Imagem noturna da Praça da República, em Vila Flor.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 1/08/2014 11:51:00 da tarde
Concelho:
| Carrazeda de Ansiães | Vila Flor | Miranda do Douro | Mogadouro | Torre de Moncorvo | Freixo de E.C. | Alfândega da Fé | |
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
[À Descoberta de Bragança] Castelo de Bragança
O castelo, cuja construção se iniciou em 1409 e terminou trinta anos depois, é constituído por um extenso conjunto de muralhas com um perímetro de 660 metros, que formam quatro recintos individualizados entre si. Conta com quinze torres ou cubelos e outros tantos panos de muro, com a espessura média de dois metros, com três portas (duas Portas de Santo António e a Porta do Sol) e dois postigos (a Porta da Traição e o postigo do Poço do Rei). Toda a cerca é ameada e define uma planta ovalada que apresenta o seu interior orientado segundo dois eixos viários, que estabelecem a ligação entre a Porta de Santo António, que dá para a parte velha da cidade, e a Porta do Sol, a nascente. Destes dois eixos é a rua da Cidadela aquela que faz o antigo traçado entre as duas portas.
O esquema desenhado tem como base a Porta de Santo António, a partir da qual irradiam duas ruas e respectivos quarteirões edificados. À esquerda encontra-se um pequeno quarteirão, interrompido pelo espaço onde se localiza o Pelourinho e que antigamente foi ocupado pela igreja de S. Tiago. Ao centro fica o principal aglomerado populacional, que tem no seu topo a Igreja de Santa Maria (também designada de Nossa Senhora do Sardão) e a célebre Domus Municipalis. O lado norte, que esteve ocupado pelas instalações do Batalhão de Caçadores 3, foi arranjado e actualmente é uma ampla zona que torna a Torre de menagem ainda mais imensa do que já é.
Esta é um imóvel quadrangular de 17 m de lado e 34 m de altura, dotado de sapata de cerca de 6 m de altura. O acesso era feito outrora por uma ponte levadiça, que levava à porta que se encontra bem alta. Actualmente faz-se por uma estreita escadaria exterior, de pedra, adossada à face setentrional de um corpo saliente que serve de escudo ou couraça à própria torre. Na face sul da torre, a meia altura, está adossada uma pedra de armas com os emblemas da Casa de Avis, sinete do monarca que promoveu a edificação. Entre os elementos decorativos mais interessantes que a torre de menagem oferece contam-se as graciosas fiadas de ameias que lhe coroam o eirado e duas elegantes janelas góticas maineladas, uma na face sul outra na face este. Nas aberturas e nos cunhais, o material utilizado é o granito, com alguns blocos siglados, enquanto no recheio predomina a alvenaria de xisto. Nos ângulos superiores destacam-se quatro guaritas cilíndricas. A torre está adossada à muralha norte e obedece a um esquema que se foi tornando habitual, que é o de ver a cidadela encostada a um dos lados da muralha e não no centro. Tem ainda defendê-la um muro com sete cubelos (três do lado nascente, três do poente e um a sul). Funciona no seu interior um Museu Militar.
Fonte do Texto
http://www.bragancanet.pt/patrimonio/castelobr.htm
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Bragança a 1/08/2014 01:02:00 da manhã
O esquema desenhado tem como base a Porta de Santo António, a partir da qual irradiam duas ruas e respectivos quarteirões edificados. À esquerda encontra-se um pequeno quarteirão, interrompido pelo espaço onde se localiza o Pelourinho e que antigamente foi ocupado pela igreja de S. Tiago. Ao centro fica o principal aglomerado populacional, que tem no seu topo a Igreja de Santa Maria (também designada de Nossa Senhora do Sardão) e a célebre Domus Municipalis. O lado norte, que esteve ocupado pelas instalações do Batalhão de Caçadores 3, foi arranjado e actualmente é uma ampla zona que torna a Torre de menagem ainda mais imensa do que já é.
Esta é um imóvel quadrangular de 17 m de lado e 34 m de altura, dotado de sapata de cerca de 6 m de altura. O acesso era feito outrora por uma ponte levadiça, que levava à porta que se encontra bem alta. Actualmente faz-se por uma estreita escadaria exterior, de pedra, adossada à face setentrional de um corpo saliente que serve de escudo ou couraça à própria torre. Na face sul da torre, a meia altura, está adossada uma pedra de armas com os emblemas da Casa de Avis, sinete do monarca que promoveu a edificação. Entre os elementos decorativos mais interessantes que a torre de menagem oferece contam-se as graciosas fiadas de ameias que lhe coroam o eirado e duas elegantes janelas góticas maineladas, uma na face sul outra na face este. Nas aberturas e nos cunhais, o material utilizado é o granito, com alguns blocos siglados, enquanto no recheio predomina a alvenaria de xisto. Nos ângulos superiores destacam-se quatro guaritas cilíndricas. A torre está adossada à muralha norte e obedece a um esquema que se foi tornando habitual, que é o de ver a cidadela encostada a um dos lados da muralha e não no centro. Tem ainda defendê-la um muro com sete cubelos (três do lado nascente, três do poente e um a sul). Funciona no seu interior um Museu Militar.
Fonte do Texto
http://www.bragancanet.pt/patrimonio/castelobr.htm
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Bragança a 1/08/2014 01:02:00 da manhã
[À Descoberta de Miranda do Douro] Fogueira do Galo
No dia 24 de Dezembro é habitual em Miranda do Douro fazer a tradicional fogueira do galo. Logo pela manhã, os jovens mirandeses partem acompanhados do seu farnel, para o monte, a fim de cortar, carregar e transportar a lenha, nos típicos carros de bois para o adro da Sé.
Depois dos carros carregados, faz-se uma pausa para saborear os tradicionais petiscos que compõem o farnel; bacalhau cru, alheiras, chouriças, chouriços, presunto e carne assada. Tudo isto acompanhado de bom pão e vinho tinto. O fim da tarde aproxima-se e os mordomos organizam a partida para a cidade. Os carros de lenha são puxados por todos os rapazes que participam alegremente nesta festa. A sua passagem pelas ruas atrai a atenção de toda a população e em especial dos turistas que aproveitam para tirar fotografias.
Chegados ao adro da Sé, descarregam a lenha num amontoado de pneus e troncos de árvores já para aí transportados por um camião.
Tiradas as usuais fotografias no escadario da Sé, a mocidade regressa a casa para em família fazer a tradicional ceia da Consoada.
No início da noite, a fogueira é acesa, sem que ninguém dê conta de quem a acendeu.
Por volta da meia noite os sinos tocam para a missa do galo. Toda a população comparece nesta missa, para ver a fogueira, o presépio, beijar o menino e entretanto ouvir os rapazes cantar as interessantes versões das tradicionais canções do beijai o menino.
Terminada a missa, as pessoas reúnem-se à volta da fogueira, num cordial convívio de Natal e troca mútua de votos de Boas Festas.
6ºA - Português
EB2 de Miranda do Douro, 1998
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 1/08/2014 12:46:00 da manhã
Depois dos carros carregados, faz-se uma pausa para saborear os tradicionais petiscos que compõem o farnel; bacalhau cru, alheiras, chouriças, chouriços, presunto e carne assada. Tudo isto acompanhado de bom pão e vinho tinto. O fim da tarde aproxima-se e os mordomos organizam a partida para a cidade. Os carros de lenha são puxados por todos os rapazes que participam alegremente nesta festa. A sua passagem pelas ruas atrai a atenção de toda a população e em especial dos turistas que aproveitam para tirar fotografias.
Chegados ao adro da Sé, descarregam a lenha num amontoado de pneus e troncos de árvores já para aí transportados por um camião.
Tiradas as usuais fotografias no escadario da Sé, a mocidade regressa a casa para em família fazer a tradicional ceia da Consoada.
No início da noite, a fogueira é acesa, sem que ninguém dê conta de quem a acendeu.
Por volta da meia noite os sinos tocam para a missa do galo. Toda a população comparece nesta missa, para ver a fogueira, o presépio, beijar o menino e entretanto ouvir os rapazes cantar as interessantes versões das tradicionais canções do beijai o menino.
Terminada a missa, as pessoas reúnem-se à volta da fogueira, num cordial convívio de Natal e troca mútua de votos de Boas Festas.
6ºA - Português
EB2 de Miranda do Douro, 1998
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 1/08/2014 12:46:00 da manhã
[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XX)
Sabíamos a alba uma tela branca
a ser pintada pelas emoções
em desequilíbrio.
Fazíamos o sol
da casca das maçãs maduras,
segundo o molde de uma ventura
a escorrer-nos dos lábios.
E partilhávamos o espaço
do lugar certo dos ecos da manhã,
sobre as metamorfoses
dos degraus recém-acordados.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Vilas Boas, desde o alto do Cabeço.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 1/08/2014 12:40:00 da manhã
a ser pintada pelas emoções
em desequilíbrio.
Fazíamos o sol
da casca das maçãs maduras,
segundo o molde de uma ventura
a escorrer-nos dos lábios.
E partilhávamos o espaço
do lugar certo dos ecos da manhã,
sobre as metamorfoses
dos degraus recém-acordados.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Vilas Boas, desde o alto do Cabeço.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 1/08/2014 12:40:00 da manhã
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Moinho de vento
Pormenor de algumas peças do moinho de vento restaurado no "Moinho de Vento", em Carrazeda de Ansiães. São visíveis o carreto, o eixo ou mastro, entrosa e o carreto.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 1/06/2014 01:09:00 AM
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 1/06/2014 01:09:00 AM
[À Descoberta de Alfândega da Fé] Obra Incorporada
Trabalhos da Exposição Colectiva "Obra Incorporada" que esteve patente na Casa da Cultura de Alfândega da Fé. Out. e Nov. 2013
A exposição deu a conhecer a visão de 15 artistas, partindo todos da mesma cruz inicial.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 1/06/2014 12:58:00 AM
A exposição deu a conhecer a visão de 15 artistas, partindo todos da mesma cruz inicial.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 1/06/2014 12:58:00 AM
[À Descoberta de Vila Flor] Peregrinações - Síntese
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| Caminho no termo de Vale Frechoso |
Durante os anos de 2010, 2011 e 2012 foram palmilhados muitos caminhos, agrupados com o nome de Peregrinações. Desde que terminaram que pensava agrupar os vários percursos de forma a ter uma ideia mais global do que foi feito.
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| Altar-mor da igreja matriz de Freixiel, após o restauro. |
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| A caminho de Meireles, perdido algures no meio do nevoeiro. |
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| Capela de Santa Marinha, em Meireles |
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| Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Lodões. |
- Capelas de Vila Flor (Vila Flor)
- Capela de S. Lourenço (Arco)
- Capela de Santa Marinha (Meireles)
- Capela de N. Sra do Rosário (Lodões)
- Capela de S. Sebastião (S.ta Comba da Vilariça)
- Capela do Santíssimo Sacramento (Assares)
- Capela de S. Gregório (Valbom)
- Capela de S. Luís (Folgares)
- Capela de S.to António (Ribeirinha)
- Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)
- Capela de S.to António (Vilas Boas)
- Capela de N.Sra. da Assunção (Candoso)
- Capela de N. S. do Carrasco (Benlhevai)
- Capela de S. Plácido (Mourão)
- Capela de Santa Marinha (Sampaio)
- Capela de Santa Maria Madalena (Macedinho)
- Capela de N. Senhora do Rosário (Samões)
- Capela de N. Senhora do Carrasco (Nabo)
- Capela de N. Senhora das Graças (Roios)
- Igreja da Santíssima Trindade (Trindade)
- Capela de N. Senhora da Esperança (Benlhevai)
- Igreja Matriz de Santa Catarina (Carvalho de Egas)
- Ruínas da Capela de S. Cristóvão (Vilas Boas)
- Capela de N. S. de Fátima (Alagoa)
- Capela de Santa Cruz (Nabo)
- Capela de N. Senhora do Rosário (Seixo de Manhoses)
- Capela de N. Senhora de Lurdes (Vale Frechoso)
- Capela de N. Senhora da Assunção (Vilas Boas)
- Capela de N. Senhora da Rosa (Sampaio)
- Capela de N. Senhora do Rosário (Freixiel)
- Igreja de Nossa Senhora do Castanheiro (Valtorno)
- Santuário de N. Senhora da Assunção (Candoso)
- Santuário de Santa Cecília (Seixo de Manhoses)
- Santuário de N. Senhora dos Remédios (Vilarinho das Azenhas)
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| Igreja matriz de Valtorno (Nossa Senhora do Castanheiro) |
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 1/06/2014 12:31:00 AM
sábado, 4 de janeiro de 2014
[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Em Criança - à Criança
Era ainda criança;
- Que vida para mim!...
Sorrisos de esperança,
E graças sem fim;
Espasmos de sonhos,
Lindos, risonhos;
- Coisas de menino, -
Ânsias em delírio,
Botão pequenino,
De sonho e de lírio!...
E, quando a vida me for vida madura,
Só vida de amor, ó vida, me ensina;
Se outra vida me dás, é vida impura,
Que a pureza é mais que bela, é divina!...
Poema do livro Fogo e Lágrimas 2, da autoria de Morais Fernandes (Coimbra Editora, Limitada; 1997).
Fotografia - Parte do presépio na Praça do Município em Carrazeda de Ansiães.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 1/04/2014 11:53:00 PM
- Que vida para mim!...
Sorrisos de esperança,
E graças sem fim;
Espasmos de sonhos,
Lindos, risonhos;
- Coisas de menino, -
Ânsias em delírio,
Botão pequenino,
De sonho e de lírio!...
E, quando a vida me for vida madura,
Só vida de amor, ó vida, me ensina;
Se outra vida me dás, é vida impura,
Que a pureza é mais que bela, é divina!...
Poema do livro Fogo e Lágrimas 2, da autoria de Morais Fernandes (Coimbra Editora, Limitada; 1997).
Fotografia - Parte do presépio na Praça do Município em Carrazeda de Ansiães.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 1/04/2014 11:53:00 PM
[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XLII)
XLII
Sentemo-nos na soleira da porta.
Há canções que atravessam a rua
acima do tempo, como se as horas
sobrassem do sempre deste instante.
A serra, vista daqui,
é serena parede de hera.
Paisagem para emoldurar
e pôr no quarto, contra os malefícios.
Tudo parece construído
sobre colunas eternas negando a natureza.
Como foi possível, neste espaço,
que todos tivessem morrido?
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 1/04/2014 11:27:00 PM
[À Descoberta de Mogadouro] Estava solta
Estava solta
A tecla do teu piano,
E os sons agonizados
Voavam alto,
Onde a velha noite cultiva o medo.
As gotas da tua tempestade
Foram mais fortes
Que o vento que te guiava
Abriste as tuas asas
E na tua mão
Seguras para sempre
Um dó maior...
João Vasco
1.º Concurso de Poesia (En)Cantos dos Poetas
Edição da Câmara Municipal de Mogadouro, 2003.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Mogadouro a 1/04/2014 11:01:00 PM
A tecla do teu piano,
E os sons agonizados
Voavam alto,
Onde a velha noite cultiva o medo.
As gotas da tua tempestade
Foram mais fortes
Que o vento que te guiava
Abriste as tuas asas
E na tua mão
Seguras para sempre
Um dó maior...
João Vasco
1.º Concurso de Poesia (En)Cantos dos Poetas
Edição da Câmara Municipal de Mogadouro, 2003.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Mogadouro a 1/04/2014 11:01:00 PM
[À Descoberta de Montalegre] Castelo de Montalegre
O castelo de Montalegre representa um importante ponto de defesa fronteiriço medieval e assegurava, juntamente com os castelos da Piconha e de Chaves, as defesas dos vales do Cávado e do Tâmega. Em 1273, ano da concessão do primeiro foral a Montalegre por Dom Afonso III, o castelo ainda não existia, mas em 1281, pelo menos uma parte dele já se erguia em Montalegre, segundo uma carta de D. Dinis a D. Isabel. Na carta o rei oferecia doze castelos, entre os quais o de Montalegre. Em 1289-1331, no reinado de D. Afonso IV, o castelo é reedificado. Já no século XIX foi colocado o relógio circular no cubelo maior, passando a ser designado por torre do relógio.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Montalegre a 1/04/2014 10:48:00 PM
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Montalegre a 1/04/2014 10:48:00 PM
[À Descoberta de Miranda do Douro] Vila Chã - Festa do Menino
No dia um de janeiro de 2014 teve lugar em Vila Chã da Braciosa a Festa do Menino, mais conhecida pela Festa da Velha. No corrente ano não me foi possível estar presente. Em 2013 passei o dia primeiro de janeiro em Vila Chã, onde tenho alguns amigos e pude acompanhar o que se foi passando ao longo do dia.
A primeira curiosidade deste festa manifesta-se logo na designação: festa do Menino ou festa da Velha (ou dança da Velha). Nestas duas designações confrontam-se duas realidades bem distintas o religioso e o pagão. Os estudiosos atribuem a origem da vertente pagã ao culto da fertilidade e a cerimónias de iniciação. Aliás o nordeste Trasmontano é fértil nestas celebrações, havendo manifestações com algumas linhas comuns no concelho de Mogadouro, nomeadamente em Bemposta e Tó.
A cristianização desta e doutras manifestações pagãs deve ter acontecido de forma espontânea, com integração gradual dos elementos religiosos nas celebrações existentes. Curiosamente ainda hoje a integração respeita certas fronteiras, como por exemplo o fato da Velha não entrar na igreja e a Bailadeira entrar!
A festa começa antes do dia 1 de janeiro, normalmente no dia de Natal. Os mordomos, um rapaz e duas raparigas, todos solteiros, convidam a população para irem cortar lenha destinada à fogueira que será acesa no dia no dia da Festa do Menino, a 1 de janeiro. A lenha seria trazida em carros de bois puxados pela força dos braços dos rapazes, um pouco como ainda acontece em Miranda do Douro com a lenha da Fogueira do Galo.
Em Vila Chã a lenha já é transportada por tratores, mas, mesmo assim não deixa de ser uma festa, finalizando com um farta refeição no salão (com cozinha) que a freguesia já dispõe.
Nos dias seguintes ensaia-se o trio que que estará no centro da festa: a Velha, o Bailador e a Bailadeira, todos rapazes. Parece-me que não são necessários muitos ensaios, uma vez que este papel é representado pelas mesmas pessoas durante vários anos, mas há sempre necessidade de ir "passando o testemunho" aos mais jovens.
Ao contrário doutras manifestações do género, a Velha não usa máscara, antes apresenta a cara e as mãos tisnadas com cortiça queimada. Usa ao pescoço uma cruz da mesma cortiça queimada, presa num colar de bugalhos, com que tisna as pessoas avarentas que não contribuem com esmola e as moças solteiras.
A par da vestimenta, única e muito interessante, onde se destacam as franjas e as rendas brancas, transporta uma "bota" cheia de vinho, na mão esquerda uma estaca de pau onde vai pendurando as peças de fumeiro que lhe são dadas e na direita traz uma bengala com algumas bexigas de porco cheias de vento na extremidade. Ao ar assustador de toda a vestimenta e às bexigas cheias de ar, juntam-se os gritos assustadores que solta de quando em quando, assustando os mais pequenos, sem no entanto haver qualquer violência.
A Velha é acompanhada no peditório que é feito pela aldeia, de porta em porta, pela Bailadeira e pelo Bailador, este último vestido com o traje habitual de um pauliteiro de Miranda, munido de castanholas para acompanhar a música. A Bailadeira tem o seu traje antigo de mulher, ostentando também um chapéu de pauliteiro sobre um lenço chinês e transportando duas conchas para tocar ao ritmo da música.
O peditório inicia-se depois da alvorada. Além dos três personagens e dos mordomos que levam alforges ou sacos para recolherem o que lhes for oferecido, dinheiro ou géneros, seguem os músicos. O trio dança a cada porta a "dança da bicha", que é tocada por um conjunto de tamborileiros mirandeses, gaita, caixa e bombo. Também são lançados foguetes, animam a festa e vão dando sinal do posicionamento na aldeia do grupo.
Achei curioso o facto de cada uma das três personagens guardar o sua própria esmola, havendo uma certa concorrência para ver quem juntava mais dinheiro. Só me apercebi disso depois de ter sido "obrigado" a contribuir, "ameaçado" pela Velha, a quem entreguei toda a minha esmola.
O peditório dura toda a manhã. Ao início da tarde celebra-se a missa, mas só a Bailadeira pode assistir, tirando o chapéu e cobrindo-se com o lenço e um xaile. A Velha e o Bailador ficam fora do adro da igreja e esperam que termine a missa seguida de procissão com o Menino em torno da igreja.
Finda a procissão, juntam-se os três no adro da igreja e dançam a "bicha" para alegria de toda a população que se junta para o leilão dos géneros recolhidos. O que sobra de pão, carne e vinho é para uma ceia colectiva.
Mais tarde a população junta-se em volta da fogueira a que é ateado fogo. A festa continua com baile animado pela noite dentro.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 1/04/2014 02:46:00 AM
A primeira curiosidade deste festa manifesta-se logo na designação: festa do Menino ou festa da Velha (ou dança da Velha). Nestas duas designações confrontam-se duas realidades bem distintas o religioso e o pagão. Os estudiosos atribuem a origem da vertente pagã ao culto da fertilidade e a cerimónias de iniciação. Aliás o nordeste Trasmontano é fértil nestas celebrações, havendo manifestações com algumas linhas comuns no concelho de Mogadouro, nomeadamente em Bemposta e Tó.
A cristianização desta e doutras manifestações pagãs deve ter acontecido de forma espontânea, com integração gradual dos elementos religiosos nas celebrações existentes. Curiosamente ainda hoje a integração respeita certas fronteiras, como por exemplo o fato da Velha não entrar na igreja e a Bailadeira entrar!
A festa começa antes do dia 1 de janeiro, normalmente no dia de Natal. Os mordomos, um rapaz e duas raparigas, todos solteiros, convidam a população para irem cortar lenha destinada à fogueira que será acesa no dia no dia da Festa do Menino, a 1 de janeiro. A lenha seria trazida em carros de bois puxados pela força dos braços dos rapazes, um pouco como ainda acontece em Miranda do Douro com a lenha da Fogueira do Galo.
Em Vila Chã a lenha já é transportada por tratores, mas, mesmo assim não deixa de ser uma festa, finalizando com um farta refeição no salão (com cozinha) que a freguesia já dispõe.
Nos dias seguintes ensaia-se o trio que que estará no centro da festa: a Velha, o Bailador e a Bailadeira, todos rapazes. Parece-me que não são necessários muitos ensaios, uma vez que este papel é representado pelas mesmas pessoas durante vários anos, mas há sempre necessidade de ir "passando o testemunho" aos mais jovens.
Ao contrário doutras manifestações do género, a Velha não usa máscara, antes apresenta a cara e as mãos tisnadas com cortiça queimada. Usa ao pescoço uma cruz da mesma cortiça queimada, presa num colar de bugalhos, com que tisna as pessoas avarentas que não contribuem com esmola e as moças solteiras.
A par da vestimenta, única e muito interessante, onde se destacam as franjas e as rendas brancas, transporta uma "bota" cheia de vinho, na mão esquerda uma estaca de pau onde vai pendurando as peças de fumeiro que lhe são dadas e na direita traz uma bengala com algumas bexigas de porco cheias de vento na extremidade. Ao ar assustador de toda a vestimenta e às bexigas cheias de ar, juntam-se os gritos assustadores que solta de quando em quando, assustando os mais pequenos, sem no entanto haver qualquer violência.
A Velha é acompanhada no peditório que é feito pela aldeia, de porta em porta, pela Bailadeira e pelo Bailador, este último vestido com o traje habitual de um pauliteiro de Miranda, munido de castanholas para acompanhar a música. A Bailadeira tem o seu traje antigo de mulher, ostentando também um chapéu de pauliteiro sobre um lenço chinês e transportando duas conchas para tocar ao ritmo da música.
O peditório inicia-se depois da alvorada. Além dos três personagens e dos mordomos que levam alforges ou sacos para recolherem o que lhes for oferecido, dinheiro ou géneros, seguem os músicos. O trio dança a cada porta a "dança da bicha", que é tocada por um conjunto de tamborileiros mirandeses, gaita, caixa e bombo. Também são lançados foguetes, animam a festa e vão dando sinal do posicionamento na aldeia do grupo.
Achei curioso o facto de cada uma das três personagens guardar o sua própria esmola, havendo uma certa concorrência para ver quem juntava mais dinheiro. Só me apercebi disso depois de ter sido "obrigado" a contribuir, "ameaçado" pela Velha, a quem entreguei toda a minha esmola.
O peditório dura toda a manhã. Ao início da tarde celebra-se a missa, mas só a Bailadeira pode assistir, tirando o chapéu e cobrindo-se com o lenço e um xaile. A Velha e o Bailador ficam fora do adro da igreja e esperam que termine a missa seguida de procissão com o Menino em torno da igreja.
Finda a procissão, juntam-se os três no adro da igreja e dançam a "bicha" para alegria de toda a população que se junta para o leilão dos géneros recolhidos. O que sobra de pão, carne e vinho é para uma ceia colectiva.
Mais tarde a população junta-se em volta da fogueira a que é ateado fogo. A festa continua com baile animado pela noite dentro.
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 1/04/2014 02:46:00 AM
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