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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
[À Descoberta de Vila Flor] Dois carros dos bombeiros destruídos pelas chamas...
Três incêndios no distrito de Bragança consumiram ontem grandes extensões de mato, floresta e pomares. A situação mais grave ocorreu em Vila Flor, onde duas viaturas dos bombeiros foram destruídas pelas chamas, que também se aproximaram de duas aldeias.
Fonte: SIC Notícias
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/10/2011 12:25:00 PM
[À Descoberta de Vila Flor] e de repente é noite (XVII)
Onde estavas tu no início desse verão?
Não vieste inclinar-te na semi-obscuridade
do poema, e não se cumpriu
esse perigoso ofício de acrobata
de transferências e ressurreições inacabadas.
Contigo estavam as metáforas mais raras.
Tua fala fixava o inefável de todos os instantes.
Percorria-me um tremor de raiva, a tua ausência.
Despertava para o infinito dos dias
e tudo era um disco negro
no fundo de uma espiral de ouro.
Então, só, eu era eu e as minhas imagens,
mais do que eu e a minha circunstância.
Com elas existia no vozear das esplanadas.
O tu não estares cobria-me de esquecimento
dos nomes das ruas e das pontes
e iluminava-me da discreta melancolia
dos deuses omitidos.
E ficava a ver como quem dorme, paisagens
Suspensas do clamor agudo dos corvos.
E sempre um excesso de brilho
emoldurando a mais profunda noite.
Poemas de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: algures, em Candoso.
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/10/2011 02:27:00 AM
terça-feira, 9 de agosto de 2011
[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] À Descoberta do Amedo (2/2)
Continuação de À Descoberta do Amedo (1/2)
A capela de S. Martinho tem gravado no lintel da porta o ano de 1749. Esta está de acordo com a descrição feita em 1758 que testemunha o seguinte: "Há neste lugar duas capelas, uma no fundo da aldeia, da evocação de Santa Marinha, e esta, no meio do povo, da evocação de S. Martinho. Esta está feita de novo porque foi mudada do alto da Serra de S. Martinho, para o meio da aldeia. Ainda hoje se encontra no lugar onde estava, uma capela demolida, com uma cruz de pedra no meio, isto numa estrada que parte da aldeia para Luzelos". É do conhecimento de muitos naturais a localização exata da antiga capela de S. Martinho, mas não pude confirmar se ainda existem alguns vestígios da mesma. Pelo contrário, quando questionei as pessoas sobre a existência da capela de Santa Marinha, a surpresa foi geral. Nunca ninguém ouviu falar de tal capela. O certo é que ela existiu e estava situada no fundo do povo. Nas imediações da igreja é dada a designação de Santa Marinha a alguns terrenos, pode ter sido aí a localização da capela, no entanto, a igreja já existia, a atual, ou outra no mesmo local.
A capela de S. Martinho foi recentemente recuperada. Tem um pavimento em granito, bancos, um altar com o sacrário em talha dourada, muito bonitos. Nossa Senhora de Fátima é a imagem que faz companhia a S. Martinho. Este espaço, pela sua dimensão e localização, tem sido usado para a reza do terço.
Um passeio pelas traseiras da capela permite admirar um bonito portão em ferro forjado, de 1933.
Alguns metros mais à frente, em direção à saída para Areias, está um bonito espaço para descanso, à sombra de frondoso chorão. Com sorte, talvez o bar esteja aberto, principalmente no Verão, quando os emigrantes enchem de alegria as ruas da aldeia.
O destino a seguir é a rua das Oliveiras. Depois de percorrido um espaço sem casas somos surpreendidos por uma carranca, em granito, no alto de uma chaminé. Tal como noutras localidades, esta carranca simboliza a aldeia, neste caso o Amedo (mas também é conhecida por farronca!). Na realidade, trata-se apenas de uma chaminé um pouco mais artística. Dizem que existiu uma cruz no alto da chaminé. Esta casa solarenga pertenceu outrora ao Eng. Faria (que foi meu professor), mas foi vendida.
Mais à frente, no Ribeirinho, um antigo fontanário foi transformado num nicho a Nossa Senhora da Graça. O Santuário que se lhe ergue à Senhora da Graça no alto do Pendão, a mais de 800 metros de altitude, é um dos mais bonitos miradouros do concelho. Este cabeço aparece sempre associado à Samorinha, mas o termo do Amedo chega até lá.
A etapa seguinte é a igreja Matriz. No séc. XVIII a igreja era descrita como pobre, com um sacrário em madeira e com imagens muito antigas. Nos finais do mesmo século foi demolida e no mesmo lugar foi construído um novo templo. Em Novembro de 1790 foi feita a arrematação da obra da Capela Mor e Sacristia. Nos anos seguintes a obra foi completada. Situada fora do povoado, num local calmo e sem trânsito, rodeada por algumas oliveiras, está bem situada para o recolhimento. No adro há algumas sepulturas com lápides em granito. Pelo menos duas. Não têm indicação da sua antiguidade, mas houve outras, tal como em todas as igrejas. Tem uma torre sineira lateral, com dois sinos. A porta principal no frontispício, tem sobre a padieira um bonito ornamento em granito.
No interior da igreja o branco domina. À exceção do altar-mor todos são em tons de branco e dourado, muito bonitos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos impressiona pela sua dimensão, mas são também de destacar a de Nossa Senhora da Graça e a do padroeiro, S. Tiago (com a sua cabacinha).
Curiosa é também a existência de uma tela, a que chamam painel, que tapava a abertura sobre o sacrário. Tem pintada Nossa Senhora com os Pastorinhos. Este painel desliza lateralmente, para ser recolhido. Quando restauraram o altar, foi recolhido, ficou preso e nunca mais pode ser colocado.
Depois de alguns momentos de recolhimento, a viagem continua, voltando um pouco atrás, ao Ribeirinho. O percurso segue depois pela rua de Camões. Ouvi falar num antiga fonte de mergulho nesta zona, mas apenas encontrei a fonte do Fundo do Povo, por sinal com água bem fresca e saborosa.
Não muito distante dali há uma outra fonte conhecida por tanque da Figueira. A figueira existiu mesmo, mas neste momento já não há vestígios dela. Do conjunto faz parte uma fonte e um tanque, tudo em granito, num conjunto muito interessante. Esta fonte fica no canelho da Ribeira.
Chegados ao Fundo do Povo o melhor é fazer a revisão, não seja o caso de nos termos esquecido de algum Amedo: Cima do Povo, Terreiro, Cruzeiro, Paço, Portela, Ribeirinho e Fundo do Povo. Estão todos!
Depois de uma tão longa caminhada pela aldeia do Amedo, só falta uma quadra da autoria de M. Docília, gravada em mármore e cravada no frontispício da capela de S. Martinho:
Amedo, a nossa aldeia
Querida terra onde eu nasci,
Mesmo que a julguem feia,
Sinto-me presa por ti.
Publicado no jornal O Pombal em Junho de 2011 (n.º174)
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 8/09/2011 08:30:00 AM
A capela de S. Martinho tem gravado no lintel da porta o ano de 1749. Esta está de acordo com a descrição feita em 1758 que testemunha o seguinte: "Há neste lugar duas capelas, uma no fundo da aldeia, da evocação de Santa Marinha, e esta, no meio do povo, da evocação de S. Martinho. Esta está feita de novo porque foi mudada do alto da Serra de S. Martinho, para o meio da aldeia. Ainda hoje se encontra no lugar onde estava, uma capela demolida, com uma cruz de pedra no meio, isto numa estrada que parte da aldeia para Luzelos". É do conhecimento de muitos naturais a localização exata da antiga capela de S. Martinho, mas não pude confirmar se ainda existem alguns vestígios da mesma. Pelo contrário, quando questionei as pessoas sobre a existência da capela de Santa Marinha, a surpresa foi geral. Nunca ninguém ouviu falar de tal capela. O certo é que ela existiu e estava situada no fundo do povo. Nas imediações da igreja é dada a designação de Santa Marinha a alguns terrenos, pode ter sido aí a localização da capela, no entanto, a igreja já existia, a atual, ou outra no mesmo local.
A capela de S. Martinho foi recentemente recuperada. Tem um pavimento em granito, bancos, um altar com o sacrário em talha dourada, muito bonitos. Nossa Senhora de Fátima é a imagem que faz companhia a S. Martinho. Este espaço, pela sua dimensão e localização, tem sido usado para a reza do terço.
Um passeio pelas traseiras da capela permite admirar um bonito portão em ferro forjado, de 1933.
Alguns metros mais à frente, em direção à saída para Areias, está um bonito espaço para descanso, à sombra de frondoso chorão. Com sorte, talvez o bar esteja aberto, principalmente no Verão, quando os emigrantes enchem de alegria as ruas da aldeia.
O destino a seguir é a rua das Oliveiras. Depois de percorrido um espaço sem casas somos surpreendidos por uma carranca, em granito, no alto de uma chaminé. Tal como noutras localidades, esta carranca simboliza a aldeia, neste caso o Amedo (mas também é conhecida por farronca!). Na realidade, trata-se apenas de uma chaminé um pouco mais artística. Dizem que existiu uma cruz no alto da chaminé. Esta casa solarenga pertenceu outrora ao Eng. Faria (que foi meu professor), mas foi vendida.
Mais à frente, no Ribeirinho, um antigo fontanário foi transformado num nicho a Nossa Senhora da Graça. O Santuário que se lhe ergue à Senhora da Graça no alto do Pendão, a mais de 800 metros de altitude, é um dos mais bonitos miradouros do concelho. Este cabeço aparece sempre associado à Samorinha, mas o termo do Amedo chega até lá.
A etapa seguinte é a igreja Matriz. No séc. XVIII a igreja era descrita como pobre, com um sacrário em madeira e com imagens muito antigas. Nos finais do mesmo século foi demolida e no mesmo lugar foi construído um novo templo. Em Novembro de 1790 foi feita a arrematação da obra da Capela Mor e Sacristia. Nos anos seguintes a obra foi completada. Situada fora do povoado, num local calmo e sem trânsito, rodeada por algumas oliveiras, está bem situada para o recolhimento. No adro há algumas sepulturas com lápides em granito. Pelo menos duas. Não têm indicação da sua antiguidade, mas houve outras, tal como em todas as igrejas. Tem uma torre sineira lateral, com dois sinos. A porta principal no frontispício, tem sobre a padieira um bonito ornamento em granito.
No interior da igreja o branco domina. À exceção do altar-mor todos são em tons de branco e dourado, muito bonitos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos impressiona pela sua dimensão, mas são também de destacar a de Nossa Senhora da Graça e a do padroeiro, S. Tiago (com a sua cabacinha).
Curiosa é também a existência de uma tela, a que chamam painel, que tapava a abertura sobre o sacrário. Tem pintada Nossa Senhora com os Pastorinhos. Este painel desliza lateralmente, para ser recolhido. Quando restauraram o altar, foi recolhido, ficou preso e nunca mais pode ser colocado.
Depois de alguns momentos de recolhimento, a viagem continua, voltando um pouco atrás, ao Ribeirinho. O percurso segue depois pela rua de Camões. Ouvi falar num antiga fonte de mergulho nesta zona, mas apenas encontrei a fonte do Fundo do Povo, por sinal com água bem fresca e saborosa.
Não muito distante dali há uma outra fonte conhecida por tanque da Figueira. A figueira existiu mesmo, mas neste momento já não há vestígios dela. Do conjunto faz parte uma fonte e um tanque, tudo em granito, num conjunto muito interessante. Esta fonte fica no canelho da Ribeira.
Chegados ao Fundo do Povo o melhor é fazer a revisão, não seja o caso de nos termos esquecido de algum Amedo: Cima do Povo, Terreiro, Cruzeiro, Paço, Portela, Ribeirinho e Fundo do Povo. Estão todos!
Depois de uma tão longa caminhada pela aldeia do Amedo, só falta uma quadra da autoria de M. Docília, gravada em mármore e cravada no frontispício da capela de S. Martinho:
Amedo, a nossa aldeia
Querida terra onde eu nasci,
Mesmo que a julguem feia,
Sinto-me presa por ti.
Publicado no jornal O Pombal em Junho de 2011 (n.º174)
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 8/09/2011 08:30:00 AM
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
[A Linha é Tua] Foz Tua (II)
Infelizmente a destruição no Rio Tua já é grande!
Fotografias tiradas no dia 15.07.2011.
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Publicada por Anibal G. em A Linha é Tua a 8/08/2011 01:44:00 PM
[A Linha é Tua] O que diz a comunicação social - Jun-Ago2011
- 16.07.2011 - MCLT - É tempo de parar com a fraude do Plano Nacional de Barragens
- 16.07.2011 - DN - Os comboios deste pais
- 30.07.2011 - DN - Os homens da locomotiva a vapor que percorre o douro
- 27.07.2011 - Barreiro.web.com - Por iniciativa de "Os Verdes" sala do senado encheu em defesa do transporte ferroviário
Outras notícias
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Publicada por Anibal G. em A Linha é Tua a 8/08/2011 12:26:00 PM
[À Descoberta de Vila Flor] Freguesia Mistério n.º 49
Durante o mês de Junho decorreu a votação na Freguesia Mistério n.º 49! A participação foi bastante baixa, talvez porque as pessoas estão pouco atentas ao concelho em que vivem, ou então não querem mostrar tudo o que sabem.
Os seis votos contabilizados ficaram distribuídos desta forma:
Seixos de Manhoses (2) 33%
Trindade (1) 17%
Vale Frechoso (1) 17%
Vila Flor (1) 17%
Vilarinho das Azenhas (1) 17%
A resposta certa não era nenhuma das apontadas, uma vez que as alminhas que a fotografia mostrava situam-se em Assares. Esta junto à estrada N102 E802, junto ao abrigo da paragem dos autocarros, lugar bastante visível. A poucos metros está o caminho que dá acesso à Quinta do Barracão.
Em Santa Comba da Vilariça há umas alminhas muito semelhantes, mas essas poderão aparecer no futuro.
O que se seguiu foi um enorme rochedo à entrada de uma freguesia. Por acaso o que a fotografia mostra é o que é visível à saída, quando se abandona a freguesia.
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/07/2011 09:22:00 PM
Os seis votos contabilizados ficaram distribuídos desta forma:
Seixos de Manhoses (2) 33%
Trindade (1) 17%Vale Frechoso (1) 17%
Vila Flor (1) 17%
Vilarinho das Azenhas (1) 17%
A resposta certa não era nenhuma das apontadas, uma vez que as alminhas que a fotografia mostrava situam-se em Assares. Esta junto à estrada N102 E802, junto ao abrigo da paragem dos autocarros, lugar bastante visível. A poucos metros está o caminho que dá acesso à Quinta do Barracão.
Em Santa Comba da Vilariça há umas alminhas muito semelhantes, mas essas poderão aparecer no futuro.
O que se seguiu foi um enorme rochedo à entrada de uma freguesia. Por acaso o que a fotografia mostra é o que é visível à saída, quando se abandona a freguesia.
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/07/2011 09:22:00 PM
sábado, 6 de agosto de 2011
[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] À Descoberta do Amedo (1/2)
Escondida entre a serra da Reborosa e o Alto da Pranheira encontra-se a freguesia do Amedo, muito pouco conhecida, apesar de estar a uns escassos 5 km da sede de concelho. Se há terras bafejadas pela sorte no que toca à sua situação geográfica, o mesmo não se pode dizer do Amedo, voltada a norte, onde nos piores dias de inverno o sol mal aparece. Esta situação pouco privilegiada, não afastou as populações, que aqui se estabeleceram desde tempos remotos, como provam alguns vestígios arqueológicos que sobreviveram ao desgaste dos séculos. Há restos de um dólmen no seu termo.
Conheço a aldeia há muitos anos. Tenho na aldeia alguns familiares e amigos. Se vivemos uma pequena aldeia global, pior ainda quando falamos de aldeias vizinhas (embora as vias de comunicação entre Amedo e Zedes nunca tenham sido famosas).
Visitei o Amedo, recentemente, duas vezes, e em ambas a encontrei com cheiro a fruta, iluminada por um sol radioso. A primeira visita foi em meados de Outubro. Dos lagares ainda existentes saía o cheiro adocicado a mosto. Voltei há pouco dias, e, desta vez, encontrei a aldeia rodeada de flores multicolores e de cerejas maduras que abundam pelos quintais. Nestas viagens, embebido da tranquilidade que se respira em cada recanto, percorri demoradamente as ruas e travessas, entrei na igreja matriz e na capela, saboreei as ginjas maduras da antiga escola primária e apreciei a simpatia das pessoas, que, após a desconfiança do primeiro contacto, abrem a porta da sua casa e do seu coração, deixando transbordar a admiração que sentem pela sua terra.
Os habitantes já são poucos, isto se compararmos os atuais com os quase 800, em 1950. A população residente estará abaixo da que existia em 1758, 290 pessoas. Já nessa altura as habitações se encontravam espalhadas "em sete arrabaldes distantes huns a outros oito varas e outros serão des, pouco mais ou menos". Sempre achei piada à expressão "sete Amedos", mas não sabia que a origem da expressão já tinha alguns séculos!
Um passeio por estes sete Amedos tem toda a vantagem de ser feita de cima para baixo, porque o declive, nesta aldeia, é para levar a sério.
As estradas melhores tanto trazem, como levam. O traçado Carrazeda – Pinhal do Norte afastou a circulação rodoviária do centro da aldeia, onde tinha dificuldades de circulação. Quem quiser visitar o Amedo deve apanhar a antiga M631, pouco depois de passar a Zona Industrial de Carrazeda de Ansiães. Este percurso, feito mais devagar, vai permitir uma visão bastante completa da aldeia, bem como repousar o olhar pelo horizonte até aos limites da freguesia, para lá de Areias, até às fragas que se precipitam até Pinhal do Norte. Mais para poente, avista-se parcialmente a aldeia de Pombal de Ansiães, mas o deslumbramento prolonga-se por terras do concelho de Alijó, por serranias violadas que darão à luz o IC5.
As primeiras casas vão surgindo, ao longo da Avenida dos Maios. Um pouco mais abaixo há um cruzeiro, uma espécie de alminhas, com um painel de azulejo policromático representando Nossa Senhora da Conceição. Não têm faltado bonitas flores naturais em seu redor.
O Largo do Gricho é um bom local para uma paragem, e, quem sabe, para deixar o automóvel e fazer o resto do percurso (à descoberta) a pé. Continuando rua abaixo surge o Largo do Cruzeiro. Tal como o nome indica, existe aqui um bonito cruzeiro, muito antigo, um dos monumentos mais queridos pelos residentes. O cruzeiro é bastante mais antigo do que o painel de azulejo que lhe colaram numa das faces, representando de novo Nossa Senhora da Conceição. Na outra face está um crucifixo, também mais recente. A posição elevada do cruzeiro, o facto de estar no centro do largo, mas também a beleza do seu perfil, chamam a atenção de quem ali passa.
Mais esquecida e mais escondida, está a fonte da Mina, depois de ter perdido toda a utilidade. Situada a algumas dezenas de metros do cruzeiro, era um dos pontos de abastecimento de água da aldeia. Tratava-se de uma fonte de mergulho, muito rústica, limitada a uma reentrância nas rochas, onde as mulheres apanhavam a água com a ajuda de púcaros, enchendo assim os canecos. Dessa prática ainda têm recordação algumas mulheres da aldeia.
Muito próximo desta, há outra fonte de mergulho, em granito aparelhado, da qual não descobri o nome. Está situada em antigas hortas, perto da ribeira das Amas, junto da estrada. Ali ao lado está o moinho do Botas, exemplar mais próximo da aldeia e representativo de muitos outros, que se estendem ao longo dos vários ribeiros, que se vão juntando até morrerem no Tua.
A escola Primária está encerrada. Nela decorrem obras de adaptação a sede da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo. Ainda bem que é dada utilidade e vida a estes edifícios, caso contrário, seriam vandalizados em pouco tempo.
O local para a paragem seguinte é o largo do Eirô. Junto da capela há uma espetacular fonte conhecida como fonte do Paço. Há uma grande tendência para se chamar Fonte Romana a todas as fontes antigas, muitas de mergulho. Esta fonte deve ter a sua origem no século XVIII. É uma fonte de mergulho barroca com um frontispício delimitado por pilastras e cornijas. Na minha opinião já lhe falta um elemento no topo, talvez uma cruz. Em tempos houve um lavadouro junto da fonte.
Continua em À Descoberta do Amedo (2/2)
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 8/06/2011 05:52:00 PM
Conheço a aldeia há muitos anos. Tenho na aldeia alguns familiares e amigos. Se vivemos uma pequena aldeia global, pior ainda quando falamos de aldeias vizinhas (embora as vias de comunicação entre Amedo e Zedes nunca tenham sido famosas).
Visitei o Amedo, recentemente, duas vezes, e em ambas a encontrei com cheiro a fruta, iluminada por um sol radioso. A primeira visita foi em meados de Outubro. Dos lagares ainda existentes saía o cheiro adocicado a mosto. Voltei há pouco dias, e, desta vez, encontrei a aldeia rodeada de flores multicolores e de cerejas maduras que abundam pelos quintais. Nestas viagens, embebido da tranquilidade que se respira em cada recanto, percorri demoradamente as ruas e travessas, entrei na igreja matriz e na capela, saboreei as ginjas maduras da antiga escola primária e apreciei a simpatia das pessoas, que, após a desconfiança do primeiro contacto, abrem a porta da sua casa e do seu coração, deixando transbordar a admiração que sentem pela sua terra.
Os habitantes já são poucos, isto se compararmos os atuais com os quase 800, em 1950. A população residente estará abaixo da que existia em 1758, 290 pessoas. Já nessa altura as habitações se encontravam espalhadas "em sete arrabaldes distantes huns a outros oito varas e outros serão des, pouco mais ou menos". Sempre achei piada à expressão "sete Amedos", mas não sabia que a origem da expressão já tinha alguns séculos!
Um passeio por estes sete Amedos tem toda a vantagem de ser feita de cima para baixo, porque o declive, nesta aldeia, é para levar a sério.
As estradas melhores tanto trazem, como levam. O traçado Carrazeda – Pinhal do Norte afastou a circulação rodoviária do centro da aldeia, onde tinha dificuldades de circulação. Quem quiser visitar o Amedo deve apanhar a antiga M631, pouco depois de passar a Zona Industrial de Carrazeda de Ansiães. Este percurso, feito mais devagar, vai permitir uma visão bastante completa da aldeia, bem como repousar o olhar pelo horizonte até aos limites da freguesia, para lá de Areias, até às fragas que se precipitam até Pinhal do Norte. Mais para poente, avista-se parcialmente a aldeia de Pombal de Ansiães, mas o deslumbramento prolonga-se por terras do concelho de Alijó, por serranias violadas que darão à luz o IC5.
As primeiras casas vão surgindo, ao longo da Avenida dos Maios. Um pouco mais abaixo há um cruzeiro, uma espécie de alminhas, com um painel de azulejo policromático representando Nossa Senhora da Conceição. Não têm faltado bonitas flores naturais em seu redor.
O Largo do Gricho é um bom local para uma paragem, e, quem sabe, para deixar o automóvel e fazer o resto do percurso (à descoberta) a pé. Continuando rua abaixo surge o Largo do Cruzeiro. Tal como o nome indica, existe aqui um bonito cruzeiro, muito antigo, um dos monumentos mais queridos pelos residentes. O cruzeiro é bastante mais antigo do que o painel de azulejo que lhe colaram numa das faces, representando de novo Nossa Senhora da Conceição. Na outra face está um crucifixo, também mais recente. A posição elevada do cruzeiro, o facto de estar no centro do largo, mas também a beleza do seu perfil, chamam a atenção de quem ali passa.
Mais esquecida e mais escondida, está a fonte da Mina, depois de ter perdido toda a utilidade. Situada a algumas dezenas de metros do cruzeiro, era um dos pontos de abastecimento de água da aldeia. Tratava-se de uma fonte de mergulho, muito rústica, limitada a uma reentrância nas rochas, onde as mulheres apanhavam a água com a ajuda de púcaros, enchendo assim os canecos. Dessa prática ainda têm recordação algumas mulheres da aldeia.
Muito próximo desta, há outra fonte de mergulho, em granito aparelhado, da qual não descobri o nome. Está situada em antigas hortas, perto da ribeira das Amas, junto da estrada. Ali ao lado está o moinho do Botas, exemplar mais próximo da aldeia e representativo de muitos outros, que se estendem ao longo dos vários ribeiros, que se vão juntando até morrerem no Tua.
A escola Primária está encerrada. Nela decorrem obras de adaptação a sede da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo. Ainda bem que é dada utilidade e vida a estes edifícios, caso contrário, seriam vandalizados em pouco tempo.
O local para a paragem seguinte é o largo do Eirô. Junto da capela há uma espetacular fonte conhecida como fonte do Paço. Há uma grande tendência para se chamar Fonte Romana a todas as fontes antigas, muitas de mergulho. Esta fonte deve ter a sua origem no século XVIII. É uma fonte de mergulho barroca com um frontispício delimitado por pilastras e cornijas. Na minha opinião já lhe falta um elemento no topo, talvez uma cruz. Em tempos houve um lavadouro junto da fonte.
Continua em À Descoberta do Amedo (2/2)
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 8/06/2011 05:52:00 PM
[À Descoberta de Vila Flor] Saudades das flores
Quando Agosto começa há muita coisa que muda. desde logo o movimento das pessoas, a dificuldade em estacionar, as festas das aldeias e os incêndios. Também há muita coisa de que se sente saudades: a verdura dos campos; o colorido das flores; a alegria da escola.
Numa passagem por Vale Frechoso durante o mês de Maio, captei o cenário que hoje mostro em fotografia. Contrasta com o dia de hoje, nublado, sombrio, a ameaçar com chuva. No entanto, ainda é cedo para as chuvas que proporcionaram a humidade necessária para a sementeira da primeiras nabiças.
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/06/2011 04:06:00 PM
Numa passagem por Vale Frechoso durante o mês de Maio, captei o cenário que hoje mostro em fotografia. Contrasta com o dia de hoje, nublado, sombrio, a ameaçar com chuva. No entanto, ainda é cedo para as chuvas que proporcionaram a humidade necessária para a sementeira da primeiras nabiças.
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/06/2011 04:06:00 PM
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Passeio de Clássicos e Antiguidades
O Passeio de Clássicos e Antiguidades realizou-se no dia 31 de Julho, organizado pela Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães. Os participantes percorreram alguns dos lugares mais bonitos do concelho, ao volante das suas estimadas máquinas.
Todas as fotografias foram enviadas por Fernanda Natália Pereira, a quem agradeço.
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 8/04/2011 12:56:00 PM
terça-feira, 2 de agosto de 2011
[À Descoberta de Carrazeda de Ansiães] Exposição de Fotografias - Profissões ...
Venho convidá-los para o Festival de Artes de Pombal de Ansiães, que vai decorrer em Pombal de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães, de 4 a 9 de Agosto de 2011.
Entre um vasto conjunto de manifestações culturais, tenho o prazer de poder partilhar algumas fotografias e histórias de vida a que chamei Profissões Antigas.
Trata-se de uma homenagem a um conjunto de homens e mulheres que, desde tenra idade, exerceram (ou ainda exercem) profissões que aos pouco caíram em desuso. Apesar dos trabalhos árduos que tiveram, sentem orgulho no rumo que tomaram e falam das suas profissões com vaidade.
Para ver a partir do dia 4 de Agosto na sede da Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães.
Programa do Festival de Artes de Pombal de Ansiães, 2011
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Carrazeda de Ansiães a 8/02/2011 12:07:00 PM
[À Descoberta de Vila Flor] Lenda de Nossa Senhora do Carrasco
O lugar onde está a capelinha de Nossa Senhora do Carrasco [em Benlhevai] antes era apenas um monte, onde andava, numa ocasião, um lenhador com a sua picareta a arrancar e a cortar lenha. E nisto, ao espetar a picareta num carrasco para o arrancar, ouviu um gemido:
— Ai! Ai! Ai…
E descobriu então a imagem de Nossa Senhora. Estava lá escondida no carrasco. Foi ela que deu aquele gemido para que a não magoasse. O povo fez então ali a capelinha, onde colocaram a imagem e a capela ficou, por isso, com o nome de Nossa Senhora do Carrasco.
PARAFITA, Alexandre, Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2, Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2010, p.237
Fotografia: Capela de Nossa Senhora do Carrasco (07-05-2011)
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/02/2011 12:01:00 PM
Etiquetas:
5360 Vila Flor,
Benlhevai,
Livros,
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
[À Descoberta de Vila Flor] Exposição de Fotografias
Venho convidá-los para o Festival de Artes de Pombal de Ansiães, que vai decorrer em Pombal de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães, de 4 a 9 de Agosto de 2011.
Entre um vasto conjunto de manifestações culturais, tenho o prazer de poder partilhar algumas fotografias e histórias de vida a que chamei Profissões Antigas.
Trata-se de uma homenagem a um conjunto de homens e mulheres que, desde tenra idade, exerceram (ou ainda exercem) profissões que aos pouco caíram em desuso. Apesar dos trabalhos árduos que tiveram, sentem orgulho no rumo que tomaram e falam das suas profissões com vaidade.
Para ver a partir do dia 4 de Agosto na sede da Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães.
Programa do Festival de Artes de Pombal de Ansiães, 2011
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/01/2011 11:38:00 PM
Entre um vasto conjunto de manifestações culturais, tenho o prazer de poder partilhar algumas fotografias e histórias de vida a que chamei Profissões Antigas.
Trata-se de uma homenagem a um conjunto de homens e mulheres que, desde tenra idade, exerceram (ou ainda exercem) profissões que aos pouco caíram em desuso. Apesar dos trabalhos árduos que tiveram, sentem orgulho no rumo que tomaram e falam das suas profissões com vaidade.
Para ver a partir do dia 4 de Agosto na sede da Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães.
Programa do Festival de Artes de Pombal de Ansiães, 2011
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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Vila Flor a 8/01/2011 11:38:00 PM
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