Voltar a Alfândega da Fé é sempre bom, mas confesso que já andava com muita vontade de percorrer algumas estradas e caminhos do concelho, convencido de que encontraria um colorido muito característico das terras de maior altitude em época de Outono.
Mo dia 30 fui a Alfândega da Fé para participar no Workshop de Micologia. Embora o assunto até me desperte bastante interesse, não era estar fechado na Casa da Cultura que me entusiasmava mais, mas sim percorrer os campos, verificar se as minhas desconfianças à cerca das tonalidades de outono se verificavam.
Para isso fui muito cedo, decidido a aproveitar o tempo. Entrei no concelho pela Estrada Nacional 315 (Mirandela). Questionei-me onde realmente se iniciaria o termo do concelho, mas essa foi uma dúvida que esclareci mais tarde. Durante muito tempo pensei que o concelho começaria junto ao atual IP2, mas agora sei que não.
Subir a serra de Bornes às primeiras horas da manhã, mesmo com uma grande geada, foi a primeira compensação pelo despertar atempado. A vista do vale desde a pousada de Nossa Senhora das Neves e as casas de Covelas por entre o colorido das folhas dos castanheiros já convidavam-me a passar por ali o resto do dia, mas o destino era outro. Após algumas fotografias rápidas rumei à vila onde cheguei com tempo para um passeio na geada do Parque Verde.
Às 10 da manhã começaram a juntar-se os participantes no Workshop. Durante a manhã estava prevista uma saída de campo para recolha de exemplares de cogumelos. A acompanhar os participantes estariam três membros da Associação Xixorra, que ajudariam na identificação. Não fazia a ideia do local onde íamos procurar os cogumelos mas quando o carro partir de novo em direção a Sambade tive a esperança que fossemos à Serra. Acabámos por ir para Vales, local integrado no Trilho de Alvazinhos, que iríamos seguir parcialmente.
O grupo não era grande, mas não faltavam as cestas para a recolha de cogumelos. Só eu... não levava mais do que a máquina fotográfica.
Ainda na aldeia de Vales foi feito um pequeno aquecimento e partimos em direção a Alfândega (e aos pinhais).
Confesso que a procura dos cogumelos não me interessou grandemente. A época já vai adiantada para os que crescem nos castanheiros e o ano foi seco. Nos pinhais, ainda jovens, não havia humidade nenhuma. Dos poucos que encontrei, metade deles estava seca. Para piorar as coisas os pinhais onde fomos foram lavrados à relativamente pouco tempo.
Como a quantidade não era importante, a cada espécie nova, comestível ou não, fazíamos uma paragem para ouvir os especialistas. Foram apresentados alguns conceitos sobre as características dos fungos em geral e dos cogumelos em particular. Ficámos também a conhecer o significado de píleo, volva, estipe, anel, micélio, ... tudo termos essenciais a quem se interessa pela micologia. Confesso que estava mais interessado em espreitar em direção a Pombal, na ânsia de poder ver o belo vale da Vilariça, com o sol tímido a espelhar-se na albufeira de Vilarelhos. Não consegui arranjar bons miradouros, mas ainda consegui apanhar algumas espécies de cogumelos.
Sem ser em direção ao vale a paisagem também era admirável. Os castanheiros estão cheios de folhas de mil tons de outono e as cerejeiras desafiam todas as outras espécies com o tom vermelho vivo das suas folhas. As videiras já perderam as folhas, mas oliveiras carregadas de frutos também se destacam na paisagem.
As pessoas espalharam-se pelos pilhais e a busca começou a dar os seus frutos. Dos cogumelos que conheço destaco as sanchas (Lactarius deliciosus), os canários/míscaros (Tricholoma equestre), os moncosos (Suillus bellinii) e os rócos (Macrocepiota procera), foram alguns dos que encontrámos. Dos perigosos aparecem vários Amanitas. Fiquei a saber que afinal não são tão mortais como se pensa...
O melhor da apanha foi a chegada de dois amigos que tinham escolhido outro local e que vinham carregados (vários sacos) de sanchas. Além de distribuírem o fruto da sua apanha, ainda nos conduziram ao pinhal onde tinham andado e que trouxe alguma alegria ao grupo.
Pelo caminho passámos pelo parque infantil/de merendas de Alvazinhos. Despertou-me a curiosidade este local. Pode ser que seja um bom local para visitar noutra altura do ano.
O mini-autocarro do município "apanhou-nos junto à Quinta de Alvazinhos já depois da uma e meia da tarde. Regressámos à vila, onde decorreram as restantes atividades do encontro, nomeadamente a degustação de várias utilizações de cogumelos e o Workshop de Micologia.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 12/03/2013 05:57:00 PM
Concelho:
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
[À Descoberta de Macedo de Cavaleiros] À Descoberta ... da Linha do Tua
A "saga" À Descoberta começou há quase 10 anos, no concelho de Miranda do Douro, mas já há algum tempo que estava previsto estender-se também ao concelho de Macedo de Cavaleiros. Não aconteceu não porque o concelho não apresente atrativos suficientes, mas unicamente por falta de tempo.
Posso dizer que a janela se abriu, primeiramente no Flikr (em 2010) e depois numa página do Facebook, que dá pelo nome de Macedo de Cavaleiros, concelho e só agora se estendeu ao Blogue À Descoberta de Macedo de Cavaleiros.
Durante o verão passado acompanhei, à distância, uma série de iniciativas relacionadas com a natureza, muitas vezes na barragem do Azibo e também as atividades do grupo Alustro (Clube de Fotografia A. M. Pires Cabral). Quando recebi um convite, daqueles virtuais que se pensa que não servem para nada, achei que era altura de participar a sério e rumei para Macedo de Cavaleiros no dia 23 de novembro de 2013.
O desafio partiu do Clube de Fotografia Alustro, que pretende fazer um levantamento do que ainda resta da Linha do Tua ao longo do concelho. Há anos que percorro a Linha do Tua a pé entre Foz-Tua e Mirandela (ver Blogue A Linha é TUA) e conhecer o restante trajeto é para mim muito aliciante. Estavam juntos vários elementos incentivadores: conhecer o concelho de Macedo de Cavaleiros, conhecer os elementos do Alustro; tirar fotografias e conhecer mais um troço da Linha do Tua.
Às 10 da manhã estava em Macedo de Cavaleiros. O dia estava frio, com bastante geada e pouco prometedor. O grupo juntou-se, constituído por "velhos" amigos, todos apaixonados pela fotografia e não tive dificuldade em me integrar.
Partimos de autocarro para Sendas, para lá dos limites do concelho. No meu trabalho de preparação na noite anterior verifiquei que apenas íamos percorrer pouco mais de 6 km! pareceu-me manifestamente pouco, mas o percurso estava traçado: Sendas - Azibo (Vale da Porca).
Ainda usei o comboio nalgumas deslocações entre Mirandela e Bragança, poucas vezes, muito poucas. Nalguns anos que passei em Carvalhais o comboio fazia parte do meu dia a dia, mas o tempo passou e deste troço da Linha não tinha a mais vaga ideia.
Em Sendas os edifícios ainda estão em pé, muito degradados e ainda se veem os carris por entre o lixo e as silvas que tomaram conta da linha. Quando se passa por debaixo da estrada N15-5, que segue para Vila Franca, o cenário ainda piora: deixa de haver carris e praticamente não se encontram mais até ao Azibo, precisamente sobre a ponte que passa sobre o rio. Não estava à espera de tal cenário. Há 5 anos que acompanho de perto o que se passa com o troço Foz-Tua / Mirandela envolvendo-me ativamente na luta contra a construção da barragem mas esqueci-me que nesta parte da linha a o abandono já começou em 1991.
Na linha havia muito pouco para fotografar. Aos espaços fui-me afastando para fotografar a flora, surpreendentemente colorida de outono. Ou soutos, os carvalhos, as videiras já quase despidas, foram algumas das espécies maiores que fotografei. Mas também apareceu a roseira brava, sumagre, medronheiros, madressilva, espinheiro, gilbardeira, trovisqueira, etc.
Passámos junto à aldeia de Valdrez. O desalento do grupo com a destruição da Linha era evidente, mas não faltava entusiasmo para a fotografia. Quando apareceu o edifício do apeadeiro de já havia algum apetite. Procurámos nas mochilas algo para enganar a fome até chegarmos ao apeadeiro de Salselas.
Nesta zona, tirando um ou outro local, a linha, ou espaço onde ela estava, está transitável como caminho. Em vários locais ela é mesmo usada com regularidade como caminho rural. Não há sinais dos carris nem das travessas.
O apeadeiro de Salselas situado à entrada da aldeia, deve ter sido um edifício elegante, embora pequeno. Foi o lugar escolhido para o almoço.
Caminhar é um exercício que abre o apetite, se acrescentarmos ainda o levantar cedo, são dois fatores para "fazer lume com os dentes". Cada um saboreou a merenda, com alguma partilha e ainda houve tempo para um café no bar do Museu Rural de Salselas.
Retomámos o percurso da Linha. Em vários locais foi muito difícil passar. As silvas tomaram conta do espaço e crescem a vários metros de altura. Nalguns pontos foi necessário seguir pelos terrenos agrícolas limítrofes. A chegada ao rio Azibo animava a caminhada pois prometia um belo cenário fotográfico.
Por fim chegámos. O cenário é realmente idílico e está cuidado, mas a luz já não era a mais adequada.
A linha passa sobre o rio Azibo na primeira única ponte que encontrámos no percurso feito. A ponte metálica parece estar estável, mas ostenta um aviso proibindo a circulação.
As folhas do outono a deslizarem nas águas do rio reorientaram as os objetivas levando-as (temporariamente) a esquecerem a Linha.
Foi um bonito local que descobri nesta caminhada. Para mim Vale da Porca era (para além da terra natal de Roberto Leal) o cruzamento onde já passei muitas vezes nas deslocações com passagem pelo santuário de Santo Ambrósio. Agora o nome da aldeia tem mais significados.
Seguimos até à estação de Azibo, agora já com os carris bem visíveis. Foi bom verificar que esta estação ainda está bem preservada. Além do edifício intacto e fechado, muitas das estruturas anexas também estão em razoável estado de conservação. Há alguns anexos que ainda servem para a criação de galinhas. Crescem nos canteiros algumas plantas de jardim e árvores de fruto.
Com a luz do sol rasante a brilhar nos carris terminamos a nossa caminhada. Foram poucos quilómetros de Linha, que motivaram muitos lamentos e alguns insultos aos responsáveis por tanta destruição.
Foi feita o levantamento possível o que resta da Linha do Tua. Para mim foi também importante e surpreendente o contacto com o concelho de Macedo de Cavaleiros. Os espaços percorridos, a divisão dos terrenos, espécies cultivadas e selvagens ajudaram a construir uma ideia mais rigorosa do concelho e despertaram o apetite para novas viagens, caminhadas de preferência. Descobrir um concelho é uma tarefa nunca terminada, mas começa com o primeiro passo e esse já foi dado.
Agradeço a todos os amigos do ALUSTRO o excelente dia que passei com eles.
--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Macedo de Cavaleiros a 12/01/2013 07:29:00 PM
Posso dizer que a janela se abriu, primeiramente no Flikr (em 2010) e depois numa página do Facebook, que dá pelo nome de Macedo de Cavaleiros, concelho e só agora se estendeu ao Blogue À Descoberta de Macedo de Cavaleiros.
Durante o verão passado acompanhei, à distância, uma série de iniciativas relacionadas com a natureza, muitas vezes na barragem do Azibo e também as atividades do grupo Alustro (Clube de Fotografia A. M. Pires Cabral). Quando recebi um convite, daqueles virtuais que se pensa que não servem para nada, achei que era altura de participar a sério e rumei para Macedo de Cavaleiros no dia 23 de novembro de 2013.
O desafio partiu do Clube de Fotografia Alustro, que pretende fazer um levantamento do que ainda resta da Linha do Tua ao longo do concelho. Há anos que percorro a Linha do Tua a pé entre Foz-Tua e Mirandela (ver Blogue A Linha é TUA) e conhecer o restante trajeto é para mim muito aliciante. Estavam juntos vários elementos incentivadores: conhecer o concelho de Macedo de Cavaleiros, conhecer os elementos do Alustro; tirar fotografias e conhecer mais um troço da Linha do Tua.
Às 10 da manhã estava em Macedo de Cavaleiros. O dia estava frio, com bastante geada e pouco prometedor. O grupo juntou-se, constituído por "velhos" amigos, todos apaixonados pela fotografia e não tive dificuldade em me integrar.
Partimos de autocarro para Sendas, para lá dos limites do concelho. No meu trabalho de preparação na noite anterior verifiquei que apenas íamos percorrer pouco mais de 6 km! pareceu-me manifestamente pouco, mas o percurso estava traçado: Sendas - Azibo (Vale da Porca).
Ainda usei o comboio nalgumas deslocações entre Mirandela e Bragança, poucas vezes, muito poucas. Nalguns anos que passei em Carvalhais o comboio fazia parte do meu dia a dia, mas o tempo passou e deste troço da Linha não tinha a mais vaga ideia.
Em Sendas os edifícios ainda estão em pé, muito degradados e ainda se veem os carris por entre o lixo e as silvas que tomaram conta da linha. Quando se passa por debaixo da estrada N15-5, que segue para Vila Franca, o cenário ainda piora: deixa de haver carris e praticamente não se encontram mais até ao Azibo, precisamente sobre a ponte que passa sobre o rio. Não estava à espera de tal cenário. Há 5 anos que acompanho de perto o que se passa com o troço Foz-Tua / Mirandela envolvendo-me ativamente na luta contra a construção da barragem mas esqueci-me que nesta parte da linha a o abandono já começou em 1991.
Na linha havia muito pouco para fotografar. Aos espaços fui-me afastando para fotografar a flora, surpreendentemente colorida de outono. Ou soutos, os carvalhos, as videiras já quase despidas, foram algumas das espécies maiores que fotografei. Mas também apareceu a roseira brava, sumagre, medronheiros, madressilva, espinheiro, gilbardeira, trovisqueira, etc.
Passámos junto à aldeia de Valdrez. O desalento do grupo com a destruição da Linha era evidente, mas não faltava entusiasmo para a fotografia. Quando apareceu o edifício do apeadeiro de já havia algum apetite. Procurámos nas mochilas algo para enganar a fome até chegarmos ao apeadeiro de Salselas.
Nesta zona, tirando um ou outro local, a linha, ou espaço onde ela estava, está transitável como caminho. Em vários locais ela é mesmo usada com regularidade como caminho rural. Não há sinais dos carris nem das travessas.
O apeadeiro de Salselas situado à entrada da aldeia, deve ter sido um edifício elegante, embora pequeno. Foi o lugar escolhido para o almoço.
Caminhar é um exercício que abre o apetite, se acrescentarmos ainda o levantar cedo, são dois fatores para "fazer lume com os dentes". Cada um saboreou a merenda, com alguma partilha e ainda houve tempo para um café no bar do Museu Rural de Salselas.
Retomámos o percurso da Linha. Em vários locais foi muito difícil passar. As silvas tomaram conta do espaço e crescem a vários metros de altura. Nalguns pontos foi necessário seguir pelos terrenos agrícolas limítrofes. A chegada ao rio Azibo animava a caminhada pois prometia um belo cenário fotográfico.
Por fim chegámos. O cenário é realmente idílico e está cuidado, mas a luz já não era a mais adequada.
A linha passa sobre o rio Azibo na primeira única ponte que encontrámos no percurso feito. A ponte metálica parece estar estável, mas ostenta um aviso proibindo a circulação.
As folhas do outono a deslizarem nas águas do rio reorientaram as os objetivas levando-as (temporariamente) a esquecerem a Linha.
Foi um bonito local que descobri nesta caminhada. Para mim Vale da Porca era (para além da terra natal de Roberto Leal) o cruzamento onde já passei muitas vezes nas deslocações com passagem pelo santuário de Santo Ambrósio. Agora o nome da aldeia tem mais significados.
Seguimos até à estação de Azibo, agora já com os carris bem visíveis. Foi bom verificar que esta estação ainda está bem preservada. Além do edifício intacto e fechado, muitas das estruturas anexas também estão em razoável estado de conservação. Há alguns anexos que ainda servem para a criação de galinhas. Crescem nos canteiros algumas plantas de jardim e árvores de fruto.
Com a luz do sol rasante a brilhar nos carris terminamos a nossa caminhada. Foram poucos quilómetros de Linha, que motivaram muitos lamentos e alguns insultos aos responsáveis por tanta destruição.
Foi feita o levantamento possível o que resta da Linha do Tua. Para mim foi também importante e surpreendente o contacto com o concelho de Macedo de Cavaleiros. Os espaços percorridos, a divisão dos terrenos, espécies cultivadas e selvagens ajudaram a construir uma ideia mais rigorosa do concelho e despertaram o apetite para novas viagens, caminhadas de preferência. Descobrir um concelho é uma tarefa nunca terminada, mas começa com o primeiro passo e esse já foi dado.
Agradeço a todos os amigos do ALUSTRO o excelente dia que passei com eles.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Macedo de Cavaleiros a 12/01/2013 07:29:00 PM
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
[À Descoberta de Vila Flor] Em louvor da Terra e da Gente Transmontanas
Se o poeta João de Sá fosse vivo completaria hoje 85 anos. Apenas o conheci nos últimos anos de vida, depois de conhecer a sua escrita, que me fascinou e me fez gostar de forma quase incompreensível de Vila Flor.
O poeta vagueia algures entre o Facho e o Frade acompanhando com o olhar as pombas da igreja e suspirando pelo aroma da glicínia de sua casa.
Publico hoje um poema de 1962, poema com que João de Sá alcançou o 1.º Prémio nos Jogos Florais Transmontanos do Clube de Vila Real.
Esta ligação à terra, à serra, aos horizontes largos que a vista alcança, acompanharam-no toda a vida. Nos seus últimos poemas, 50 anos mais tarde, a serra, continua presente, com a mesma força, com tonalidades várias mas sempre com sentimentos intensos.
E no dia de hoje, talvez ganhe coragem para subir à serra. É apaziguar admirar as cores das videiras pintadas de outono e é uma justa homenagem declamar baixinho o poema cravado na rocha no alto da serra.
Granito e altura!
Firmeza e ânsia de se ir mais além,
Meta que se desloca e não se alcança
E mais alinda o gesto da procura...
Vento em correria,
Parecendo ultrapassar o céu e a terra
E o gémeo de Van Gogh
Vertendo novas cores por sobre a serra.
Se uma canção perturba
A solidão do monte, de tão pura
E sentida ergue-se tanto,
Que o azul transborda no cristal da taça
E tomba sobre as notas desse canto.
Manhãs de neve, em que a paisagem
É um bailado fantástico de cisnes!
Silêncios brancos sobre velha fonte.
Dádiva do mistério ao nosso sonho
Perdido na distância do horizonte...
Tudo se passa muito além de nós
Mas tudo é simples, puro, sem tamanho:
Um perfume indivisível, uma flor,
Um vôo de ave, a fimbria dum rebanho,
Uma canção, dorida, de pastor...
Sentimos ânsias de abrir com jeito
O coração
E introduzir nele uma semente.
Duma matéria embora bem diferente
Casa-se com a terra o nosso peito!
Olhos volvidos para além do mar...
Lábios de encantamento primitivo...
O ar salgado não os fez gretar,
Sabem a frutos e a grãos de trigo.
Inatingível, no azul da altura,
Quanto mais perto dela mais distantes...
O sagrado padece da lonjura.
Por isso temos que nos ausentar
Se quisermos que ela nos pertença
E nos caiba, inteira, no olhar!
A tua gente tem a alma de granito!
Rasga as mãos, a sorrir;
Sucumbe, sem um grito:
Lábios que tem sede e chamam pelo sol!
Olhos de abismo
- Duas aves, pousadas sobre a alma
A sondar-lhe as lonjuras...
Olhos de espaço, onde se projecta
O mistério sagrado das alturas.
Perfis morenos
Que o escopro do vento alevantou
Num recanto do espaço.
E as raízes vão beber mais fundo
A seiva que lhes há-de erguer o braço!
Homem de ontem. Homem de amanhã.
Perto ou longe, sempre o mesmo homem.
Uma fé viva onde ele estiver presente,
Pois ele é como que um prolongamento
Da vastidão da serra-mãe ausente!
Homem da serra, afeito a ver subir
As águias e os milhafres
Que depois se diluem na lonjura.
Homem do monte - símbolo da terra,
Mas ânsia estranha de maior altura!
Homem do longe!
Há um rito de amor
No gesto com que lanças sobre a terra
Uma simples semente.
E o milagre é sempre uma flor,
Um diadema a ornamentar-lhe o ventre.
Volúpia de criar!
Fechar as mão e abri-las, incendidas,
Num gesto natural,
Sobre a palpitação de novas vidas.
Conceber, é dar forma a alguma coisa.
E toda a criação exige esforço
E todo o esforço é dor!
Mas, sem o sofrimento a retalhar o peito,
O que seria o amor?
Não basta desbravar a terra,
É preciso regá-la com suor,
Encaminhar os caules que tombaram,
Sentir bater o coração da flor...
Em cada pedra há um epitáfio e um berço.
Só tem valor a luta em que não há quebranto.
A serra continua a desventrar-se em pão,
Muda de espanto!
É o olhar que exprime
Os mais secretos sentimentos da alma:
As nódoas recônditas do mal,
As luminosas pétalas do bem.
Trás-os-Montes - olhar de Portugal!
TRANSMONTANO (João de Sá)
--
Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 11/07/2013 12:50:00 AM
O poeta vagueia algures entre o Facho e o Frade acompanhando com o olhar as pombas da igreja e suspirando pelo aroma da glicínia de sua casa.
Publico hoje um poema de 1962, poema com que João de Sá alcançou o 1.º Prémio nos Jogos Florais Transmontanos do Clube de Vila Real.
Esta ligação à terra, à serra, aos horizontes largos que a vista alcança, acompanharam-no toda a vida. Nos seus últimos poemas, 50 anos mais tarde, a serra, continua presente, com a mesma força, com tonalidades várias mas sempre com sentimentos intensos.
E no dia de hoje, talvez ganhe coragem para subir à serra. É apaziguar admirar as cores das videiras pintadas de outono e é uma justa homenagem declamar baixinho o poema cravado na rocha no alto da serra.
Granito e altura!
Firmeza e ânsia de se ir mais além,
Meta que se desloca e não se alcança
E mais alinda o gesto da procura...
Vento em correria,
Parecendo ultrapassar o céu e a terra
E o gémeo de Van Gogh
Vertendo novas cores por sobre a serra.
Se uma canção perturba
A solidão do monte, de tão pura
E sentida ergue-se tanto,
Que o azul transborda no cristal da taça
E tomba sobre as notas desse canto.
Manhãs de neve, em que a paisagem
É um bailado fantástico de cisnes!
Silêncios brancos sobre velha fonte.
Dádiva do mistério ao nosso sonho
Perdido na distância do horizonte...
Tudo se passa muito além de nós
Mas tudo é simples, puro, sem tamanho:
Um perfume indivisível, uma flor,
Um vôo de ave, a fimbria dum rebanho,
Uma canção, dorida, de pastor...
Sentimos ânsias de abrir com jeito
O coração
E introduzir nele uma semente.
Duma matéria embora bem diferente
Casa-se com a terra o nosso peito!
Olhos volvidos para além do mar...
Lábios de encantamento primitivo...
O ar salgado não os fez gretar,
Sabem a frutos e a grãos de trigo.
Inatingível, no azul da altura,
Quanto mais perto dela mais distantes...
O sagrado padece da lonjura.
Por isso temos que nos ausentar
Se quisermos que ela nos pertença
E nos caiba, inteira, no olhar!
A tua gente tem a alma de granito!
Rasga as mãos, a sorrir;
Sucumbe, sem um grito:
Lábios que tem sede e chamam pelo sol!
Olhos de abismo
- Duas aves, pousadas sobre a alma
A sondar-lhe as lonjuras...
Olhos de espaço, onde se projecta
O mistério sagrado das alturas.
Perfis morenos
Que o escopro do vento alevantou
Num recanto do espaço.
E as raízes vão beber mais fundo
A seiva que lhes há-de erguer o braço!
Homem de ontem. Homem de amanhã.
Perto ou longe, sempre o mesmo homem.
Uma fé viva onde ele estiver presente,
Pois ele é como que um prolongamento
Da vastidão da serra-mãe ausente!
Homem da serra, afeito a ver subir
As águias e os milhafres
Que depois se diluem na lonjura.
Homem do monte - símbolo da terra,
Mas ânsia estranha de maior altura!
Homem do longe!
Há um rito de amor
No gesto com que lanças sobre a terra
Uma simples semente.
E o milagre é sempre uma flor,
Um diadema a ornamentar-lhe o ventre.
Volúpia de criar!
Fechar as mão e abri-las, incendidas,
Num gesto natural,
Sobre a palpitação de novas vidas.
Conceber, é dar forma a alguma coisa.
E toda a criação exige esforço
E todo o esforço é dor!
Mas, sem o sofrimento a retalhar o peito,
O que seria o amor?
Não basta desbravar a terra,
É preciso regá-la com suor,
Encaminhar os caules que tombaram,
Sentir bater o coração da flor...
Em cada pedra há um epitáfio e um berço.
Só tem valor a luta em que não há quebranto.
A serra continua a desventrar-se em pão,
Muda de espanto!
É o olhar que exprime
Os mais secretos sentimentos da alma:
As nódoas recônditas do mal,
As luminosas pétalas do bem.
Trás-os-Montes - olhar de Portugal!
TRANSMONTANO (João de Sá)
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 11/07/2013 12:50:00 AM
domingo, 20 de outubro de 2013
[A Linha é Tua] Mobilidade no vale do Tua só para turismo
Plano põe fim ao serviço público de caminho-de-ferro
Mobilidade no vale do Tua só para turismo
A infraestrutura intermodal do Tua só irá funcionar na sua plenitude entre maio e outubro. Esta novidade foi avançada durante a 3ª conferência internacional "Railroads in Historical Context" que decorreu sexta-feira, em Alijó, e reuniu mais de 40 investigadores internacionais, entidades oficiais, operadores turísticos do Douro e a EDP. Assim, caiu por terra a vontade de várias associações que exigiam o regresso do serviço público ao troço desativado.
Foi pela boca de Sérgio Figueiredo, administrador-delegado da Fundação EDP, que se fez "luz" sobre o que poderá ser o megaprojeto de mobilidade intermodal de Foz Tua, que pretende constituir uma oferta turística de excelência assente em três meios de mobilidade: o funicular, o barco e o comboio.
Durante este encontro internacional, foram apresentados e debatidos estudos sobre a história do Vale do Tua e da Linha do Tua, bem como... (*)
Leia a notícia completa
na edição em PDF
(*) Apenas utilizadores registados
Fonte: A Voz de Trás-dos-Montes
Regiões | Alijó | 17-10-2013 | Edição Nº 3301
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Publicada por Blogger às A Linha é Tua a 10/20/2013 10:33:00 AM
sábado, 19 de outubro de 2013
[À Descoberta de Vila Flor] Vila Flor, concelho - no Facebook
A Página Vila Flor, concelho atingiu no dia 29de Setembro 1000 gostos! Criada a 26 de Maio de 2012 com o intuito de chamar as pessoas a visitarem o Blogue À Descoberta de Vila Flor, que nasceu em 2006, foi-se assumindo como uma plataforma alternativa de promoção do concelho, como montra, como centro de distribuição de notícias e local de encontro.
A plataforma Facebook tem as suas vantagens, como a facilidade de utilização e democratização e os seus defeitos, como a rapidez com que a informação fica esquecida ou a falta de respeito pelos direitos de autor, mas leva a informação onde outras plataformas não chegavam e em segundos.
Aos poucos a Página foi assumindo "personalidade" própria, autónoma do Blogue, no entanto, como criador e administrador dos dois, não os consigo ver separados. O Blogue é a base, o repositório das imagens e do texto, um baú onde se guardam "tesouros" descobertos por todo o concelho, segredos e emoções sentidas a desvendar esses segredos. A página no Facebook são pinceladas rápidas, flashes de beleza e algumas notícias tristes. O Blogue é um caminho pessoal, na página são publicadas contribuições de toda a gente, principalmente fotografias, que podem ser comentadas e partilhadas contribuindo, em rede, para a divulgação do concelho.
Os GOSTOS não são só bons para o ego de quem administra a página são também um indicador de que a informação chega mais longe, tornando-se mais eficiente e uma melhor montra. As fotografias são organizadas em Álbuns, tendo por base as diferentes freguesias e respetivas anexas. Desta forma é possível encontrá-las facilmente e divulgá-las repetidas vezes.
Agradeço a todos os que vistam a página e partilham os seus conteúdos. Está aberta à contribuição de toda a gente, desde que as contribuições se destinem a divulgar o concelho, as atividades que aqui têm lugar, publicitar serviços ou produtos que aqui são produzidos.
Vamos continuar a encontrar-nos todos os dias.
Endereço da página no Facebook
https://www.facebook.com/vilaflor.pt
Nota: Não é necessário ter uma conta no Facebook para ver a página.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 10/19/2013 08:00:00 AM
A plataforma Facebook tem as suas vantagens, como a facilidade de utilização e democratização e os seus defeitos, como a rapidez com que a informação fica esquecida ou a falta de respeito pelos direitos de autor, mas leva a informação onde outras plataformas não chegavam e em segundos.
Aos poucos a Página foi assumindo "personalidade" própria, autónoma do Blogue, no entanto, como criador e administrador dos dois, não os consigo ver separados. O Blogue é a base, o repositório das imagens e do texto, um baú onde se guardam "tesouros" descobertos por todo o concelho, segredos e emoções sentidas a desvendar esses segredos. A página no Facebook são pinceladas rápidas, flashes de beleza e algumas notícias tristes. O Blogue é um caminho pessoal, na página são publicadas contribuições de toda a gente, principalmente fotografias, que podem ser comentadas e partilhadas contribuindo, em rede, para a divulgação do concelho.
Os GOSTOS não são só bons para o ego de quem administra a página são também um indicador de que a informação chega mais longe, tornando-se mais eficiente e uma melhor montra. As fotografias são organizadas em Álbuns, tendo por base as diferentes freguesias e respetivas anexas. Desta forma é possível encontrá-las facilmente e divulgá-las repetidas vezes.
Agradeço a todos os que vistam a página e partilham os seus conteúdos. Está aberta à contribuição de toda a gente, desde que as contribuições se destinem a divulgar o concelho, as atividades que aqui têm lugar, publicitar serviços ou produtos que aqui são produzidos.
Vamos continuar a encontrar-nos todos os dias.
Endereço da página no Facebook
https://www.facebook.com/vilaflor.pt
Nota: Não é necessário ter uma conta no Facebook para ver a página.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 10/19/2013 08:00:00 AM
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
[À Descoberta de Torre de Moncorvo] Alma de Ferro - Aniversário
Conheci o Grupo Alma de Ferro por aí, À Descoberta. Mesmo sem nunca os ter visto em palco, aprendi a admirar a sua postura, a alegria e o à vontade com que se apresentam no meio das pessoas, vestindo a pele de loucos, mendigos ou de membros da nobreza.
Despidos das personagens mantêm a mesma abertura, alegria e camaradagem. Por isso, acalentava a ideia de me deslocar a Torre de Moncorvo para os ver atuar "à séria". Quando vi o cartaz do 5.º Aniversário, a 13 de Setembro, pensei para comigo - Não posso perder esta oportunidade.
Consegui mobilizar a família e alguns amigos para um a passeio à vila. Uma volta à igreja, a subida ao castelo e porta da vila, um bom jantar num restaurante de que já tinha saudades, fizeram parte do programa que antecedeu a festa de aniversário.
À hora marcada estávamos no Celeiro. Os lugares estavam todos preenchidos e o espetáculo começou.
Não sou grande apreciador de teatro, também porque as oportunidades de assistir a uma peça não são muitas, mas o que é certo é que ri a bom rir, enquanto desfilaram pequenos excertos de várias peças saídas do baú das memórias do Alma de Ferro.
A distância entre o palco e plateia era tão curta que os dois espaços fundiam-se. A cumplicidade era completa e as palmas eram fartas, francas e ... merecidas.
Terminada a apresentação foi feita uma pequena homenagem à escritora da terra Dr.ª Júlia Biló. Adoro a forma como escreve e fico sem saber onde termina a realidade e começa a ficção, ou mesmo se não há ficção.
Todos foram convidados para uma fatia de bolo e um copo de champanhe. Foi uma boa oportunidade para cumprimentar alguns amigos, que não via há algum tempo. Foi também um bom momento de confraternização, a oportunidade de felicitar o grupo pelo percurso feito e pela sua resistência. Afinal o nome Alma de Ferro é cheio e significados e foi muito bem escolhido.
Espero voltar mais vezes... a Moncorvo,.. ao teatro, de preferência para ver o grupo Alma de Ferro.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Torre de Moncorvo a 10/18/2013 10:50:00 PM
Despidos das personagens mantêm a mesma abertura, alegria e camaradagem. Por isso, acalentava a ideia de me deslocar a Torre de Moncorvo para os ver atuar "à séria". Quando vi o cartaz do 5.º Aniversário, a 13 de Setembro, pensei para comigo - Não posso perder esta oportunidade.
Consegui mobilizar a família e alguns amigos para um a passeio à vila. Uma volta à igreja, a subida ao castelo e porta da vila, um bom jantar num restaurante de que já tinha saudades, fizeram parte do programa que antecedeu a festa de aniversário.
À hora marcada estávamos no Celeiro. Os lugares estavam todos preenchidos e o espetáculo começou.
Não sou grande apreciador de teatro, também porque as oportunidades de assistir a uma peça não são muitas, mas o que é certo é que ri a bom rir, enquanto desfilaram pequenos excertos de várias peças saídas do baú das memórias do Alma de Ferro.
A distância entre o palco e plateia era tão curta que os dois espaços fundiam-se. A cumplicidade era completa e as palmas eram fartas, francas e ... merecidas.
Terminada a apresentação foi feita uma pequena homenagem à escritora da terra Dr.ª Júlia Biló. Adoro a forma como escreve e fico sem saber onde termina a realidade e começa a ficção, ou mesmo se não há ficção.
Todos foram convidados para uma fatia de bolo e um copo de champanhe. Foi uma boa oportunidade para cumprimentar alguns amigos, que não via há algum tempo. Foi também um bom momento de confraternização, a oportunidade de felicitar o grupo pelo percurso feito e pela sua resistência. Afinal o nome Alma de Ferro é cheio e significados e foi muito bem escolhido.
Espero voltar mais vezes... a Moncorvo,.. ao teatro, de preferência para ver o grupo Alma de Ferro.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Torre de Moncorvo a 10/18/2013 10:50:00 PM
[À Descoberta de Vila Flor] Lombo Alto - Nabo

De todas os pontos já visitados este foi o único que o foi pela primeira vez, por isso teve um significado especial, porque se tratou de percorrer algum terreno do concelho pela primeira vez. Sabia da existência do marco geodésico por mapas, mas nunca o tinha visto. Quando parei no Nabo para me informar do melhor caminho a seguir, as pessoas que encontrei desconheciam a a existência, mas como se trata de uma área cultivada, com vinha, amendoeiras e oliveiras, foi relativamente fácil encontrá-lo.
O percurso foi feito de bicicleta, com saída de Vila Flor; passagem pela fonte do Olmo; passando pela Portela e pelo Cabeço do Cavalo. Desconheço a razão do lugar ter este nome, sei apenas que é um dos melhores miradouros para o Nabo. O declive é tão acentuado que é mesmo perigoso descer na bicicleta, até porque a que eu uso não é grande máquina e os travões não oferecem muita confiança. Não posso é negar que. mesmo usando poucas vezes as duas rodas, sinto uma grande emoção sempre que isso acontece. É mesmo um prazer (principalmente nas descidas).
Entrei no Nabo pela rua da Mãe de Água. O movimento na aldeia era pouco e só na Nossa Senhora do Carrasco encontrei alguém com quem falar. Ultimavam-se alguns arranjos para a inauguração do largo, depois de uma profunda remodelação. Confesso que está muito airoso e bonito, mas não pude deixar de fazer alguns reparos por terem dizimado a roseira de rosas vermelhas do cabido e alguns pequenos canteiros. Estou curioso por voltar lá, para verificar como ficou depois das obras terminadas.
Uma das pessoas que encontrei conhecia o marco geodésico. Deu-me alguma orientação e lá parti eu em direção à capela de Santa Cruz, já minha conhecida, apara depois atingir o marco geodésico.
Há muitos caminhos, talvez demasiados, e a falta de pontos de referência causa alguma desorientação. O cansaço também já se fazia notar. apesar do verão ainda estar no início, na Vilariça os caminhos são muito poeirentos e o calor muito intenso.
Por fim descobri o marco geodésico. Está no vale, por isso não tem a imponência nem os horizontes largos de outros já visitados, mas a paisagem não deixa de ser admirável. Deve ser o que está situado a menor altitude em todo o concelho, mas perece-me que também é o que está mais preservado.
Tirei algumas fotografias e preparei-me para voltar a casa. Apesar de estar planeado fazê-lo por estrada, sei como custa fazer aquele percurso. O declive não é muito acentuado, mas há muitas curvas e contracurvas e Vila Flor parece estar sempre muito distante! As reservas de água estavam quase esgotadas e foi penoso voltar a Vila Flor. Foi necessário ir buscar forças onde elas já não existiam, mas não foi a primeira vez, conheço bem a sensação.
Foram mais de 20 km por terrenos com grande declive, que proporcionaram momentos de muita emoção, com paisagens belíssimas que tentei registar em fotografia.
Está prestes a terminar a volta por todos os marcos geodésicos do concelho. Pelas minhas contas falta um em Assares e pretendo voltar ao Faro, em Vilarinho das Azenhas, não sei se haverá mais algum. No final publicarei uma lista com todos os marcos geodésicos visitados.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 10/18/2013 01:26:00 AM
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