"É este o título do novo livro que o nosso distinto colaborador, Sr. Dr. Cabral Adão, acaba de nos enviar e oferecer. Tamanha honra desvanece-nos e torna-nos credores eternos da sua gentileza e bondade.
Exclusivamente dedicado à sua linda Vila Flor, àquela bonita vila transmontana que lhe foi berço, e à qual, por achar tão bela, o nosso rei-trovador, D. Dinis, lhe pôs o adequado nome de Flor.
«Versos Vila Flor» veio avivar mais qualidades intrínsecas do seu autor, como aliás se nota em todos os seus artigos, poesias e contos.
O Sr. Dr. Cabral Adão, que a pedido de um antigo condiscípulo se dignou colaborar no nosso «CATASSOL», nome feito e muito considerado nas letras e nas ciências médicas, apesar dos seus múltiplos afazeres profissionais, tem mantido neste pequeno jornal uma colaboração regular altamente apreciada por todos os nossos leitores, pelo que bem merece o nosso maior reconhecimento.
Pedimos-lhe autorização para aqui transcrevermos um dos poemas deste seu livro, como amostra do poder descritivo da sua pena molhada na saudade e amor à sua terra mimosa, pelas imagens que lhe ficaram nos olhos e no coração.
Carícia Real
Desabrochou a sécia no regaço
Do monte, sobre um plaino de verdura
E logo o Céu Azul, num terno abraço,
Abençoou a flor, vermelha e pura.
Chamou-lhe Póvoa, o Homem deu-lhe um Paço
De abóbada e colunas, deu-lhe altura
Na Lusitânia antiga, deu-lhe espaço.
E a sécia em mil sécias se depura.
A jardineira lua, com luar
As rega, e o vergel, suma delícia,
Recrudesce de graça e de esplendor.
Até que um Rei, poeta singular,
Preso do encanto, fez-lhe uma carícia:
- «Bendita sejas flor das vilas… Flor!»"
Artigo publicado no Jornal Catassol, em Janeiro de 1967
Nota: Luís Cabral Adão nasceu em Vila Flor, Trás-os-Montes, no dia 24 de Junho de 1910, tendo falecido em Almada a 6 de Agosto de 1992. Os restos mortais foram sepultados no cemitério da terra natal, assim se concretizando um anseio que expressamente havia manifestado.
Síntese biográfica
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 6/24/2013 01:25:00 AM
Concelho:
| Carrazeda de Ansiães | Vila Flor | Miranda do Douro | Mogadouro | Torre de Moncorvo | Freixo de E.C. | Alfândega da Fé | |
segunda-feira, 24 de junho de 2013
domingo, 23 de junho de 2013
[À Descoberta de Vila Flor] Concieiro - Carvalho de Egas

No dia 26 de maio saí de Vila Flor para mais uma caminhada da série Pontos Altos. Escolhi como destino um marco geodésico que me permitisse explorar essa área coberta de flores amarelas. Não há muitas alternativas mas o marco geodésico do Concieiro está nessa área, não muito distante do santuário de Santa Cecília.
Pelos registos que normalmente uso para saber a delimitação das freguesias, este marco está no termo de Carvalho de Egas, mas quase todo o percurso que fiz foi no termo de Samões.
Saí em direção ao Barracão, mas depois desviei para o Marco. O caminho já habitual levou-me junto do campo de futebol de Samões. Aí decidi abandonar o caminho e seguir pelo meio das giestas subindo aos pontos mais altos, procurando uma visão o mais alargada possível.
Encontrei formas rochosas bastante curiosas, duas delas com grandes buraços por baixo. Há muitas no concelho, mas cada vez que decido explorar um pouco mais vão aparecendo novas formações, cada uma mais curiosa do que a anterior.
A linha que decidi seguir, paralelamente ao traçado do IC5 coincide também com uma crista quartizítica, com seixos enormes que se conseguem ver do IC5 ou mesmo da Nacional 214, um pouco mais distante. A progressão foi lenta, com giestas altas a barrarem-me o caminho mas também muitas silvas, ou árvores queimadas. Subir ao rochedos também não foi fácil e durante quase toda a manhã pouco avancei no terreno.
Quando cheguei próximo da aldeia de Carvalho de Egas alterei o rumo para me dirigir ao ponto mais elevado da zona, onde se situa o marco geodésico do Concieiro. É o marco geodésico que mais vezes visitei no concelho por está situado perto de vários caminhos que muito uso, quem em caminhadas quer em BTT.
Próximo do marco há um deposito de água, as famosas fragas onde as crianças de Carvalho de Egas costumavam escorregar sentados em ramos de giesta e a pedreira, que está em plena laboração. Também ali próximo esteve um gigantesco estaleiro da Mota Engil, enquanto duraram as obras do IC5, mas de que já nada resta.
O marco geodésico está sobre um conjunto de formações rochosas de granito, parcialmente destruídas. Foram cortadas há algum tempo atrás, quando ali funcionou uma pedreira, que agora está situada a algumas centenas de metros. Eleva-se a pouco mais de 732 metros de altitude e tem a mesma forma dos restantes. Era de 3.ª categoria. Do alto do rochedo não se avistam grandes paisagens, embora a visão de 360º de terreno é bastante interessante. Já por diversas vezes apreciei o por do sol neste local e foram momentos muito agradáveis.
É dos poucos marcos geodésicos que tem acesso fácil mesmo de carro ligeiro.
Regressei a Vila Flor passando pela barragem do Peneireiro. O céu continuou a brindar-me com bonitos tons de azul, para acompanhar o verde e o amarelo da terra. Dez vens em quando algumas papoilas juntavam-se ao quadro emprestando a sua cor de vida ao conjunto.
Os caminhos apresentavam um colorido tão interessante e diversificado que a vontade de regressar a casa não era nenhuma, mesmo com a hora já bastante adiantada.
O percurso não foi muito extenso, circular e com pouco mais de 11 km. Não o recomendo a ninguém tal qual como o fiz, seguindo pelo meio dos montes. No entanto é possível fazê-lo, muito próximo, sempre por caminhos. É dos mais fáceis e bonitos de fazer, partindo de Vila Flor.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 6/23/2013 02:21:00 AM
sábado, 22 de junho de 2013
[A Linha é Tua] Mirandela - Tua (1986)
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Publicada por Blogger às A Linha é Tua a 6/22/2013 11:19:00 PM
[À Descoberta de Vila Flor] Cabeça Gorda - Benlhevai

Está situado num ponto alto em relação ao vale da Vilariça, fazendo triangulação com uma série de outros semelhantes, existentes no concelho de Vila Flor ou no de Alfândega da Fé. Nunca foi alvo da minha atenção nos percursos que fiz, embora tenha passado por ali perto em percursos que tiveram Trindade e Valbom como destino.
Deste vez o objetivo final era mesmo o marco geodésico e por isso havia que aproveitar o tempo. Situado a cerca de 15 km de Vila Flor, chegar lá traçando uma linha que passa por Roios, Vale Frechoso e Benlhevai faz um percurso muito irregular e muito interessante. Uma demora inesperada nalgum porto do percurso pode comprometer o objetivo, e já aconteceu em situações semelhantes. A saída aconteceu um pouco mais cedo do que o normal, pelas 8 da manhã.
A caminhada teve lugar no dia a 21 de Abril, um domingo cheio de sol, com a natureza a explodir em flores de muitas cores.
Atravessar a serra é sempre um momento empolgante, no que toca à aceleração do ritmo cardíaco e ao ar puro, com odor a pinho que se espalha pela montanha.
À chegada a Roios fizemos uma pausa para um café, não é habitual nas caminhadas mas o café Caçador tem uma decoração original, quadros pintados pelo Edi.
Subimos ao centro da aldeia onde se situa a igreja matriz. Havia uma tarefa a cumprir mas que não nos demorou muito tempo. Pelo contrário, depois de passarmos o cemitério, passámos algum tempo a visitar algumas hortas, a admirar as hortaliças e ervas aromáticas e a verificar o funcionamento do cegonho ou picota.
Até Vale Frechoso é necessário fazer várias subidas e várias descidas, percorrer espaços onde apenas a urze e as estevas sobrevivem, vigiadas por algum sobreiro atento, posto de vigia de aves de rapina e abrigo dos pombos bravos. A panorâmica altera-se ao atingir os lameiros que antecedem a aldeia. Aí a primavera mostra-se em cores variadas das quais destaco o azul profundo das flores de gala-crista.
A passagem por Vale Frechoso foi rápida. Faltava ainda ultrapassar a maior altitude do percurso, no Alto da Serra, onde existe um dos mais antigos marcos geodésicos que conheço no concelho. É tão antigo que já deve estar abandonado há muito tempo, mas continua ereto, numa posição muito fálica. É um ponto de passagem muito frequente nas minhas caminhadas ali à volta. Está a 690 metros de altitude já no termo de Benlhevai.
Descemos em direção a aldeia mas fizemos um pequeno desvio para passarmos pela capela de Nossa Senhora do Carrasco. A verdade é que pretendíamos encontrar peónias, para verificarmos se já estavam floridas. De facto encontrámo-las mas a floração estava bastante atrasada. Outra das espécies vegetais que existe neste lugar é a Selo-de-salomão (Polygonatum odoratum), planta que despertou a minha curiosidade logo na primeira vez que a encontrei, precisamente neste local. Na altura entusiasmei-me e cheguei a pensar se seria alguma espécie de orquídea. Desde essa altura que tenho um rizoma em casa, num vaso, mas nunca se desenvolveu muito. Este ano floriu!
Apesar de não ser uma planta muito rara eu não a conhecia e sempre que passo por este local em Benhevai vou espreitar o selo-de-salomão. O seu nome deve ser devido à flor, quando vista de frente parece uma estrela de seis pontas. Não é muito aromática, mas o seu odor é muito agradável o que lhe deu o nome odoratum na designação científica. As peónias ainda não estavam em flor mas pelo selo-de-salomão valeu a pena a visita.
Passámos pela capela de Nossa Senhora do Carrasco e chegámos ao centro da aldeia à hora de almoço. O calor já era incomodativo, a fome também já apertava, mas desistir a tão curta distância também não estava nos nossos planos.
Seguimos até à escola Primária, desnecessariamente, continuando depois em direção à Trindade. Não sabíamos a localização exata do marco geodésico e também não usamos GPS. A ideia foi subir aos pontos mais elevados, porque devia estar algures por perto.
De facto, após alguma insistência pelo meio dos montes, acabámos por encontrar o que procurávamos. Não se destaca muito do terreno envolvente, nem está colocado sobre rochedos, o que é muito frequente, mas está posicionado no local certo para se observar o vale.
A paisagem mais próxima é dominada pelas giestas de flores brancas, já em flor. Mais distantes está a serra de Bornes, Valbom, Vilares da Vilariça, Vilarelhos, Santa Comba e todo o vale, até perder de vista.
Depois de saborearmos uma maçã voltámos a Benlhevai. A manhã já tinha dado lugar à tarde há algumas horas e o cansaço já se fazia sentir. O regresso a casa foi de automóvel. Já esquecidos das dificuldades, só já falávamos das próximas caminhadas.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 6/22/2013 02:31:00 AM
quarta-feira, 19 de junho de 2013
[À Descoberta de Vila Flor] Navalheiro e Santa Marinha

Ambos os marcos geodésicos eram já meus conhecidos de caminhadas anteriores. O primeiro está situado a pouco mais de um quilómetro de Vila Flor, num lugar próximo do Alto da Caroça. Este nome é conhecido das pessoas e também é uma marca de vinho engarrafado em Samões.
Eleva-se a cerca de 600 metros de altitude e parece-me ser o único marco geodésico do concelho que ainda integra a rede, ou terá sido o último a ser abandonado. É conhecido pelo nome de Navalheiro e visitei-o pela primeira vez em 2007.
Na altura a primavera estava a despontar e havia muitas flores. Depois da Volta dos Tristes toda a veiga estava cheia de flores amarelas no chão e nas árvores dominavam as flores de pereira.
O acesso ao marco pode ser feito por um veículo todo o terreno. Há caminho mesmo até junto dele. Nesse ponto separa-se o termo de três freguesias Vila Flor, Sampaio e Roios. Fica também nos limites da Quinta do Caniço, repleta de eucaliptos. Dada a situação, no alto da serra mesmo junto à ravina, permite apreciar a paisagem para a Vilariça, mas apenas ao longe, em direção à Foz do Sabor.
Descemos pelo eucaliptal para a segunda etapa, o marco geodésico de Santa Marinha, no alto do monte com o mesmo nome.
O dia estava nublado e ficou cada vez mais escuro. Quando atingimos o topo do monte começou a chover o que precipitou a visita ao marco e às ruínas da capela de Santa Marinha. Também não havia muitas novidades desde a última vez que lá estivemos.
A paisagem é fantástica do alto do monte de Santa Marinha. É um dos melhores miradouros do vale, em todas as direções. Não podemos demorar muito no local. Este marco está a 461 metros de altitude, sobre alguns rochedos, num pequeno planalto no cimo do monte. Deve ter existido ali um castro mas as ruínas da capela são ainda bastante recentes.
O regresso a Vila Flor foi também feito a pé. Não foi nada fácil devido ao desnível, mas também não são muitos quilómetros.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 6/19/2013 01:04:00 AM
domingo, 16 de junho de 2013
[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Trilho Ponte das Olgas - Pereiros
No dia 9 de Junho realizou-se em Pereiros aquele que parece ser o último Passeio Pedestre organizado pela Câmara Municipal antes do Verão. Num fim de semana cheia o de atividades, um pouco por todo o lado, consegui reservar o domingo para participar nesta caminhada.
Em vez de Trilho da Ponte das Olgas, devia chama-se, por terras dos Hospitalários, uma vez que, historicamente, Pereiros pertenceu ao extinto concelho de Freixiel, da Ordem de Malta.
A situação geográfica de Pereiros talvez só se possa comparar com Pinhal do Douro, ou Coleja, num grande isolamento. Não admira que seja desconhecida para grande parte das pessoas do concelho.
A minha avó materna era de Pereiros e, na minha meninice e adolescência, mantive uma grande proximidade com esta aldeia. Tenho em Pereiros alguns familiares e também muitos amigos.
A concentração aconteceu junto à igreja Matriz. O autocarro da Câmara fez algumas viagens desde a sede de concelho, não sei quantas, porque optei por ir em carro próprio até Pereiros, para desta forma poder ter mais mobilidade para o resto do dia.
O pequeno almoço foi servido no adro da igreja (ainda bem que não estava lá o chefe dos escutas, caso contrário éramos todos hereges). Muita comida e variada! Pela primeira vez vi uma clara amostra nos produtos da terra e também em sumos e laticínios (havia muitos iogurtes de beber!).
Também foi muito boa ideia ter a igreja aberta. É o monumento mais significativo de Pereiros e, tal como eu, muita gente aproveitou para a visitar, alguns por turismo, outros para rezarem.
A Srª arqueóloga fez uma resenha do património arqueológico da aldeia, nomeadamente o Castelo, a igreja e a Ponte das Olgas. A vontade partir é grande, e mau foi dada a ordem, foi um regalo vê-los partir.
Logo na aldeia fiquei para o fim do pelotão e assim me mantive até ao final. Fui acompanhado por um filho e por um colega e seguimos os três durante todo o percurso.
A única parte do percurso que não conhecia era a descida até à ribeira da Cabreira. Gostei. Como vou sempre com atenção à flora encontrei uma área cheia de malmequeres selvagens! Não são muito frequentes e apenas os conhecida no pé-de-cabrito, não muito longe dali. Na linha encontrei mais uma espécie pouco frequente, fetos. São gigantes e só os tinha visto nas imediações do Cachão.
A caminhada teve mais de centena e meia de participantes. Para além dos habituais (registei a falta de alguns), havia muitas caras novas e, muita juventude, o que me deixou feliz. Não sei porque mas notou-se um ambiente diferente, para melhor.
A parte da linha do Tua que percorremos é bastante bonita. Não havia gente com muita pressa e fizemos paragens frequentes. As flores de maio já tinham desaparecido, foi pena, mas o rio oferecia beleza suficiente para uma excelente caminhada.
A subida de estação de Codeçais até à aldeia também já era minha conhecida. Espera chegar à aldeia e ainda explorar algumas ruelas, porque a acho muito fotogénica. Quando cheguei perto da capela muitas pessoas já estavam a comer a sobremesa! Foi a primeira vez que tal coisa aconteceu! Fica como uma nota negativa desta caminhada. Depois de mim ainda chegaram algumas dezenas de pessoas. Não achei correto que comessem sem chegar toda a gente. Assim como não foi nada bom que se acabasse o vinho. Felizmente em Codeçais não falta bom vinho.
Apesar destes contratempos não comecei a comer sem visitar a capela. Para comer tinha tempo, mas nunca tinha encontrado a capela aberta. O espaço é muito bonito. O altar lateral do lado direito tem cores e desenhos muito pouco habituais. Parece uma obra da das civilizações antigas da América! Seria interessante saber a história daquele altar.
O almoço foi um pouco desordenado. As pessoas circulavam de um lado para o outro, de dentro do espaço coberto para o exterior. Comi junto a um grupo de pessoas de Beira Grande, gente bem disposta. O almoço estava muito bom, desde a sopa ao porco no espeto. Não cheguei a provar as sardinhas.
Terminei a refeição um pouco azedo porque a conversa com alguns responsáveis pelo concelho resvalou para a Linha do Tua. Os políticos têm a condão de me fazerem perder a paciência facilmente. É que, felizmente, a minha memória não é tão curta quanto a deles.
Regressei a Pereiros de autocarro. O meu carro estava no recreio da escola. Ainda houve tempo para falar com algumas pessoas e tirar mais algumas fotografias à aldeia.
Foi uma manhã bem passada, em companhia de muitos amigos, numa paisagem já bem conhecida.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 6/16/2013 11:22:00 PM
Em vez de Trilho da Ponte das Olgas, devia chama-se, por terras dos Hospitalários, uma vez que, historicamente, Pereiros pertenceu ao extinto concelho de Freixiel, da Ordem de Malta.
A situação geográfica de Pereiros talvez só se possa comparar com Pinhal do Douro, ou Coleja, num grande isolamento. Não admira que seja desconhecida para grande parte das pessoas do concelho.
A minha avó materna era de Pereiros e, na minha meninice e adolescência, mantive uma grande proximidade com esta aldeia. Tenho em Pereiros alguns familiares e também muitos amigos.
A concentração aconteceu junto à igreja Matriz. O autocarro da Câmara fez algumas viagens desde a sede de concelho, não sei quantas, porque optei por ir em carro próprio até Pereiros, para desta forma poder ter mais mobilidade para o resto do dia.
O pequeno almoço foi servido no adro da igreja (ainda bem que não estava lá o chefe dos escutas, caso contrário éramos todos hereges). Muita comida e variada! Pela primeira vez vi uma clara amostra nos produtos da terra e também em sumos e laticínios (havia muitos iogurtes de beber!).
Também foi muito boa ideia ter a igreja aberta. É o monumento mais significativo de Pereiros e, tal como eu, muita gente aproveitou para a visitar, alguns por turismo, outros para rezarem.
A Srª arqueóloga fez uma resenha do património arqueológico da aldeia, nomeadamente o Castelo, a igreja e a Ponte das Olgas. A vontade partir é grande, e mau foi dada a ordem, foi um regalo vê-los partir.
Logo na aldeia fiquei para o fim do pelotão e assim me mantive até ao final. Fui acompanhado por um filho e por um colega e seguimos os três durante todo o percurso.
A única parte do percurso que não conhecia era a descida até à ribeira da Cabreira. Gostei. Como vou sempre com atenção à flora encontrei uma área cheia de malmequeres selvagens! Não são muito frequentes e apenas os conhecida no pé-de-cabrito, não muito longe dali. Na linha encontrei mais uma espécie pouco frequente, fetos. São gigantes e só os tinha visto nas imediações do Cachão.
A caminhada teve mais de centena e meia de participantes. Para além dos habituais (registei a falta de alguns), havia muitas caras novas e, muita juventude, o que me deixou feliz. Não sei porque mas notou-se um ambiente diferente, para melhor.
A parte da linha do Tua que percorremos é bastante bonita. Não havia gente com muita pressa e fizemos paragens frequentes. As flores de maio já tinham desaparecido, foi pena, mas o rio oferecia beleza suficiente para uma excelente caminhada.
A subida de estação de Codeçais até à aldeia também já era minha conhecida. Espera chegar à aldeia e ainda explorar algumas ruelas, porque a acho muito fotogénica. Quando cheguei perto da capela muitas pessoas já estavam a comer a sobremesa! Foi a primeira vez que tal coisa aconteceu! Fica como uma nota negativa desta caminhada. Depois de mim ainda chegaram algumas dezenas de pessoas. Não achei correto que comessem sem chegar toda a gente. Assim como não foi nada bom que se acabasse o vinho. Felizmente em Codeçais não falta bom vinho.
Apesar destes contratempos não comecei a comer sem visitar a capela. Para comer tinha tempo, mas nunca tinha encontrado a capela aberta. O espaço é muito bonito. O altar lateral do lado direito tem cores e desenhos muito pouco habituais. Parece uma obra da das civilizações antigas da América! Seria interessante saber a história daquele altar.
O almoço foi um pouco desordenado. As pessoas circulavam de um lado para o outro, de dentro do espaço coberto para o exterior. Comi junto a um grupo de pessoas de Beira Grande, gente bem disposta. O almoço estava muito bom, desde a sopa ao porco no espeto. Não cheguei a provar as sardinhas.
Terminei a refeição um pouco azedo porque a conversa com alguns responsáveis pelo concelho resvalou para a Linha do Tua. Os políticos têm a condão de me fazerem perder a paciência facilmente. É que, felizmente, a minha memória não é tão curta quanto a deles.
Regressei a Pereiros de autocarro. O meu carro estava no recreio da escola. Ainda houve tempo para falar com algumas pessoas e tirar mais algumas fotografias à aldeia.
Foi uma manhã bem passada, em companhia de muitos amigos, numa paisagem já bem conhecida.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 6/16/2013 11:22:00 PM
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