sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Em 2013 Carnaval vai recuperar Queima do Entrudo

As festividades alusivas ao Carnaval saem à rua, em Alfândega da Fé, entre 8 e 12 de fevereiro. As comemorações abrangem, assim, o fim de semana que antecede o dia de Carnaval e culminam no dia 12 com a Queima do Entrudo. Esta é uma das tradições associadas a esta quadra festiva, que a Câmara Municipal quer ver recuperada.

A destruição pelo fogo do Entrudo era um dos pontos altos do Carnaval na sede do concelho, simbolizava também a passagem a um novo ciclo, servia como uma purga para os males, anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. Um rito que, este ano, Alfândega da Fé volta a celebrar. Para além disso, vai ter lugar o já tradicional Cortejo de Carnaval, que vai realizar-se no domingo gordo (10 fevereiro) e terça –feira (12 fevereiro). Os Cortejos prometem a habitual folia e sátira, procurando envolver toda a comunidade nestes festejos. A ideia é que todas as freguesias se façam representar, principalmente, no desfile de domingo, deixando espaço para que a terça-feira de carnaval continue a ser celebrada em cada freguesia.

A juntar a tudo isto o habitual desfile das escolas do concelho (8de fevereiro) e o Jantar/Baile de Carnaval no Hotel & SPA (11 fevereiro).

Neste fim de semana de folia outras iniciativas marcam a agenda cultural Municipal, como a exibição na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, no dia 9 de fevereiro, de duas peças de teatro. Os espetáculos são do grupo de Teatro Amador Mondinense e têm destinatários diferentes. À tarde (15h) a peça infantil "Passos de música, caminhos de água", direcionada para crianças, às 21.30h, para o público geral, sobe ao palco "O Bordel", uma adaptação inédita da obra "Os Pintores não têm Recordações", de Dário Fo.

O programa detalhado do Carnaval 2013 será divulgado oportunamente.


--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 1/18/2013 07:14:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Gala Cantar os Reis 2013 (4)

Gala Cantar os Reis 2013 em Vila Flor.
Grupos de Seixo de Manhoses e Grupo de Música Tradicional da Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor.

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 1/18/2013 03:10:00 PM

sábado, 12 de janeiro de 2013

[À Descoberta de Vila Flor] Gala Cantar os Reis 2013 (3)

Pequeno vídeo com excertos da atuação do grupo representante de Vale Frechoso.

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 1/12/2013 01:05:00 a.m.

[À Descoberta de Vila Flor] Gala Cantar os Reis 2013 (3)

Pequeno vídeo com excertos tas atuações da Carvalho de Egas (Alegre Atitude) e do Freixiel (Os Pelões).

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 1/11/2013 03:01:00 p.m.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

[À Descoberta de Miranda do Douro] Festa do Menino Jesus em Vila Chã da Braciosa

Festa do Menino Jesus em Vila Chã da Braciosa. Tradição da velha, o bailador e a bailadeira. 6 de Janeiro de 2013.

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Miranda do Douro a 1/09/2013 02:13:00 p.m.

[À Descoberta de Vila Flor] Gala Cantar os Reis 2013 (1)

Pequeno vídeo com excertos tas atuações da Escola de Música Zecthoven e do Grupo de Danças e Cantares de Vila Flor. O vídeo pode ser alargado a todo o ecrã. 

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 1/09/2013 12:30:00 a.m.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

[À Descoberta de Vila Flor] XIX Gala de Cantar dos Reis em Vila Flor

No dia 6 de Janeiro o Centro cultural encheu-se para receber mais uma gala dos Reis, desta vez a edição 19ª.
Apesar da crise (parece-me que ela já é evidente em tudo) não faltou a alegria e as bonitas canções alusivas ao Reis e às Janeiras.
O número de participações esteve à quem do que já se verificou em anos anteriores. Tenho pena que porque nos habituaram com a sua presença e com a sua alegria, mas compreendo que é difícil manter as aldeias entusiasmadas quando faltam, sobretudo, cada vez mais, as pessoas.
Certo é que não houve lugar para toda a gente se sentar. O Sr. Presidente da Câmara disse no final do espetáculo que as Galas dos Reis sempre foram o momento alto do Auditório. Acredito que sim, juntamente com alguns espetáculos de fados, a que assisti.  Só os participantes devem ter sido algumas dezenas, embora a maior parte dos grupos até se tenha apresentado este ano com menos elementos.
Sem querer tomar partido, uma vez que nem sequer se tratou de um concurso, apontarei aquilo que mais me agradou: gostei do conjunto vocal e instrumental de Freixiel; apreciei as canções de Vale Frechoso, gostei do tradicional do Seixo de Manhoses, apreciei a execução instrumental dos dois grupos séniores de Vila Flor; gostei de ver que o grupo de Carvalho de Egas continua a crescer (este ano também com o primeiro prémio no concurso de Presépios); apreciei a participação dos jovens, sobretudo no grupo da escola de música e do Centro Paroquial.
A apresentação esteve a cargo das mesmas pessoas que o têm feito nos últimos anos. Têm presença e experiência mas o público pareceu-me mais irrequieto e barulhento, parecendo-me pouco atento ao que diziam, foi pena.
Quanto à entrega dos prémios de Montras e Presépios, continuo a não gostar da "receita". Com os recursos multimédia que existem hoje, parece-me impensável que não consigam um a simples fotografia dos vencedores , para mostrar ao público. Aliás acho mesmo que os concorrentes deviam ser dados a conhecer com a antecedência possível, porque quem tem trabalho gosta de receber os prémios, mas já somos tão poucos, se admirarmos as "obras" uns dos outros, já não será mau.
Este ano fiz poucas fotografias. Optei por tentar fazer alguns filmes, sem grandes pretensões, apenas por como experiência. As imagens têm qualidade mas são ficheiros gigantescos! Estou a ter algum trabalho com elas de forma a conseguir colocar alguns trechos on line. À medida que conseguir subi-los, ficaram também disponíveis aqui, no blogue.



--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 1/07/2013 10:09:00 a.m.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Exposição "Gravura | a oficina, a técnica o impressor"


EXPOSIÇÃO "Gravura | a oficina, a técnica o impressor" de TOMÁS DIAS
Casa da Cultura, de 8 de janeiro a 5 de maio - Alfândega da Fé

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Alfândega da Fé a 1/03/2013 11:38:00 a.m.

[À Descoberta de Mirandela] Mirandela dá a provar bombons e gomas de azeite


Mirandela, 03 jan (Lusa) -- O concelho de Mirandela vai adoçar os primeiros dias do novo ano com bombons de azeite que prometem engrossar o rol de atrativos da fileira de um dos mais importantes produtos agrícolas transmontanos.
A quem a nova proposta causar estranheza, o presidente da Câmara, António Branco, garante já ter provado e que "são bastante bons" estes novos bombons e gomas de azeite que o VIII Festival de Sabores de Azeite Novo vai dar a provar durante a próxima semana, em Mirandela.
A iniciativa dedica um dia a demonstrar que "o azeite é dos produtos que melhor liga com o chocolate" e que desta relação estará prestes a surgir uma nova área de negócio, segundo adiantou o autarca, que é também presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD) e responsável pela organização do festival.

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Mirandela a 1/03/2013 07:22:00 p.m.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

[À Descoberta de Vila Flor] Prece de Natal

Presépio em Candoso
 Senhor, falo-te da tua noite
desta noite maior
- rumores de instantes efémeros e vários
a tomarem o tangível
a abstrata  noção do infinito.

Desta noite solene e fria.
Longa de mais a tua noite, Senhor!
Longa de mais
para a nossa mística sede
de ser dia!

Do negrume do espaço. Mais distante,
sempre, o sentido de Sagrado.
E as perguntas decisivas que fazemos,
sem respostas que nos pacifiquem.

Mas, nesta noite,
uma gota de grandeza do invisível
escorre
na candeia do barro do visível.

Presépio no Jardim de Infância de Samões
Não quero importunar-Te, sobretudo no instante
em que estás tão próximo de nós
que divinos sinais se anunciam
na nossa humana imperfeição.

Venho pedir-Te pelas crianças
que o tempo tornou homens,
sem terem aconchegado ao peito
a forma colorida de um brinquedo
que não passou do sonho de uma vida inteira.
Presépio em minha casa

Pelos que se rebelam
contra a tirania e a opressão,
e, mesmo ofendidos e humilhados,
quebram as algemas e sabem dizer "Não!"

Pelos que erguem palácios
com o supremo esforço da alma e carne em sangue
e, uma vez depostos
o escopro e o cinzel,
acabam por dormir sempre ao relento.

Misericórdia para os loucos,
os famintos, os assolados
de infindável solidão,
a quem voltámos as costas
porque falam uma língua
que fizemos por não compreender.

Presépio em Carvalho de Egas
para os que perderam tudo
e continuam a jogar
na roleta da vida,
à espera de ganharem madrugadas
ou, simplesmente, um sopro de vento
que imite o mar.

Para os que nada sabem de amor
e fazem da existência
uma ardósia preenchida
com contas de multiplicar,
Sim, clemência também para estes,
Senhor,
porque estão desatentos
e desconhecem as nobres operações de
dividir.

Presépio no quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila Flor
Para os que não têm luz, água, lar, alegria e
paz
sem dinheiro sequer
para o bilhete do autocarro,
percorrendo distâncias
que lhes deixam os pés em ferida.


Para os artistas falhados
que passaram o tempo
a contorcer a imaginação criadora,
na vã perseguição
do sulco luminoso de um cometa.

Presépio em Vila Flor
Para os corações
que muito quiseram,
fechados para se abrasarem
no mesmo feixe de luz,
e dos quais só ficou
uma lágrima pungente
pousada numa fímbria de aurora
que nunca chegou a ser dia!

Um pedido mais. O último Senhor!
Só tu podes alterar
o ritmo cósmico das estações.
Faz com que o Natal seja em Maio
(jamais em Dezembro!)
para que, em consonância com a terra,
o milagre possa acontecer:
as crianças deixem de ter frio
e as suas mãos solares se elevem
no futuro gesto de colher um fruto!
Presépio em Valtorno (com mensagem de Natal do Dr. João de Sá (2011)).

Natal 2011, João de Sá

Poema que o Dr. João de Sá me enviou para o Natal de 2011.

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 12/25/2012 02:54:00 p.m.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] À Descoberta de Beira Grande (3/3)

Continuação de: À Descoberta de Beira Grande (2/3)
Externamente a Igreja Matriz apresenta algumas curiosidades: nas traseiras há uma pedra com uma inscrição onde se pode ver gravado o ano de 1565. A igreja é muito posterior a essa data! Contudo, a primeira igreja, românica, deve ter sido anterior a essa data. Assim, a data assinalada pode corresponder a uma das ampliações, coisa que também aconteceu no Séc. XVIII que deu origem à atual igreja. Fica o enigma.
No alçado virado a norte há mais curiosidades na cornija: uma figura feminina deitada, um esticador de cordame das naus e uma cabaça. A cultura popular atribui à imagem feminina a representação de uma mulher bêbada, chamando-lhe "Borrachona" (tendo junto dela a cabaça e um pipo de vinho). Esta interpretação está ligada à produção marcadamente vinícola da aldeia. A figura feminina também personifica a Beira Grande. Outra possibilidade, e tendo em conta a proximidade com um antigo caminho de S. Tiago, é a de representarem alojamento e apoio. Estas podem ser as únicas pedras que restam da primitiva capela. A "Borrachona" não faz parte dos símbolos oficiais da freguesia, mas é, sem dúvida o ícone mais caraterístico de Beira Grande.
A pedra da igreja é de boa qualidade e está perfeitamente aparelhada. A fachada principal termina em empena truncada por sineira de dois sinos, não havendo mais elementos a destacar, nem mesmo pináculos!
O interior da igreja está em muito bom estado. O chão, o teto, as paredes e a talha dos altares estão impecáveis. O altar da capela-mor é mais interessante do que os dois laterais no corpo da igreja. São todos de estilos diferentes. Há um conjunto de imagens bastante antigas. Nossa Senhora da Luz e o Senhor dos Passos são as que mais me impressionaram. As Memórias Paroquiais de 1758 falam da existência de uma ermida, de Nossa Senhora da Cunha. Documentos mais recentes referem a Ermida de Nossa Senhora da Costa, mas penso tratar-se da ermida que pertence a Seixo de Ansiães e, portanto, não vou falar dela. Curiosamente uma busca no Sistema de Informação do Património Arquitetónico (SIPA) descreve a ermida como situada em Beira Grande!
Para quem quiser conhecer a totalidade da aldeia pode ainda fazer uma incursão na Rua do Cemitério. Além do cemitério, igual a tantos outros, pode apreciar as mais vistosas vivendas da aldeia. Na Rua do Pereiro estão situados os tanques públicos, já com pouca utilização. Do final desta rua, subindo um pouco a encosta em direção ao monte, tem-se uma vista panorâmica diferente da aldeia.


Para terminar a visita a Beira Grande é aconselhável um passeio até ao Douro. A estrada que segue até às quintas (Quintas dos Canais e Quinta do Comparado), tem continuidade até à Senhora da Ribeira, permitindo subir, daí, até ao Seixo de Ansiães. É um bonito passeio, embora a estrada seja estreita e assustadora nalguns pontos. Mas obrigatória mesmo é a visita ao miradouro do Lugar da Seara, que integra a Rota do Douro. Deste ponto se podem admirar as águas do Douro, os vinhedos de muitas quintas em redor, a linha do comboio do Douro que atravessa do rio na Ponte de Ferradosa e um conjunto de aldeias ma margem sul.
Depois de saciado o peito com tanta beleza há duas alternativas: subir de novo em direção a Beira Grande, ou descer, atravessar as quintas, conhecer a Senhora da Ribeira, ou mesmo Coleja. O importante é não perder o entusiasmo de continuar À Descoberta do concelho.

À Descoberta de Beira Grande (1/3)
À Descoberta de Beira Grande (2/3)

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 12/24/2012 12:59:00 p.m.

sábado, 22 de dezembro de 2012

[À Descoberta de Vila Flor] Vila Flor - Tradição de linho

Localizada no sul do distrito de Bragança - «o meu distrito pobre», como lhe chamou o imortal Trindade Coelho, (pobre, sinónimo de abandonado).
Vila pequena. Airosa, concordo. Sempre uma brisa perpassa, um ciciar de aragem, qual leque misterioso que refresca benfazejo.
Tradicionalmente  foi centro de industria judaica, nos ramos de ourivesaria e curtumes - características cinzeladas em vestígios da sua etnia, com vielas apertadas na parte velha, casario concentrado, e, quanto a curtumes, lá está o sítio do pelame, quem vai para Róios.
 Arqueològicamente, lá tem a sua Porta de Entrada e muralhas mortas, a Fonte Romana, a valorosa Matriz restaurada, os arcos esculpidos em casas e fachadas, os brasões heráldicos, além do que se encontra no concelho. No cimo do morro que a culmina, as Capelinhas, pombas brancas a saudar quem anda naqueles caminhos, numa bênção que nos deitaram de geração em geração...
Já óleo bastante aplicaram na sua tela, ao longo da história, filhos e amigos que a conheceram. Já se ergueram muitas casas modernas, surgiu a Avenida, abriram-se outras artérias. A Praça,
estabelecimentos de ensino, urbanização geral de muito agrado, tudo isto constitui a parte jovem desta vila transmontana. Já homens se fizeram e cresceram, filhos honrosos que a distinguem. Dirigentes administrativos esculpiram em «pedras que falam» o valor e o interesse carinhoso que lhe devotaram.
E é com admiração  e orgulho que vejo subir um Museu-Biblioteca Municipal, de acesso público, bem recheados. Sendo dos melhores de vilas nortenhas , aumenta dia-a-dia a sua preciosidade - doação de beneméritos  inesquecíveis, merecedores de reparo elogioso.
Com satisfação vejo nascer o Externato de Santa Luzia, moderníssimo no corpo, fonte de plasma educativo a emanar para a juventude local e concelhia, sedenta de cultivar-se!
Eu, hoje, vou falar mais de Vila Flor. Vou contar um sonho que tive («sonhar é fácil»), numa noite próxima, lá longe, muito distante em terras portuguesíssimas do Ultramar, onde ali sentimos melhor o bafo do berço que nos embalou, e nos aquece mais o calor das plumas do ninho onde nascemos - algures no concelho de Vila Flor.
Passaram muitos anos de ausência. Regressava... aquela Vila que eu pisei a vez primeira, guiado por mão materna.
De boné na cabecita, os olhos giravam mais, ao ver mais cor, mais gente, ruas grandes e casas novinhas bem caiadas, muitos brinquedos no soto da Emilinha, e na feira, homens bem vestidos a falar muito alto, mulheres que guardavam cebolas, batatas e mais coisas nos sacos das criadas, ou pesavam com a mão uma galinha presa com baraços nas patas e nas asas. Na minha aldeia não se fazia assim. Os homens falavam menos e não havia multidões como aqueles formigueiros. Batatas havia muitas na tulha, e galinhas pelas ruas, eram de toda a gente...
Puxava pela mão de minha mãe para não perdê-la. Diziam que era feira, a feira dos 28. E palavras como a praça, farmácia, cambra, soto, registo cebil, e demais, eram guardadas por mim num sentido parabólico.
Na vinda, todo egoísta por levar um carrinho, admirava a estrada larga e lisinha que dava à minha aldeia e apetecia-me correr e fugir. Mas tinha receio de a estrada acabar nas curvas, o que surpreendido verificava não ser.
Fui crescendo. Recordo o exame da quarta, na Vila, que via de outra maneira. A vida desabrochava a meus olhos, entrando no coração toda a natureza que me tocava.
Um dia, porém, parti. Para longe...
 «... Ai, ah quantos anos eu parti chorando
Desse meu velho ... carinhoso lar...»

Como dissera, sonhara com Vila Flor...
«Vi aquela Avenida limpa, bem limpinha. Junto à Avenida, à parte esquerda de quem sobre da Praça à Domus Municipalis, um jardim enorme. Que jardim! Dantes era a cortinha grande e estéril de não sei de quem. Agora, era a sala de visitas, tapete de ouro a quem batesse à porta. Um escadario duplo e simétrico descia da Avenida para esse jardim, o qual se ligava à Praça e à rua da Casa Sil por um muro de granito rendado.
Nesse jardim, havia canteiros de flores garridas. Sebes enormes de roseiras, com rosas que mais despertavam a luxúria de beijá-las por tão formosas. Havia um lago, onde vi peixes em concursos de natação. Árvores gigantescas deixavam pender os seus braços em amplexos paternais a quem desejasse repousar nos bancos de pedra muito aparada, em extase de frescura. Carreiros de areia fina faziam de estrada naquele mundo. E, passeando, vi um velho ciumento da juventude, estudantes conversando entusiasmados, miúdos de fisgas em punho em mira de pardais, borboletas volitando aqui, parando além. E, nas copas frondosas, o gorgeio da passarada num hino à Primavera.
Subi as escadas para a Avenida. Vi a Casa do Povo, com duas palmeiras lutando pela subsistência no meio da relva desenhada. Ali estava o busto de benemérito, vila-florense ilustre. Soube que nessa casa havia reuniões sãs de formação geral do povo, cujo contacto notei de melhorado nível.
Depois continuei em frente.
Junto à Casa Verde, um grande casario modernista. Lí: «Cine-Lis». Perguntei e responderam-me ser uma casa de espectáculos «bem preparada», com duas sessões semanais de cinema.
Mais uma volta. Um hospital de construção recente tendo à frente uma bacia jorrando água em repuxo. Perto, uma figura de bronze escurecido. Tez de homem austero a pronunciar distinto: «Caridade - límpida fonte onde muitos desprotegidos da sorte vêm matar a sua sede de amor e justiça». Por ali vi a abundância de Vila Flor, negando a míngua de outrora da linfa cristalina tão necessária a todo o mundo...
Após relancear a vista pela nova artéria, vim embora. Nisto, meus olhos deslumbram: um campo de futebol. Mais abaixo, em direcção quase rectilínea à Fonte Romana, máquinas barulhentas rasgavam o seio da terra sem piedade, pisando e destruindo leiras férteis. Indaguei: «...é uma auto-avenida, com jardim pelo meio, bancos e muitas flores, que se vai fazer. Ao fundo, naquela eira, perto da Fonte, diz que vão fazer o Palácio da Justiça...». Havia tabuletas semeadas «vende-se», «terreno, vende-se». Para construção de casas novas, novinhas mesmo, com o estilo do nosso século.
E imaginei ao longo dessa Avenida majestosa a minha casa, essa casa que todos sonham fazer construir quando puderem.
Apeteceu-me, então, antevisionar a vila do futuro. Para isso subi às Capelinhas, respirando o hálito do rosmaninho e o sabor campestre, enchendo a alma com a beleza de Vila Flor - estendida em mantos de púrpura com dobras de verdura.
Em primeiro plano, um pinheiro manso coava a luz do sol marinheiro.
Eram vinhedos, de um verde carregado prometendo-se fecundos, olivais cinzentos, searas louras brincando com o vento que as gingava, amendoeiras e figueiras a sorrir de onde em onde, parte do vale extenso da Vilariça, serras e serras... puras como quando virgens foram...
O Astro amigo chamou-me com um adeus, cheio de pena por deixar aquela imagem viva do seu dia. Levava na boca o suco dos beijos húmidos que dera com sua luz terna.
Desci. Os grilos encetavam sua cantiga monótona. Singela sinfonia de tão grande espírito! Era tão sentida que tive medo de mim próprio por ouvi-la.
As luzes da vila acenderam-se. Altivos candeeiros modernos, por toda a parte, vitrinas luminosas, alguns reclamos que me pareciam pirilampos gigantes bulilando as trevas.
Mas..., um ruído... um sobressalto... e acordei.»
- Estou na realidade em Vila Flor? Custa-me a crer! Não posso estar!
Vila Flor não era, agora, como eu a vira. Já fora bela, mais linda! Já fora! Eu não cria...
Mas... Vamos querer que o sonho seja realidade, com uma vontade indómita de arrancar montanhas. Homens são os que se realizam nesta vida humanitàriamente e preparam o Futuro.
«Homo est voluntas» - disse um filósofo! Quero - uma palavra mágica , raio que fulmina a indolência e a anorexia. Digamos todos em uníssono: - «quero», porque até para os mais pobres existe a divisa «querer é poder».

Texto de Nascimento Fonseca, publicada no jornal Notícia de Mirandela, a 11-06-1967.

--
Publicada por Blogger em À Descoberta de Vila Flor a 12/22/2012 07:00:00 a.m.