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terça-feira, 15 de abril de 2014

[À Descoberta de Valpaços] XVI Feira do Folar

 Os políticos gostam sempre de aparecer nas feiras e eu, quer queira, quer não, estou quase a seguir-lhe as pisadas! No ano passado visitei Valpaços por altura da Feira do Folar e este ano repeti a dose. Não é só pelo folar que vou a Valpaços, mas a feira é uma excelente montra do concelho, no que toca a gastronomia e não só ... e é uma ótima "desculpa" para mais uma viagem.
Aproveitei a manhã de Sábado para fazer uma visita demorada à Feira, constou-me que de tarde não seria "recomendável" circular por lá.
O folar é o "rei" da festa e merece bem o destaque. O processo de certificação está à beira de ser concluído o que pode vir a dar ainda mais destaque a esta iguaria. A certificação obriga também a uma maior uniformização, mas quem circula pelos muitos expositores e prova os folares consegue aperceber-se que há muita variedade. Os produtos caseiros, de origem própria, são muitas vezes o fator que faz a diferença, mas a experiência de quem os faz, o tipo de forno, a própria temperatura do forno ... são algumas das condicionantes que  podem fazer um bom produto.
Havia muitos e bons folares, diferentes nas formas e nas cores, mas todos apetitosos recheados de boas cartes e temperados com um bom azeite.
O número de expositores aumentou e isso esteve visível numa tenda que foi acrescentada, para aumentar o espaço.
 Havia também bolos podres e muitos económicos. É bom ver que há bastantes pessoas a usarem a amêndoa e a castanha, nos seus bolos, inclusive no folar!
Também o fumeiro tem bastante peso nos produtos apresentados na feira, mas há um pouco de tudo: frutos secos, azeitonas, queijos, ... e o vinho, que nunca tem da minha parte a atenção que merece. É que Valpaços também tem excelentes vinhos, prova disso é o número crescente de medalhas que os vinhos do concelho têm conquistado.
Comprei alguns folares, um livro sobre o concelho de Valpaços e desloquei-me para a zona da restauração para almoçar. Preparava-se o cenário para o programa da tarde da RTP1 e o ambiente não tinha calma suficiente para a degustação. Dei um passeio pelo centro da cidade e aproveitei para almoçar fora da feira.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Valpaços a 4/15/2014 03:52:00 da tarde

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

[À Descoberta de Miranda do Douro] Sabores Mirandeses 2014

O festival Sabores Mirandeses que se realizou em Miranda do Douro nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro foi uma boa desculpa para passar estes dias no concelho, embora não fosse necessário, porque o concelho já oferece motivos mais que suficientes para me cativar, mesmo sem festival.
À volta dos sabores desenvolvem-se uma série de atividades que atraem muita gente e mostram o grande potencial que o concelho tem.
No campo da gastronomia, o festival é a maior montra do que de melhor se produz no concelho. Este foi a XIII realização do evento. Ao longo dos anos muitas cozinhas tradicionais foram aprimorando a arte de fazer fumeiro e muitas mãos habilidosas tornaram cada vez melhores um conjunto de doces e bolos que também são imagens de marca.
Na área do artesanato também não faltam bons produtos, únicos, como a capa de honras mirandesa ou as cortantes navalhas e faças que se fabricam em vários locais do concelho.
A animação musical não tem necessidade de recorrer a grupos exteriores ao concelho, porque há um bom leque de grupos de Pauliteiros e Pauliteiras e estão a constituir-se novos grupos que tocam instrumentos tradicionais, muitos deles já com CD's editados. A juntar a tudo isto a TVI realizou a partir de Miranda do Douro o programa Somos Portugal, em direto, das 14 às 20 horas de domingo.
Não me foi possível acompanhar a maior parte das iniciativas mas passei muito tempo no Pavilhão Multiusos, fotografando e saboreando alguns dos petiscos que se encontravam à venda.
No dia 15 realizou-se ao I Concurso de Tabafeia Mirandesa. Tabafeia é o nome dado à alheira em Miranda do Douro. Com este concurso nota-se uma preocupação da Câmara Municipal e da Associação Sabores de Miranda neste produto. O processo de certificação já foi iniciado e este concurso foi mais um passo para concentrar atenções no produto. Apresentaram-se 10 concorrentes que foram apreciadas por um leque de três provadores, que selecionaram as 3 melhores Tabafeias.  Gostos não se discutem, mas a verdade é a de que a atribuição dos prémios se refletiu nas vendas. Os três produtores vencedores conseguiram vender todo o stock com grande rapidez.
Durante o dia apresentaram-se dois grupos de Pauliteiros, os de Sendim e os de Palaçoulo.
À noite atuou a Banda Filarmónica Mirandesa, cada vez mais jovem e alegre e o grupo Lenga Lenga. Estive sem ouvir os Lenga Lenga até ao ano passado, mas agora já tive o prazer de os ouvir  e ver 3 vezes. Gosto muito da música tradicional. A flauta pastoril é o instrumento que mais admiro e o grupo faz bom uso deste instrumento.
O movimento na feira também aumentou bastante com a chegada dos participantes no Passeio TT e da Montaria ao Javali realizada no termo de Vila Chã de Braciosa, onde foram abatidos 4 javalis.
O domingo amanheceu mais luminoso e sem chuva, o que permitiu um largo passeio pelos arredores da cidade em busca das amendoeiras em flor.
Ao início da tarde começou a transmissão em direto pela TVI do programa Somos Portugal. Não sou apreciador do tipo de música que o programa apresenta e os apresentadores têm cada vez uma linguagem mais ordinária. Por vezes dão até uma imagens distorcida do concelho, ridicularizando os entrevistados e gozando com os produtos. Não posso é negar que estes programas atraem muitas pessoas!
 Uma curta passagem pelo Largo D. João III fez-me perder algumas atividades como o II Concurso de Mel do Planalto Mirandês e o I Concurso de Bola Doce Mirandesa. No Pavilhão atuaram também o Coro da Universidade Sénior de Miranda do Douro, Ls Mirandum e Varibombos Lérias.
O espaço estava a abarrotar de gente e as vendas ocorriam a bom ritmo. Já no dia 15 vi algumas bancas praticamente vazias, porque tinham vendido todos os seus produtos.
Quase no final da feira atuaram os Pauliteiros de Malhadas.
Os participantes na Montaria ao Javali, ocorrida durante a manhã em Paradela não fizeram o gosto ao dia e  não abateram nenhum animal. Os participantes no no passeio BTT tiveram sorte com o tempo, mas sei bem como são os caminhos do concelho quando estão encharcados.
Quanto à atividade VI Rota das Arribas do Douro, nem sei de que constou! Não me lembro de ver nenhum cartaz... seria um passeio pedestre?
Não fiz nenhuma refeição no recinto do festival. Só depois de muito procurar e que fui informado que o dia 14 foi o Dia do Fumeiro, o dia 15 o Dia do Cordeiro Mirandês e dia 16 o Dia da Vitela Mirandesa. Realmente estava no programa, mas passou-me despercebido. Não me parece que o certame atraia visitantes para comerem no recinto. Claro que os participantes nas batidas, provas de TT, de BTT, e expositores já são muita gente, mas não é destes que estou a falar. Pode ser uma estratégia para que os visitantes se distribuam pelos restaurantes da cidade, mas parece-me uma má opção.
 Acho que no recinto da feira devia haver mais alternativas paras as pessoas provarem os bons pratos mirandeses, fossem eles de cordeiro, de vitela ou outro.
O Festival Sabores Mirandeses foi um excelente ponto de encontro, para rever amigos, uma mostra excecional do fumeiro, doçaria, cutelaria, mel, frutos secos e outros produtos dos do concelho. Compradores não faltaram e, pelos comentários que ouvi, as vendas correram muito bem.
Nos próximos dias não vão faltar Sabores Mirandeses aqui em casa.

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Publicada por Blogger às À Descoberta de Miranda do Douro a 2/19/2014 01:06:00 da manhã

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Workshop de Micologia (II)

No dia 30 de novembro realizou-se na vila de Alfândega da Fé um Workshop de Micologia. A manhã foi ocupada com um passeio pedestre com apanha de cogumelos, comestíveis ou não, para análise e classificação na componente mais teórica do encontro na parte da tarde do dia.
À chegada à Casa da Cultura, depois de um passeio por Vales (com maiúscula, porque neste caso é serra), esperáva-nos uma prova de petiscos feitos à base de cogumelos patrocinada pela Terras de Alfândega, movimento apostado na divulgação das potencialidades gastronómicas do concelho.
O apetite já era algum depois da caminhada, mas a parte disso todas tinham curiosidade em saborear os produtos feitos por um chef e dados a provar de imediato. Não consegui reter os nomes mas provei de todos. O que mais me agradou foi Cheese cake de boletus, com caviar de mel de castanheiro! Bonito não é? O nome e o sabor! Havia também uma pasta para barrar tostas, bastante saborosa e pantorra com courgette.
Como novidade foram apresentados cogumelos cristalizados, prontos a serem utilizados em bolos-rei. Nem tudo me agradou, o cappuccino de cogumelos não me caiu bem, mas outros participantes gostaram. Todos os petiscos foram feitos com cogumelos secos, disponíveis em qualquer altura do ano.
 Depois destes aperitivos apetitosos, restou pouco tempo disponível para o almoço pelo que a opção foi mesmo recorrer a um estabelecimento logo ali ao lado da Casa da Cultura. Almocei na companhia dos elementos da Associação Xixorra, a quem agradeço a bem disposta companhia.
 Os trabalhos da tarde começaram com uma apresentação sobre o tema Morfologia e toxicidade dos cogumelos silvestre. À base de fotografias foram mostrados pormenores de espécies que, pela sua semelhança, são por vezes confundidos com variedades comestíveis.
Segui-se uma atividade mais prática, também pela Associação Xixorra, com a inoculação de Pleurotus em palha. Alguns dos participantes no workshop puderam colocar as mães na massa (neste caso na palha) e colaborar na montagem de um fardo capaz de proporcionar várias colheitas de cogumelos.
Como em quase tudo, quando de depende de uma grande multiplicidade de fatores, não é fácil fazer previsões sobre o tempo que demora, ou a quantidade que vão produzir. Deu para perceber que o equipamento necessário é de fácil acesso, a execução não é morosa nem complicada e a "semente" também já é fácil de adquirir (a própria associação a vende).
Esteve também presente uma empresa AmbiFungi que comercializa cogumelos secos e embalados e também kit's para a produção doméstica de repolgas, feitos à base de borra de café.
Foi também feita a identificação de todas as espécies recolhidas durante a manhã.
O meu balanço do Workshop é bastante positivo. Agradou-me especialmente a saída de campo e a demonstração de alimentos feitos à base de cogumelos. Quanto à aprendizagem sobre as espécies de cogumelos, o assunto é demasiado perigoso, não pode ser decidido com base na dúvida. Foi interessante e positivo ouvir especialistas a falarem das espécies, mas continuarei a só colher aquelas espécies que conheço desde criança, poucas mas aquelas em que tenho (quase) a certeza de não me enganar.
É interessante verificar que a micologia está a ganhar mais e mais adeptos. Praticamente todos os municípios de Trás-os-Montes organizaram encontros sobre este tema.
Como pude verificar no início do outono no concelho de Mogadouro, se a apanha para comercialização continua a crescer corre-se o risco de se perder a "galinha dos ovos de ouro". A atividade não está regulamentada e isso é mau.


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Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 12/17/2013 08:01:00 PM

sábado, 23 de julho de 2011

[À Descoberta de Miranda do Douro] Festa de St.ª Marinha em Cércio

A festa de St.ª Marinha, em Cércio, tem uma particularidade que a distingue das restantes festas do concelho e eu quis, mais uma vez, estar presente para o comprovar.
No dia 22 realizou-se o Dia dos Caracóis. Começa já a assumir-se como uma tradição no primeiro dia das festas de St.ª Marinha, muita gente do concelho deslocar-se a Cércio para uma enorme petiscada, que tem como principal atracão os caracóis. Não deixa de ser caricato o facto de nesta região nem ser muito habitual ou tradicional comer caracóis! Quis saber mais um pouco como surgiu esta tradição.
 Subsiste a crença, não sei se verdadeira, que a aldeia de Cércio se situava um pouco mais abaixo do lugar onde está hoje, junto do ribeiro, nas imediações da capela de St.ª Marinha que seria, na altura, a igreja do povoado. Certo é que, na memória dos habitantes de Cércio, está ainda bem presente a imagem da capela completamente cheia de silvas e em ruínas. A recuperação deu-se entre os anos 1993 e 1994 (e eu conheci-a em 1996). Durante alguns anos não houve comissão de festas sendo a mesma dinamizada pela Junta de Freguesia. Mais tarde juntou-se um grupo de pessoas que se responsabilizou pela realização da festa. E, foi quando essa comissão integrou algumas pessoas que residiam em Lisboa que surgiu a ideia da compra de caracóis para a realização de uma petiscada. O sucesso foi imediato e repetiu-se em anos seguintes.
 Ao longo dos anos foram acrescentados novos petiscos e hoje são servidos os caracóis, bifanas, cristas, moelas, orelha de porco e caldo verde. O caldo verde apenas foi introduzido no ano passado, mas já faz parte da ementa integrando-se com os petiscos.
Foram várias centenas de pessoas que estiveram no campo de futebol da aldeia, junto da capela de St.ª Marinha para saborearem os petiscos. Eu diria que foram perto de 400 pessoas. A noite esteve agradável e muitas famílias inteiras marcaram presença, vindas dos mais variados pontos do concelho.
Infelizmente a capela de St.ª Marinha estava fechada, mas consegui que me fosse aberta a porta para fazer algumas fotografias. O facto de estar encerrada justifica-se com a necessidade de canalizar todo o pessoal disponível para servir às mesas, mas penso que ficaria bem ter a capela aberta.
É um espaço bonito, rústico, muito bem recuperado.
 A principal curiosidade está no exterior. São 5 pilares de granito, de tamanhos desiguais e erigidos de forma desorganizada. São muito enigmáticos levantando muitas possibilidades quanto ao seu simbolismo. Algumas delas vão para além da idade da capela, indo até à pré-história. À quem lhe atribua o simbolismo dos 5 dedos de uma mão, todos desiguais, que estariam relacionados com a administração da justiça. Outra justificação, bem mais plausível e recente, aponta para a existência de um Cabido exterior fazendo os pilares em granito parte do suporte do telhado, que se erguia à frente da capela. Esta construção não é muito frequente no planalto mirandês, mas há muitos exemplos em Trás-dos-Montes, embora nunca se trate de pilares tão rústicos. Não posso deixar de salientar que existe algo de semelhante, aqui bem próximo, em Vila Chã da Braciosa, nas ruínas da capela da Trindade.
A festa de Santa Marinha vai ainda prolongar-se pelos dias 23 e 24 de Julho.

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Publicada por Anibal G. em À Descoberta de Miranda do Douro a 7/23/2011 02:02:00 AM

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

[À Descoberta de Vila Flor] Cogumelos - Canários (Tricholoma equestre)

Na sequência de um artigo postado há alguns dias sobre outro cogumelo, as sanchas ou pinheiras, hoje venho falar de uma espécie bem mais polémica: o canário, tortulho, miscaro, etc.
Sinónimos: Agaricus equestris, Tricholoma flavovirens, T. auratum.
Características: o chapéu convexo, passa depois a alargado e recurvado, tem um diâmetro de 5 a 10 cm, vai do amarelo-azeitona ao verde-azeitona e chega a ser avermelhado ou castanho no centro. A
carne branca, que pode ser um pouco amarelada por baixo da cutícula do Chapéu, tem um cheiro a farinha; as lâminas apertadas e amarelo-enxofre estão ligadas ao pé de forma abaulada. Os esporos elíptícos medem 6 a 8 x 3 a 3,5 µm a esporada é branca. O pé cilíndrico, que no estado jovem é frequentemente abaulado, tem 3 a 7 cm de comprimento e 1 a 2 cm de espessura; é amarelo-enxofre (podendo ser esbranquiçado perto do chapéu) e por vezes coberto de escamas isoladas castanhas.
Habitat: Espécie que se encontra sobretudo em florestas coníferas com solo arenoso e nestas, especialmente sob pinheiros; os esporóforos surgem de Outubro até ao Inverno.
Valor: Cogumelo comestível de elevada qualidade, cuja cutícula deve ser esfolada antes de ser preparado.

Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)

Durante muitos anos esta espécie foi muito apreciada e até vendida em grandes quantidades e a bom preço. A partir de certa altura verificaram-se algumas intoxicações, vindo a ser considerado tóxico.  O livro que cito acima, publicado em 2006, não sendo nenhuma obra de referência na matéria, considera esta espécie "Cogumelo comestível de elevada qualidade, cuja cutícula deve ser esfolada entes de preparado".
Há muita informação na Internet sobre os problemas causados por esta espécie. Ao que parece foi em 2001 que passou a ser considerado tóxico causando uma doença denominada rabdomiólise.
É uma espécie com alguma abundância no concelho, nos pinhais, preferindo solos ácidos e arenosos.
Devem estar a perguntar-se se eu realmente como este cogumelo. Sim. Desde criança que sempre o comi. No corrente ano já o comi várias vezes.
Dado que nunca se sabe qual vai ser a reacção de determinado organismo, ou mesmo quando ingerida em quantidades consideráveis, o mais seguro é NÃO COMER ESTA ESPÉCIE. Embora seja saborosa, há coisas em que arriscar uma vez já é demais.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 11/29/2010 12:02:00 AM

terça-feira, 23 de novembro de 2010

[À Descoberta de Vila Flor] Cogumelos - Sanchas (Lactarius deleciosus)

Este ano parece estar a ser um excelente ano para os tradicionais cogumelos muito apreciados na região. Tenho tropeçado neles em todas as caminhadas que tenho feito, e, mesmo sem nunca ter saído expressamente para os procurar, tenho apanhado bastantes.
Os rocos (Macrolepiota procera) apareceram cedo e muitos secaram rapidamente por falta de chuva. Ainda é possível encontrá-los. No domingo passado vi dois e um deles ainda era bastante jovem.
A apanha de cogumelos é uma tarefa delicada. Come-los sem os ter apanhado é ainda mais complicado. Eu fico muito mais tranquilo quando como cogumelos que eu próprio apanho do que quando os como apanhados por outras pessoas.
Não tenho formação nenhuma sobre cogumelos. Alguns conhecimentos que tenho, adquiri-os em criança. Desde que me conheço, que apanho cogumelos. Penso que entre os 6 e os 12 anos tenha sido os anos em que mais apanhei. Aprendi a distingui-los com a minha família e com os meus amigos, uma vez que cresci no campo e todos os meus amigos apanhavam cogumelos.
Em jovem apanhava perto de 10 espécies, mas, com o passar dos anos, fui perdendo a confiança e agora fico-me pelas 5 mais fáceis de identificar. É uma actividade que não admite erros. Há duas famílias em perigo de vida (uma das quais no distrito de Bragança).
Tudo o que eu disser aqui sobre algumas espécies, não pode ser entendido como instruções para a sua apanha, mas apenas como mais uma amostra da riqueza natural da nossa região e do nosso concelho.

Sanchas, Pinheiras, setas (Lactarius deliciosus)
Características: o chapéu, inicialmente convexo, toma-se posteriormente plano e espalmado ou obcónico e ligeiramente recurvado, com um diâmetro de 5 a 15 cm. É cor de laranja, vemelho-claro ou vemelho-tijolo e com frequência ligeiramente acastanhado; a cutícula do chapéu apresenta zonas anelares concêntricas e com a humidade toma-se um pouco viscosa. A carne quebradiça vai de esbranquiçada a rosa-pálido ou amarelada; quando danificada segrega uma seiva alaranjada ou cor de cenoura. As lâminas apertadas e decorrentes têm comprimentos diferentes; a sua cor vai do laranja-claro ao laranja-avemelhado, mudando sobretudo para esverdeado
quando velhas ou quando tocadas.

Habitat: Espécie por vezes frequente que se encontra sobretudo em florestas coníferas e, nestas, de preferência debaixo dos pinheiros bravos, preferindo solos calcários; aparecem entre Novembro e Dezembro.

Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)

As sanchas são seguramente os cogumelos mais apanhados em Portugal e uma das espécies em que as pessoas têm mais confiança. Há muitas pessoas que apenas apanham esta espécie. Mesmo assim, há que ter cuidado. Tenho encontrado um cogumelo muito semelhante sob os sobreiros. Desconheço se é comestível ou não.
As sanchas crescem nos pinhais idosos. Eu prefiro procurá-las nas bordas dos pinhais, principalmente nos locais mais húmidos.
Apesar do seu nome deliciosus (delicioso), não é dos meus cogumelos preferidos. Tem um sabor muito característico e intenso.
Já apanhei esta espécie em Benlhevai, Vale Frechoso, Roios, Vila Flor, Freixiel, Seixo de Manoses, Candoso e Vila Flor.

Nota: o Município de Vila Flor e o Fundo Florestal Permanente editaram há alguns anos um "Mini-manual dos cogumelos". É possível que ainda haja alguns a circular por aí.

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Publicada por Xo_oX em À Descoberta de Vila Flor a 11/23/2010 12:28:00 AM