terça-feira, 10 de setembro de 2013

[À Descoberta de Alfândega da Fé] Vilarelhos - Nossa Senhora dos Anúncios

 Nos dias 23, 24 e 25 de agosto realizaram-se em Vilarelhos as festas em honra de Nossa Senhora dos Anúncios. O dia "maior" foi a 24, tendo como ponto alto a eucaristia seguida de procissão até à capelinha situada no cimo de um monte que se eleva no meio do vale da Vilariça. Gostaria de ter estado presente noutros momentos das festas, mas encontrava-me a acompanhar a feira TerraFlor e as festas em honra de S. Bartolomeu em Vila Flor, pelo que apenas me desloquei a Vilarelhos para acompanhar a procissão.
Estas procissões mais longas, fora dos povoados, requerem uma coragem acima da média a quem transporta os andores, mas, em contrapartida, provoca nas pessoas sentimentos e emoções especiais.
Não fazia ideia como as pessoas da aldeia se organizavam para irem na procissão até ao santuário  e para depois voltarem para a aldeia. Pensei que fizessem os dois percursos a pé, mas vi mais tarde que não.
Como tinha tempo disponível optei por ir até ao santuário, deixar lá o carro, voltar a Vilarelhos a pé para puder acompanhar a procissão. Foi uma boa opção porque à medida que fiz o percurso para a aldeia fui tirando algumas fotografias e fui "estudando" o terreno para procurar enquadramentos mais interessantes à passagem da procissão.
Comecei a ver passar muitos carros em direção ao santuário, apenas com uma pessoa. Percebi que um dos membros da família se deslocava para o santuário de carro, para depois trazer a família de regresso à aldeia, no final da procissão. Mesmo assim, a procissão era muito extensa, integrava numerosos andores e era acompanhada por muitas pessoas. Identifiquei os andores do Sagrado Coração de Jesus, de São José, São Sebastião, Nossa Senhora de Fátima , de santa Bárbara e Nossa Senhora dos Anúncios, mas havia mais dois.
Acompanharam a procissão a Banda 25 de Março, de Lamas e a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Sendim
O percurso foi demorado, feito em passos cadenciados, com numerosas paragens. Na parte final, na chegada ao cabeço, o declive obrigou a um passo ainda mais lento. A luz do dia  foi decaindo, abafada também por imenso fumo que chegava ao vale vindo dos lados de Murça, onde lavrava um violento incêndio.
Depois da procissão chegar ao cabeço, o andor foi colocado num suporte, virado para a capelinha e o pregador fez um emocionado sermão. As lágrimas rolaram por muitos rostos quando saiu do altifalante um fado sobre a Mãe. Terminado o sermão, o andor de Nossa Senhora dos Anúncios entrou na capelinha e terminou a cerimónia.
A maior parte das pessoas abandonou o local nos automóveis que para ali já tinham sido deslocados. Reparei que algumas famílias, poucas, tinham um farnel, à moda antiga e se preparavam para o saborear em grupo. Havia frango no churrasco à venda. A banda Rumo Nordeste  procedia às últimas afinações para proporcionar um arraial à altura da festa.

Dos anúncios Virgem Santa
Da Vilariça Senhora,
Este povo que vos canta,
Vossa proteção implora.

Salvé rainha do céu,
Vosso amor é quem nos guia.
Somos todos filhos teus,
Avé Maria, avé Maria.




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Publicada por Blogger às À Descoberta de Alfândega da Fé a 9/10/2013 11:31:00 PM

1 comentário:

António Castro disse...

Boas, caríssimo Aníbal.

Faço questão de elogiar o seu "trabalho".
Graças às suas reportagens, eu, Vilarelhense, fora da terra mãe ha muitos anos e com uma frequência de visitas inferior ao desejável, fruto da velocidade com que o impiedoso relógio nos vai ditando os próximo compromisso, tenho no seu (excelente) trabalho a oportunidade de sentir a minha aldeia e as suas tradições de modo muito próximo, bem como partilhar com os meus filhos esses mesmos usos e costume, de forma muito mais interessante. Até que maior disponibilidade nos permitam viver esses momentos...

Por tudo isso e porque o seu trabalho reúne testemunhos de outras localidades, factos e notícias, acabamos por enriquecer o nosso conhecimento, também.

Por tudo, obrigado. Votos de felicidades e força para continuar a dinamizar essa genuína região, com belíssimas paisagens, magníficas pessoas e desconhecidos recantos!

Saudações transmontanas,

António Castro