sexta-feira, 18 de outubro de 2013

[À Descoberta de Torre de Moncorvo] Alma de Ferro - Aniversário

 Conheci o Grupo Alma de Ferro por aí, À Descoberta. Mesmo sem nunca os ter visto em palco, aprendi a admirar a sua postura, a alegria e o à vontade com que se apresentam no meio das pessoas, vestindo a pele de loucos, mendigos ou de membros da nobreza.
Despidos das personagens mantêm a mesma abertura, alegria e camaradagem. Por isso, acalentava a ideia de me deslocar a Torre de Moncorvo para os ver atuar "à séria". Quando vi o cartaz do 5.º Aniversário, a 13 de Setembro, pensei para comigo - Não posso perder esta oportunidade.
Consegui mobilizar a família e alguns amigos para um a passeio à vila. Uma volta à igreja, a subida ao castelo e porta da vila, um bom jantar num restaurante de que já tinha saudades, fizeram parte do programa que antecedeu a festa de aniversário.
 À hora marcada estávamos no Celeiro. Os lugares estavam todos preenchidos e o espetáculo começou.
Não sou grande apreciador de teatro, também porque as oportunidades de assistir a uma peça não são muitas, mas o que é certo é que ri a bom rir, enquanto desfilaram pequenos excertos de várias peças saídas do baú das memórias do Alma de Ferro.
A distância entre o palco e plateia era tão curta que os dois espaços fundiam-se. A cumplicidade era completa e as palmas eram fartas, francas e ... merecidas.
Terminada a apresentação foi feita uma pequena homenagem à escritora da terra Dr.ª Júlia Biló. Adoro a forma como escreve e fico sem saber onde termina a realidade e começa a ficção, ou mesmo se não há ficção.
Todos foram convidados para uma fatia de bolo e um copo de champanhe. Foi uma boa oportunidade para cumprimentar alguns amigos, que não via há algum tempo. Foi também um bom momento de confraternização, a oportunidade de felicitar o grupo pelo percurso feito e pela sua resistência. Afinal o nome Alma de Ferro é cheio e significados e foi muito bem escolhido.
Espero voltar mais vezes... a Moncorvo,..  ao teatro, de preferência para ver o grupo Alma de Ferro.



--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Torre de Moncorvo a 10/18/2013 10:50:00 PM

[À Descoberta de Vila Flor] Lombo Alto - Nabo

Tenho andado arredado das longas caminhadas pelo concelho. Tanto que me deu saudades e recordei a última "grande" viagem no longínquo mês de junho à aldeia do Nabo. O objetivo foi visitar mais um marco geodésico, integrado nos passeios "Pontos Altos", desenvolvidos ao longo dos anos de 2012 e 2013.
 De todas os pontos já visitados este foi o único que o foi pela primeira vez, por isso teve um significado especial, porque se tratou de percorrer algum terreno do concelho pela primeira vez. Sabia da existência do marco geodésico por mapas, mas nunca o tinha visto. Quando parei no Nabo para me informar do melhor caminho a seguir, as pessoas que encontrei desconheciam a a existência, mas como se trata de uma área cultivada, com vinha, amendoeiras e oliveiras, foi relativamente fácil encontrá-lo.
O percurso foi feito de bicicleta, com saída de Vila Flor; passagem pela fonte do Olmo; passando pela Portela e pelo Cabeço do Cavalo. Desconheço a razão do lugar ter este nome, sei apenas que é um dos melhores miradouros para o Nabo. O declive é tão acentuado que é mesmo perigoso descer na bicicleta, até porque a que eu uso não é grande máquina e os travões não oferecem muita confiança. Não posso é negar que. mesmo usando poucas vezes as duas rodas, sinto uma grande emoção sempre que isso acontece. É mesmo um prazer (principalmente nas descidas).
Entrei no Nabo pela rua da Mãe de Água. O movimento na aldeia era pouco e só na Nossa Senhora do Carrasco encontrei alguém com quem falar. Ultimavam-se alguns arranjos para a inauguração do largo, depois de uma profunda remodelação. Confesso que está muito airoso e bonito, mas não pude deixar de fazer alguns reparos por terem dizimado a roseira de rosas vermelhas do cabido e alguns pequenos canteiros. Estou curioso por voltar lá, para verificar como ficou depois das obras terminadas.
Uma das pessoas que encontrei conhecia o marco geodésico. Deu-me alguma orientação e lá parti eu em direção à capela de Santa Cruz, já minha conhecida, apara depois atingir  o marco geodésico.
Há muitos caminhos, talvez demasiados, e a falta de pontos de referência causa alguma desorientação. O cansaço também já se fazia notar. apesar do verão ainda estar no início, na Vilariça os caminhos são muito poeirentos e o calor muito intenso.
 Por fim descobri o  marco geodésico. Está no vale, por isso não tem a imponência nem os horizontes largos de outros já visitados, mas a paisagem não deixa de ser admirável. Deve ser o que está situado a menor altitude em todo o concelho, mas perece-me que também é o que está mais preservado.
Tirei algumas fotografias e  preparei-me para voltar a casa. Apesar de estar planeado fazê-lo por estrada, sei como custa fazer aquele percurso. O declive não é muito acentuado, mas há muitas curvas e contracurvas e Vila Flor parece estar sempre muito distante! As reservas de água estavam quase esgotadas e foi penoso voltar a Vila Flor. Foi necessário ir buscar forças onde elas já não existiam, mas não foi a primeira vez, conheço bem a sensação.
Foram mais de 20 km por terrenos com grande declive, que proporcionaram momentos de muita emoção, com paisagens belíssimas que tentei registar em fotografia.

Está prestes a terminar a volta por todos os marcos geodésicos do concelho. Pelas minhas contas falta um em Assares e pretendo voltar ao Faro, em Vilarinho das Azenhas, não sei se haverá mais algum. No final publicarei uma lista com todos os marcos geodésicos visitados.

GPSies - Lombo Alto - Nabo

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 10/18/2013 01:26:00 AM

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

[À Descoberta de Valpaços] Câmara à vista

As Autárquicas 2013 não trouxeram grande novidade a Valpaços, pelo menos no que toca à divisão dos votos. Os resultados parecem decalcados de 2009, com uma ligeira subida para o PS.
O presidente vai ser Amílcar Rodrigues Alves Castro de Almeida (PSD). Espero que faça um bom mandato e continue a apostar no desenvolvimento do concelho, que já deve conhecer bem.



--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Valpaços a 10/01/2013 04:08:00 PM

terça-feira, 1 de outubro de 2013

[À Descoberta de Vila Flor] No Jardim da Saudade (02)

"No Outono, nem toda a Natureza dorme. Enquanto campos se acalentam em sonhos de mistério, nos canteiros dos jardins velam crisântemos em plena exuberância, garbosos e emproados na sua inclinação sobre a haste! São manchas multicolores que nos maravilham o olhar e os lábios se os beijarmos. Mas ai da ilusão! Até os crisântemos são tristes, porque vão bem a acompanhar finados!
A florista da esquina tem-nos aos braçados. Os seus ramos são poemas melodiosos, em cada corola urna estância, em cada petalazinha um verso cândido. Poema... elegíaco! Elegias de saudade, que vão levar gemidos dos seres que ainda rastejam, aos restos desconjuntados dos seres que estão mais altos. Só uma flor podia ser veículo da saudade humana! Só uma flor podia traduzir no sepulcro, a mágoa dos que choram o passamento dum ente estremecido!
A florista faz negócio. É dia de fiéis defuntos. Um jovem bem parecido, correcto e enluvado, compra-lhe a provisão. E com os braços ajoujados de crisântemos, transpõe o portão do cemitério, verdadeiro prado do repouso ou jardim da saudade.
Ali, no limiar daquela porta, as crenças dividem-se. Uns têm-no como meta da vida, para lá da qual só há a escuridão do nada. Outros consideram-no como o local da última metamorfose humana, no qual as larvas, que todos nós somos, se libertam do casulo para, transformados em insectos perfeitos, lindas borboletas de asas brancas, voar ao Céu, onde as esperam as delícias da vida eterna. Larvas, sim, aquilo que nós somos, envoltas em casulos que cada um tece de sua maneira: com fios de honestidade, ou de valentia, ou de perfídia, ou de maldição, ou de santidade."

Excerto do livro Paisagens do Norte, escrito pelo Dr. Cabral Adão e publicado em 1954. Este livro teve uma segunda edição pela Câmara Municipal de Vila Flor em 1998 (Minerva Trasmontana, Vila Real). Pode ser encontrado no Museu Berta Cabral, na sala dedicada a Vila Flor.

Outro excerto do mesmo livro:  No Jardim da Saudade

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 10/01/2013 10:47:00 PM

domingo, 29 de setembro de 2013

[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XXXIII)


XXXIII
Os teus passos são ímpetos entardecidos
lutando contra todas as noites,
reescrevendo as árvores,
reinventando o mármore como quem sabe
que pode, a cada instante, recolher
um desgosto abandonado.
Fonte seca que regressa à fraga original
e persegue ainda, na aragem,
a primitiva forma do seu corpo vibrátil.

Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Castinceiras, Benlhevai.

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 9/29/2013 01:33:00 AM

[À Descoberta de Miranda do Douro] Festas de Miranda - Fotografias I





Conjunto de fotografias da procissão das festas em honra de Santa Bárbara, dia 18 de Agosto, em Miranda do Douro.

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 9/29/2013 01:20:00 AM

[A Linha é Tua] Linha do Tua, 31.º Quilómetro

Linha do Tua entre a estação de Abreiro e o apeadeiro da Ribeirinha. Do lado direito é termo do concelho de Vila Flor e do lado esquerdo fica o rio e o concelho de Mirandela.

--
Publicada por Blogger às A Linha é Tua a 9/29/2013 01:10:00 AM

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Alfândega da Fé

Por do sol na Av. Dr. Francisco Pereira de Lemos, em Alfândega da Fé.

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 9/29/2013 12:52:00 AM

sábado, 28 de setembro de 2013

[À Descoberta de Montalegre] Terras de Barroso

Barroso, ou Terras de Barroso, é o nome dado, atualmente, à região formada pelos concelhos de Montalegre e Boticas.
Segundo as fontes, em 9 Junho de 1273, D. Afonso III, em carta de foral, funda a vila de Montalegre e o respetivo alcácer tornando-se cabeça das Terras de Barroso. Este foral foi depois confirmado por D. Dinis em 1289, D. Afonso IV em 1340, e D. João II em 1491. Em 1515, D. Manuel em converteu-o em foral novo. No reinado de D. João I, e na sequência da Guerra da Independência, as Terras de Barroso foram oferecidas a D. Nuno Álvares Pereira. Em 6 de Novembro de 1836, o concelho de Montalegre foi dividido, criando-se o novo município de Boticas e perdendo-se no processo, para o município de Vieira do Minho, o município de Vilar de Vacas (sediado em Ruivães) e, também, o Couto Misto de Santiago de Rubiás – Tourém.



--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Montalegre a 9/28/2013 05:23:00 PM

[À Descoberta de Torre de Moncorvo] Outono


Outono vai-se embora
Ficam, as folhas caídas
Sempre que chega a hora
Ficam as árvores despidas.

Vêm os dias escuros,
Chuvosos,de nevoeiro.
Vem o Inverno a seguir
Até acabar o Fevereiro.

Mas é também no Outono
O dia de São Martinho.
Bom é o convite de dono
Para provar o seu vinho.

É o tempo das castanhas
E de fizer a marmelada.
Outono tem suas manhas
Para não ficar sem nada.

Tem dia de todos os Santos
Tem o dia dos Finados.
Recordam-se todos os prantos
Do ente querido lembrado.

É o tempo das sementeiras
Começam a cair orvalhos
Acendem-se já as lareiras,
Agradecem-se os agasalhos.

No Outono fazem-se as vindimas
Levam as uvas para o lagar.
Já não se ouvem concertinas
Nem os homens a pisar.

Outono é melindroso,
Não faz frio nem calor.
E. por vezes é chuvoso
E bom tempo para o pastor.

Secam os meloais,
Secas ficam as fontes.
Caçadores já são demais
A caminhar pelos montes.

Nozes, castanhas e avelãs
São frutos secos de Outono;
Diospiros, marmelos e romãs
Dão rendimento ao dono.

Poema do livro "Versos da Minha Terra", da autoria de José Manuel Remondes, editado em 2004 pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.
Fotografias: 1- vinhas em Cabanas de Cima;
2 - Folhas de árvore junto à antiga estação do caminho de ferro de Torre de Moncorvo.

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Torre de Moncorvo a 9/28/2013 03:29:00 PM

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

[À Descoberta de Vila Flor] Correia, Raúl Alexandre de Sá

Nasceu em Vila Flor, em 22.5.1900. Faleceu em 8.12.1993. 
Foi Chefe da Secretaria da Câmara de Vila Flor, durante cerca de 40 anos. 
Foi um dos fundadores, em 1946, nessa vila da Biblioteca Belmiro de Matos e do Museu Dra. Berta Cabral (em 1957).  Foi quem dirigiu essas instituições culturais, enquanto foi vivo. Era um homem excepcional, um amigo do saber, um bairrista saudável, um cidadão inconfundível. Viveu apaixonadamente essas duas causas, a ponto de ser um modelo para todas as Câmaras da Província. 
A Câmara de Vila Flor, em reunião de 24.5.1986 prestou lhe significativa homenagem, concedendo-lhe o diploma de cidadão honorário e a medalha de prata do Concelho. O Presidente da República, Dr. Mário Soares, concedeu lhe em 22.2.1987 a Comenda de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços prestados à Cultura do concelho. Em 1995 a Câmara patrocinou In Memoriam Raúl Alexandre de Sá Correia (1900-1930), livro com 112 páginas, onde cerca de vinte personalidades da cultura Portuguesa contemporânea, cada uma à sua maneira, procuram elogiar as virtudes desse Homem simples e bom que foi e continua a ser um bom exemplo cultural. Aí se conta o curriculum vitae de Raul de Sá Correia, tarefa que coube ao Dr. Hirondino da Paixão Fernandes. Felizmente, durante 17 anos, trabalhou com ele Alfredo de Jesus Almendra que viria a substituí-lo. O testemunho deste seu colega de serviço que é o seu continuador e que consta na pág. 27 de In Memoriam é o melhor retrato que se pode deixar de Raúl Sá Correia.

In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço


--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 9/27/2013 01:04:00 AM

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XLI)


XLI
Passei por ti
como luz branda
sobre rebanhos
para não incendiar
a lã.
Não sabia que eras
a última fonte
antes do deserto.

Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Por do sol no Facho, Vila Flor.

--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 9/26/2013 01:26:00 AM