domingo, 23 de setembro de 2012

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] À Descoberta de Belver (1/3)

 Belver é uma freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães que dista aproximadamente dois quilómetros da sede. Trata-se de um núcleo populacional relativamente pequeno, mas, como a freguesia agrega Mogo de Ansiães e o bairro do Reboredo, que muitos julgam pertencer a Carrazeda, tem mais de 300 habitantes, número que muitas outras freguesias não atingem.
A origem do nome Belver é frequentemente atribuída à derivação de "Belo ver" ou "Belo viver". Esta explicação é também dada a respeito de outro Belver, com um bonito e altaneiro castelo, no concelho de Gavião. Não me parece que haja grande paralelismo, uma vez que o "nosso" Belver está implementado numa zona planáltica, na terra fria, entre os 700 e os 800 metros de altitude, mas sem que daqui se avistem largos horizontes, exceção feita ao vale da Cabreira, para os lados de Mogo de Ansiães.
Mesmo a esta altitude há pontos mais elevados que se lhe sobrepõem. Daqui se avista o pinocro, vértice geodésico de primeira classe situado em Fontelonga, o cabeço de Nª Sª da Graça, em Samorinha e o antigo castelo de Ansiães, a que esta freguesia esteve ligada em tempos remotos.
O meu último grande passeio a Belver aconteceu em junho de 2008. Quando, recentemente, voltei à aldeia, algo tinha mudado. Não foram as pessoas, nem as casas, nem a paisagem. O que mudou foi a imagem mental que eu construí da aldeia depois de ler o romance "O violino do meu pai – Partir ou ficar em Trás-os-Montes" da autoria de Campos Gouveia, nascido em Belver em 1947.
Pode ter sido uma dedução errada minha, nunca esclarecida junto do autor, mas a aldeia onde se desenrola parte da história, Belavista, é justamente a aldeia de Belver. Não resisto a transcrever algumas palavras.
"A aldeia era animada e havia muita mocidade, especialmente raparigas, que os rapazes estavam a ir em bandos para o Brasil, no sonho de fortuna seguramente rápida, a abanar a árvore das patacas; composta de um aglomerado velho de casas de pedra nua, atravessado a meio por um caminho largo que conduzia a Montelongo, capela de dois altares e igreja matriz da Senhora das Neves com torre sineira e relógio accionado por dois pesos de granito, três fontes de mergulho: a da gricha, a do valtalho e a da canelha. Era nesta última que Joaquina recolhia os canecos de água, não só por ser a mais próxima mas também por ser a mais limpa: nas outras duas os animais bebiam com frequência da mesma água das pessoas. Esta tinha uma abóbada de pedra colocada de tal forma que os animais tinham dificuldade em chegar à água e dois degraus laterais que serviam de banco, num plano inferior ao do caminho, onde as pessoas podiam conversar. Além disso, a canelha não tinha muito movimento, pois só de manhã e à noite os lavradores passavam por ali para levar ou trazer os animais dos lameiros da pontesinha, e por isso os namorados a preferiam."
O romance faz uma descrição das habitações, das famílias e do modo de vida na aldeia de "Belavista". Partamos, então, à descoberta da aldeia que "na uniformidade da pedra escura e da telha vã… se confundia com a paisagem granítica, se dela se não destacassem algumas construções recentes de brasileiros."
 Um bom ponto de partida para o passeio é o largo da Praça. É relativamente amplo e está rodeado de casas em granito. Encostado a uma delas está um fontanário, também em pedra, mas já sem gota de água. Algumas foram recuperadas, e com bom gosto, outras mostram as marcas do passar dos anos e da ausência de vida. Marca do tempo é (também) o nome de um beco próximo – Atafona. As atafonas eram uma espécies de moinhos, movidos a tração animal. Um destes terá possivelmente existido neste beco.
Da Praça partem vários caminhos em distintas direções. Sendo necessário escolher, uma hipótese é seguir em direção ao Vale, para norte. O Vale foi antigamente a Gricha. A aldeia era atravessada por uma ribeira onde as mulheres lavavam a roupa. Havia uma pequena ponte de pedra que permitia atravessar a ribeira e, também na Gricha, uma fonte, possivelmente de mergulho, onde bebiam os animais e de onde se extraía água para rega. Hoje o cenário é bem diferente. O leito da ribeira é mais caminho do que outra coisa. A pouca água que por aqui passa é entubada, mal se dando por ela. Disseram-me que a fonte ainda existe, tapada, mas não a encontrei.
O largo do Vale é um dos recantos mais românticos da ladeia. Há uma enorme tília e muitos bancos espalhados, para um momento de sossego. Encostados às casas pendem fartos ramos de rosas vermelhas, ou de cores mais lavadas. Algumas casas destacam-se pela dimensão, pela utilização de granito trabalhado, pelas existência de escadas e patins. Umas mais robustas, outras mais humildes e em ruínas. Na rua, na travessa e no beco, todos do Vale(!), há dos dois tipos. Foi na travessa do Vale que encontrei a primeira surpresa da tarde - uma janela manuelina. É muito simples, parecida com outras que existem em Selores, mas, mesmo assim, digna de referência porque são poucos os exemplares que existem no concelho.

Continua:  À Descoberta de Belver (2/3)

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Publicada por Blogger em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 9/23/2012 01:56:00 a.m.

sábado, 22 de setembro de 2012

[À Descoberta de Vila Flor] Flor do Mês - Agosto de 2012

O mês do calor já terminou e este ano foi anormalmente seco. A floração das plantas destina-se à propagação da espécie e não à satisfação dos caprichos do bicho humano de forma que muito gostaríamos de campos de flores em pleno agosto, mas as condições do meio não são favoráveis para a quase totalidade das espécies. No entanto, a natureza não para de nos surpreender e sempre aparecem exceções, algumas dignas de referência.
A flor escolhida para representar o mês de agosto de 2012 é conhecida pelo nome de cardo-amarelo, cardol ou espinho-de-cabeça e tem como nome cientifico Carlina hispanica ( não sei se a Carlina corymbosa é a mesma espécie).
Trata-se de uma espécie pertence à família das Asteraceae/Compositae própria de zonas mediterrânicas e que se desenvolve facilmente nas bordas dos caminhos ou em terrenos incultos. Estes cardos crescem facilmente em todos os tipos de solos. O facto de possuírem espinhos talvez não os tornem muito e merecedores da nossa atenção, mas um olhar atento encontraria aspetos muito curiosos nesta planta. A possibilidade de conseguirem florir nos meses de julho e agosto pode estar relacionada com o facto de possuírem um rizoma, como raiz, o que lhes proporciona algumas reservas extra em meses de privação. Este rizoma é grosso e profundo.
As folhas são muito espinhosas, e são uma boa defesa.
As flores reúnem-se numa inflorescência típica das compostas (Asteraceae), das quais conhecemoss muito bem os malmequeres e as margaridas. Olhando com atenção verificamos que existem centenas de pequenas flores no disco central, essas sim as verdadeiras flores. As flores também estão fortemente defendidas por brácteas espinhosas que formam uma estrela.
Em Espanha é conhecido por cardo cuco e cabeça de galinha (não percebi porquê). Não encontrei referências ao uso medicinal desta planta, mas em contrapartida um parente seu, o Eryngium campestre ou cardo corredor tem múltiplas aplicações. Como é uma espécie também frequente no concelho, pode ser que um dia fale nele.
As sementes de cardo são muito apreciadas pelos pintassilgos, mas as flores também são procuradas por muitos insetos de entre os quais as borboletas. Numa altura do ano em que o alimento é escasso, nada pode ser desperdiçado.

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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/22/2012 07:30:00 p.m.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

[À Descoberta de Vila Flor] Rosas - Vilas Boas/Vale Frechoso

O marco geodésico da Rosa fica no lugar com o bonito nome de Flor da Rosa, na separação dos termos da freguesia de Vilas Boas e Vale Frechoso, a curta distância do cruzamento da N214 coma M603, que à direita dá acesso a Vale Frechoso e à esquerda a Cachão (ao Aterro Sanitário e ao Canil Intermunicipal). O marco é visível da estrada, destacando-se altaneiro no cume de um monte, despido de árvores e onde apenas se destaca um poste metálico da rede de eletricidade.
Já estive no local várias vezes. Principalmente quando as urzes e a carqueja se encontram em flor é bonito de observar a paisagem envolvente. Não sendo o melhor local para observar a paisagem (desde o Barracão,  em Samões) nesta crista entre os 500 e os 600 metros de altitude, permite, sobretudo, apreciar o vale que se estende para norte passando por Mirandela até aos confins da Terra Quente. Já para sul, em direção à Vilariça, os pontos de observação são mais escassos, sendo necessário aproximar-mo-nos mais do vale em Roios, Vale Frechoso ou Benlhevai.
Desta vez o passeio foi feito em BTT, no dia 12 de Agosto. A falta de rodagem na bicicleta levou-me a optar pela estrada, fazendo várias saídas para os caminhos a fim de procurar vistas mais alargadas. Mesmo sem praticar bicicleta há muito tempo, a sensação foi muito boa.
Deixei a bicicleta na estrada e subi ao marco geodésico. São pouco mais de 1000 metros, mas não há caminho e a erva seca a dar pelo joelho não é muito agradável. Para compensar o céu estava azul, a prometer ótimas fotografias.
Este marco geodésico está completamente isolado, sobre um rochedo, o que permite fotografá-lo a toda à toda a volta sem qualquer entrave, só mesmo os fios da rede de condução da eletricidade causam algum desequilíbrio.
A viagem foi tão rápida que decidi ir um pouco mais longe subindo à Penha do Corvo, um bom miradouro que, estranhamente, não tem nenhum marco geodésico (mas o do Alto da Serra está perto).
 Na estrada há uma subida um pouco acentuada, com curvas, e antes de se iniciar a descida para Benlhevai há um caminho rural que leva ao ponto mais alto, onde se ultrapassam os 660 metros de altitude. Não foi a primeira vez que estive neste local, mas como tinha tempo disponível dediquei-me à exploração de algumas cavernas que existem nos rochedos virados a norte. Há várias passagens estreitas e covas proporcionando abrigos naturais para quaisquer condições atmosféricas! Fiquei surpreendido. Estou convencido que estes abrigos devem ter sido já utilizados por pastores e caçadores e, quem sabe, por humanos num período mais remoto da vida na terra. Não conheço nada que se pareça com estes abrigos, embora no Faro também existam alguns.
Ao longe avista-se o cabeço da Pedra Luz, com o seu marco geodésico, onde espero ir em breve, mas a vista perde-se  até à Serra dos Passos, no concelho de Mirandela, onde a ocupação humana deixou marcas que permitem situá-la alguns milhares de anos antes de Cristo. Estes lugares elevados, com covas, ofereciam uma proteção imprescindível à sobrevivência dos humanos de então.
Este meu interesse espeleológico não me fez esquecer de admirar tudo em redor, incluindo a aldeia de Vale Frechoso, bem visível da crista rochosa virada para a estrada.
Abandonei o local e rumei por um caminho rural até Vale Frechoso. Tratou-se apenas de variar o percurso porque o objetivo do dia estava cumprido. Atravessei a aldeia, à hora de almoço, sem encontrar viva alma! Segui por caminhos até ao local chamado Carvalhinho, onde apanhei novamente a estrada asfaltada (N214) para regressar a casa. O cansaço e a falta de prática começaram a sentir-se e as pernas a fraquejar. Felizmente o percurso era bastante plano e ainda cheguei a casa a horas decentes para o almoço.
Não encontrei referências sobre este marco geodésico nas fontes que normalmente utilizo, o que me leva a pensar que tenha sido retirado da rede já há bastante tempo. Estes cones, mais pequenos, eram geralmente vértices geodésicos de 3.ª categoria e não há muitos semelhantes no concelho. A forma elegante e a sua posição elevada fizeram com que eu escolhe-se uma fotografia do marco geodésico da Rosa para identificação deste tipo de percursos com o nome de Pontos Altos.

Nota - Junto ao marco geodésico da Rosa um toco de esteva queimada furou-me uma bota e espetou-se-me no pé. As botas eram quase novas, mas estes restos de estevas queimadas são como facas, atravessando mesmo os pneus dos tratores!
Durante o resto do mês de Agosto tive que recorrer ao Centro de Saúde, pôr em dia as minhas vacinas contra o tétano e tomar alguns medicamentos. Não nada de grave mais mais um alerta de que o perigo espreita quando e onde menos se espera.


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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/21/2012 05:39:00 p.m.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

[A Linha é Tua] Linha do Tua: transportes alternativos garantidos apenas até ao final do mês

As populações da linha do Tua têm transportes alternativos ao comboio assegurados apenas até ao final do mês, desconhecendo-se ainda a solução do Governo para a continuidade do serviço, disse nesta quarta-feira o presidente da Câmara de Mirandela, António Branco.

O autarca social-democrata é também presidente da empresa Metro de Mirandela, que tem como principal accionista o município, e que assegurava o transporte ferroviário suspenso desde 2008 na linha do Tua, assumindo depois o transporte rodoviário alternativo em troca da mesma compensação financeira de 250 mil euros.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam, deixando as populações sem transportes durante mais de uma semana até que o Governo autorizou uma solução provisória que termina no final do mês, sem que ainda seja conhecida a prometida solução definitiva para assegurar o serviço.
O presidente da Câmara de Mirandela afirmou hoje à Lusa que contactou, no início de Setembro, a Secretaria de Estado dos Transportes, mas ainda não lhe foi comunicada qualquer decisão.
"Foi-me dito que já existiria uma proposta de portaria para o enquadramento do serviço que estava a ser analisada", afirmou.
O autarca sublinhou que continua à espera da prometida solução definitiva, assim como da formalização do acordo que permitiu a continuidade dos transportes de forma provisória desde 11 de Julho.
Segundo disse, a Metro de Mirandela "ainda não recebeu um tostão" pelo serviço que decidiu assumir, mesmo sem contrato firmado, acreditando "na palavra da CP", para não privar a maioria dos habitantes do vale do Tua do único transporte público.
Durante os três meses apontados para esta medida provisória devia ter sido estudada a solução que vigorará até ao plano de mobilidade previsto nas contrapartidas da barragem de Foz Tua, que submergirá parte da linha de caminho-de-ferro.
O plano só estará pronto dentro de quatro anos, junto com a conclusão da hidroeléctrica que foi adiada um ano devido ao abrandamento das obras imposto pela UNESCO, enquanto analisa os impactos no Douro Património da Humanidade.
Em Março de 2011 os cinco autarcas da zona, que integram a Agência para o Desenvolvimento do Vale do Tua, a EDP, a Refer, a CP, o Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) e a Câmara de Mirandela, accionista maioritária do Metro, assinaram um protocolo em que a CP se compromete a manter o acordo com o Metro para assegurar os transportes alternativos até à conclusão do novo plano de mobilidade.
A 1 de Julho, os táxis alternativos ao comboio pararam sem aviso às populações. A CP colocou apenas na página da Internet dois parágrafos com a informação sobre a supressão do serviço naquela data. A medida gerou a contestação dos autarcas locais, que ameaçaram rever a posição favorável à construção da barragem se os transportes não fossem repostos, independentemente de ser "a EDP, a CP ou o Governo" a assumir o financiamento.

12.09.2012 - 17:20 Por Lusa
Fonte: Público

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Publicada por Blogger em A Linha é Tua a 9/12/2012 09:34:00 p.m.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

[À Descoberta de Miranda do Douro] Caminhada Intergeracional - 2 de Setembro

A Câmara Municipal de Miranda do Douro organizou no dia 2 de setembro uma caminhada designada Caminhada Intergeracional. Esta evento integrou um conjunto de iniciativas da autarquia no âmbito do 2012 Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações.
As caminhadas e percursos pedestres são uma característica de à longa data desta autarquia. Não pude deixar de sentir saudade de anos passados, por exemplo em Setembro de 2004, quando fiz um passeio pedestre precisamente de Miranda do Douro ao Naso.
Desta vez fui expressamente a Miranda para participar na caminhada. A partida estava marcada para as 8 e meia da manhã e não houve atraso. No momento que cheguei junto do Posto de Turismo da cidade, começaram a sair os participantes mais apressados.
Não fazia ideia do número de participantes que haveria. Desde 2004 a 2012 este tipo de eventos têm-se repetido com bastante frequência e com uma adesão muito grande, exemplar para concelhos vizinhos. Soube que havia mais de duas centenas de inscrições, mas a participação foi menor. Só contam os que estão...
Mal tive tempo para receber um boné e uma garrafa de água e já estava a caminhar pela 1.º de Maio tentando não me atrasar do pelotão. Já sei que nestas andanças um minuto de atraso é difícil de recuperar, mas eu tinha que chegar à "cabeça" do grupo, se queria tirar alguma fotografia mais interessante.
O percurso seguido é quase uma linha reta entre Miranda do Douro e o Santuário do Naso, com passagem por Malhadas. A outra alternativa é o percurso que passa por Palancar e Póvoa, também já seguida nalgumas edições.
O passo seguido era bastante rápido. Há sempre receio que o calor aperte, ou que o tempo não seja suficiente. Houve sempre a preocupação de manter o grupo mais ou menos coeso, não deixando ninguém ficar muito para trás. Isso foi conseguido com alguns abrandamentos do grupo da frente, mesmo com o protesto dos mais afoitos para a caminhada.
A paisagem é deslumbrante, mas o fim do verão também não é a melhor altura para apreciar a natureza. Não há gota de água nos ribeiros e as charcas estão praticamente vazias. Nos campos predominam os tons pastel, onde se destaca o verde dos freixos típicos dos lameiros do planalto. Há também carrascos e alguns zimbros, mais abundantes noutras zonas do concelho. Os pombais aparecem espalhados pelos campos e os encontros com manadas de vacas, burros de raça mirandesa e rebanhos de ovelhas são quase certos.
O grupo era heterogéneo, constituído por pessoas de idades muito distintas (alguns espanhóis). Havia muitas crianças e jovens e alguns idosos. Não seria muito fácil para alguns idosos fazerem quase 14 km do percursos numa manhã de verão, mas os que participaram mostraram serem rijos, caminhando lado a lado com filhos (e netos)!
Pouco passava das 10 da manhã quando passámos Malhadas. O autocarro da câmara espera na estrada da Póvoa para transportar alguém que estivesse em dificuldades, mas a ambulância dos bombeiros seguiu sempre na cauda do grupo, para socorrer nalguma emergência.
Foi curioso verificar que de todo o gado bovino com que nos cruzámos pelos caminhos, nenhum era de raça mirandesa. É caso para pensarmos que a tão deliciosa posta mirandesa será cada vez mais rara, caso o entusiasmo para a criação desta raça continue a diminuir.
Ainda tive esperança que o percurso nos levasse ao Santuário Mariano do Picão. Fui acompanhando à distância algumas notícias do que ali se ia passando e gostava de verificar in loco, mas não se efetivou o meu desejo. Isso obrigaria a um desvio não previsto. Felizmente a manhã esteve sempre fresca, com algum vento, o que ajudou bastante a caminhada.
Entrámos no termo da Póvoa, para os últimos quilómetros. Após um derradeiro esforço o grupo chegou à Estrada Municipal 544, que conduz à entrada do grande Santuário do Naso.
A minha esperança de conseguir uma fotografia com o grupo todo reunido desvaneceu-se. Atingido o destino, cada um seguiu o seu programa. A maioria das pessoas fez uma visita à capela. Nossa Senhora do Naso é muito venerada pelas gentes de Miranda (e por pessoas dos dois lados da fronteira).
A capela é muito bonita, cheia de painéis de azulejos e com o chão rústico, com desenhos feitos de pequenas rochas de quartzo. Mas é no altar da capela mor que todas as atenções recaem. Ao centro está a  belíssima imagens de Nossa Senhora do Naso.
Não há Senhora mais linda
Dizem aqui tantas vezes,
Do que a Senhora do Naso,
Senhora dos Mirandeses.
Estava prevista a partilha do farnel. O autocarro transportou alguns até ao santuário, mas a maioria das pessoas optou por regressar de imediato a Miranda. Estamos numa época de crise, mas este não é o procedimento a que eu estava habituado. Seria até de pensar que o convívio entre gerações fosse mais efetivo em volta da mesa, mas isso ficou à responsabilidade de cada um.
A minha família foi ter ao Naso, com um "farnel" considerável. Ficámos no Santuário quase toda a tarde, tal como alguns outros grupos, uns participantes na caminhada, outros não.
Foi muito bom o reencontro com os caminhos do Planalto, mas também com as pessoas. Encontrei conhecidos, ex-colegas de trabalho e muitos amigos que já não via há algum tempo.
Infelizmente não foi possível voltar ao Naso para as festas, dias 6. 7 e 8, mas haverá outras oportunidades para caminhar, conviver e festejar.

Fica aqui o traçado da caminhada, para alguém que a queira fazer. É possível descarregar os dados para um grande leque de aparelhos de GPS. O grau de dificuldade é Fácil, uma vez que a inclinação é pouca e distribuída ao longo de todo o percurso.
 GPSies - Caminhada Intergeracional 2012

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Publicada por Blogger em À Descoberta de Miranda do Douro a 9/10/2012 12:40:00 a.m.

sábado, 8 de setembro de 2012

[À Descoberta de Vila Flor] Santa Comba da Vilariça - S. Bernardo

As festas em honra de S. Bernardo, em Santa Comba da Vilariça, tiveram lugar nos dias 17 e 18 de Agosto. Aproveitei o fato de estar em Vila Flor para fazer uma visita à aldeia e acompanhar a procissão.
Santa Comba da Vilariça é uma grande aldeia, que me dá muito prazer fotografar e encontra-se refastela no belo e fértil vale da Vilariça, de horizontes largos e céu azul.
 Cheguei a Santa Comba a meio da tarde. O movimento nas ruas era pouco e só a banda de música de Rebordelo alegrava o largo enquanto os poucos ouvintes se refugiavam nas sombras das árvores.
Na igreja já os andores estavam preparados para a majestosa procissão. As pessoas da aldeia em geral e as zeladoras dos altares, em particular, têm muito brio na decoração dos andores., em grande número, mais de uma dúzia! Estavam todos espetaculares, com flores naturais das mais variadas espécies e cores, todos muito harmoniosos com as imagens, que diferem bastante em tamanho umas das outras.
Curiosamente não foi dado qualquer destaque ao andor de S. Bernardo, que se encontrava no meio dos restantes sem nada que o identificasse ( a quem não conhecesse a imagem). Tenho visto nalgumas festas, e aprecio, a colocação de uma pequena placa identificativa das imagens nos altares. Algumas não são uma tarefa fácil para leigos (e mesmo para estudiosos de arte sacra). Não raras vezes as imagens não corresponde ao santo venerado.
O andor de Santa Comba, estava ao fundo da igreja. É de realçar que Santa Comba não é a padroeira da aldeia. A sua imagem até já esteve na sacristia, mas agora está na capela mor, lateralmente, do lado do evangelho, perto do padroeiro S. Pedro. Não sei as origens da festa a S. Bernardo, mas penso que não existe na aldeia nenhuma capela devota a esta santo.
Gostei de ver a imagem de S. Jorge, montado no seu cavalo. Numa das últimas vezes que passei por Santa Comba em bicicleta a sua capela andava em obras. Gostava de um dia lhe fazer uma visita.
Menos familiares para mim, e que necessitei de alguma ajuda para identificar as imagens foram S. Lúcio e S. Judas Tadeu. Além dos andores que já referi havia ainda o de S. Sebastião (com uma capela no Calvário), Menino Jesus, Nossa Senhora do Rosário, Santo António, Nossa Senhora de Fátima, Sagrado Coração de Jesus, Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Claro que o mais importante na religião cristã é a fé e não o tamanho da imagem ou os enfeites do andor, mas foi impossível não notar a beleza dos arranjos.
 Vadiei pela aldeia, espreitando alguns recantos. O sol escaldante foi adormecendo e com ele a luz, elemento primordial da fotografia (tal como a fé para a igreja). Temi que quando a procissão saísse já o sol estaria adormecido para os lados de Vale Frechoso.
Notei que as pessoas de Santa Comba têm bastante vaidade nas suas casas. Estão muito arranjadas (salvo raras exceções) e as ruas limpas.
A procissão começou a sair da igreja às 19 horas. Alguém "plantou" um carro no largo em frente à igreja! Falta de estacionamento ou excesso de protagonismo? Coisas destas acontecem em todo lado, então em Vila Flor... nem se fala...
A volta pelas ruas da aldeia é longa e demorada. Quando os primeiros andores chegaram à Rua do Cais já o sol os pintava de dourado no seu último adeus e havia ainda muito caminho para percorrer.
Se devo louvar a o empenho no arranjo e transporte de andores, bandeira e estandartes não posso deixar de referir que muitas pessoas assistem ao "espetáculo" das suas varandas. Não estarei eu a contribuir para essa cultura? É possível. É o fruto dos tempos que atravessamos. Parece-me que há que reformular as práticas religiosas.
Quando a procissão recolhei à igreja matriz abandonei Santa Comba. À noite houve muita animação com o grupo Golpe de Estado, que já se fazia ouvir quando passei pelo largo da Eiras.

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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/08/2012 05:17:00 p.m.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

[À Descoberta de Torre de Moncorvo] Alma De Ferro - A Farsa de Inês Pereira

O Alma De Ferro Grupo faz, este mês de Setembro, 4 anos de existência! E como o melhor presente que este grupo pode ter é o Público... o seu muito estimado Público!
O grupo encontra-se a adaptar o peça de Gil Vicente - 'A Farsa de Inês Pereira' - para vos apresentar e presentear no dia 21 de SETEMBRO de 2012 (Sexta-Feira)!
Um grande bem haja a todos que nos têm acompanhado, apoiado, aplaudido ao longo destes 4 anos!

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Publicada por Blogger em À Descoberta de Torre de Moncorvo a 9/07/2012 03:22:00 p.m.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

[À Descoberta de Vila Flor] Parabéns! Seis anos À Descoberta...

Mais um ano se completou desde que a aventura pelos caminhos e aldeias do concelho de Vila Flor iniciou. Parece pouco tempo, mas, basta ver as fotografias do meu filho António, que há 6 anos atrás frequentou o 2.ºano  na escola EB1 de Vila Flor nº1 e compará-las com uma atual, para verificar que passou imenso tempo. Mas foi tempo bem passado.
Neste ano que agora termina, que se iniciou em setembro de 2011, tentei desenvolver algumas atividades que me ajudassem a descobrir um pouco melhor o concelho, que me permitissem tirar algumas (boas) fotografias, que me proporcionassem algum exercício físico e que me proporcionassem assuntos interessantes para manter o envolvimento no blogue e a quantidade de visitantes. Grande parte dos objetivos foram conseguidos, outros ficaram à quem do previsto.
 O conjunto de caminhadas, "Peregrinações", que estava previsto para um ano, acabou por ocupar quase dois e muitas mais haveria para fazer.  A última aconteceu em maio. Não cheguei (ainda) a publicar um apanhado de todas as Peregrinações, mas foram 23 caminhadas, muito interessantes, pelos caminhos mais bonitos e solitários do concelho. Seguiu-se, depois, outro conjunto de percursos pedestres, "Pontos Altos" que tinham por destino marco geodésicos. Apenas foram feitos 3, há muitos outos planeados para o ano que agora se inicia.
 Mantive-me um pouco mais afastado dos eventos que foram acontecendo, quer na vila, quer nas aldeias. Não é que esses eventos não sejam interessantes, ou não proporcionem bons momentos fotográficos, mas porque já há mais pessoas a fazer esse tipo de reportagens e eu gosto de fazer coisas com alguma originalidade. As notícias só têm interesse para o blogue se se enquadrarem no espírito de descoberta do concelho. A própria autarquia quando recolocou online a sua página web institucional deixou de me enviar os cartazes e programas das festas e atividades.
 O panorama da Internet também se alterou bastante. Os visitantes do Blogue, inicialmente vilaflorenses na diáspora, vão dando cada vez mais lugar a pessoas "estranhas" que procuram informação sobre o concelho, nomeadamente sobre as amendoeiras em flor ou sobre o parque de campismo. Os blogues estão a perder importância de forma gradual, muito também porque as Redes Sociais são mais fáceis, embora muito mais vazias de conteúdo. Uma boa fatia de visitantes vem diretamente do Facebook, graças também à criação de uma Página - Vila Flor, Concelho - que nos últimos tempos tem dado mais trabalho do que o blogue. Nada se consegue sem esforço, a não ser que seja roubado (isso também acontece na Internet). Quando se quer divulgar algo original é preciso despender esforço, imenso tempo e algum dinheiro (a gasolina está cada vez mais cara).
 Os números mostram que o caminho seguido tem dado alguns frutos. Ao contrário do que seria de esperar, o Blogue bateu o seu recorde de visitantes, com mais de 61 000, num ano. Foi o melhor dos seis anos! Confesso que não estava à espera e só posso agradecer a todos os que visitam o Blogue - acreditem que isso é um grande, mas mesmo grande incentivo.
Pessoalmente não vejo o concelho de Vila Flor à parte dos concelhos limítrofes e este foi um ano excecional na Descoberta de outros concelho, principalmente Carrazeda de Ansiães, mas também Torre de Moncorvo e Alfândega da Fé. Participei em muitas passeios pedestres e outros eventos, graças ao emprego que tenho, que me dá algum tempo livre (e dinheiro), mas também à minha família, espetacular,  que já se habituou a ter em casa um Transmontano À Descoberta, sempre disposto a percorrer montes e vales na companhia de uma máquina fotográfica. São uns amores.
 Fiz um esforço para regressar à BTT. Apenas percorri pouco mais de 100 km em bicicleta, mas já foi mais do que no ano anterior. A bicicleta permite fazer saídas mais distantes, podendo parar em qualquer lugar e não gastando gasolina.
Este ano também foi marcado pela morte do escritor vilaflorense João de Sá. Penso que ninguém escreveu tanto e tão bem de Vila Flor. As suas palavras são uma inspiração para mim e vejo-as projetadas nas paisagens em muitos dos percursos que faço. Continuarei a divulgar aqui os seus poemas, tal como os de outros autores que me toquem com as suas palavras.
 Não há projetos para o futuro, mas há algumas ideias organizadas porque há ainda  imensas coisas para conhecer e mostrar, espalhadas pelo concelho de Vila Flor. As fotografias são fáceis de conseguir e de colocar online, mas escrever sobre pessoas, coisas  e acontecimentos  já não agrada a todos. Por isso manterei um equilíbrio entre as imagens e as palavras. O À Descoberta assume-se como um bom exercício físico, mas também um bom exercício estético e de escrita (enquanto houver leitores).
Antes da divulgação dos números que marcaram o ano que agora termina, agradeço a todos os que me incentivam na manutenção do À Descoberta de Vila Flor, especialmente o colega e amigo Helder Magueta que me acompanhou na maior parte dos percursos pedestres realizados.

Números do 6.ºano:
Páginas vistas - 102 067
Visitantes - 61 457
Comentários - 122
Postagens - 157
Km percorridos em BTT - 110
Km percorridos a pé - 207
Fotografias tiradas - 10 565
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Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 9/05/2012 02:52:00 a.m.