domingo, 21 de junho de 2015

[À Descoberta de Valpaços] Possacos - Caminhos com história

No dia 14 de junho de 2015 a Comissão de Festas de Possacos levou a cabo o III Percurso Pedestre - Ponte do Arquinho, "Caminhos com história. Na noite anterior choveu torrencialmente em toda a região e a manhã mostrou-se tormentosa provocando receios na organização que chegou a por em casa a realização da caminhada. A organização vacilou mas alguns caminheiros destemidos foram chegando e "não houve como dizer não".
Apenas compareceram 1/3 dos inscritos mas, mesmo assim, o grupo era bastante heterogéneo, quer nas idades, quer na proveniência , ouvindo-se falar português, castelhano e francês.
No pequeno-almoço o folar esteve presente, ou não seja este o produto estrela de Valpaços. Os participantes aproveitaram para se conhecerem, ou para se reverem, porque alguns já se conheciam doutras caminhadas. Foram oferecidos como brindes, um boné gravado expressamente para a caminhada e uma pequena garrafa de vinho, Ponte do Arquinho.
Entretanto o estado do tempo foi melhorando, mas ainda partimos com guarda chuva, mas não chegou a ser necessário. Ao final da manhã o céu apresentava-se azul e com poucas nuvens. Depois do almoço, voltou a chover.
Iniciámos a caminhada com um breve percurso pela aldeia. Não foi possível prestar muita atenção porque o passo era muito acelerado. Eu tinha a intenção de conhecer bem a aldeia durante o período da tarde, mas isso não veio a acontecer.
Passámos pela rua Direita e pelo Largo da Fonte, único espaço que eu já conhecia. Visitámos o solar dos Xavieres. Seguimos para a igreja pela rua José Manuel Vieira. Celebrava-se a Eucaristia e não não entrámos. A igreja tem como orago Nossa Senhora das Neves, bem presente numa imagem no frontispício.
Continuámos pela Rua Martianos até a pequena capela onde fizemos a foto de grupo.
O destino seguinte seria a aldeia abandonada do Cachão. Fomos pelo caminho chamado "dos mortos" porque era por ele que conduziam os falecidos na aldeia de Cachão, para serem sepultados na sede de freguesia,
Pelo caminho foram surgindo cerejeiras e figueiras carregadas de frutos, desafiando os caminhantes, alguns não resistiram à tentação.
Eu, como habitualmente, seguia no grupo da retaguarda muito atento à paisagem, à fauna e à flora, trocando impressões com dois jovens da organização que me fizeram companhia durante todo o percurso.
Foi a minha primeira caminhada no concelho de Valpaços, por isso tudo era novo, mas muito familiar. Desde os primeiros quilómetros que fiquei positivamente surpreendido com o percurso. A organização teve imenso trabalho na limpeza de caminhos tradicionais, pouco utilizados e já tomados pelas silvas.
Nesta zona predomina o granito, por vezes com formações gigantescas e esculturalmente talhadas pelos tempos. A flora é muito variada, com árvores e arbustos dignos de referência como o zimbro, sumagre, medronheiro, espinheiro e cornalheira. A exuberância de maio já passou mas ainda havia baste colorido no hipericão, fel-da-terra, dedaleiras, arçãs ou na modesta erva-prata que cobria os caminhos.
Os motivos de interesse eram muitos, mas já se vislumbrava ao fundo as ruínas das casas de Cachão. Este curioso nome foi, por certo, herdado do rio, uma vez que cachão é uma passagem estreita no rio, mas os locais não parem fazer essa associação.
Nas ruínas adivinhava-se tudo o que uma aldeia da época necessitava: fonte, lagar, forno, capela e pequenas parcelas de terreno de onde arrancavam o sustento, juntamente com os animais que criavam. Imaginei mesmo galinhas no centro da aldeia a correrem em todas as direções. Algum porco solto, a vaguear, completamente integrado com as galinhas, os cães e os animais de tração. Chego a pensar quem habitava estes lugares eram felizes, longe da pressão dos relógios, do burburinho dos hipermercados, vivendo em família e comunidade.
Eu já ficava ali a explorar cada recanto das casas, mas o percurso estava traçado, havia que continuar.
Visitámos a pequena capela de S. Genésio (ou S. Gens?). Foi recuperada e está limpa, cuidada e bonita. Parece que todo o orgulho de muitos dos que aqui tiveram as suas raízes se concentrou na recuperação e preservação deste espaço de culto, onde se realiza uma festa no mês de agosto.
Fizemos um curto desvio ao rio Rabaçal. Foi o local mais paradisíaco que encontrei ao longo do percurso! A açude para reter as águas que faziam rodar as mós dos antigos moinhos ainda está parcialmente operacional . As águas caem em cacheiras de espuma branca. O verde da vegetação ribeirinha é impressionante . Árvores, arbustos e fetos em plena harmonia, que o homem já pouco perturba. Até a barca se foi.
A posição dos antigos moinhos é facilmente identificada pela presença de enormes mós, já cobertas de musgo, repousando na mais completa indiferença. Tudo ali era perfeito: o barulho das águas, a luz por entre as folhas dos amieiros e a cor que que voltou à normalidade depois dos trajes coloridos dos caminheiros se afastarem. É um local para revisitar.
Seguimos viagem por entre pinheiros e fragas, adivinhando hortas, vinhas e olivais nos espectros dos caules que ficaram, cada vez mais comidos pelo tempo e pela vegetação espontânea que não para de crescer. Também aqui a Comissão fez um excelente trabalho na limpeza dos trilhos.  Ao longo de todo o percurso, de onde em onde, foram colocados cartoons perdurados nas árvores. O seu teor engraçado e brejeiro despertou gargalhadas e mereceu fotografias. Foi a primeira vez que encontrei estes "quadros" e achei imensa graça. Também foram colocadas notas históricas nos pontes merecedores, enriquecendo a caminhada que assim mereceu inteiramente a designação de "caminhos com história".
Pouco tempo depois, junto ao rio Calvo, esperava-nos o reforço. Confesso que nem reparei no que no que constava. Colhi uma maçã e embrenhei-me na vegetação admirando o leito irregular , as rochas cobertas de musgo, e os regatos de água límpida que contornavam as rochas. Comer, poderia ficar para mais tarde, mas tinha que gozar o local.
A paragem seguinte foi na Ponte do Arquinho, romana, que parece integrar uma via que ligaria Braga a Astorga. Outra teoria indica que esta via ligaria o Tâmega ao Douro. Contudo, não restam dúvidas da sua origem e antiguidade e monumentalidade uma vez que o tabuleiro tem mais de 7 metros de largura.
Os sulcos gravados na calçada lembram séculos, milénios de uso dos rodados dos carros, das ferraduras do cavalos que por aqui transportaram aldeões, e fidalgos, centuriões e soldados.
Da ponte à aldeia passámos por mais um trilho muito bonito. Uma zona fresca, com vegetação luxuriante que cria um verdadeiro túnel por onde passámos.
Entrámos em Possacos pouco passava do meio dia e meio, o que nos deu ainda tempo para visitar a igreja matriz e um espaço que pretende ser um museu.
A igreja é do séc. XVII. À entrada, mesmo com pouca luz, chama à atenção o dourado do altar da capela-mor. Curiosamente ainda mantém o gradeamento a separá-la do resto da igreja. A talha dourada é realmente deslumbrante as o teto da capela também merece atenção. Tem pinturas, em caixotões, representando passagens da vida de Cristo do nascimento à ressurreição e de Nossa Senhora.
Num espaço da junta de Freguesia visitámos uma sala com artefactos antigos, principalmente ligados à carpintaria. Trata-se de um embrião de um espaço museológico que se pretende criar. Mesmo assim já reúne um bom número de peças, curioso e já em desuso que interessa preservar e mostrar às gerações vindouras.
 Terminado a caminhada foi chegado o momento de degostar as iguarias que nos tinham preparado. Não faltaram queijo, fiambre, carne e salsichas assadas, azeitonas, salada, (bom) pão, e, como prato principal, uma deliciosa feijoada de comer e não "chorar por mais" porque a panela era grande e a solução era voltar a comer.
Não falei do vinho, que era bom, do caldo verde e das frutas para sobremesa. Nestas destacam-se a saborosas cerejas, tão doces e famosas que figuram no brasão da freguesia.
Foi tudo tão bom que para e foi com muita pena que vi começar a cair a chuva que me impedir de explorar as ruas da aldeia como pretendia, mas senti-me satisfeito. Fomos bem recebidos, muito bem tratados, o percurso foi muito interessante e toda a gente foi simpática e acolhedora.

Só me resta agradecer à Comissão e à Junta de Freguesia o terem-nos proporcionado uma tão boa manhã de domingo e aos caminheiros pelo alegria e proximidade com que me trataram. Espero voltar, se não for antes, pois que seja na próxima Caminhada com História.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Valpaços a 6/20/2015 07:17:00 da tarde

domingo, 26 de abril de 2015

[À Descoberta de Mogadouro] Caminhada em Brunhoso

No dia 19 de abril realizou-se em Brunhoso mais um passeio pedestre pelos caminhos que conduzem à fraga do Poio.
A actividade foi organizada pelos serviços da Câmara Municipal em colaboração com a Junta de Freguesia de Brunhoso. Como estava integrada num conjunto de caminhadas mensais no concelho, contou com um grupo assíduo de caminheiros, mas também com a população da aldeia que nunca diz não a atividades do género.
Apesar do estado do tempo não ser muito convidativo, choveu durante a noite, a manhã acordou quase sem nuvens. Mesmo assim houve quem jogasse pelo seguro, fazendo-se acompanhar de um guarda chuva.
 A concentração teve lugar junto à Casa do Povo e, pouco tempo depois da chegada do autocarro que transportou os caminheiros desde Mogadouro, foi dada ordem de partida , devo dizer, a grande ritmo.
Foram mais de 100 pessoas que partiram de Brunhoso em direção ao Poio.  A manhã estava luminosa, fresca e húmida e o passo era acelerado.
Quase ninguém parou para ouvir a tecedeira no seu incansável tear, na Fraga da Tecedeira. Os montes ainda não apresentavam a sua maior exuberância, mas está quase, com todas as estevas floridas, as arçãs, giestas brancas e pilriteiros a espalharem todo o seu perfume. Até apareceram até algumas orquídeas selvagens e ramos de raposa, mas só visíveis a quem seguia atento.
O grupo foi-se alongando, principalmente na subida do ribeiro de Juncaínhos  para a fraga do Poio, quando o sol já aquecia e o declive acentuado obrigava a um maior esforço.
No alto da fraga fez-se uma pausa. A Junta de Freguesia proporcionou um reforço composto por sandes, fruta e água.
Fomos surpreendidos com a distribuição de um bonito cantil em alumínio, com o brasão da freguesia gravado, a todos os participantes. É uma bonita (e útil), lembrança.
Quanto à paisagem, ela estava bonita como sempre. Olhando em direção ao Cachão ou à Barca, via-se claramente que o rio já subiu bastante, mas nada que impressione. Visto do alto do Poio o rio é muito pequeno e não se tem noção das alterações que se estão a verificar no leito do rio. Isso só é evidente quando nos aproximamos dele.
Distraí-me com as fotografias e, quando me apercebi, já quase todos tinham partido. O objectivo também não era chegar em primeiro a Brunhoso e fizemos o caminho de regresso em conversa animada, com um grupo de Brunhosenses da velha guarda.
Na fonte de juncais fizemos uma pausa para nos deliciarmos com a água fresca bebida pela corcha. A fonte foi limpa antecipadamente e foram disponibilizadas no local várias corchas, para que todos pudessem saciar a sua sede. Mesmo os que não tinham sede, posavam para as fotografias.
O grupo dos últimos chegou à aldeia pouco minutos antes do meio-dia.
Fez-se um compasso de espera. O almoço estava a ser ultimado na Casa do Povo pela Comissão de Festas de Sta Bárbara, que se juntaram à iniciativa e também procuraram angariar alguns euros para a festa de verão.
Da ementa constou churrasco misto, batatas a murro, acompanhados por salada de tomate e alface. Como bebidas havia água, refrigerantes e vinho. À sobremesa, fruta.
O almoço decorreu num ambiente de festa, de são convívio juntando mais de 160 pessoas. A azáfama na cozinha era muita mas ninguém estava com pressa e tudo foi saboreado com muito prazer. Estava tudo óptimo, até as pequenas malagueta que o Sr. Barranco levou no bolso.
Antes do final da festa ainda tivemos mais uma surpresa: um enorme bolo de aniversário e um coro a cantar os parabéns a um caminheiro que fazia 50 anos. Foi um final muito doce.
Soube bem reviver outras caminhadas ao rio, realizadas noutros moldes, em boa companhia e com boas "merendas". O dia esteve fantástico e todos os responsáveis deram o seu melhor para satisfazer os Brunhosenses e por receber bem quem nos visitou.
Obrigado a todos e em especial aos elementos da Junta de Freguesia.
Aníbal Gonçalves



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Publicada por Blogger às À Descoberta de Mogadouro a 4/26/2015 01:23:00 da manhã

sábado, 25 de abril de 2015

[À Descoberta de Miranda do Douro] Trail Miranda do Douro - Caminhada

Amigo como sou da natureza e da aventura, não podia deixar de passar em branco a realização do Trail Miranda do Douro que teve lugar no concelho nos dias 10, 11 e 12 deste mês.
Acompanhei à distância algumas provas do género, nomeadamente no concelho de Montalegre, e, quando apareceu a notícias que que haveria um evento em Miranda do Douro apressei-me a marcar os dias no calendário.
A minha idade, meu peso, e, sobretudo, o meu sedentarismo, não me permitiram sonhar com as provas mais importantes, como o Trail, ou a Maratona, a ideia era só estar presente e acompanhar o movimento que um evento do género iria trazer a Miranda do Douro (concelho).
As inscrições foram crescendo e somaram mais de 3 centenas, quase 4! O Trail Miranda do Douro integrou a European Moutain Marathon, pontuando para ao Trail do Monte Branco, um sonho de prova, até para quem só pode apreciar as imagens e não pode subir e descer os Alpes.
A par das diferentes provas chamou-me a atenção a organização do Mercadinho Corridinho, ideia inteligente para vender os produtos da terra a todos os visitantes. É notório o esforço em certificar, mostrar e vender os produtos de Miranda, em mercados e feiras  no concelho, mas também na participação em eventos nacionais e na vizinha Espanha.
No dia 10 à  noite cheguei a Miranda, com mau tempo, preocupado com as condições atmosféricas que se fariam sentir no dia seguinte. Inscrevi-me na caminhada, com uma extensão aproximada de 15 Km. Faria a caminhada com qualquer tipo de condições atmosféricas, como rijo transmontano que julgo ser. Não seria uma chuva miudinha a demover-me de caminhar.
No sábado de manhã fui dos primeiros a chegar ao Estádio Municipal. Não chovia mas havia nevoeiro que impedia de ver a silhueta das muralhas do castelo. Os atletas foram chegando e fazendo o seu check in, no balcão montado para o efeito, munido de um sistema informático onde constavam todos os inscritos. Ao contrário dos computadores, os operadores não estavam assim tão bem preparados. Eu estava confuso com o almoço. No programa constava um reforço à chegada, mas ninguém me soube confirmar como, onde e quando. Dada a falta de informação arrisquei a telefonar à família dizendo que não contassem comigo para o almoço. Prevenido que sou, pelo menos nestas andanças, levava comigo, na mochila, líquidos, fruta e outros alimentos para qualquer eventualidade.
O nevoeiro teimou em não levantar e a partida das diferentes provas foi adiada 45 minutos.
Perto das 10 horas da manhã o sol mostrou-se e os atletas soltaram o seu entusiasmo, com a saída para a Maratona Trail.
Algum tempo mais tarde deu-se a partida para as restantes provas, com a caminhada a ter início perto das 11 horas. Soube então que o destino seria S. João das Arribas, na aldeia de Aldeia Nova. Confesso que fiquei um pouco despontado. Tinha para mim que a organização teria seleccionado um trilho fantástico, percorrendo as arribas do Douro, com vistas de cortar a respiração e descobertas nunca feitas nas minhas caminhadas mal programadas e sem guia, mas tal não aconteceu.
O traçado da caminhada foi o mais pobre que se podia oferecer, para nós que somos da terra e que já o fizemos mais de meia dúzia de vezes. Pode ser que os visitantes o tenham achado interessante, mas eu acho que nada foi feito para o enriquecer.
Felizmente o resto de nevoeiro desapareceu e quando percorremos o Parque Urbano do Rio Fresno o céu já se apresentava de um belíssimo azul, anunciando um dia fora de série para percorrer o Planalto.
Começámos pelo Parque Urbano do Rio Fresno; subimos ao Castelo; passámos pelo Mercadinho e saímos pela Terronha em direção a Vale de Águia. Pelo caminho não tivemos direito a admirar o rio Douro, a visitar um dos moinhos de água ou mesmo o castro de Vale de Águia. A organização e apoio estava limitada a um guia, que seguia à frente, invitando qualquer afastamento do caminho, uma vez que não poderia controlar todo o grupo (cerca de 60 pessoas).
Em Vale de Águia houve "reabastecimento" de  líquidos, em dois fontanários que existem no centro da aldeia. Havia muitas crianças, algumas muito pequenas e foi bom não ser necessário qualquer apoio, caso contrário seria muito complicado.
À uma da tarde estávamos em Aldeia Nova. Foi-nos dito que quem quisesse poderia ficar ali até que o autocarro chegasse, os restantes desceriam ao Castro de S. João das Arribas. Penso que nem meia dúzia de pessoas optou por ficar, o que mostrou uma boa condição física dos caminheiros.
Foi com alguma mágoa que desci ao miradouro. As imagens do último incêndio no local vieram-me à memória e, confesso, nunca vi a paisagem tão despida. Felizmente abril é um mês cheio de vida e tufos de flores alegravam a paisagem dando vida às rochas. Em redor da capela havia lírios em flor e muita verdura. A paisagem era, como seria de esperar, fantástica. Demorámo-nos algum tempo no local. A beleza natural não dispensava uma visita à capela ou uma informação sobre o castro, mas nada disso foi pensado.
Regressámos a Aldeia Nova onde esperámos o autocarro que nos deixou junto ao Estádio Municipal perto das duas horas da tarde.
Ninguém nos informou sobre o reforço. Eu e mais 3 ou 4 pessoas entrámos no estádio e realmente havia reforço; algumas pedaços de tomate, laranja, queijo e marmelada!
Voltei a caminhar até ao Parque Urbano do Fresno  e, tranquilamente, saboreei a merenda que desde as 8 da manhã carregava às costas.
No domingo pretendia deslocar-me por meios próprios para fazer fotografias das provas, não consegui saber os traçados. Sem saber os percursos não conseguia escolher os locais para as fotografias e desisti da ideia.
Decididamente fiquei de pé atrás com a organização do evento. Apenas posso falar da caminhada, em que participei. Mais tarde, chegou-me o feedback de que houve problemas quer nas marcações dos percursos, quer nas cronometragens. E pena, Miranda do Douro merecia melhor.
Tive oportunidade de desabafar com pessoas da Câmara que me informaram que forneceram para os reforços aquilo que a organização pediu. Tiveram até a reocupação de incluir Bola Doce além do solicitado.
Decididamente pensarei duas vezes antes de me inscrever numa prova com uma organização tão "profissional". Estou habituado a participar em eventos onde o mais importante são as pessoas e não os tempos. Parece-me que o evento trouxe bastante gente a Miranda do Douro, mas fico com dúvidas se voltarão, caso haja repetição no próximo ano.
Há três aspectos muito positivos que quero destacar (até porque fica bem terminar com um balanço positivo); as pessoas que participaram na caminhada (incluindo o guia) eram todas muito simpáticas e foi um prazer caminhar com elas: as fotografias que a organização do Trail tirou nas várias provas (com excepção das caminhadas!), ao douro e aos participantes, antes e durante as provas, são de muito boa qualidade e não me tenho cansado de as divulgar no Facebook; por último, e a maior razão para se voltar a Miranda, o dia esteve fantástico, as paisagens são maravilhosas e vale sempre a pena respirar o ar saudável da cidade, das aldeias vizinhas e dos campos que as circundam.




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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 4/25/2015 06:30:00 da tarde

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XL)


Uma vereda de desassossego
abrindo o vale onde, inesperadamente,
o ocaso se agitava
decalcando a cauda de um cometa
para lírios de lava
consagrados a futuras noites de insónia.
À luz avara da clarabóia
vadiavam dias de Fevereiro
por se sentirem sós no abandono
do sótão de que nunca demonstrámos
o embruxado teorema.
Fingíamos desconhecer os amanhãs de caliça
que desciam sobre as nossas cabeças
e nelas se instalavam.
E o crepúsculo tinha o dom de apurar
a trajectória dos projécteis
contaminados de melancolia.

João Baptista de Sá, nasceu em Vila Flor, a 7 de Novembro de 1928.
Faleceu a 23 de Fevereiro de 2012.




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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 2/23/2015 10:52:00 da tarde

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

[À Descoberta de Vila Flor] Cruz

A cruz
Será a Guarida
E a Luz
Da minha vida,
Eternamente...

Cruz:
Alfombra do mendigo,
Travesseiro
Que o caminheiro
Traz consigo...

Cruz:
Manto
Santo
Que alberga
Os pobres nus -
Corpos sem enxerga,
Almas de Jesus.

J. N. Fonseca*

Publicado em Esperança. Maio de 1962
* José do Nascimento Fonseca nasceu no Nabo a 22-12-1940

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 12/22/2014 12:30:00 da manhã

domingo, 23 de novembro de 2014

[À Descoberta de Chaves] Igreja da Misericórdia

A Igreja da Misericórdia é belo exemplar arquitetónico do século XVIII, estilo Barroco, no seu interior, sobressaem, o altar em talha dourada, as paredes revestidas com azulejos, e o teto, os historiadores, atribuem este estilo arquitetónico ao período compreendio entre o século XVII à  primeira metade do século XVIII, 1600-1750, existem em Chaves mais dois (2) exemplares do Barroco, a Igreja de S. João de Deus (Madalena), e a de S. Francisco.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Chaves a 11/23/2014 12:24:00 da manhã

terça-feira, 18 de novembro de 2014

[À Descoberta de Miranda do Douro] Curso Danças de Paulitos

Decorreu no passado dia 15 de novembro, na Casa da Música de Miranda do Douro o curso "Danças de Paulitos - Uma Abordagem histórico-descritiva". Teve o apoio da Câmara Municipal de Miranda do Douro, da Associação da Língua e Cultura Mirandesa e do Centro de Música Tradicional Sons da Terra.
 Quando encontrei o programa do curso nas Redes Sociais despertou-me muito interesse e marquei na minha despovoada agenda o dia 15 para estar presente em Miranda do Douro.
As danças de Pauliteiros sempre me interessaram, nas suas mais variadas componentes, quanto mais não fosse porque as considero uma das manifestações culturais mais genuínas das Terras de Miranda, do Planalto Mirandês e mesmo de parte do Nordeste Transmontano. Devo dizer também que cheguei a participar nalguns ensaios de pauliteiros, mas nunca cheguei a atuar em público. Não foi por falta de vontade ou de jeito, foi mais por compromissos da vida profissional.
O curso, ministrado por Mário Correia, apresentava-se bem estruturado, em 5 aulas, abrangendo os seguintes temas: Área de expansão, Referências antigas, Origem das danças de paulitos, Ocasiões festivas, Descrição da dança, Indumentária, Acompanhamento instrumental, Lhaços da dança de paulitos e Fontes informativas.
Pelo que percebi os destinatários preferenciais seriam os elementos de grupos de pauliteiros ou elementos a eles ligados, mas as pessoas que se inscreveram pertenciam a um leque bem mais alargado, contando com algumas presenças vindas de Espanha. Estava fácil de ver que um dia inteiro sentado numa cadeira a ouvir falar de dança de paulitos não seria muito cativante para a maior parte dos jovens. Mas alguns participaram, e com interesse.
Durante a manhã foram abordadas as questões mais sensíveis, ligadas às origens da dança. Infelizmente, ou talvez não, as minhas dúvidas não foram esclarecidas, antes pelo contrário, fiquei com mais dúvidas. A história nunca é fácil e quanto mais recuarmos no tempo, mais difícil é sustentá-la. Mário Correia repetiu várias vezes que pouco importa o que cada um pensa, ou mesmo o que o que alguns estudiosos disseram, só o que pode ser provado com bases documentais é que pode ser considerado seguro.
E foi assim que vi cair por terra a teoria de dança guerreira e a dos trajes a imitar a vestimenta dos soldados romanos ... fiquei mesmo com a dúvida se a dança tem algo a ver com os romanos. Foi muita informação junta e precisarei de mais tempo para destrinçar com mais calma o Dossier disponibilizado, repleto de fontes fidedignas de quem tem estudado o assunto nos últimos séculos.
Também não consegui compreender completamente a passagem de danças ligadas a ritos pagãos de fertilidade e fecundidade a danças religiosas, que é como elas aparecem nos primeiros registos em Terras de Miranda, sobretudo na festa do Corpo de Deus.
O ritmo foi intenso e não houve muito espaço para o diálogo. Também me parece que o diálogo levaria a conversa para as ideias feitas, que são reproduzidas em cada atuação de um grupo de pauliteiros. O objetivo era romper com essas ideias feitas e o diálogo, a existir, iria ser moroso e nada producente.
 Os temas da tarde, ligados à descrição da dança e sobretudo à indumentária, não me levantaram tantas dúvidas. As fotografias, embora a preto e branco, permitiram conhecer bem mais a fundo as origens e a evolução dos trajes. Saias ou calças, fitas ou penas, com colete ou em mangas de camisa, também os trajes mostram a diversidade própria de cada aldeia. Não se sabe bem quando surgiu a saia, embora se tenha a certeza que ela já existia aquando da deslocação do primeiro grupo a Inglaterra. Cai, assim, por terra a crença da saia ter tido origem nessa deslocação.
A documentação fornecida não inclui as fotografias antigas. Muitas estão disponíveis na Internet, em sítios vários, mas a descrição, a datação e a sua origem é que pode já não ser a correta. Quem conta um conto, acrescenta um ponto.
Estive sempre com esperança de ver um pauliteiro trajado, de ouvir o ti Aureliano a tocar a fraita, a gaita de foles do Paulo Meirinhos ou do Ricardo Santos, todos os três presentes no curso, mas tal não veio a acontecer.
Danza del Paloteo - Espanha
Já depois do horário previsto e no encerramento do curso, a discussão desenvolveu-se à volta da mercantilização dos Pauliteiros. Os Pauliteiros (de Miranda) são solicitados para as mais variadas festas, em Portugal e no estrangeiro. Muitas das vezes são convidadas pelo município para representarem o concelho nos mais variados cantos do país e não só. Acontece que nem sempre o fazem com brio e profissionalismo. São recusas à última da hora, danças mal executadas, comportamentos lamentáveis dentro do palco e fora dele. Embora este não fosse o tema do curso, ficou patente a necessidade de apostar na formação e na melhoria dos grupos, enquanto tocadores e bailadores e de pessoas enquanto embaixadoras de uma região e de uma cultura.
Este problema é de tal forma preocupante que o Sr. Presidente da Câmara avançou com a possibilidade de reunir todos os grupos, já em Dezembro para discutir com eles estas questões.
Pela minha parte, adorei o curso. Foi muito teórico e denso, mas muito interessante. Estou pronto a frequentar mais formação nesta área, cursos ou oficinas. O saber não ocupa lugar é por estas e por outras que Miranda é um lugar especial para mim.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 11/18/2014 12:33:00 da manhã

terça-feira, 11 de novembro de 2014

[À Descoberta de Vila Flor] Já chegou o outono

Estive ausente durante uns tempos do blogue, posso ter passado a mensagem que terminou a aventura de Descoberta do concelho de Vila Flor. Não, não terminou. Percorrer o concelho a pé, ou de bicicleta, proporciona bem estar e leva-me a conhecer, ou voltar a ver locais de rara beleza, contactar com pessoas simples mas acolhedoras e funciona como um retiro. Um retiro da vida apressada e cronometrada que quase todos somos obrigados a ter, que nos consome a vida e a paciência e da qual temos que nos libertar nem que seja de tempos em tempos.
Desde setembro muita coisa já mudou. Fizeram-se as vindimas, em que mais uma vez participei, colheram-se outros frutos e as folhas começaram a mudar de cor e a cair. Vieram as manhãs de nevoeiro a espreitar do vale da Vilariça ou ameaçando chegar a Quinta da Veiguinha  vindo dos lados da terra quente misturado com o fumo das poucas fábricas que existem mas que muito poluem. Os cogumelos este ano apareceram com força, a chuva foi muita e a albufeira do Peneireiro encheu, como há alguns anos que não enchia.
Fiz algumas saídas, sem grandes canseiras, para aproveitar os "frutos" do outono que a terra dá: os cogumelos. Não foi difícil encher uma cesta de sanchas, canários, alguns rocos e línguas de vaca. Não pode deixar de entristecer verificar que apesar de sermos cada vez menos e teoricamente mais letrados, continuamos a poluir os nossos pinhais, veredas e caminhos, despejando todo o tipo de lixo e entulho.
As últimas caminhadas, à espera de coragem para merecerem alguns parágrafos no blogue, proporcionaram mais algumas fotografias, que têm sido partilhadas no Fecebook, na página Vila Flor, concelho.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 11/11/2014 11:38:00 da tarde

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XLV)

Faz hoje anos que nasceu em Vila Flor o escritor João de Sá. Como tem sido uma fonte de inspiração deste blogue quase desde o momento da sua criação, esta data não podia passar sem mais um pequeno poema de sua autoria.
Tenho andado a publicar excertos do livro "E de repente é noite". É uma escrita bastante triste, mas ao mesmo tempo bela e cheia de interrogações e sentimentos. Quando terminar de publicar o livro completo, prometo partilhar excertos de outros livros.

Que mãos sacodem velhas ferrugens
nos gonzos dos portões da quinta?
Será por ti o vento ou pelo que nós dois
ocultámos de contornos de medos
soletrados por inamovíveis angústias?
Uiva um cão dentro de uma noite
antiquíssima, tão antiga
que sua existência se nos afigura duvidosa.
E não há razões claras que absolvam
a solidão de nos ferir por tantos caminhos
que negámos à convergência dos nossos destinos.
Agora as rotas apontam aos umbrais da demência
e só a rotação dos teus olhos persiste
em desenhar o ciclo do trigo.
Tudo isto te digo embora experimente
uma fadiga expectante de tintas
em quadro concluído.
Se me ouvisses neste instante,
talvez nos absolvesses
e culpasses os ventos e a noite.

Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.

João Baptista de Sá, nasceu em Vila Flor, a 7 de Novembro de 1928, filho de D.ª Maria Vicentina de Sá Correia, natural de Vila Flor, e de João Baptista Lopes Monteiro, natural de Carrazeda de Ansiães.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Vila Flor a 11/07/2014 11:14:00 da tarde