o chão rústico, com desenhos feitos de pequenas rochas de quartzo. Mas é no altar da capela mor que todas as atenções recaem. Ao centro está a belíssima imagens de Nossa Senhora do Naso.
Não há Senhora mais linda
Dizem aqui tantas vezes,
Do que a Senhora do Naso,
Senhora dos Mirandeses.
Estava prevista a partilha do farnel. O autocarro transportou alguns até ao santuário, mas a maioria das pessoas optou por regressar de imediato a Miranda. Estamos numa época de crise, mas este não é o procedimento a que eu estava habituado. Seria até de pensar que o convívio entre gerações fosse mais efetivo em volta da mesa, mas isso ficou à responsabilidade de cada um.
A minha família foi ter ao Naso, com um "farnel" considerável. Ficámos no Santuário quase toda a tarde, tal como alguns outros grupos, uns participantes na caminhada, outros não.
Foi muito bom o reencontro com os caminhos do Planalto, mas também com as pessoas. Encontrei conhecidos, ex-colegas de trabalho e muitos amigos que já não via há algum tempo.
Infelizmente não foi possível voltar ao Naso para as festas, dias 6. 7 e 8, mas haverá outras oportunidades para caminhar, conviver e festejar.
Fica aqui o traçado da caminhada, para alguém que a queira fazer. É possível descarregar os dados para um grande leque de aparelhos de GPS. O grau de dificuldade é Fácil, uma vez que a inclinação é pouca e distribuída ao longo de todo o percurso.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Miranda do Douro a 9/10/2012 12:40:00 a.m.
As caminhadas e percursos pedestres são uma característica de à longa data desta autarquia. Não pude deixar de sentir saudade de anos passados, por exemplo em Setembro de 2004, quando fiz um passeio pedestre precisamente de Miranda do Douro ao Naso.
Desta vez fui expressamente a Miranda para participar na caminhada. A partida estava marcada para as 8 e meia da manhã e não houve atraso. No momento que cheguei junto do Posto de Turismo da cidade, começaram a sair os participantes mais apressados.
Não fazia ideia do número de participantes que haveria. Desde 2004 a 2012 este tipo de eventos têm-se repetido com bastante frequência e com uma adesão muito grande, exemplar para concelhos vizinhos. Soube que havia mais de duas centenas de inscrições, mas a participação foi menor. Só contam os que estão...
Mal tive tempo para receber um boné e uma garrafa de água e já estava a caminhar pela 1.º de Maio tentando não me atrasar do pelotão. Já sei que nestas andanças um minuto de atraso é difícil de recuperar, mas eu tinha que chegar à "cabeça" do grupo, se queria tirar alguma fotografia mais interessante.
O percurso seguido é quase uma linha reta entre Miranda do Douro e o Santuário do Naso, com passagem por Malhadas. A outra alternativa é o percurso que passa por Palancar e Póvoa, também já seguida nalgumas edições.
O passo seguido era bastante rápido. Há sempre receio que o calor aperte, ou que o tempo não seja suficiente. Houve sempre a preocupação de manter o grupo mais ou menos coeso, não deixando ninguém ficar muito para trás. Isso foi conseguido com alguns abrandamentos do grupo da frente, mesmo com o protesto dos mais afoitos para a caminhada.
A paisagem é deslumbrante, mas o fim do verão também não é a melhor altura para apreciar a natureza. Não há gota de água nos ribeiros e as charcas estão praticamente vazias. Nos campos predominam os tons pastel, onde se destaca o verde dos freixos típicos dos lameiros do planalto. Há também carrascos e alguns zimbros, mais abundantes noutras zonas do concelho. Os pombais aparecem espalhados pelos campos e os encontros com manadas de vacas, burros de raça mirandesa e rebanhos de ovelhas são quase certos.
O grupo era heterogéneo, constituído por pessoas de idades muito distintas (alguns espanhóis). Havia muitas crianças e jovens e alguns idosos. Não seria muito fácil para alguns idosos fazerem quase 14 km do percursos numa manhã de verão, mas os que participaram mostraram serem rijos, caminhando lado a lado com filhos (e netos)!
Pouco passava das 10 da manhã quando passámos Malhadas. O autocarro da câmara espera na estrada da Póvoa para transportar alguém que estivesse em dificuldades, mas a ambulância dos bombeiros seguiu sempre na cauda do grupo, para socorrer nalguma emergência.
Foi curioso verificar que de todo o gado bovino com que nos cruzámos pelos caminhos, nenhum era de raça mirandesa. É caso para pensarmos que a tão deliciosa posta mirandesa será cada vez mais rara, caso o entusiasmo para a criação desta raça continue a diminuir.
Ainda tive esperança que o percurso nos levasse ao Santuário Mariano do Picão. Fui acompanhando à distância algumas notícias do que ali se ia passando e gostava de verificar in loco, mas não se efetivou o meu desejo. Isso obrigaria a um desvio não previsto. Felizmente a manhã esteve sempre fresca, com algum vento, o que ajudou bastante a caminhada.
Entrámos no termo da Póvoa, para os últimos quilómetros. Após um derradeiro esforço o grupo chegou à Estrada Municipal 544, que conduz à entrada do grande Santuário do Naso.
A minha esperança de conseguir uma fotografia com o grupo todo reunido desvaneceu-se. Atingido o destino, cada um seguiu o seu programa. A maioria das pessoas fez uma visita à capela. Nossa Senhora do Naso é muito venerada pelas gentes de Miranda (e por pessoas dos dois lados da fronteira).
A capela é muito bonita, cheia de painéis de azulejos e com o chão rústico, com desenhos feitos de pequenas rochas de quartzo. Mas é no altar da capela mor que todas as atenções recaem. Ao centro está a belíssima imagens de Nossa Senhora do Naso.
Não há Senhora mais linda
Dizem aqui tantas vezes,
Do que a Senhora do Naso,
Senhora dos Mirandeses.
Estava prevista a partilha do farnel. O autocarro transportou alguns até ao santuário, mas a maioria das pessoas optou por regressar de imediato a Miranda. Estamos numa época de crise, mas este não é o procedimento a que eu estava habituado. Seria até de pensar que o convívio entre gerações fosse mais efetivo em volta da mesa, mas isso ficou à responsabilidade de cada um.
A minha família foi ter ao Naso, com um "farnel" considerável. Ficámos no Santuário quase toda a tarde, tal como alguns outros grupos, uns participantes na caminhada, outros não.
Foi muito bom o reencontro com os caminhos do Planalto, mas também com as pessoas. Encontrei conhecidos, ex-colegas de trabalho e muitos amigos que já não via há algum tempo.
Infelizmente não foi possível voltar ao Naso para as festas, dias 6. 7 e 8, mas haverá outras oportunidades para caminhar, conviver e festejar.
Fica aqui o traçado da caminhada, para alguém que a queira fazer. É possível descarregar os dados para um grande leque de aparelhos de GPS. O grau de dificuldade é Fácil, uma vez que a inclinação é pouca e distribuída ao longo de todo o percurso.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Miranda do Douro a 9/10/2012 12:40:00 a.m.
sábado, 8 de setembro de 2012
[À Descoberta de Vila Flor] Santa Comba da Vilariça - S. Bernardo
As festas em honra de S. Bernardo, em Santa Comba da Vilariça, tiveram lugar nos dias 17 e 18 de Agosto. Aproveitei o fato de estar em Vila Flor para fazer uma visita à aldeia e acompanhar a procissão.
Santa Comba da Vilariça é uma grande aldeia, que me dá muito prazer fotografar e encontra-se refastela no belo e fértil vale da Vilariça, de horizontes largos e céu azul.
Cheguei a Santa Comba a meio da tarde. O movimento nas ruas era pouco e só a banda de música de Rebordelo alegrava o largo enquanto os poucos ouvintes se refugiavam nas sombras das árvores.
Na igreja já os andores estavam preparados para a majestosa procissão. As pessoas da aldeia em geral e as zeladoras dos altares, em particular, têm muito brio na decoração dos andores., em grande número, mais de uma dúzia! Estavam todos espetaculares, com flores naturais das mais variadas espécies e cores, todos muito harmoniosos com as imagens, que diferem bastante em tamanho umas das outras.
Curiosamente não foi dado qualquer destaque ao andor de S. Bernardo, que se encontrava no meio dos restantes sem nada que o identificasse ( a quem não conhecesse a imagem). Tenho visto nalgumas festas, e aprecio, a colocação de uma pequena placa identificativa das imagens nos altares. Algumas não são uma tarefa fácil para leigos (e mesmo para estudiosos de arte sacra). Não raras vezes as imagens não corresponde ao santo venerado.
O andor de Santa Comba, estava ao fundo da igreja. É de realçar que Santa Comba não é a padroeira da aldeia. A sua imagem até já esteve na sacristia, mas agora está na capela mor, lateralmente, do lado do evangelho, perto do padroeiro S. Pedro. Não sei as origens da festa a S. Bernardo, mas penso que não existe na aldeia nenhuma capela devota a esta santo.
Gostei de ver a imagem de S. Jorge, montado no seu cavalo. Numa das últimas vezes que passei por Santa Comba em bicicleta a sua capela andava em obras. Gostava de um dia lhe fazer uma visita.
Menos familiares para mim, e que necessitei de alguma ajuda para identificar as imagens foram S. Lúcio e S. Judas Tadeu. Além dos andores que já referi havia ainda o de S. Sebastião (com uma capela no Calvário), Menino Jesus, Nossa Senhora do Rosário, Santo António, Nossa Senhora de Fátima, Sagrado Coração de Jesus, Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Claro que o mais importante na religião cristã é a fé e não o tamanho da imagem ou os enfeites do andor, mas foi impossível não notar a beleza dos arranjos.
Vadiei pela aldeia, espreitando alguns recantos. O sol escaldante foi adormecendo e com ele a luz, elemento primordial da fotografia (tal como a fé para a igreja). Temi que quando a procissão saísse já o sol estaria adormecido para os lados de Vale Frechoso.
Notei que as pessoas de Santa Comba têm bastante vaidade nas suas casas. Estão muito arranjadas (salvo raras exceções) e as ruas limpas.
A procissão começou a sair da igreja às 19 horas. Alguém "plantou" um carro no largo em frente à igreja! Falta de estacionamento ou excesso de protagonismo? Coisas destas acontecem em todo lado, então em Vila Flor... nem se fala...
A volta pelas ruas da aldeia é longa e demorada. Quando os primeiros andores chegaram à Rua do Cais já o sol os pintava de dourado no seu último adeus e havia ainda muito caminho para percorrer.
Se devo louvar a o empenho no arranjo e transporte de andores, bandeira e estandartes não posso deixar de referir que muitas pessoas assistem ao "espetáculo" das suas varandas. Não estarei eu a contribuir para essa cultura? É possível. É o fruto dos tempos que atravessamos. Parece-me que há que reformular as práticas religiosas.
Quando a procissão recolhei à igreja matriz abandonei Santa Comba. À noite houve muita animação com o grupo Golpe de Estado, que já se fazia ouvir quando passei pelo largo da Eiras.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/08/2012 05:17:00 p.m.
Santa Comba da Vilariça é uma grande aldeia, que me dá muito prazer fotografar e encontra-se refastela no belo e fértil vale da Vilariça, de horizontes largos e céu azul.
Cheguei a Santa Comba a meio da tarde. O movimento nas ruas era pouco e só a banda de música de Rebordelo alegrava o largo enquanto os poucos ouvintes se refugiavam nas sombras das árvores.
Na igreja já os andores estavam preparados para a majestosa procissão. As pessoas da aldeia em geral e as zeladoras dos altares, em particular, têm muito brio na decoração dos andores., em grande número, mais de uma dúzia! Estavam todos espetaculares, com flores naturais das mais variadas espécies e cores, todos muito harmoniosos com as imagens, que diferem bastante em tamanho umas das outras.
Curiosamente não foi dado qualquer destaque ao andor de S. Bernardo, que se encontrava no meio dos restantes sem nada que o identificasse ( a quem não conhecesse a imagem). Tenho visto nalgumas festas, e aprecio, a colocação de uma pequena placa identificativa das imagens nos altares. Algumas não são uma tarefa fácil para leigos (e mesmo para estudiosos de arte sacra). Não raras vezes as imagens não corresponde ao santo venerado.
O andor de Santa Comba, estava ao fundo da igreja. É de realçar que Santa Comba não é a padroeira da aldeia. A sua imagem até já esteve na sacristia, mas agora está na capela mor, lateralmente, do lado do evangelho, perto do padroeiro S. Pedro. Não sei as origens da festa a S. Bernardo, mas penso que não existe na aldeia nenhuma capela devota a esta santo.
Gostei de ver a imagem de S. Jorge, montado no seu cavalo. Numa das últimas vezes que passei por Santa Comba em bicicleta a sua capela andava em obras. Gostava de um dia lhe fazer uma visita.
Menos familiares para mim, e que necessitei de alguma ajuda para identificar as imagens foram S. Lúcio e S. Judas Tadeu. Além dos andores que já referi havia ainda o de S. Sebastião (com uma capela no Calvário), Menino Jesus, Nossa Senhora do Rosário, Santo António, Nossa Senhora de Fátima, Sagrado Coração de Jesus, Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Claro que o mais importante na religião cristã é a fé e não o tamanho da imagem ou os enfeites do andor, mas foi impossível não notar a beleza dos arranjos.
Vadiei pela aldeia, espreitando alguns recantos. O sol escaldante foi adormecendo e com ele a luz, elemento primordial da fotografia (tal como a fé para a igreja). Temi que quando a procissão saísse já o sol estaria adormecido para os lados de Vale Frechoso.
Notei que as pessoas de Santa Comba têm bastante vaidade nas suas casas. Estão muito arranjadas (salvo raras exceções) e as ruas limpas.
A procissão começou a sair da igreja às 19 horas. Alguém "plantou" um carro no largo em frente à igreja! Falta de estacionamento ou excesso de protagonismo? Coisas destas acontecem em todo lado, então em Vila Flor... nem se fala...
A volta pelas ruas da aldeia é longa e demorada. Quando os primeiros andores chegaram à Rua do Cais já o sol os pintava de dourado no seu último adeus e havia ainda muito caminho para percorrer.
Se devo louvar a o empenho no arranjo e transporte de andores, bandeira e estandartes não posso deixar de referir que muitas pessoas assistem ao "espetáculo" das suas varandas. Não estarei eu a contribuir para essa cultura? É possível. É o fruto dos tempos que atravessamos. Parece-me que há que reformular as práticas religiosas.
Quando a procissão recolhei à igreja matriz abandonei Santa Comba. À noite houve muita animação com o grupo Golpe de Estado, que já se fazia ouvir quando passei pelo largo da Eiras.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/08/2012 05:17:00 p.m.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
[À Descoberta de Torre de Moncorvo] Alma De Ferro - A Farsa de Inês Pereira
O Alma De Ferro Grupo faz, este mês de Setembro, 4 anos de existência! E como o melhor presente que este grupo pode ter é o Público... o seu muito estimado Público!
O grupo encontra-se a adaptar o peça de Gil Vicente - 'A Farsa de Inês Pereira' - para vos apresentar e presentear no dia 21 de SETEMBRO de 2012 (Sexta-Feira)!
Um grande bem haja a todos que nos têm acompanhado, apoiado, aplaudido ao longo destes 4 anos!
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Torre de Moncorvo a 9/07/2012 03:22:00 p.m.
O grupo encontra-se a adaptar o peça de Gil Vicente - 'A Farsa de Inês Pereira' - para vos apresentar e presentear no dia 21 de SETEMBRO de 2012 (Sexta-Feira)!
Um grande bem haja a todos que nos têm acompanhado, apoiado, aplaudido ao longo destes 4 anos!
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Torre de Moncorvo a 9/07/2012 03:22:00 p.m.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
[À Descoberta de Vila Flor] Parabéns! Seis anos À Descoberta...
Mais um ano se completou desde que a aventura pelos caminhos e aldeias do concelho de Vila Flor iniciou. Parece pouco tempo, mas, basta ver as fotografias do meu filho António, que há 6 anos atrás frequentou o 2.ºano na escola EB1 de Vila Flor nº1 e compará-las com uma atual, para verificar que passou imenso tempo. Mas foi tempo bem passado.
Neste ano que agora termina, que se iniciou em setembro de 2011, tentei desenvolver algumas atividades que me ajudassem a descobrir um pouco melhor o concelho, que me permitissem tirar algumas (boas) fotografias, que me proporcionassem algum exercício físico e que me proporcionassem assuntos interessantes para manter o envolvimento no blogue e a quantidade de visitantes. Grande parte dos objetivos foram conseguidos, outros ficaram à quem do previsto.
O conjunto de caminhadas, "Peregrinações", que estava previsto para um ano, acabou por ocupar quase dois e muitas mais haveria para fazer. A última aconteceu em maio. Não cheguei (ainda) a publicar um apanhado de todas as Peregrinações, mas foram 23 caminhadas, muito interessantes, pelos caminhos mais bonitos e solitários do concelho. Seguiu-se, depois, outro conjunto de percursos pedestres, "Pontos Altos" que tinham por destino marco geodésicos. Apenas foram feitos 3, há muitos outos planeados para o ano que agora se inicia.
Mantive-me um pouco mais afastado dos eventos que foram acontecendo, quer na vila, quer nas aldeias. Não é que esses eventos não sejam interessantes, ou não proporcionem bons momentos fotográficos, mas porque já há mais pessoas a fazer esse tipo de reportagens e eu gosto de fazer coisas com alguma originalidade. As notícias só têm interesse para o blogue se se enquadrarem no espírito de descoberta do concelho. A própria autarquia quando recolocou online a sua página web institucional deixou de me enviar os cartazes e programas das festas e atividades.
O panorama da Internet também se alterou bastante. Os visitantes do Blogue, inicialmente vilaflorenses na diáspora, vão dando cada vez mais lugar a pessoas "estranhas" que procuram informação sobre o concelho, nomeadamente sobre as amendoeiras em flor ou sobre o parque de campismo. Os blogues estão a perder importância de forma gradual, muito também porque as Redes Sociais são mais fáceis, embora muito mais vazias de conteúdo. Uma boa fatia de visitantes vem diretamente do Facebook, graças também à criação de uma Página - Vila Flor, Concelho - que nos últimos tempos tem dado mais trabalho do que o blogue. Nada se consegue sem esforço, a não ser que seja roubado (isso também acontece na Internet). Quando se quer divulgar algo original é preciso despender esforço, imenso tempo e algum dinheiro (a gasolina está cada vez mais cara).
Os números mostram que o caminho seguido tem dado alguns frutos. Ao contrário do que seria de esperar, o Blogue bateu o seu recorde de visitantes, com mais de 61 000, num ano. Foi o melhor dos seis anos! Confesso que não estava à espera e só posso agradecer a todos os que visitam o Blogue - acreditem que isso é um grande, mas mesmo grande incentivo.
Pessoalmente não vejo o concelho de Vila Flor à parte dos concelhos limítrofes e este foi um ano excecional na Descoberta de outros concelho, principalmente Carrazeda de Ansiães, mas também Torre de Moncorvo e Alfândega da Fé. Participei em muitas passeios pedestres e outros eventos, graças ao emprego que tenho, que me dá algum tempo livre (e dinheiro), mas também à minha família, espetacular, que já se habituou a ter em casa um Transmontano À Descoberta, sempre disposto a percorrer montes e vales na companhia de uma máquina fotográfica. São uns amores.
Fiz um esforço para regressar à BTT. Apenas percorri pouco mais de 100 km em bicicleta, mas já foi mais do que no ano anterior. A bicicleta permite fazer saídas mais distantes, podendo parar em qualquer lugar e não gastando gasolina.
Este ano também foi marcado pela morte do escritor vilaflorense João de Sá. Penso que ninguém escreveu tanto e tão bem de Vila Flor. As suas palavras são uma inspiração para mim e vejo-as projetadas nas paisagens em muitos dos percursos que faço. Continuarei a divulgar aqui os seus poemas, tal como os de outros autores que me toquem com as suas palavras.
Não há projetos para o futuro, mas há algumas ideias organizadas porque há ainda imensas coisas para conhecer e mostrar, espalhadas pelo concelho de Vila Flor. As fotografias são fáceis de conseguir e de colocar online, mas escrever sobre pessoas, coisas e acontecimentos já não agrada a todos. Por isso manterei um equilíbrio entre as imagens e as palavras. O À Descoberta assume-se como um bom exercício físico, mas também um bom exercício estético e de escrita (enquanto houver leitores).
Antes da divulgação dos números que marcaram o ano que agora termina, agradeço a todos os que me incentivam na manutenção do À Descoberta de Vila Flor, especialmente o colega e amigo Helder Magueta que me acompanhou na maior parte dos percursos pedestres realizados.
Números do 6.ºano:
Páginas vistas - 102 067
Visitantes - 61 457
Comentários - 122
Postagens - 157
Km percorridos em BTT - 110
Km percorridos a pé - 207
Fotografias tiradas - 10 565
Fotografias publicadas - 380
Números totais (6 anos):
Páginas vistas - 610 986
Visitantes - 266 439
Postagens - 1 031
Km percorridos em BTT - 2 166
Km percorridos a pé (2 anos) - 580
Fotografias tiradas - 106 263
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/05/2012 02:52:00 a.m.
Neste ano que agora termina, que se iniciou em setembro de 2011, tentei desenvolver algumas atividades que me ajudassem a descobrir um pouco melhor o concelho, que me permitissem tirar algumas (boas) fotografias, que me proporcionassem algum exercício físico e que me proporcionassem assuntos interessantes para manter o envolvimento no blogue e a quantidade de visitantes. Grande parte dos objetivos foram conseguidos, outros ficaram à quem do previsto.
O conjunto de caminhadas, "Peregrinações", que estava previsto para um ano, acabou por ocupar quase dois e muitas mais haveria para fazer. A última aconteceu em maio. Não cheguei (ainda) a publicar um apanhado de todas as Peregrinações, mas foram 23 caminhadas, muito interessantes, pelos caminhos mais bonitos e solitários do concelho. Seguiu-se, depois, outro conjunto de percursos pedestres, "Pontos Altos" que tinham por destino marco geodésicos. Apenas foram feitos 3, há muitos outos planeados para o ano que agora se inicia.
Mantive-me um pouco mais afastado dos eventos que foram acontecendo, quer na vila, quer nas aldeias. Não é que esses eventos não sejam interessantes, ou não proporcionem bons momentos fotográficos, mas porque já há mais pessoas a fazer esse tipo de reportagens e eu gosto de fazer coisas com alguma originalidade. As notícias só têm interesse para o blogue se se enquadrarem no espírito de descoberta do concelho. A própria autarquia quando recolocou online a sua página web institucional deixou de me enviar os cartazes e programas das festas e atividades.
O panorama da Internet também se alterou bastante. Os visitantes do Blogue, inicialmente vilaflorenses na diáspora, vão dando cada vez mais lugar a pessoas "estranhas" que procuram informação sobre o concelho, nomeadamente sobre as amendoeiras em flor ou sobre o parque de campismo. Os blogues estão a perder importância de forma gradual, muito também porque as Redes Sociais são mais fáceis, embora muito mais vazias de conteúdo. Uma boa fatia de visitantes vem diretamente do Facebook, graças também à criação de uma Página - Vila Flor, Concelho - que nos últimos tempos tem dado mais trabalho do que o blogue. Nada se consegue sem esforço, a não ser que seja roubado (isso também acontece na Internet). Quando se quer divulgar algo original é preciso despender esforço, imenso tempo e algum dinheiro (a gasolina está cada vez mais cara).
Os números mostram que o caminho seguido tem dado alguns frutos. Ao contrário do que seria de esperar, o Blogue bateu o seu recorde de visitantes, com mais de 61 000, num ano. Foi o melhor dos seis anos! Confesso que não estava à espera e só posso agradecer a todos os que visitam o Blogue - acreditem que isso é um grande, mas mesmo grande incentivo.
Pessoalmente não vejo o concelho de Vila Flor à parte dos concelhos limítrofes e este foi um ano excecional na Descoberta de outros concelho, principalmente Carrazeda de Ansiães, mas também Torre de Moncorvo e Alfândega da Fé. Participei em muitas passeios pedestres e outros eventos, graças ao emprego que tenho, que me dá algum tempo livre (e dinheiro), mas também à minha família, espetacular, que já se habituou a ter em casa um Transmontano À Descoberta, sempre disposto a percorrer montes e vales na companhia de uma máquina fotográfica. São uns amores.
Fiz um esforço para regressar à BTT. Apenas percorri pouco mais de 100 km em bicicleta, mas já foi mais do que no ano anterior. A bicicleta permite fazer saídas mais distantes, podendo parar em qualquer lugar e não gastando gasolina.
Este ano também foi marcado pela morte do escritor vilaflorense João de Sá. Penso que ninguém escreveu tanto e tão bem de Vila Flor. As suas palavras são uma inspiração para mim e vejo-as projetadas nas paisagens em muitos dos percursos que faço. Continuarei a divulgar aqui os seus poemas, tal como os de outros autores que me toquem com as suas palavras.
Não há projetos para o futuro, mas há algumas ideias organizadas porque há ainda imensas coisas para conhecer e mostrar, espalhadas pelo concelho de Vila Flor. As fotografias são fáceis de conseguir e de colocar online, mas escrever sobre pessoas, coisas e acontecimentos já não agrada a todos. Por isso manterei um equilíbrio entre as imagens e as palavras. O À Descoberta assume-se como um bom exercício físico, mas também um bom exercício estético e de escrita (enquanto houver leitores).
Antes da divulgação dos números que marcaram o ano que agora termina, agradeço a todos os que me incentivam na manutenção do À Descoberta de Vila Flor, especialmente o colega e amigo Helder Magueta que me acompanhou na maior parte dos percursos pedestres realizados.
Números do 6.ºano:
Páginas vistas - 102 067
Visitantes - 61 457
Comentários - 122
Postagens - 157
Km percorridos em BTT - 110
Km percorridos a pé - 207
Fotografias tiradas - 10 565
Fotografias publicadas - 380
Números totais (6 anos):
Páginas vistas - 610 986
Visitantes - 266 439
Postagens - 1 031
Km percorridos em BTT - 2 166
Km percorridos a pé (2 anos) - 580
Fotografias tiradas - 106 263
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/05/2012 02:52:00 a.m.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
[À Descoberta de Torre de Moncorvo] Nossa Senhora do Castelo - Adeganha
No verão quente transmontano as festas sucedem-se e aos fins-de-semana sobrepõem-se em poucos quilómetros de distância. Ao longo do vale da Vilariça há muitas capelas mas há algumas que ao longo dos tempos foram palco de grandes manifestações de fé, de ponto de reunião das pessoas e que ainda mantêm esse papel. Estão nesta posição a romaria de Nossa Senhora do Castelo, em Adeganha e a de Nossa Senhora dos Anúncios, em Vilarelhos. Também a capela de Nossa Senhora da Rosa, em Sampaio, deve ter tido um papel de relevo, mas no presente está praticamente esquecida, mais por culpa do clero do que pela população da aldeia.
Nos dias 25 e 26 de Agosto realizaram-se as festa em honra de Nossa Senhora do Castelo. O local das festas situa-se num ponto estratégico situado no alto da fragada, nas fraldas do vale, com completo domínio do vale, razão pela qual o local foi escolhido deste os tempos antigos para a fixação do homem. No local existe um antigo povoado fortificado com vestígios da Idade do Ferro e da ocupação romana. Trata-se de um local cheio de história, de mística e como um dos melhores miradouros do vale.
Integram este santuário duas capelas, uma grande, bonita, dedicada a Nossa Senhora do Castelo, outra mais pequena, quadrangular, situada na beira da falésia, no ponto mais elevado do santuário.
No dia 19 de junho deflagrou um grande incêndio que devorou a vegetação dos montes em redor até poucos metros de distância do santuário. Assim, a somar ao aspeto de um ano excecionalmente seco soma-se o negro da fragada devorada pelas chamas, sem tempo nem gota de água para recuperar. Para minimizar este cenário negro o movimento do Grupo de Amigos de Adeganha deitou mão a uma ideia original: produzir flores em papel colorido e espalhá-las ao longo do percurso até ao santuário!
Por isso, havia muitos motivos para uma visita ao santuário, no dia 25 de Agosto.
Não conhecia o programa da festa. Imaginava o povo em procissão desde a aldeia ao santuário, mas os tempos mudaram e já há muitos anos que isso não é feito. Só me inteirei que não seria assim, na aldeia, depois de questionar alguns habitantes se o percurso até ao santuário seria feito a pé.
Parti para o santuário de carro, fazendo paragens ao longo do caminho para fotografar as flores em papel. Havia muito pó pelo caminho de cada vez que um carro passava.
Cheguei ao santuário perto das três da tarde. A calmaria ainda era muita e isso facilitou-e a vista a todos os espaços com a calma necessária. Surpreendeu-me a dimensão da capela e número de andores preparados para a procissão, uma dúzia. Estavam decorados com flores naturais, pelas mãos das pessoas de aldeia. Fizeram-no com tal dedicação e carinho que não ficavam nada a dever ao trabalho de um profissional da área.
Espalhados pelo santuário havia arranjos florais com flores em papel. Havia também quadros com a passagens das aparições em Fátima, com a Lenda das Açucenas, o batismo de Cristo e quadras sobre Adeganha.
A Eucaristia começou perto das seis da tarde. O pároco não se referiu a nenhum aspeto específico do santuário, mas as leituras foram sobre a vida de Maria e sobre Adão e Eva. Aproveitou para se despedir da população da paróquia e para a agradecer a forma como o receberam, dado que foi a última missa que celebrou em Adeganha.
Às sete saiu a procissão. Não deve ter sido fácil arranjar gente para transportar tantas bandeiras e estandartes e andores! Talvez seja boa ideia diminuir ao número e que apenas as pessoas que têm devoção façam essa tarefa porque há pessoas que não têm fé, nem respeito, confundindo a procissão com um qualquer desfile.
O percurso da procissão é curto mas acidentado. Não é fácil coordenar a subida e a descida de escadas carregando os andores.
A luz rasante do sol que começava a pintar de dourado a Vilariça ajudou a criar um ambiente de intimidade e oração. Um grupo coral contratado entoava cânticos que faziam eco nas cavidades das rochas e se refletiam pelo vale. Às oito horas terminou a procissão.
Caracteriza também esta festa o convívio das famílias em volta da mesa, mal a procissão recolha. Estendem-se as mantas (agora já há muitas mesas e cadeiras de jardim), abrem-se os cabazes (alguns até frigoríficos transportam para o santuário) e a festa é feita de comida e bebida tal como noutros tempos se fazia na Senhora da Assunção (Vilas Boas) ou no Santo Ambrósio (em Vale da Porca).
A comissão de festa tem a seu cargo a assadura dos frangos. São vendidos ao longo da tarde e são fornecidos mal acabe a procissão. Não faço ideia quantos são vendidos mas são seguramente largas dezenas!
O grupo musical que ia abrilhantar a noite tocou os primeiros acordes. Acenderam-se a luzes e o santuário ganhou mais magia.
Não fiquei para o arraial. Desci por uma estrada de terra batida para a Junqueira, prometendo não voltar a fazê-lo. Não é via recomendável a carros ligeiros, mas voltar para trás era impensável.
Gostei de conhecer e participar na festa de Nossa Senhora do Castelo. Fiquei, sobretudo, com vontade de lá voltar noutra altura do ano, quem sabe se em maio, com menos gente mas com outra paisagem e com outro espírito.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Torre de Moncorvo a 8/30/2012 02:05:00 a.m.
Nos dias 25 e 26 de Agosto realizaram-se as festa em honra de Nossa Senhora do Castelo. O local das festas situa-se num ponto estratégico situado no alto da fragada, nas fraldas do vale, com completo domínio do vale, razão pela qual o local foi escolhido deste os tempos antigos para a fixação do homem. No local existe um antigo povoado fortificado com vestígios da Idade do Ferro e da ocupação romana. Trata-se de um local cheio de história, de mística e como um dos melhores miradouros do vale.
Integram este santuário duas capelas, uma grande, bonita, dedicada a Nossa Senhora do Castelo, outra mais pequena, quadrangular, situada na beira da falésia, no ponto mais elevado do santuário.
No dia 19 de junho deflagrou um grande incêndio que devorou a vegetação dos montes em redor até poucos metros de distância do santuário. Assim, a somar ao aspeto de um ano excecionalmente seco soma-se o negro da fragada devorada pelas chamas, sem tempo nem gota de água para recuperar. Para minimizar este cenário negro o movimento do Grupo de Amigos de Adeganha deitou mão a uma ideia original: produzir flores em papel colorido e espalhá-las ao longo do percurso até ao santuário!
Por isso, havia muitos motivos para uma visita ao santuário, no dia 25 de Agosto.
Não conhecia o programa da festa. Imaginava o povo em procissão desde a aldeia ao santuário, mas os tempos mudaram e já há muitos anos que isso não é feito. Só me inteirei que não seria assim, na aldeia, depois de questionar alguns habitantes se o percurso até ao santuário seria feito a pé.
Parti para o santuário de carro, fazendo paragens ao longo do caminho para fotografar as flores em papel. Havia muito pó pelo caminho de cada vez que um carro passava.
Cheguei ao santuário perto das três da tarde. A calmaria ainda era muita e isso facilitou-e a vista a todos os espaços com a calma necessária. Surpreendeu-me a dimensão da capela e número de andores preparados para a procissão, uma dúzia. Estavam decorados com flores naturais, pelas mãos das pessoas de aldeia. Fizeram-no com tal dedicação e carinho que não ficavam nada a dever ao trabalho de um profissional da área.
Espalhados pelo santuário havia arranjos florais com flores em papel. Havia também quadros com a passagens das aparições em Fátima, com a Lenda das Açucenas, o batismo de Cristo e quadras sobre Adeganha.
A Eucaristia começou perto das seis da tarde. O pároco não se referiu a nenhum aspeto específico do santuário, mas as leituras foram sobre a vida de Maria e sobre Adão e Eva. Aproveitou para se despedir da população da paróquia e para a agradecer a forma como o receberam, dado que foi a última missa que celebrou em Adeganha.
Às sete saiu a procissão. Não deve ter sido fácil arranjar gente para transportar tantas bandeiras e estandartes e andores! Talvez seja boa ideia diminuir ao número e que apenas as pessoas que têm devoção façam essa tarefa porque há pessoas que não têm fé, nem respeito, confundindo a procissão com um qualquer desfile.
O percurso da procissão é curto mas acidentado. Não é fácil coordenar a subida e a descida de escadas carregando os andores.
A luz rasante do sol que começava a pintar de dourado a Vilariça ajudou a criar um ambiente de intimidade e oração. Um grupo coral contratado entoava cânticos que faziam eco nas cavidades das rochas e se refletiam pelo vale. Às oito horas terminou a procissão.
Caracteriza também esta festa o convívio das famílias em volta da mesa, mal a procissão recolha. Estendem-se as mantas (agora já há muitas mesas e cadeiras de jardim), abrem-se os cabazes (alguns até frigoríficos transportam para o santuário) e a festa é feita de comida e bebida tal como noutros tempos se fazia na Senhora da Assunção (Vilas Boas) ou no Santo Ambrósio (em Vale da Porca).
A comissão de festa tem a seu cargo a assadura dos frangos. São vendidos ao longo da tarde e são fornecidos mal acabe a procissão. Não faço ideia quantos são vendidos mas são seguramente largas dezenas!
O grupo musical que ia abrilhantar a noite tocou os primeiros acordes. Acenderam-se a luzes e o santuário ganhou mais magia.
Não fiquei para o arraial. Desci por uma estrada de terra batida para a Junqueira, prometendo não voltar a fazê-lo. Não é via recomendável a carros ligeiros, mas voltar para trás era impensável.
Gostei de conhecer e participar na festa de Nossa Senhora do Castelo. Fiquei, sobretudo, com vontade de lá voltar noutra altura do ano, quem sabe se em maio, com menos gente mas com outra paisagem e com outro espírito.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Torre de Moncorvo a 8/30/2012 02:05:00 a.m.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
[À Descoberta de Vila Flor] Flor do Mês - Julho de 2012
Chegados os meses de mais calor as plantas perdem o "entusiasmo" para exibirem as suas vistosas flores. A maior parte dos terrenos tem pouca humidade e as temperaturas são altas. Por outro lado há imensos insetos, que é uma aspeto positivo. Não é que em junho não tenha havido flores, mas não são tão visíveis e representativas como noutros meses.
Escolhi para representar o mês de julho a Mantissalca ou Erva-de-Salamanca, que tem de nome científico Mantisalca salmantica. Pertence à ordem Asterales, família Asteraceae, que contribuiu com algumas centenas de espécies, das mais conhecidas na flora portuguesa.
Trata-se de uma planta rasteira mas que lança hastes florais a cerca de um metro de altura (no segundo ano de vida). Habita terrenos pobres secos e pedregosos, sendo frequente na beira dos caminhos, local onde a encontro com mais frequência. É ruderal.
Em Portugal é mais frequente no centro e sul do país, aparecendo também nas ilhas, mas foi introduzida. A floração ocorre de maio a setembro.
Não encontrei grandes curiosidades sobre esta planta. A que é mais vezes referida tem a ver com o seu nome uma vez que Mantisalce e Salmantica terem as mesmas sílabas, mas em ordem diferente. Salmantica é uma referência a Salamanca, cidade espanhola mão muito distante daqui.
Em Espanha a planta tem muitos nomes, alguns bem curiosos como pão-do-pastor, drama, centauria, erva das vassouras, cabeçudas, varredouras, etc. Estes nomes sugerem algumas utilizações que não consegui comprovar em Portugal. As hastes florais (as flores serão as tais cabeças) atadas, depois de secas, são usadas como vassouras. As folhas basais são comestíveis em guisados (isso justifica o nome pão-do-pastor). As flores são usadas, em decoção (fervura de substâncias de que se quer extrair as partes solúveis) contra os diabetes, para baixar o açúcar no sangue.
Comprova-se, assim, que mesmo as espécies mais improváveis têm múltiplas aplicações.
As flores apresentadas foram tiradas junto a Vila Flor, num caminho que vai até à Barragem do Peneireiro.
Outras flores de julho:
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 8/29/2012 08:31:00 p.m.
Escolhi para representar o mês de julho a Mantissalca ou Erva-de-Salamanca, que tem de nome científico Mantisalca salmantica. Pertence à ordem Asterales, família Asteraceae, que contribuiu com algumas centenas de espécies, das mais conhecidas na flora portuguesa.
Trata-se de uma planta rasteira mas que lança hastes florais a cerca de um metro de altura (no segundo ano de vida). Habita terrenos pobres secos e pedregosos, sendo frequente na beira dos caminhos, local onde a encontro com mais frequência. É ruderal.
Em Portugal é mais frequente no centro e sul do país, aparecendo também nas ilhas, mas foi introduzida. A floração ocorre de maio a setembro.
Não encontrei grandes curiosidades sobre esta planta. A que é mais vezes referida tem a ver com o seu nome uma vez que Mantisalce e Salmantica terem as mesmas sílabas, mas em ordem diferente. Salmantica é uma referência a Salamanca, cidade espanhola mão muito distante daqui.
Em Espanha a planta tem muitos nomes, alguns bem curiosos como pão-do-pastor, drama, centauria, erva das vassouras, cabeçudas, varredouras, etc. Estes nomes sugerem algumas utilizações que não consegui comprovar em Portugal. As hastes florais (as flores serão as tais cabeças) atadas, depois de secas, são usadas como vassouras. As folhas basais são comestíveis em guisados (isso justifica o nome pão-do-pastor). As flores são usadas, em decoção (fervura de substâncias de que se quer extrair as partes solúveis) contra os diabetes, para baixar o açúcar no sangue.
Comprova-se, assim, que mesmo as espécies mais improváveis têm múltiplas aplicações.
As flores apresentadas foram tiradas junto a Vila Flor, num caminho que vai até à Barragem do Peneireiro.
Outras flores de julho:
- Julho 2009 - Fel-da-terra (Centaurium erythraea Rafn)
- Julho 2008 - Alfazema (Lavandula angustifolia)
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 8/29/2012 08:31:00 p.m.
[À Descoberta de Vila Flor] Museu Municipal de Vila Flor
Direção do Museu:
Museu Municipal de Vila Flor
Largo Dr. Alexandre Matos
5360-325 Vila Flor
Contactos:
Telefone: 278512 373
eMail: museu.berta.cabral@mail.telepac.pt
Horário de funcionamento:
Todos os dias excepto feriados
Manhã - 09:30h às 12:30h
Tarde - 14:00h às 17:30
Entrada gratuita
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 8/29/2012 04:13:00 p.m.
[À Descoberta de Miranda do Douro] L burro i l gueiteiro (3) 28 de julho
No dia 28 de junho as atividades do festival itinerante L Burro I L Gueitero eram imensas. Agora já sediado em Aldeia Nova, repetiu uma manhã de oficinas. Algumas eram repetidas do dia 26, mas havia outras novas. É o caso da Construção de Origamis e As Aves do Vale do Douro.
Só cheguei a Aldeia Nova ao início da tarde, em hora de relaxamento. Aproveitei para dar um passeio pela aldeia, onde não estava já há algum tempo.
Já não cheguei a tempo de assistir ao Concerto na Curralada, por Jorge Ribeiro, mas foi muito interessante visitar uma casa típica e verificar como era a maneira de viver de outros tempos.
No recinto onde estava instalado o palco do festival também havia algumas coisas para ver. No bar Burriqueiro não faltavam clientes e nas tendas vendiam-se recordações e alguns produtos regionais. Comprei alguns postais para a coleção que faço desde criança. Achei piada aos cinzeiros portáteis! Seria mais fácil não fumar, mas a ideia é interessante.
Passeei pela aldeia e falei com alguns moradores. As pessoas do Planalto são, por norma, abertas e hospitaleiras. Com tanta gente a circular pelas ruas o ambiente era ainda mais propício à troca de dois dedos de conversa.
Distrai-me tanto que perdi a saída dos participantes em passeio de burro, desta vez entre Aldeia Nova e Pena Branca. Podia seguir a pé, tentando alcançá-los, conheço bem os caminhos, mas optei por ir de carro até Pena Branca e esperar pela sua chegada.
O grupo era ainda maior do que nos dias anteriores e fazia-se ouvir à distância. O som da gaita de foles mexe comigo e fez-me sentir emoções estranhas. Eram muitos os sons e as idades, com muitas crianças a participarem.
O que se pretendia em Pena Branca era fazer uma visita ao Centro de Acolhimento do Burro, uma espécie de lar de idosos para burros. Esta é a alternativa de vida para muitos animais que de outra forma acabariam abatidos para servirem de alimento para cães ou lançados pelas arribas para alimentar abutres. Há muitos animais, mas todos são bem tratados. São conhecidos pelos nomes e os tratadores sabem como cada um se comporta. Os primeiros exemplares com que a Associação começou a fazer os passeios, já aqui estão, é que o tempo não pára.
Tive também o prazer e foi mesmo um prazer, de ver atuar o grupo Coletivo das Facécias. Trata-se de um grupo de comediantes que faz pequenas cenas inspiradas nos jograis e trovadores da idade média. Tiveram imensa graça e não me importava de os ver mais vezes.
Os burros foram alimentados e o grupo partiu de regresso à base, Aldeia Nova. Eu, pela minha parte, aproveitei para revisitar locais que normalmente visito, de cada vez que vou a Miranda do Douro, Palancar e Malhadas.
À noite consegui convencer a família a acompanhar-me aos espetáculos em Aldeia Nova. O nome que me soava era Roncos do Diabo, mas havia mais a ouvir.
A noite estava fria, diria mesmo gelada. O ambiente estava animado, com muita gente do concelho, não participantes no festival, a assistir aos espetáculos.
O primeiro grupo a atuar foi o Quinteto Reis 84. Trata-se de um grupo da terra que sabe o que o povo gosta, que toca com prazer e que o consegue transmitir. Seguiu-se-lhe Terra Viva de João Pedro Marnoto, Charanga e Roncos do Diabo.
O meu leque de gostos musicais é bastante alargado mas o tempo em que o grupo Charanga esteve a atuar custou muito a passar. Pelo contrário, quando começou a atuação do grupo Roncos do Diabo o recinto ganhou vida e a festa parecia outra.
A noite já tinha passado do meio, quando regressei a Miranda.
Com esta terceira visita ao festival itinerante l burrro i l gueiteiro encerrei o meu acompanhamento do evento.
No dia 29 a festa continuou com um passeio de burro a São João das Arribas, local com uma beleza ímpar na região e em Portugal. À noite houve mais música, com a atuação do grupo do planalto Galandum Galundaina, que com a sua Associação integraram a organização do evento.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Miranda do Douro a 8/29/2012 01:57:00 p.m.
Só cheguei a Aldeia Nova ao início da tarde, em hora de relaxamento. Aproveitei para dar um passeio pela aldeia, onde não estava já há algum tempo.
Já não cheguei a tempo de assistir ao Concerto na Curralada, por Jorge Ribeiro, mas foi muito interessante visitar uma casa típica e verificar como era a maneira de viver de outros tempos.
No recinto onde estava instalado o palco do festival também havia algumas coisas para ver. No bar Burriqueiro não faltavam clientes e nas tendas vendiam-se recordações e alguns produtos regionais. Comprei alguns postais para a coleção que faço desde criança. Achei piada aos cinzeiros portáteis! Seria mais fácil não fumar, mas a ideia é interessante.
Passeei pela aldeia e falei com alguns moradores. As pessoas do Planalto são, por norma, abertas e hospitaleiras. Com tanta gente a circular pelas ruas o ambiente era ainda mais propício à troca de dois dedos de conversa.
Distrai-me tanto que perdi a saída dos participantes em passeio de burro, desta vez entre Aldeia Nova e Pena Branca. Podia seguir a pé, tentando alcançá-los, conheço bem os caminhos, mas optei por ir de carro até Pena Branca e esperar pela sua chegada.
O grupo era ainda maior do que nos dias anteriores e fazia-se ouvir à distância. O som da gaita de foles mexe comigo e fez-me sentir emoções estranhas. Eram muitos os sons e as idades, com muitas crianças a participarem.
O que se pretendia em Pena Branca era fazer uma visita ao Centro de Acolhimento do Burro, uma espécie de lar de idosos para burros. Esta é a alternativa de vida para muitos animais que de outra forma acabariam abatidos para servirem de alimento para cães ou lançados pelas arribas para alimentar abutres. Há muitos animais, mas todos são bem tratados. São conhecidos pelos nomes e os tratadores sabem como cada um se comporta. Os primeiros exemplares com que a Associação começou a fazer os passeios, já aqui estão, é que o tempo não pára.
Tive também o prazer e foi mesmo um prazer, de ver atuar o grupo Coletivo das Facécias. Trata-se de um grupo de comediantes que faz pequenas cenas inspiradas nos jograis e trovadores da idade média. Tiveram imensa graça e não me importava de os ver mais vezes.
Os burros foram alimentados e o grupo partiu de regresso à base, Aldeia Nova. Eu, pela minha parte, aproveitei para revisitar locais que normalmente visito, de cada vez que vou a Miranda do Douro, Palancar e Malhadas.
À noite consegui convencer a família a acompanhar-me aos espetáculos em Aldeia Nova. O nome que me soava era Roncos do Diabo, mas havia mais a ouvir.
A noite estava fria, diria mesmo gelada. O ambiente estava animado, com muita gente do concelho, não participantes no festival, a assistir aos espetáculos.
O primeiro grupo a atuar foi o Quinteto Reis 84. Trata-se de um grupo da terra que sabe o que o povo gosta, que toca com prazer e que o consegue transmitir. Seguiu-se-lhe Terra Viva de João Pedro Marnoto, Charanga e Roncos do Diabo.
O meu leque de gostos musicais é bastante alargado mas o tempo em que o grupo Charanga esteve a atuar custou muito a passar. Pelo contrário, quando começou a atuação do grupo Roncos do Diabo o recinto ganhou vida e a festa parecia outra.
A noite já tinha passado do meio, quando regressei a Miranda.
Com esta terceira visita ao festival itinerante l burrro i l gueiteiro encerrei o meu acompanhamento do evento.
No dia 29 a festa continuou com um passeio de burro a São João das Arribas, local com uma beleza ímpar na região e em Portugal. À noite houve mais música, com a atuação do grupo do planalto Galandum Galundaina, que com a sua Associação integraram a organização do evento.
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Miranda do Douro a 8/29/2012 01:57:00 p.m.
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