domingo, 14 de abril de 2013

[À Descoberta de Vila Flor] Pedra Luz - Macedinho

Está quase a completar-se um ano desde que comecei a série de caminhadas "Pontos Altos" tendo como destino os marcos geodésicos existentes no concelho. As caminhadas foram-se sucedendo ao ritmo de quase uma por mês, com bastantes fotografias, mas com poucos assuntos de reportagem, talvez devido ao clima, ou devido a algum desgaste de assunto, porque os caminhos começam a repetir-se muitas vezes.
No dia 2 de março parti para mais uma dessas caminhadas tendo como destino o marco geodésico Pedra Luz. Este marco está no termo de Macedinho, freguesia da Trindade, embora a aldeia mais próxima seja mesmo Vale da Sancha, pertencente ao concelho de Mirandela.
Não foi a minha primeira caminhada a este marco geodésico, mas é um dos mais distantes de Vila Flor, pelo que dá uma bela caminhada. Tenho evitado os percursos para essa zona porque constou-se que existiam inúmeros cães vadios nas imediações do Aterro Sanitário, que dormem por ali nas cavidades das rochas. Dizem que são agressivos e ainda bem que nunca me cruzei com eles.
Com um ano tão chuvoso fui surpreendido por um bonito dia de sol. Subi às Capelinhas a admirar a Vila a acordar às primeiras horas da manhã. O meu destino era Roios. Além de se encontrar geograficamente no meu caminho, pretendia encontrar mais algumas Caches (do Geocaching, desporto de que já prometi falar mais tarde). Curiosamente Roios é uma aldeia pequena mas há à volta da dela 3 locais sinalizados, coisa que nem a vila tem!
O primeiro foi difícil encontrá-lo, uma vez que as coordenadas são previamente conhecidas. Do segundo não achei qualquer rasto; desisti do terceiro porque havia gente por perto e não achariam normal ver-me a espreitar nos buracos das paredes ou debaixo das pedras,
Cortaram as árvores que estavam no adro da capela de Nossa Senhora da Graça, em Roios. Eu sou a favor de tudo o tipo de verdura mas possivelmente estariam a pôr em risco o muro. Não gostei tanto de ver a capela assim "despida". Espero que plantem outras que não cresçam tanto, porque a sombra naquele local é muito agradável.
Atravessei a aldeia passando junto da igreja e segui em direção ao cemitério. Segui depois pelo caminho tantas vezes palmilhado serra acima para o Maragôto. Nos primeiros dias de março ainda havia muitas amendoeiras com flores. Não faltaram motivos para algumas fotografias entre as amendoeiras, oliveiras ou urzes.
O meu receio de encontrar algum curso de água que me impedisse de passar não se verificou. Apesar da chuva, todos os cursos de água não passavam de pequenos regatos.
Antes de chegar a Vale Frechoso voltaram as amendoeiras em flor. Encontrei também um daquelas antigas cabanas (carretos) que os pastores usavam para dormirem. Não sei se ainda é utilizado mas trouxe-me memórias de infância. Aquelas cabanas alimentaram a minha imaginação, só não pensei que ainda havia de dormir muitas vezes em estruturas muito mais frágeis do que aquelas.
Quando atravesso Vale Frechoso raramente encontro alguém. Cheguei à igreja matriz e tinha várias alternativas para continuar o percurso. Escolhi seguir até à capela de Nossa Senhora de Lurdes, continuar pela estrada durante mais algum tempo, depois seguir por um caminho até aos Barreiros e passar pelo lado de baixo da Penha dos Corvos.
Para não utilizar o mesmo caminho de caminhadas anteriores desviei-me um pouco mais para norte, o que me afastou um pouco do meu objetivo. O caminho dirigia-se para Vale da Sancha e a certa altura tive que o abandonar. Felizmente há uma linha de alta tenção que passa por ali e tinham andado a cortar o mato por debaixo da linha. Parecia uma "autoestrada" em plena montanha mas não era fácil caminhar sobre as estevas cortadas de fresco. Não me consegui esquecer que um ramo daqueles já uma vez me atravessou a bota espetando-se no meu pé!
O reencontro com o marco geodésico Pedra Luz não foi tão entusiasmante como estava à espera. Já era tarde e estava bastante cansado. O lugar é fantástico, bem a fazer jus ao nome. A formação quartizítica é enorme e vê-se a grande distância, até do Cabeço! O marco geodésico está no topo deste morro. Toda esta área envolvente tem formações rochosas invulgares e há grandes extensões de perfurações de explorações mineiras e de sondagens. Algumas das minas são da altura do império romano mas há sondagens com alguns meses, para não dizer semanas.
Não é só nas rochas que esta zona é privilegiada. Também na flora tenho encontrado algumas espécies que não encontro noutros locais do concelho. Por isso percorri alguns carreiros em busca dos ramos de raposa (peonia ou rosa albardeira, como também são chamadas). Os pés que eu tenho em casa estavam a rebentar em força e queria vê-las na natureza. Ainda estavam muito atrasadas, não apresentando ainda os botões das rosas.
Fiz um último esforço para descer até à aldeia de Macedinho, onde já me esperava o carro para voltar a Vila Flor. Esperava ainda fazer algumas fotografias na aldeia mas o cansaço e o adiantado da hora (já passava das duas da tarde) inviabilizaram essa minha pretensão.


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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 4/14/2013 12:57:00 AM

quinta-feira, 11 de abril de 2013

[À Descoberta de Miranda do Douro] Ninho de cegonha

Ninho de cegonha no Palancar (Miranda do Douro). Infelizmente a árvore já estava velha e acabou por cair. Não sei se o casal de cegonhas nidificou nas imediações ou se se mudou para outro local.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 4/11/2013 01:13:00 AM

[À Descoberta de Alijó] Amieiro (03)

No interior do casario do Amieiro, rodeada de terras adequadas para o cultivo de laranjeiras e oliveiras, descobrimos que, além de uma fonte de duas bicas em cantaria, existem a capelinha de Santo António e, na quinta do Dr. João C. Noronha, a capela particular erguida em honra de Nossa Senhora da Conceição.
A Capela de Nossa Senhora da Conceição terá sido construída em finais do século XVIII. Em 1758, de acordo com as Memórias Paroquiais, ainda não o tinha sido. É um templo maneirista, de planta longitudinal simples, com nave e capela-mor. A fachada principal termina em empena truncada por sineira e é rasgada por um portal de verga reta. 

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Alijó a 4/11/2013 01:02:00 AM

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Eucísia

Vista parcial da aldeia de Eucísia, no concelho de Alfândega da Fé.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 4/11/2013 12:47:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Pelourinho de Freixiel

 Trata-se de um pelourinho manuelino erguido sobre um soco quadrado de quatro degraus que compensam o desnível do terreno. A coluna, de base quadrangular com os cantos chanfrados, tem, junto à base, uma argola esculpida. O fuste, de 6,42 m de altura, é hexagonal e tem no seu topo as arestas decoradas com florões, de modo a transformar o hexágono em quadrado. O capitel, paralelepipédico com os cantos chanfrados, tem as faces parcialmente côncavas, decoradas com florões e outros motivos. O remate é igualmente paralelepipédico, e ostenta numa face as armas nacionais e nas outras símbolos heráldicos, hoje pouco perceptíveis; é encimado por uma pequena pirâmide.

Acesso: EN 314 de Vila Flor para Abreiro, cruzamento à esquerda para Freixiel. Rua do do Pelourinho.

Proteção: Imóvel de Interesse Público, Dec. nº 23 122, DG 231 de 11 Outubro 1933

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 4/11/2013 12:39:00 AM

[À Descoberta de Torre de Moncorvo] Feira Medieval 2013 - Fotografias 4





Fotografias da Feira Medieval que teve lugar no dia 15 de março em Torre de Moncorvo.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Torre de Moncorvo a 4/11/2013 12:08:00 AM

[À Descoberta de Valpaços] Feira do Folar de Valpaços - Fotografias 4





Fotografias de alguns expositores da Feira do Folar de Valpaços que teve lugar a 22, 23 e 24 de março.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Valpaços a 4/10/2013 04:00:00 PM

quarta-feira, 10 de abril de 2013

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Freixiel - Mogo - Freixiel

 Confesso que muitas das caminhadas que já fiz começaram com a curiosidade em visitas virtuais que faço através dos mapas em frente ao computador. É como ver as impressões digitais da superfície da terra e, umas vezes pelo desenho das curvas de nível, outras pela ocupação dos terrenos, ou pelo traçado dos caminhos, apetece-me ir in loco conhecer os locais. Às vezes consigo concretizar esse desejo. Um dos locais que já algum tempo desejava conhecer é um pedaço do termo de Freixiel que se estende desde esta aldeia até Mogo de Malta, acompanhando um pequeno riacho pelo vale Mós.
Há dois grandes vales que partem do termo de Mogo de Malta e que morrem junto à aldeia de Freixiel. Um dá pelo nome de vale Covo, com uma encosta a pertencer a Candoso e outra a Freixiel; o outro é o fantástico vale da Cabreira, dividido entre Mogo, Zedes e Freixiel (e bastante Folgares). Mas, entre estes dois vales, há um terceiro, um vale que se poderia chamar vale de "montanha", a maior altitude e menos escavados que os dois citados (já por mim explorados).
Percorrer o vale das Mós e chegar a Mogo de Malta foi o desafio que me levou a calçar as botas num já longínquo sábado de fevereiro.
A distância a percorrer, Freixiel - Mogo de Malta e Mogo de Malta - Freixiel afastou a hipótese de sair de Vila Flor a pé. Fomos de carro até à Rua Queimada, em Freixiel e daí partimos À Descoberta de uma parte do concelho ainda totalmente desconhecida, mesmo após 6 anos de caminhadas.
A primeira surpresa aconteceu mesmo ao deixar-mos a aldeia: há uma extensão considerável de caminho em lajes, lembrando a calçada do Mogo ou outras do mesmo género. É que no Bairro da Fraga, rochas é o que não falta, e o declive é acentuado. O riacho que percorre o vale das Mós (porque terá este nome?) precipita-se em várias pequenas cascatas num ambiente muito bucólico e a neblina matinal ainda fazia sobressair mais.
Terminado o troço das lajes, que também permite uma bela visão sobre a aldeia de Freixiel, o caminho continua pelo coração do vale, único local onde há alguma terra passível de ser arada ou aproveitada para o pasto. Pouca gente deve passar por ali. O caminho mostrava sinais de ser pouco utilizado, mas felizmente para caminhar, ou mesmo para bicicleta estava perfeito.
Pensava conseguir ver lá do alto o vale da Cabreira, ou o vale Covo, mas não aconteceu. Como seguíamos pela parte mais baixa, não conseguíamos alcançar grandes distância com a vista. Os rochedos, por seu lado, oferecem configurações e tamanhos dignos de ser admirados. O homem construiu abrigos em vários deles e só o medo de perdermos tempo fez com que seguíssemos em frente sem nos aventurarmos a explorar e fotografar algumas formações rochosas de tamanhos abismais.
 Algures a meio do percurso entre Freixiel e Mogo está a linha divisória do concelho de Vila Flor e o de Carrazeda de Ansiães. Poucas vezes as caminhadas abrangem mais do que um concelho, mas as fronteiras não passam de linhas imaginárias muito mal definidas. Então se pensarmos na história de Freixiel e na ligação que Mogo de Malta tinha com esta freguesia, mais convencidos ficamos que as fronteiras muda-as o homem ao sabor dos tempos, reescrevendo a história.
Foi já perto do Mogo que afrouxámos o passo e nos dedicámos a olhar com mais atenção os rochedos. O duro granito oferece muitas vezes construções admiráveis. Ora aparecem grandes "ovos" em delicado equilíbrio, ora são as entranhas das rochas que surgem desgastadas apresentando enormes buracos capazes de albergar variados animais e mesmo várias pessoas. A natureza é surpreendente.
O primeiro ponto de interesse da nossa caminhada era o marco geodésico de Pedrianes, local já meu conhecido. Perto de marco geodésico há um nicho de umas antigas alminhas, sinal da importância que este caminho tinha na ligação entre as duas aldeias. Curioso é o nome do local onde se encontram as alminhas e o marco geodésico, Fragas do Medo! Local de salteadores? De Lobos? Talvez de ambos, mas não parece nada assustador.
 O nosso segundo ponto de interesse era o Santuário de Nossa Senhora da Saúde. A capela está sempre fechada, mas só pela paisagem vale a pena fazer uma visita a este local. Depois,  havia outra coisa que nos interessava no santuário, uma espécie de desporto/hobby conhecido pelo nome de Geocaching, de que um dia falarei no Blogue.
Foi junto à capela que devorámos algumas peças de fruta. Já passava do meio dia e ainda faltavam muitos quilómetros para serem percorridos.

Passámos pelas ruínas do antigo moinho de vento e descemos pela bem conhecida calçada do Mogo. Este património está muito pouco cuidado. Passou por lá uma lagarteira de deixou marcas irreparáveis, há muito lixo espalhado em vários locais e crescem giestas e silvas no meio da calçada.  Numa altura em que a autarquia começa a mostrar algum interesse em apostar no turismo de natureza deve, em parceria com as Juntas de Freguesia, dar mais importância a este património.
O percurso desde o santuário até Freixiel e quase sempre descendente, o que não significa que seja fácil. O declive é muito acentuado e já com algum cansaço (e fome) quase parecia que nunca mais chegávamos. Se não fossem estes incómodos poderíamos ter apreciado mais o pé-de-cabrito, a Quinta do Pobre, os fornos de secar figos, etc. Foi muito bom encontrarmos as primeiras amendoeiras em flor e a ribeira com um bom caudal (mas não tanto quanto deve ter agora).
Na parte final do percurso o caminho já vai em pleno vale com terrenos de cultivo de um lado e do outro. Há muita vinha, mas também oliveiras.
Chegámos a Freixiel já depois das 3 da tarde! A caminhada não foi muito longa, cerca de 15 km, mas sempre com bastante declive. Também os muitos locais de interesse fizeram que que fizéssemos paragens mais demoradas. Felizmente o dia esteve muito quente, o que proporcionou uma excelente caminhada.


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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 4/10/2013 11:12:00 PM

[A Linha é Tua] Tua - Parque Natural Regional poderá ser uma realidade, mas não isento de críticas

Os territórios dos concelhos transmontanos de Mirandela, Vila Flor, Alijó, Carrazeda de Ansiães e Murça poderão contar a prazo com um Parque Natural Regional com 25 mil hectares, caso o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) aprove a sua constituição. Um projecto apresentado como contrapartida da construção da barragem de Foz/Tua, contando com um apoio anual de 900 mil euros. Verba gerida pela Agência para o Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT). Para Daniel Conde, do Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT), o Parque «mais não será que uma delimitação geográfica onde se aplicarão os fundos disponibilizados para esta Agência».
O projecto do novo Parque Natural Regional do Tua, proposto pela recentemente criada Agência para o Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT), com sede em Mirandela, insere-se nas contrapartidas do empreendimento hidroeléctrico da EDP em construção no limite dos distritos de Bragança e Vila Real. À agência caberá gerir o fundo que a EDP aprovisionará anualmente com 3% da facturação de energia. O projecto-base para a construção, instalação e gestão, neste momento em avaliação, foi submetido em Dezembro de 2012.
José Silvano, Director Executivo da ADRVT, que gere o novo empreendimento, explica ao Café Portugal, que com a constituição do PNRVT, se pretende «promover, articular e integrar» um conjunto de iniciativas de conservação da natureza e valorização do património cultural, bem como «promover o desenvolvimento social e económico sustentável das comunidades locais», em consonância com os valores naturais e com a valorização dos recursos endógenos da região.
O PNRVT tem por «base uma estratégia de valorização sustentada» e contará com «um plano de acção coerente que permitirá constituir um território vivo e dinâmico dos pontos de vista social e económico, mas também ambientalmente sustentável e albergando as mais importantes representações regionais dos seus habitats e espécies mais característicos».
Neste sentido, José Silvano salienta que irão ser desenvolvidas uma série de acções definidas para os primeiros 12 anos, com um investimento global de 7,7 milhões de euros, e «com as quais se pretende alcançar os objectivos de criação do PNRVT».
Para alcançar a estratégia, José Silvano realça que é fundamental uma «aposta em estreita articulação entre a conservação da natureza e da biodiversidade e o desenvolvimento social e económico, na qual o envolvimento de todos os interessados é um factor essencial».
«Todas as acções foram definidas numa óptica "além-fronteiras", compatibilizando as características naturais, culturais, patrimoniais e socioeconómicas de todos os municípios que integram a ADRVT (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), interligando os seus "pontos-chave" de forma a que todos os concelhos possuam uma "porta de entrada" no PNRVT».
O responsável assume que «é expectável que os primeiros três anos sejam essenciais para colocar o PNRVT a funcionar em pleno».
O Director Executivo da ADRVT considera que o novo parque «constituirá um território amigável e seguro para as populações residentes, e de elevada atractividade para agentes económicos com interesses na exploração sustentável e na valorização de recursos naturais».
E acrescenta que, «neste contexto, o PNRVT pretende ainda atrair visitantes de diversos segmentos turísticos».
A criação e projecção da «marca Tua» que pressupõe o desenvolvimento de uma identidade para o PNRVT é outro dos objectivos. Algo que, de acordo com José Silvano, «pretende criar condições para a promoção dos produtos endógenos, protegendo-os, através da certificação, e impulsionando a sua produção, de forma a alavancar o desenvolvimento socioeconómico da região e definição e infra-estruturação de rotas temáticas para o PNRVT».
Com isto, está também prevista a criação de trilhos e percursos temáticos, «que interliguem toda a área do PNRVT» e que «permitam criar condições para que o visitante desfrute da oferta que o PNRVT tem para oferecer». Assim, «serão definidos em cada município, espaços de conexão entre as rotas temáticas, que funcionarão igualmente como "portas de entrada" para o PNRVT».

O fundo EDP:
A ADRVT foi criada como contrapartida pelo empreendimento hidroeléctrico em construção no limite dos distritos de Bragança e Vila Real. José Silvano explica que a par disso, o projecto resulta sobretudo da «vontade dos cinco municípios do Vale do Tua de se associar em torno de um projecto de desenvolvimento económico e social comum».
Por outro lado, adianta que «há um conjunto de iniciativas negociadas que pretendem contrariar a tendência de desertificação a que se assiste no território, «criando condições para o estabelecimento de actividades económicas e criação de emprego».
E dá exemplos: «as albufeiras criadas pelas barragens têm-se revelado importantes para o desenvolvimento das actividades de turismo, lazer e desporto. Existem muitos exemplos em Portugal que comprovam que o aparecimento das albufeiras potenciou o desenvolvimento do turismo e dos desportos náuticos como são o caso de Caniçada (Vieira do Minho), toda a cascata Douro Nacional navegável, Miranda, Castelo de Bode e Alqueva, entre outras».


Por outro lado, José Silvano afirma que pretende-se igualmente recuperar parte da linha histórica de comboio do Tua com o «objectivo central do seu aproveitamento turístico. Combina três modos de transporte distintos: o comboio entre Mirandela e Brunheda (numa extensão de 39,2 quilómetros), barcos de passeio entre Brunheda e a Barragem (percurso de 19,1 quilómetros) e ainda um veículo eléctrico sobre carris e um funicular panorâmico, que vencem a cota da barragem, entre a Barragem e Foz Tua (cerca de 4 quilómetros)».
Recorde-se que o estatuto de parque natural é atribuído pelo ICNF quando o mesmo reúne condições de diversidade de ecossistemas pouco alterados pelo Homem e pela diversidade de fauna e flora que possui, como se pode ler na Rede Nacional de Áreas Protegidas no ICNF.

Novo parque suscita críticas:
Daniel Conde, do MCLT, considera que «é necessária uma boa dose de imaginação para conceber que tal área se enquadre futuramente nos parâmetros de um "Parque Natural"».
E explica porquê: «é curioso pensarmos que o vale do Tua ficou arredado da Rede Natura 2000, quando reunia todas as condições para a integrar, e quando já havia muitos anos em que a EDP detinha uma licença prévia para o explorar».
«O vale do Tua as it is esse sim tem condições para a criação de um verdadeiro Parque Natural, e a atestar isso mesmo existem várias citações tanto no Estudo de Impacte Ambiental, como no Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução da barragem do Tua…», recorda.
O responsável afirma que «o dito "Parque" mais não será que uma delimitação geográfica onde se aplicarão os fundos disponibilizados para esta Agência. Como tal, foi uma decisão nem boa nem má, depende apenas da justeza com que pensarmos que uma vez que a zona mais afectada directamente será esta, então será aí que os fundos de "contrapartida" deverão ser forçosamente aplicados».
Para Daniel Conde, esta contrapartida «resulta da pouca ou nenhuma resistência local ao projecto hidroeléctrico, e à mediatização dada ao mesmo. A primeira- e talvez única - vez em que ouvi um coro de protestos dos autarcas do vale do Tua face ao processo da barragem do Tua foi quando se anunciou que os 3% da produção desta barragem iriam para o ICNB, contrariando de resto a regra em empreendimentos deste tipo. Diz muito sobre o quanto se dominava então - e se continua a dominar - todo este processo nas autarquias locais», alerta.
Para a EDP, sublinha o responsável, «seria tão gravoso financeiramente dirigir esses 3% para o ICNB como para a região, e distribuí-los por cinco autarquias, funcionaria de forma mais eficaz – não necessariamente eficiente – criando um organismo supra municipal».
Daniel Conde garante que esta «é apenas uma forma de distribuir de forma mais controlada os fundos advindos da construção da barragem do Tua, já que é composta por todas as autarquias do Vale do Tua».
O dirigente do MCLT realça que o que seria importante para o território «fazer tudo isso e não construir a barragem do Tua; aliás, tudo isso tem sido feito sem a barragem do Tua, e era também importante que isso ficasse bem claro, antes que se cimente - ou "betonize", já agora - a ideia de que sem a divina providência da EDP e da sua Fundação nada mexeria em Trás-os-Montes e Alto Douro».
Quanto às perspectivas turísticas anunciadas pela ADRVT, Daniel Conde lembra «alguém há uns seis anos atrás que vaticinava que o Tua seria o próximo Alqueva trasmontano. Observando agora o fiasco do Turismo no Alqueva, espero que essa previsão falhe; mas tem tudo para estar redondamente acertada».


O responsável mantém ainda as críticas no que respeita aos impactos ambientais do projecto: «a albufeira do Tua terá tudo o que é necessário para que as suas águas sofram de eutrofização, o que significa que ficará invadida por cianobactérias na forma de algas, tóxicas e de cheiro nauseabundo; para além disso, como a barragem será de bombagem reversível, as suas margens sofrerão mudanças contínuas de cota, deixando a descoberto um lodaçal sem fim; para terminar, esta massa de água trará alterações significativas no micro clima local, prolongando por exemplo os períodos de tempo e agravando a intensidade dos nevoeiros».
«Em suma, um local privilegiado para o Turismo», ironiza, recordando que o «chavão» a que agora chamam de «turismo no vale do Tua graças à barragem é um maravilhoso fait divers, ou um belo exercício de demagogia sem graça. Prometer emprego e empreendedorismo é um cartaz muito em voga actualmente».
Quanto à mobilidade, Daniel Conde considera que «estamos na presença de novo exercício demagogia de gosto muito duvidoso». E relembra que «o caderno de encargos da barragem do Tua estipulava que todas as vias de comunicação destruídas deveriam ser repostas com a mesma valência. Depois disso, o Estudo de Impacte Ambiental sancionava que a zona envolvente não era propícia ao transporte público rodoviário; a somar-se a isto, todas as evidências já mencionadas a respeito da atractividade da albufeira para a sua navegabilidade – turística ou não».
 Para o responsável, tudo isto culminou na «perda da ligação da Linha do Tua à do Douro, porque a EDP considerou extemporânea e unilateralmente que seria muito caro construir uma variável ferroviária à Linha do Tua, e o advento do muito badalado 'Plano de Mobilidade do Vale do Tua'. Este "Plano", como também já tive oportunidade de afirmar noutras ocasiões, só imporá a quem vier da Linha do Douro e queira ir para Mirandela algo como meia dúzia de transbordos, e meio quilómetro a andar a pé faça chuva faça sol, com muita ou pouca bagagem».
Por fim, e sobre os avisos da UNESCO em relação à construção da barragem e que pode colocar em causa o título do Douro Património da Humanidade, Daniel Conde recorda que em Junho de 2009 a UNESCO desclassificou o sítio Património da Humanidade Vale do Elba, na Alemanha, «no que foi o culminar de um processo que levou apenas três anos a ser concluído. Motivo para a desclassificação: a construção de uma ponte».

Ana Clara | quarta-feira, 10 de Abril de 2013
Fonte do texto: Café Portugal

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Publicada por Blogger às A Linha é Tua a 4/10/2013 07:07:00 PM

[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Sobreiro

Sobreiro junto à estrada, em Ribalonga (Carrazeda de Ansiães).

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 4/10/2013 01:21:00 AM

[À Descoberta de Vila Flor] Freixiel - Mogo - Freixiel

Confesso que muitas das caminhadas que já fiz começaram com a curiosidade em visitas virtuais que faço através dos mapas em frente ao computador. É como ver as impressões digitais da superfície da terra e, umas vezes, pelo desenho das curvas de nível, outras pela ocupação dos terrenos, ou pelo traçado dos caminhos, apetece-me ir in loco conhecer os locais. Às vezes consigo concretizar esse desejo. Um dos locais que já algum tempo desejava conhecer é um pedaço do termo de Freixiel que se estende desde esta aldeia até Mogo de Malta, acompanhando um pequeno riacho pelo vale Mós.
Há dois grandes vales que partem do termo de Mogo de Malta e que morrem junto à aldeia de Freixiel. Um dá pelo nome de vale Covo, com uma encosta a pertencer a Candoso e outra a Freixiel; o outro é o fantástico vale da Cabreira, dividido entre Mogo, Zedes e Freixiel (e bastante Folgares). Mas, entre estes dois vales, há um terceiro, um vale que se poderia chamar vale de "montanha", a maior altitude e menos escavados que os dois citados (já por mim explorados).
Percorrer o vale das Mós e chegar a Mogo de Malta foi o desafio que me levou a calçar as botas num já longínquo sábado de fevereiro.
A distância a percorrer, Freixiel - Mogo de Malta e Mogo de Malta - Freixiel afastou a hipótese de sair de Vila Flor a pé. Fomos de carro até à Rua Queimada, em Freixiel e daí partimos À Descoberta de uma parte do concelho ainda totalmente desconhecida, mesmo após 6 anos de caminhadas.
A primeira surpresa aconteceu mesmo ao deixar-mos a aldeia: há uma extensão considerável de caminho em lajes, lembrando a calçada do Mogo ou outras do mesmo género. É que no Bairro da Fraga, rochas é o que não falta, e o declive é acentuado. O riacho que percorre o vale das Mós (porque terá este nome?) precipita-se em várias pequenas cascatas num ambiente muito bucólico e a neblina matinal ainda fazia sobressair mais.
Terminado o troço das lajes, que também permite uma bela visão sobre a aldeia de Freixiel, o caminho continua pelo coração do vale, único local onde há alguma terra passível de ser arada ou aproveitada para o pasto. Pouca gente deve passar por ali. O caminho mostrava sinais de ser pouco utilizado, mas felizmente para caminhar, ou mesmo para bicicleta estava perfeito.
Pensava conseguir ver lá do alto o vale da Cabreira, ou o vale Covo, mas não aconteceu. Como seguíamos pela parte mais baixa, não conseguíamos alcançar grandes distância com a vista. Os rochedos, por seu lado, oferecem configurações e tamanhos dignos de ser admirados. O homem construiu abrigos em vários deles e só o medo de perdermos tempo fez com que seguíssemos em frente sem nos aventurarmos a explorar e fotografar algumas formações rochosas de tamanhos abismais.
 Algures a meio do percurso entre Freixiel e Mogo está a linha divisória do concelho de Vila Flor e o de Carrazeda de Ansiães. Poucas vezes as caminhadas abrangem mais do que um concelho, mas as fronteiras não passam de linhas imaginárias muito mal definidas. Então se pensarmos na história de Freixiel e na ligação que Mogo de Malta tinha com esta freguesia, mais convencidos ficamos que as fronteiras muda-as o homem ao sabor dos tempos, reescrevendo a história.
Foi já perto do Mogo que afrouxámos o passo e nos dedicámos a olhar com mais atenção os rochedos. O duro granito oferece muitas vezes construções admiráveis. Ora aparecem grandes "ovos" em delicado equilíbrio, ora são as entranhas das rochas que surgem desgastadas apresentando enormes buracos capazes de albergar variados animais e mesmo várias pessoas. A natureza é surpreendente.
O primeiro ponto de interesse da nossa caminhada era o marco geodésico de Pedrianes, local já meu conhecido. Perto de marco geodésico há um nicho de umas antigas alminhas, sinal da importância que este caminho tinha na ligação entre as duas aldeias. Curioso é o nome do local onde se encontram as alminhas e o marco geodésico, Fragas do Medo! Local de salteadores? De Lobos? Talvez de ambos, mas não parece nada assustador.
 O nosso segundo ponto de interesse era o Santuário de Nossa Senhora da Saúde. A capela está sempre fechada, mas só pela paisagem vale a pena fazer uma visita a este local. Depois,  havia outra coisa que nos interessava no santuário, uma espécie de desporto/hobby conhecido pelo nome de Geocaching, de que um dia falarei no Blogue.
Foi junto à capela que devorámos algumas peças de fruta. Já passava do meio dia e ainda faltavam muitos quilómetros para serem percorridos.

Passámos pelas ruínas do antigo moinho de vento e descemos pela bem conhecida calçada do Mogo. Este património está muito pouco cuidado. Passou por lá uma lagarteira de deixou marcas irreparáveis, há muito lixo espalhado em vários locais e crescem giestas e silvas no meio da calçada.  Numa altura em que a autarquia começa a mostrar algum interesse em apostar no turismo de natureza deve, em parceria com as Juntas de Freguesia, dar mais importância a este património.
O percurso desde o santuário até Freixiel e quase sempre descendente, o que não significa que seja fácil. O declive é muito acentuado e já com algum cansaço (e fome) quase parecia que nunca mais chegávamos. Se não fossem estes incómodos poderíamos ter apreciado mais o pé-de-cabrito, a Quinta do Pobre, os fornos de secar figos, etc. Foi muito bom encontrarmos as primeiras amendoeiras em flor e a ribeira com um bom caudal (mas não tanto quanto deve ter agora).
Na parte final do percurso o caminho já vai em pleno vale com terrenos de cultivo de um lado e do outro. Há muita vinha, mas também oliveiras.
Chegámos a Freixiel já depois das 3 da tarde! A caminhada não foi muito longa, cerca de 15 km, mas sempre com bastante declive. Também os muitos locais de interesse fizeram que que fizéssemos paragens mais demoradas. Felizmente o dia esteve muito quente, o que proporcionou uma excelente caminhada.


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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 4/10/2013 12:16:00 AM

sábado, 6 de abril de 2013

[À Descoberta de Valpaços] Feira do Folar de Valpaços - Fotografias 3





Fotografias de alguns expositores da Feira do Folar de Valpaços que teve lugar a 22, 23 e 24 de março.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Valpaços a 4/06/2013 04:40:00 AM