domingo, 26 de abril de 2015

[À Descoberta de Mogadouro] Caminhada em Brunhoso

No dia 19 de abril realizou-se em Brunhoso mais um passeio pedestre pelos caminhos que conduzem à fraga do Poio.
A actividade foi organizada pelos serviços da Câmara Municipal em colaboração com a Junta de Freguesia de Brunhoso. Como estava integrada num conjunto de caminhadas mensais no concelho, contou com um grupo assíduo de caminheiros, mas também com a população da aldeia que nunca diz não a atividades do género.
Apesar do estado do tempo não ser muito convidativo, choveu durante a noite, a manhã acordou quase sem nuvens. Mesmo assim houve quem jogasse pelo seguro, fazendo-se acompanhar de um guarda chuva.
 A concentração teve lugar junto à Casa do Povo e, pouco tempo depois da chegada do autocarro que transportou os caminheiros desde Mogadouro, foi dada ordem de partida , devo dizer, a grande ritmo.
Foram mais de 100 pessoas que partiram de Brunhoso em direção ao Poio.  A manhã estava luminosa, fresca e húmida e o passo era acelerado.
Quase ninguém parou para ouvir a tecedeira no seu incansável tear, na Fraga da Tecedeira. Os montes ainda não apresentavam a sua maior exuberância, mas está quase, com todas as estevas floridas, as arçãs, giestas brancas e pilriteiros a espalharem todo o seu perfume. Até apareceram até algumas orquídeas selvagens e ramos de raposa, mas só visíveis a quem seguia atento.
O grupo foi-se alongando, principalmente na subida do ribeiro de Juncaínhos  para a fraga do Poio, quando o sol já aquecia e o declive acentuado obrigava a um maior esforço.
No alto da fraga fez-se uma pausa. A Junta de Freguesia proporcionou um reforço composto por sandes, fruta e água.
Fomos surpreendidos com a distribuição de um bonito cantil em alumínio, com o brasão da freguesia gravado, a todos os participantes. É uma bonita (e útil), lembrança.
Quanto à paisagem, ela estava bonita como sempre. Olhando em direção ao Cachão ou à Barca, via-se claramente que o rio já subiu bastante, mas nada que impressione. Visto do alto do Poio o rio é muito pequeno e não se tem noção das alterações que se estão a verificar no leito do rio. Isso só é evidente quando nos aproximamos dele.
Distraí-me com as fotografias e, quando me apercebi, já quase todos tinham partido. O objectivo também não era chegar em primeiro a Brunhoso e fizemos o caminho de regresso em conversa animada, com um grupo de Brunhosenses da velha guarda.
Na fonte de juncais fizemos uma pausa para nos deliciarmos com a água fresca bebida pela corcha. A fonte foi limpa antecipadamente e foram disponibilizadas no local várias corchas, para que todos pudessem saciar a sua sede. Mesmo os que não tinham sede, posavam para as fotografias.
O grupo dos últimos chegou à aldeia pouco minutos antes do meio-dia.
Fez-se um compasso de espera. O almoço estava a ser ultimado na Casa do Povo pela Comissão de Festas de Sta Bárbara, que se juntaram à iniciativa e também procuraram angariar alguns euros para a festa de verão.
Da ementa constou churrasco misto, batatas a murro, acompanhados por salada de tomate e alface. Como bebidas havia água, refrigerantes e vinho. À sobremesa, fruta.
O almoço decorreu num ambiente de festa, de são convívio juntando mais de 160 pessoas. A azáfama na cozinha era muita mas ninguém estava com pressa e tudo foi saboreado com muito prazer. Estava tudo óptimo, até as pequenas malagueta que o Sr. Barranco levou no bolso.
Antes do final da festa ainda tivemos mais uma surpresa: um enorme bolo de aniversário e um coro a cantar os parabéns a um caminheiro que fazia 50 anos. Foi um final muito doce.
Soube bem reviver outras caminhadas ao rio, realizadas noutros moldes, em boa companhia e com boas "merendas". O dia esteve fantástico e todos os responsáveis deram o seu melhor para satisfazer os Brunhosenses e por receber bem quem nos visitou.
Obrigado a todos e em especial aos elementos da Junta de Freguesia.
Aníbal Gonçalves



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Publicada por Blogger às À Descoberta de Mogadouro a 4/26/2015 01:23:00 da manhã

sábado, 25 de abril de 2015

[À Descoberta de Miranda do Douro] Trail Miranda do Douro - Caminhada

Amigo como sou da natureza e da aventura, não podia deixar de passar em branco a realização do Trail Miranda do Douro que teve lugar no concelho nos dias 10, 11 e 12 deste mês.
Acompanhei à distância algumas provas do género, nomeadamente no concelho de Montalegre, e, quando apareceu a notícias que que haveria um evento em Miranda do Douro apressei-me a marcar os dias no calendário.
A minha idade, meu peso, e, sobretudo, o meu sedentarismo, não me permitiram sonhar com as provas mais importantes, como o Trail, ou a Maratona, a ideia era só estar presente e acompanhar o movimento que um evento do género iria trazer a Miranda do Douro (concelho).
As inscrições foram crescendo e somaram mais de 3 centenas, quase 4! O Trail Miranda do Douro integrou a European Moutain Marathon, pontuando para ao Trail do Monte Branco, um sonho de prova, até para quem só pode apreciar as imagens e não pode subir e descer os Alpes.
A par das diferentes provas chamou-me a atenção a organização do Mercadinho Corridinho, ideia inteligente para vender os produtos da terra a todos os visitantes. É notório o esforço em certificar, mostrar e vender os produtos de Miranda, em mercados e feiras  no concelho, mas também na participação em eventos nacionais e na vizinha Espanha.
No dia 10 à  noite cheguei a Miranda, com mau tempo, preocupado com as condições atmosféricas que se fariam sentir no dia seguinte. Inscrevi-me na caminhada, com uma extensão aproximada de 15 Km. Faria a caminhada com qualquer tipo de condições atmosféricas, como rijo transmontano que julgo ser. Não seria uma chuva miudinha a demover-me de caminhar.
No sábado de manhã fui dos primeiros a chegar ao Estádio Municipal. Não chovia mas havia nevoeiro que impedia de ver a silhueta das muralhas do castelo. Os atletas foram chegando e fazendo o seu check in, no balcão montado para o efeito, munido de um sistema informático onde constavam todos os inscritos. Ao contrário dos computadores, os operadores não estavam assim tão bem preparados. Eu estava confuso com o almoço. No programa constava um reforço à chegada, mas ninguém me soube confirmar como, onde e quando. Dada a falta de informação arrisquei a telefonar à família dizendo que não contassem comigo para o almoço. Prevenido que sou, pelo menos nestas andanças, levava comigo, na mochila, líquidos, fruta e outros alimentos para qualquer eventualidade.
O nevoeiro teimou em não levantar e a partida das diferentes provas foi adiada 45 minutos.
Perto das 10 horas da manhã o sol mostrou-se e os atletas soltaram o seu entusiasmo, com a saída para a Maratona Trail.
Algum tempo mais tarde deu-se a partida para as restantes provas, com a caminhada a ter início perto das 11 horas. Soube então que o destino seria S. João das Arribas, na aldeia de Aldeia Nova. Confesso que fiquei um pouco despontado. Tinha para mim que a organização teria seleccionado um trilho fantástico, percorrendo as arribas do Douro, com vistas de cortar a respiração e descobertas nunca feitas nas minhas caminhadas mal programadas e sem guia, mas tal não aconteceu.
O traçado da caminhada foi o mais pobre que se podia oferecer, para nós que somos da terra e que já o fizemos mais de meia dúzia de vezes. Pode ser que os visitantes o tenham achado interessante, mas eu acho que nada foi feito para o enriquecer.
Felizmente o resto de nevoeiro desapareceu e quando percorremos o Parque Urbano do Rio Fresno o céu já se apresentava de um belíssimo azul, anunciando um dia fora de série para percorrer o Planalto.
Começámos pelo Parque Urbano do Rio Fresno; subimos ao Castelo; passámos pelo Mercadinho e saímos pela Terronha em direção a Vale de Águia. Pelo caminho não tivemos direito a admirar o rio Douro, a visitar um dos moinhos de água ou mesmo o castro de Vale de Águia. A organização e apoio estava limitada a um guia, que seguia à frente, invitando qualquer afastamento do caminho, uma vez que não poderia controlar todo o grupo (cerca de 60 pessoas).
Em Vale de Águia houve "reabastecimento" de  líquidos, em dois fontanários que existem no centro da aldeia. Havia muitas crianças, algumas muito pequenas e foi bom não ser necessário qualquer apoio, caso contrário seria muito complicado.
À uma da tarde estávamos em Aldeia Nova. Foi-nos dito que quem quisesse poderia ficar ali até que o autocarro chegasse, os restantes desceriam ao Castro de S. João das Arribas. Penso que nem meia dúzia de pessoas optou por ficar, o que mostrou uma boa condição física dos caminheiros.
Foi com alguma mágoa que desci ao miradouro. As imagens do último incêndio no local vieram-me à memória e, confesso, nunca vi a paisagem tão despida. Felizmente abril é um mês cheio de vida e tufos de flores alegravam a paisagem dando vida às rochas. Em redor da capela havia lírios em flor e muita verdura. A paisagem era, como seria de esperar, fantástica. Demorámo-nos algum tempo no local. A beleza natural não dispensava uma visita à capela ou uma informação sobre o castro, mas nada disso foi pensado.
Regressámos a Aldeia Nova onde esperámos o autocarro que nos deixou junto ao Estádio Municipal perto das duas horas da tarde.
Ninguém nos informou sobre o reforço. Eu e mais 3 ou 4 pessoas entrámos no estádio e realmente havia reforço; algumas pedaços de tomate, laranja, queijo e marmelada!
Voltei a caminhar até ao Parque Urbano do Fresno  e, tranquilamente, saboreei a merenda que desde as 8 da manhã carregava às costas.
No domingo pretendia deslocar-me por meios próprios para fazer fotografias das provas, não consegui saber os traçados. Sem saber os percursos não conseguia escolher os locais para as fotografias e desisti da ideia.
Decididamente fiquei de pé atrás com a organização do evento. Apenas posso falar da caminhada, em que participei. Mais tarde, chegou-me o feedback de que houve problemas quer nas marcações dos percursos, quer nas cronometragens. E pena, Miranda do Douro merecia melhor.
Tive oportunidade de desabafar com pessoas da Câmara que me informaram que forneceram para os reforços aquilo que a organização pediu. Tiveram até a reocupação de incluir Bola Doce além do solicitado.
Decididamente pensarei duas vezes antes de me inscrever numa prova com uma organização tão "profissional". Estou habituado a participar em eventos onde o mais importante são as pessoas e não os tempos. Parece-me que o evento trouxe bastante gente a Miranda do Douro, mas fico com dúvidas se voltarão, caso haja repetição no próximo ano.
Há três aspectos muito positivos que quero destacar (até porque fica bem terminar com um balanço positivo); as pessoas que participaram na caminhada (incluindo o guia) eram todas muito simpáticas e foi um prazer caminhar com elas: as fotografias que a organização do Trail tirou nas várias provas (com excepção das caminhadas!), ao douro e aos participantes, antes e durante as provas, são de muito boa qualidade e não me tenho cansado de as divulgar no Facebook; por último, e a maior razão para se voltar a Miranda, o dia esteve fantástico, as paisagens são maravilhosas e vale sempre a pena respirar o ar saudável da cidade, das aldeias vizinhas e dos campos que as circundam.




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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 4/25/2015 06:30:00 da tarde

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XL)


Uma vereda de desassossego
abrindo o vale onde, inesperadamente,
o ocaso se agitava
decalcando a cauda de um cometa
para lírios de lava
consagrados a futuras noites de insónia.
À luz avara da clarabóia
vadiavam dias de Fevereiro
por se sentirem sós no abandono
do sótão de que nunca demonstrámos
o embruxado teorema.
Fingíamos desconhecer os amanhãs de caliça
que desciam sobre as nossas cabeças
e nelas se instalavam.
E o crepúsculo tinha o dom de apurar
a trajectória dos projécteis
contaminados de melancolia.

João Baptista de Sá, nasceu em Vila Flor, a 7 de Novembro de 1928.
Faleceu a 23 de Fevereiro de 2012.




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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 2/23/2015 10:52:00 da tarde

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

[À Descoberta de Vila Flor] Cruz

A cruz
Será a Guarida
E a Luz
Da minha vida,
Eternamente...

Cruz:
Alfombra do mendigo,
Travesseiro
Que o caminheiro
Traz consigo...

Cruz:
Manto
Santo
Que alberga
Os pobres nus -
Corpos sem enxerga,
Almas de Jesus.

J. N. Fonseca*

Publicado em Esperança. Maio de 1962
* José do Nascimento Fonseca nasceu no Nabo a 22-12-1940

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 12/22/2014 12:30:00 da manhã

domingo, 23 de novembro de 2014

[À Descoberta de Chaves] Igreja da Misericórdia

A Igreja da Misericórdia é belo exemplar arquitetónico do século XVIII, estilo Barroco, no seu interior, sobressaem, o altar em talha dourada, as paredes revestidas com azulejos, e o teto, os historiadores, atribuem este estilo arquitetónico ao período compreendio entre o século XVII à  primeira metade do século XVIII, 1600-1750, existem em Chaves mais dois (2) exemplares do Barroco, a Igreja de S. João de Deus (Madalena), e a de S. Francisco.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Chaves a 11/23/2014 12:24:00 da manhã

terça-feira, 18 de novembro de 2014

[À Descoberta de Miranda do Douro] Curso Danças de Paulitos

Decorreu no passado dia 15 de novembro, na Casa da Música de Miranda do Douro o curso "Danças de Paulitos - Uma Abordagem histórico-descritiva". Teve o apoio da Câmara Municipal de Miranda do Douro, da Associação da Língua e Cultura Mirandesa e do Centro de Música Tradicional Sons da Terra.
 Quando encontrei o programa do curso nas Redes Sociais despertou-me muito interesse e marquei na minha despovoada agenda o dia 15 para estar presente em Miranda do Douro.
As danças de Pauliteiros sempre me interessaram, nas suas mais variadas componentes, quanto mais não fosse porque as considero uma das manifestações culturais mais genuínas das Terras de Miranda, do Planalto Mirandês e mesmo de parte do Nordeste Transmontano. Devo dizer também que cheguei a participar nalguns ensaios de pauliteiros, mas nunca cheguei a atuar em público. Não foi por falta de vontade ou de jeito, foi mais por compromissos da vida profissional.
O curso, ministrado por Mário Correia, apresentava-se bem estruturado, em 5 aulas, abrangendo os seguintes temas: Área de expansão, Referências antigas, Origem das danças de paulitos, Ocasiões festivas, Descrição da dança, Indumentária, Acompanhamento instrumental, Lhaços da dança de paulitos e Fontes informativas.
Pelo que percebi os destinatários preferenciais seriam os elementos de grupos de pauliteiros ou elementos a eles ligados, mas as pessoas que se inscreveram pertenciam a um leque bem mais alargado, contando com algumas presenças vindas de Espanha. Estava fácil de ver que um dia inteiro sentado numa cadeira a ouvir falar de dança de paulitos não seria muito cativante para a maior parte dos jovens. Mas alguns participaram, e com interesse.
Durante a manhã foram abordadas as questões mais sensíveis, ligadas às origens da dança. Infelizmente, ou talvez não, as minhas dúvidas não foram esclarecidas, antes pelo contrário, fiquei com mais dúvidas. A história nunca é fácil e quanto mais recuarmos no tempo, mais difícil é sustentá-la. Mário Correia repetiu várias vezes que pouco importa o que cada um pensa, ou mesmo o que o que alguns estudiosos disseram, só o que pode ser provado com bases documentais é que pode ser considerado seguro.
E foi assim que vi cair por terra a teoria de dança guerreira e a dos trajes a imitar a vestimenta dos soldados romanos ... fiquei mesmo com a dúvida se a dança tem algo a ver com os romanos. Foi muita informação junta e precisarei de mais tempo para destrinçar com mais calma o Dossier disponibilizado, repleto de fontes fidedignas de quem tem estudado o assunto nos últimos séculos.
Também não consegui compreender completamente a passagem de danças ligadas a ritos pagãos de fertilidade e fecundidade a danças religiosas, que é como elas aparecem nos primeiros registos em Terras de Miranda, sobretudo na festa do Corpo de Deus.
O ritmo foi intenso e não houve muito espaço para o diálogo. Também me parece que o diálogo levaria a conversa para as ideias feitas, que são reproduzidas em cada atuação de um grupo de pauliteiros. O objetivo era romper com essas ideias feitas e o diálogo, a existir, iria ser moroso e nada producente.
 Os temas da tarde, ligados à descrição da dança e sobretudo à indumentária, não me levantaram tantas dúvidas. As fotografias, embora a preto e branco, permitiram conhecer bem mais a fundo as origens e a evolução dos trajes. Saias ou calças, fitas ou penas, com colete ou em mangas de camisa, também os trajes mostram a diversidade própria de cada aldeia. Não se sabe bem quando surgiu a saia, embora se tenha a certeza que ela já existia aquando da deslocação do primeiro grupo a Inglaterra. Cai, assim, por terra a crença da saia ter tido origem nessa deslocação.
A documentação fornecida não inclui as fotografias antigas. Muitas estão disponíveis na Internet, em sítios vários, mas a descrição, a datação e a sua origem é que pode já não ser a correta. Quem conta um conto, acrescenta um ponto.
Estive sempre com esperança de ver um pauliteiro trajado, de ouvir o ti Aureliano a tocar a fraita, a gaita de foles do Paulo Meirinhos ou do Ricardo Santos, todos os três presentes no curso, mas tal não veio a acontecer.
Danza del Paloteo - Espanha
Já depois do horário previsto e no encerramento do curso, a discussão desenvolveu-se à volta da mercantilização dos Pauliteiros. Os Pauliteiros (de Miranda) são solicitados para as mais variadas festas, em Portugal e no estrangeiro. Muitas das vezes são convidadas pelo município para representarem o concelho nos mais variados cantos do país e não só. Acontece que nem sempre o fazem com brio e profissionalismo. São recusas à última da hora, danças mal executadas, comportamentos lamentáveis dentro do palco e fora dele. Embora este não fosse o tema do curso, ficou patente a necessidade de apostar na formação e na melhoria dos grupos, enquanto tocadores e bailadores e de pessoas enquanto embaixadoras de uma região e de uma cultura.
Este problema é de tal forma preocupante que o Sr. Presidente da Câmara avançou com a possibilidade de reunir todos os grupos, já em Dezembro para discutir com eles estas questões.
Pela minha parte, adorei o curso. Foi muito teórico e denso, mas muito interessante. Estou pronto a frequentar mais formação nesta área, cursos ou oficinas. O saber não ocupa lugar é por estas e por outras que Miranda é um lugar especial para mim.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 11/18/2014 12:33:00 da manhã

terça-feira, 11 de novembro de 2014

[À Descoberta de Vila Flor] Já chegou o outono

Estive ausente durante uns tempos do blogue, posso ter passado a mensagem que terminou a aventura de Descoberta do concelho de Vila Flor. Não, não terminou. Percorrer o concelho a pé, ou de bicicleta, proporciona bem estar e leva-me a conhecer, ou voltar a ver locais de rara beleza, contactar com pessoas simples mas acolhedoras e funciona como um retiro. Um retiro da vida apressada e cronometrada que quase todos somos obrigados a ter, que nos consome a vida e a paciência e da qual temos que nos libertar nem que seja de tempos em tempos.
Desde setembro muita coisa já mudou. Fizeram-se as vindimas, em que mais uma vez participei, colheram-se outros frutos e as folhas começaram a mudar de cor e a cair. Vieram as manhãs de nevoeiro a espreitar do vale da Vilariça ou ameaçando chegar a Quinta da Veiguinha  vindo dos lados da terra quente misturado com o fumo das poucas fábricas que existem mas que muito poluem. Os cogumelos este ano apareceram com força, a chuva foi muita e a albufeira do Peneireiro encheu, como há alguns anos que não enchia.
Fiz algumas saídas, sem grandes canseiras, para aproveitar os "frutos" do outono que a terra dá: os cogumelos. Não foi difícil encher uma cesta de sanchas, canários, alguns rocos e línguas de vaca. Não pode deixar de entristecer verificar que apesar de sermos cada vez menos e teoricamente mais letrados, continuamos a poluir os nossos pinhais, veredas e caminhos, despejando todo o tipo de lixo e entulho.
As últimas caminhadas, à espera de coragem para merecerem alguns parágrafos no blogue, proporcionaram mais algumas fotografias, que têm sido partilhadas no Fecebook, na página Vila Flor, concelho.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 11/11/2014 11:38:00 da tarde

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XLV)

Faz hoje anos que nasceu em Vila Flor o escritor João de Sá. Como tem sido uma fonte de inspiração deste blogue quase desde o momento da sua criação, esta data não podia passar sem mais um pequeno poema de sua autoria.
Tenho andado a publicar excertos do livro "E de repente é noite". É uma escrita bastante triste, mas ao mesmo tempo bela e cheia de interrogações e sentimentos. Quando terminar de publicar o livro completo, prometo partilhar excertos de outros livros.

Que mãos sacodem velhas ferrugens
nos gonzos dos portões da quinta?
Será por ti o vento ou pelo que nós dois
ocultámos de contornos de medos
soletrados por inamovíveis angústias?
Uiva um cão dentro de uma noite
antiquíssima, tão antiga
que sua existência se nos afigura duvidosa.
E não há razões claras que absolvam
a solidão de nos ferir por tantos caminhos
que negámos à convergência dos nossos destinos.
Agora as rotas apontam aos umbrais da demência
e só a rotação dos teus olhos persiste
em desenhar o ciclo do trigo.
Tudo isto te digo embora experimente
uma fadiga expectante de tintas
em quadro concluído.
Se me ouvisses neste instante,
talvez nos absolvesses
e culpasses os ventos e a noite.

Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.

João Baptista de Sá, nasceu em Vila Flor, a 7 de Novembro de 1928, filho de D.ª Maria Vicentina de Sá Correia, natural de Vila Flor, e de João Baptista Lopes Monteiro, natural de Carrazeda de Ansiães.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 11/07/2014 11:14:00 da tarde

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

[À Descoberta de Mirandela] Abreiro - I Feira do Figo e do Património

Quem pretende conhecer um pouco do concelho de Mirandela deve aproveitar as oportunidades que se proporcionam para ir ao encontro dos locais, dos espaços, quem sabe das tradições e formas de viver das pessoas. Foi um pouco isso que me levou a ira a Abreiro aquando da realização da I Feira do Figo e do Património.
Abreiro fica no extremo sul do concelho de Mirandela, em fronteira com Carrazeda de Ansiães e Murça. Pesa sua posição geográfica é um dos locais onde passo frequentemente, mas onde nem sempre para para olhar com tempo tudo o que a aldeia ( e freguesia) tem para oferecer.
Não sou propriamente apreciador de figos e tenho para com o figo a mesma posição dos outros frutos. Como transmontano e pessoa do campo, a fruta que me sabe bem é aquela que colho da árvore, ou planta. Nada se compara a uma cereja comida da cerejeira ou a um figo "roubado" da figueira.
Aproveitei o Sábado para visitar a aldeia e até mostrar algum património que já conhecia de visitas anteriores. Abreiro foi, como muitos sabem, sede de concelho até 1962, mas os vestígios arqueológicos mostram que já tinha algum relevo alguns milhares de anos antes de Cristo (anta de Arçã) ou na ocupação Romana (Poço dos Mouros).
Mesmo dentro da aldeia pode-se apreciar o belo Pelourinho (imóvel de interesse publico) e o interessantíssimo cruzeiro mandado edificar em 1735. Conheço também uma casa brasonada, alminhas e algumas construções interessantes, das mais abastadas, às mais humildes. Abreiro está edificada num cabeço com base granítica e, quer  as ruas, quer as casas, foram condicionadas pela dureza desta matéria prima, difícil de derrubar, mas que dá às construções uma grande vida útil que as trouxe até aos nossos dias. Também existe algum xisto.
 No sábado o recinto da feira já se encontrava bastante composto, notando-se algumas "falhas" na ocupação dos postos de venda.
No domingo a afluência foi maior em todos os aspectos. Os vendedores aproveitaram a oportunidade de mostrarem e venderem os seus produtos; os compradores aproveitaram o "dia do Senhor" para passearem por Abreiro e comprarem algum dos produtos expostos; os senhores "importantes" da aldeia (e do concelho) aproveitaram a presença dos vendedores, compradores, turistas e jornalistas para marcarem presença e mostrarem que são pessoas preocupadas com o bem-estar e desenvolvimento das populações.
Inscrevi-me no Passeio Pedestre. Sempre que posso tenho participado nos passeios pedestres realizados no concelho de Mirandela. A pé é a melhor forma de descobrir o concelho.
O passei pedestre ocupou-me desde a 9 da manhã até meio da tarde de domingo, o que me impediu de acompanhar de perto outras atividades que desenvolveram em paralelo, como a inauguração do museu Dr. Américo Rodrigues e das Provas de Trabalho do Cão Coelheiro e do Podengo.
Ao longo de cerca de 7 km o passeio pedestre percorreu alguns locais de interesse do termo da aldeia: O cruzeiro, o Pelourinho, A "calçada romana", as famosas ruínas da "Ponte do Diabo", o rio Tua, uma azenha em recuperação e as ruínas da capela de Sta Catarina, situadas no alto de um morro conhecido por Poço dos Mouros. Embora eu gostasse de uma visita mais demorada, de exploração, acompanhei o grupo de caminheiros, como mandam as regras. Tenho vontade de voltar aos locais, porque fiquei com a ideia que deixei muito por ver.
O almoço aconteceu na Casa do Povo, tendo como prato principal uma substancial e saborosa feijoada.
Depois do almoço aproveitei para visitar o inaugurado museu, no rés do chão do mesmo edifício, mas deixarei algumas palavras sobre essa visita para outra altura. O recinto da feira estava a fervilhar de gente e não faltavam figos, fumeiro, queijos, azeite, doçaria, artesanato e mais produtos da terra, bonitos e biológicos, como não é possível encontrar na maior parte das superfícies comerciais dos grandes centos.
Depois de comprar alguns produtos, regressei a casa. Cansado e com alguns géneros daqueles que apetece comer de imediato. Passei o resto da tarde a saborear "Abreiro" e a pensar na belíssima ideia que tiveram os organizadores do evento. Estão de parabéns!
Espero voltar a Abreiro, se não for antes, que seja na II Feira do Figo e do Património.

Nota: a I Feira do Figo e do Património realizou-se em Abreiro (Mirandela) nos dias 20 e 21 de setembro de 2014.


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Publicada por Blogger às À Descoberta de Mirandela a 10/15/2014 03:22:00 da tarde

sábado, 20 de setembro de 2014

[À Descoberta de Vila Flor] Parabéns! Oito anos À Descoberta...

O Blogue À Descoberta de Vila Flor completou 8 anos no dia 5 de setembro. Estes anos não podem ser medidos em anos humanos, mas em em anos blogue, ilustrados pelos muitos quilómetros percorridos e infindáveis fotografia.
Não vale a pena fazer uma viagem aos primórdios dos passeios em BTT ou caminhadas pelo concelho. Está tudo aqui, basta percorrer os meses no menú da margem direita, esta é a principal riqueza do blogue... a história de oito anos À Descoberta de todo o concelho.
Vista parcial de Vila Flor desde o miradouro
Normalmente a reflexão que faço quando se completa mais um ano é ilustrada com número. Em oito anos o blogue nasceu, cresceu e regista agora um momento de declínio quer na minha dedicação à escrita, quer no número de visitantes que aqui passam alguns minutos vendo as fotografias ou lendo algumas palavras. Sinceramente, não me sinto muito satisfeito por as coisas estarem assim. O blogue é pessoal e quem mais partido dele tirou fui eu. A necessidade de mostrar as "coisas" na forma escrita, nem sempre fácil e agradável, enriqueceu-me e levou-me a aprofundar o meu conhecimento do concelho. Se não o continuar a fazer,será uma oportunidade de crescer que estou a perder.
Via Crucis - Páscoa de 2014
Apesar das reportagens menos frequentes, as caminhadas continuaram a ser feitas, intercaladas com muitas outras que fui fazendo nos concelhos vizinhos. Faltam pequenos "chamarizes" como uma nova capela a visitar, uma ponte a descobrir, uma montanha para escalar. Já estive em todos os lugares, em muitos estive repetidas vezes. O entusiasmo diminui.

Parte do tempo que despendia com a actualização do Blogue é agora gasto com a página Vila Flor, concelho no Facebook. Continuo a achar que o facebook é uma plataforma pobre, onde pouco ou nada se aprende e onde a iteração entre as pessoas pouco passa além dos "Gosto" nas fotografias. Mas é uma plataforma muito democrática, a que todos podem aceder e percorrer sem grande esforço ou aprendizagem necessária. Procurando juntar a participação de mais pessoas criei um o grupo Vila Flor - Portugal, que junta pouco mais de 600 pessoas e é já o maior dedicado ao concelho.
https://www.facebook.com/groups/vflor/
Por vezes questiono-me da utilidade ou do prazer de manter o blogue activo. O mais fácil é não fazer nada, mas nem sempre esse é o melhor caminho a seguir. Continuo a tirar muitas fotografias, a adorar percorrer o concelho, a falar com as pessoas e a apreciar tudo o que é natural, característico e tradicional, a maior dificuldade está mesmo em arranjar tempo (e coragem) para me sentar à frente do computador e ... escrever. Também me sinto um pouco incomodado quando as pessoas me cobram, "marcam-me falta", como se eu tivesse obrigação de estar em todo o lado em todos os momentos.
https://www.facebook.com/vilaflor.pt
Não estou comprometido com nada nem com ninguém. Não sei mesmo se ainda existe algum fiel seguidor do blogue, se ainda recordam o endereço ou se simplesmente cá vêm quando o motor de busca os encaminha. Por tudo isto o blogue foi e continua a ser um exercício de auto-motivação que pode terminar a qualquer momento. Enquanto isso não acontece, agradeço aos que me incentivam, aos que me convidam para os eventos que vão acontecendo pelo concelho, aos que comigo convivem e vivem, pela sua companhia, pela sua amizade e pela sua compreensão.
Ribeiro dos moinhos, Valtorno.
Este ano o aniversário também teve direita a bolo! Não só porque o dia 5 de setembro foi o arranque do blogue, mas porque marcou uma mudança radical na minha vida e na da minha família mais próxima. Queremos que cada ano seja melhor do que o anterior e começa-mo-lo em festa.
Quanto aos números, eles estão mais abaixo. Em oito anos foram mais de 350 mil visitantes! Lembro-me que fiz um vídeo para assinalar os 100 mil porque acreditei que foi um grande feito! Durante o último ano (desde setembro de 2013) tirei mais de 13 mil fotografias no concelho de Vila Flor, uma média de mais de 37 fotografias por dia! Sei que há muitos entusiastas da fotografia no concelho, mas este é um número difícil de alcançar.
Produtos da terra na Festa da Amendoeira em Flor

Números do 8.ºano:

Páginas vistas - 46 047
Visitantes - 25 995
Comentários - 26
Postagens - 50
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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 9/20/2014 01:01:00 da manhã